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  • Paidia

    ISSN: 0103-863X

    paideia@usp.br

    Universidade de So Paulo

    Brasil

    dos Santos, Manoel Antnio

    A representao de si na esquizofrenia atravs do psicodiagnstico de Rorschach

    Paidia, vol. 10, nm. 19, diciembre, 2000, pp. 67-81

    Universidade de So Paulo

    Ribeiro Preto, Brasil

    Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=305425345009

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  • A REPRESENTAO DE SI NA ESQUIZOFRENIA ATRAVS DO PSICODIAGNSTICO DE RORSCHACH 1

    Manoel Antnio dos Santos2

    RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo discutir a relao entre a representao de si e a organizao psquica na esquizofrenia, atravs do psicodiagnstico de Rorschach. A pesquisa foi realizada com uma amostra de 20 pacientes ambulatoriais adultos do sexo masculino, diagnosticados como esquizofrnicos. Para uma avaliao sistemtica das respostas obtidas, foi aplicado um instrumento de anlise de contedo, de acordo com critrios e referenciais interpretativos propostos pela literatura. Os dados obtidos evidenciaram um severo comprometimento da estrutura representacional, bem como uma escassa projeo de dinamismo e de atividade interacional nos perceptos. O mundo interno do esquizofrnico precariamente ordenado e integrado, marcado por uma acentuada indiferenciao afetiva e por representaes de si arcaicas e regressivas, resultando no empobrecimento da personalidade. As implicaes tericas desses achados sero consideradas na discusso dos resultados.

    Palavras-chave: esquizofrenia, representao de si, psicodiagnstico de Rorschach.

    THE SELF REPRESENTATION IN SCHIZOPHRENIA: EVALUATION BY MEANS OF THE RORSCHACH TEST

    ABSTRACT: This article discuss the relationship between the self representation and the psychic organization in schizophrenia, using the Rorschach psychodiagnosis test. The study was conducted on a sample of twenty adult male outpatients diagnosed as schizophrenics. An instrument of content analysis was applied for a systematic evaluation of the responses obtained, based on the criteria and interpretative frameworks proposed in the literature. Data analysis indicated a severe impairment of the structure of self representations, as well as a scarce projection of dynamism and of interactional activity in the perceptions. The inner world of the schizophrenic is precariously ordered and integrated, marked by a marked lack of affective differentiation, and by archaic and regressive representations of the Ego, resulting in the impoverishment of the personality. Theoretical implications are taken into account when discussing results.

    Key words: schizophrenia, self representation, Rorschach test.

    Uma das tendncias mais marcantes nos es-tudos dos transtornos psicticos atravs da aplicao do psicodiagnstico de Rorschach abordar os fen-menos patolgicos associados aos quadros psicticos desde o ponto de vista da atividade representacional que a tcnica permite explorar (Anzieu & Chabert, 1987; Chabert, 1987; 1990; Guelli, Jacquemin & Santos, 1996; Mayman, 1967; Rausch de Traubenberg, 1981, 1986; Sanglade, 1983; Santos,

    ' Artigo recebido para publicao em 04/00; aceito em 06701 2 Endereo para correspondncia: Manoel Antnio dos Santos, Depar-tamento de Psicologia e Educao da Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Ribeiro Preto - USP. Docente do Programa de Ps-graduao em Psicologia, coordenador do NEPP - Ncleo de Ensino e Pesquisa em Psicologia Clnica. Endereo para correspondncia: Av. Bandeirantes, 3900 -14040-901 - Ribeiro Preto - SP. E-mail: masantos@ffclrp.usp.br

    1991, 1992, 1996a, 1996/>, 1997; Santos & Jacquemin, 1990a). A representao de si, ou auto-representao, tal qual expressa no exame de Rorschach, tem sido investigada na literatura especi-alizada sobretudo com relao ao seu fenmeno correlato: a representao de objeto (Santos, 1996a).

    Tal desenvolvimento terico resulta da apli-cao sistemtica da teoria psicanaltica das relaes de objeto (Meissner, 1979) e da representao men-tal (Beres & Joseph, 1970) ao campo do psicodiagnstico. Um dos desdobramentos mais fe-cundos desses aportes tericos foi a elaborao de um quadro conceituai que nos permite tomar as res-postas ao Rorschach como indicadores do mundo representacional internalizado pelo sujeito, fomecen-

    Paidia, FFCLRP-USP, Rib. Preto, ago/dez/2000. 67

    mailto:masantos@ffclrp.usp.br
  • do pistas sobre a organizao dinmica da personali-dade, que se revelaram valiosas do ponto de vista diagnstico e prognstico.

