Comercio exterior chins

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    Comun

    icados

    doIpe

    a

    N 97AS TRANSFORMAES

    ESTRUTURAIS DO COMRCIOEXTERIOR CHINS

    30 de junho de 2011

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    Comunicados do Ipea

    Os Comunicados do Ipea tm por objetivo anteciparestudos e pesquisas mais amplas conduzidas peloInstituto de Pesquisa Econmica Aplicada, com umacomunicao sinttica e objetiva e sem a pretenso deencerrar o debate sobre os temas que aborda, masmotiv-lo. Em geral, so sucedidos por notas tcnicas,textos para discusso, livros e demais publicaes.

    Os Comunicadosso elaborados pela assessoria tcnicada Presidncia do Instituto e por tcnicos deplanejamento e pesquisa de todas as diretorias do Ipea.Desde 2007, mais de cem tcnicos participaram daproduo e divulgao de tais documentos, sob os mais

    variados temas. A partir do nmero 40, eles deixam deser Comunicadosda Presidncia e passam a se chamarComunicados do Ipea. A nova denominao sintetizatodo o processo produtivo desses estudos e suainstitucionalizao em todas as diretorias e reastcnicas do Ipea.

    Governo FederalSecretaria de Assuntos Estratgicos daPresidncia da Repblica

    Ministro Wellington Moreira Franco

    Fundao pblica vinculada Secretaria deAssuntos Estratgicos da Presidncia daRepblica, o Ipea fornece suporte tcnico einstitucional s aes governamentais possibilitando a formulao de inmeras polticaspblicas e programas de desenvolvimentobrasileiro e disponibiliza, para a sociedade,pesquisas e estudos realizados por seustcnicos.

    PresidenteMarcio Pochmann

    Diretor de Desenvolvimento InstitucionalFernando Ferreira

    Diretor de Estudos e Relaes Econmicas ePolticas InternacionaisMrio Lisboa Theodoro

    Diretor de Estudos e Polticas do Estado, dasInstituies e da Democracia

    Jos Celso Pereira Cardoso Jnior

    Diretor de Estudos e PolticasMacroeconmicasJoo Sics

    Diretora de Estudos e Polticas Regionais,Urbanas e AmbientaisLiana Maria da Frota Carleial

    Diretor de Polticas Setoriais de Inovao,Regulao e Infraestrutura

    Mrcio Wohlers de Almeida

    Diretor de Estudos e Polticas SociaisJorge Abraho de Castro

    Chefe de GabinetePrsio Marco Antonio Davison

    Assessor-chefe de Imprensa e ComunicaoDaniel Castro

    URL: http://www.ipea.gov.brOuvidoria: http://www.ipea.gov.br/ouvidoria

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    AS TRANSFORMAES ESTRUTURAIS DO COMRCIO EXTERIOR

    CHINS1

    1 Este comunicado foi elaborado a partir do captulo 3 do livro Comrcio Internacional aspectostericos e as experincias indiana e chinesa (disponvel em www.ipea.gov.br). O captulo tem comoautores Emilio Chernavsky e Rodrigo Pimentel Ferreira Leo, pesquisadores do Programa de Pesquisapara o Desenvolvimento Nacional (PNPD) na Diretoria de Estudos e Relaes Econmicas e PolticasInternacionais (Deint) do Ipea.

    Colaboraram para a realizao deste Comunicado Luciana Acioly, Andr Calixtre e Lucas FerrazVasconcelos, Tcnicos de Planejamento e Pesquisa da Assessoria Tcnica da Presidncia do Ipea.

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    1 INTRODUO

    A partir das reformas econmicas promovidas pelo governo, aps a ascenso

    ao poder de Deng Xiaoping no final da dcada de 1970, a economia chinesa

    passou por profundas transformaes que modificaram de modo radical aestrutura produtiva interna, assim como o padro de insero externa do pas.

    Desde ento, o produto interno bruto (PIB) da China se multiplicou por

    quinze vezes em termos reais, crescendo a uma taxa mdia de quase 10% ao

    ano (a.a.), valor muito superior ao de qualquer outro pas neste perodo. Entre

    os fatores que contriburam para este crescimento extraordinrio do produto

    chins, o comrcio exterior assumiu uma posio central. De fato, a estratgia

    adotada pelo governo, marcada pelas reformas que foram introduzindo lenta e

    progressivamente, embora de forma inequvoca, elementos caractersticos do

    funcionamento de uma economia capitalista, incorporava uma mudana

    decisiva no papel do comrcio exterior. O comrcio deixava ento de ter como

    objetivo quase nico a busca da autossuficincia para constituir-se numa

    ferramenta fundamental no impulso ao desenvolvimento econmico do pas.

    Na nova estratgia, o aumento das exportaes aparecia como

    elemento central para a superao da restrio externa que historicamente

    havia limitado as importaes, tanto dos bens de consumo no durveis

    (principalmente alimentos) necessrios para sustentar a expanso do mercado

    de consumo interno, quanto dos insumos e bens de capital requeridos para

    impedir a formao de gargalos estruturais (to caractersticos no perodo

    maosta 1949 a 1976) no rpido processo de industrializao. No entanto,

    mais do que aumentar as exportaes, o governo incentivou que elas fossem

    dirigidas para aqueles setores mais dinmicos da cadeia produtiva global. Por

    sua vez, a regulao das importaes tambm surgiu como forma de impedir

    que seu aumento indiscriminado afetasse o desenvolvimento das indstrias

    nacionais e pressionasse a taxa de cmbio. A coordenao de dois distintos

    regimes de comrcio criados neste perodo o primeiro centralizado em

    empresas estatais e o segundo apoiado na entrada de capital estrangeiro

    buscou alcanar simultaneamente estes objetivos. A maneira como estas

    reformas foram conduzidas, tendo como pano de fundo algumas

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    transformaes importantes no contexto internacional, trouxe impactos no

    somente na pauta de comrcio exterior da China, que passou a incluir uma

    maior participao de setores mais intensivos em tecnologia, mas tambm na

    configurao espacial dos fluxos comerciais.

    Este captulo procura discutir as mudanas comerciais da China,

    tentando incorporar os aspectos mencionados. Para tanto, na segunda seo,

    aps esta introduo, apresenta-se o desempenho mais geral do comrcio

    exterior chins, indicando as principais transformaes em termos de volume,

    pauta e disperso geogrfica das exportaes e importaes. Na terceira

    seo, discute-se a lgica das reformas do comrcio exterior do pas desde o

    incio dos anos 1980, quando se conformaram dois regimes comerciaisdistintos, destacando a importncia da articulao entre o capital nacional e o

    estrangeiro para dinamizar as exportaes e atrair tecnologia. Na quarta seo,

    apontam-se os instrumentos de poltica utilizados para implementar estas

    reformas e analisa-se a forma de gesto ativa da taxa de cmbio. Por ltimo,

    seguem-se as consideraes finais.

    2 A EVOLUO DO COMRCIO EXTERIOR DA CHINA

    Trs processos fundamentais, que sero discutidos a seguir, marcam o

    desenvolvimento do comrcio exterior chins do final da dcada de 1970 ao

    final dos anos 2000. O primeiro se refere rpida expanso dos fluxos de

    comrcio e da participao chinesa no comrcio global, resultante da

    liberalizao comercial fortemente administrada pelo Estado nacional, que

    culminou na drstica diminuio da quantidade e alcance dos controles

    existentes, levada a cabo pelas polticas governamentais adotadas no perodo.

    O segundo processo, que se inicia num momento frente e passa a ocorrer

    simultaneamente ao primeiro, do qual em parte produto, consiste na

    sofisticao da pauta do comrcio externo do pas, que resultou na

    consolidao de um setor exportador dinmico e com crescente intensidade

    tecnolgica. O terceiro, que responde no somente progressiva liberalizao

    do comrcio, mas tambm s transformaes geopolticas e redefinio da

    diviso regional do trabalho na sia, concerne ao redirecionamento dos fluxos

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    de comrcio, em especial das exportaes. Trata-se da formao de um

    padro espacial especfico do comrcio exterior chins, no qual os Estados

    Unidos se constituram no principal mercado consumidor para as exportaes

    do pas, e as naes asiticas, nos principais fornecedores para a produo

    destes bens exportados.

    2.1 Evoluo dos fluxos comerciais

    Desde 1978, assistiu-se a um crescimento vertiginoso do comrcio exterior da

    China. As exportaes se multiplicaram por mais de 160 vezes, crescendo a

    uma taxa mdia de 17,2% a.a. De menos de 7% do PIB em 1978, elas

    passaram a representar aproximadamente 27% em 2010. Quanto s

    importaes, embora tenham crescido a um ritmo um pouco mais lento, de16,4% a.a., elas aumentaram quase 130 vezes, passando de cerca de 7% do

    produto em 1978 para quase 24% em 2010, um grau de penetrao quatro

    vezes superior ao do Japo e igual ao dobro da participao das importaes

    no PIB dos Estados Unidos. Este comportamento excepcional das exportaes

    e importaes chinesas pode ser observado no grfico 1, tanto em valores

    absolutos (eixo esquerdo) quanto em porcentagem sobre o PIB (eixo direito):

    GRFICO 1China: evoluo das exportaes e importaes (US$ bilhes e %

    PIB) 1978-2010

    Fonte: General Administration of Customs of the Peoples Republic of China PRC; World Bank.

    Elaborao Ipea.

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    Entre 1978 e o final da dcada de 1990, as exportaes cresceram, em

    mdia, 15,3% a.a., e as importaes, 13,8% a.a., um ritmo de expanso

    sumamente elevado para um pas que estava praticamente fechado at o inciodo processo de reformas. Do ano 2000 a 2010, todavia, as exportaes e

    importaes chinesas passaram a crescer a uma taxa mdia anual ainda

    maior, respectivamente de 20,3% e 20%, fazendo com que a participao

    mundial do comrcio exterior chins aumentasse consideravelmente.

    Em