    Portanto, o estudo da representao de si (ou da representao do corpo) e do objeto atravs do Rorschach inicia-se com a investigao do papel que as representaes dos objetos internalizados desempe-nham na constituio e estabilidade do ego (Rausch de Traubenberg, 1983). Dentro dessa concepo te-rica, a existncia de imagens do outro (objetos) den-tro do self considerada uma pr-condio do de-senvolvimento emocional e social (Mayman, 1967).

    A representao de si (Rausch de Traubenberg, 1981) supe a existncia de um sujeito capaz de refletir sobre si mesmo. Essa noo de Eu uma conquista basicamente experiencial. Atravs das experincias repetidas de troca com o ambiente, a criana gradualmente adquire a percepo de si mes-ma, isto , se descobre como um ser singular. A me-dida que tal percepo evolui e se torna constante, a criana tambm se torna capaz de se representar e de se comunicar com o mundo atravs das representa-es de si que elabora e re-elabora continuamente, constituindo um self organizado (Santos, 19962?, 1997).

    De acordo com Marin (1991-92), o self re-presenta o que h de mais ntimo em cada um de ns. Corresponde ao ncleo concreto de nossa identida-de, que assegura nosso sentimento de permanncia ao longo do tempo e do espao (o sentido de ser), de continuidade (ser o mesmo em diferentes momentos de nossa existncia), de coeso (ser unificado) e de coerncia (ter um sentido). Esses sentimentos bsi-cos fundam nossa identidade, organizam e do senti-do s nossas experincias.

    A constituio da imagem de si solidria construo da imagem do corpo (Sanglade, 1983). Atravs da organizao de uma imagem corporal es-tvel e coerente, a criana tem a possibilidade de perceber, no cruzamento entre as relaes narcsicas e as relaes objetais, que h um self para ela e um self paia os outros. o que Rausch de Traubenberg e cols. (1990) notam, quando dizem que a representa-o de si no Rorschach inclui tanto a imagem do cor-po fantasmtico, como as relaes dinmicas que decorrem da formao dessa imagem e que a estruturam. As respostas ao Rorschach se equilibram nesse fio, s vezes tnue e difcil de se sustentar, en-

    tre dois nveis de exigncias distintas: da atividade fantasmtica, por um lado, e aatividadeperceptiva, por outro (Rausch de Traubenberg, 1983, 1986; Rausch de Traubenberg & Boizou, 1977). Por isso, pode-se esperar que a interferncia excessiva de um nvel sobre o outro esteja sempre presente nas psicopatologias , independentemente da especificidade da problemtica.

    Nesse sentido, importante observar a pre-sena das respostas de movimento nos protocolos. Elas indicam a existncia de um compromisso poss-vel entre a consigna de satisfazer, simultaneamente, as condies "objetivas" da percepo da realidade externa e a necessidade "subjetiva" de representar os desejos do mundo interno (Chabert, 1990).

    A representao de si evolui atravs de uma imagem relativamente frgil do corpo, com contor-nos mal definidos e pouco diferenciados, em que os contedos psquicos sofrem uma espcie de "derra-mamento" atravs das falhas do envelope corporal, at aquelas representaes corporais mais integradas e estveis, enriquecidas pela atribuio de dinamis-mo. O aparecimento de cinestesias evidencia o esta-belecimento de fronteiras corporais bem definidas, mas tambm flexveis o bastante para permitirem a passagem do fluxo constante de energia psquica ne-cessria s trocas afetivas com o mundo. Essas re-presentaes mais evoludas so mediadas por engramas vividos e calorosos, que se reatualizam con-tinuamente atravs de experincias emocionais vivenciadas com os objetos, possibilitando a trans-formao e o crescimento da personalidade.

    Formulao do problema Para Modell (1963, 1973), problemas vivi-

    dos no nvel das relaes de objeto mais precoces podem levar a uma predisposio esquizofrenia. Friedman, Gunderson & Feinsilver (1973, conforme citados por Perse & Massuyeau, 1984), propem que se compreenda a patologia esquizofrnica como um problema de funcionamento do Eu, determinado pe-las relaes precoces entre a criana e as figuras parentais, no excluindo a influncia de elementos biolgicos e constitucionais. Essa distoro das rela-es objetais primrias resulta em uma incapacida-de de organizar representaes internas do mundo exterior adequadas, e de mant-las distintas do seu mundo interno.

    68 Paidia, FFCLRP-USP, Rib. Preto, ago/dez/2000.

  • Diversos autores postulam que a insuficin-cia das representaes internas do mundo externo real (ou seja, de imagens-lembranas) est intima-mente ligada s condutas patognomnicas do esquizofrnico na exame de Rorschach (Perse & Massuyeau, 1984). Seguindo essa linha de racioc-nio, podemos indagar ainda se essa problemtica no estaria enraizada em uma virtual deficincia experienciada em termos da elabo