Epilepsia - Fabio Agertt's Blog · Epilepsia Definições •Crise Epiléptica Descarga anormal,...

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Epilepsia Dr. Fábio Agertt

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  • Epilepsia

    Dr. Fbio Agertt

  • Mestre, eu te trouxe meu filho, que est com um esprito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no cho. Ele

    espuma pela boca, range os dentes e fica rgido

  • Mestre, eu te trouxe meu filho, que est com um esprito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no cho. Ele

    espuma pela boca, range os dentes e fica rgido

    Evangelho de So Marcos

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Importncia

    5% dos atendimentos nas emergncias

    Prevalncia: 1%

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

    Crise Epilptica

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

    Crise Epilptica

    Descarga anormal,

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

    Crise Epilptica

    Descarga anormal,

    excessiva e sncrona de

    um grupamento

    neuronal,

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

    Crise Epilptica

    Descarga anormal,

    excessiva e sncrona de

    um grupamento

    neuronal, espontneo

    ou secundrio a evento

    exgeno

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

    Crise Epilptica

    Desequilbrio entre

    excitao e inibio de impulsos

  • Convulso:

    Abalos musculares

    Crise epilptica com manifestao

    motora

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Epilepsia:

    Mais de 2 crises epilpticas, com intervalo mnimo de 24 horas entre 2 episdios.

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Estado de Mal Epilptico:

    Mais de 30 minutos de atividade convulsiva ou crises seqenciais sem total recuperao da conscincia intercrise.

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Epidemiologia

    Prevalncia > Incidncia

    Incidncia variando de 11/100.000 a 134/100.000

    Prevalncia de epilepsia ativa: 5 a 9/1000 (1%)

    ndices elevados no primeiro ano de vida, decaem durante a infncia, plat na fase adulta e aumentam nos idosos novamente.

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Epidemiologia

    Mortalidade:

    2 a 3 vezes superior que a populao em geral.

    Parece ser maior em homens.

    Maior nos indivduos com etiologia identificada.

    Freqencia de morte sbita 2 a 5/1000/ano (arritmia cardaca durante as crises ou complicaes pulmonares).

    Suicdio 4 a 5 vezes maior que a populao em geral lobo temporal.

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Etiologia

    Sintomticas: Leso prvia

    Sintomtica recente

    Sintomtica remota

    Idiopticas: determinao gentica

    Criptognicas: sem causa definida

    Indeterminada: ainda no investigada

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Fisiopatologia

    Epileptognese X Plasticidade neuronal

    Hipocampo: zona muito ativa em neuroplasticidade e etiologia de crises

    Faixas de idade com mais crises maior ocorrncia de neuroplasticidade

    Maior atividade excitatria e de fatores neurotrficos

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Fisiopatologia

    GABA (cido gama-aminobutrico) inibio neuronal por hiperpolarizao

    Glutamato mais importante neurotransmissor excitatrio do SNC

  • Crises Epilpticas e Epilepsia

    Fisiopatologia

    Penso, logo...

    Posso ter uma crise!

  • Crise Tnica (generalizada)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crise Clnica (parcial)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crise Tnico-Clnica (parcial com generalizao)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crise Mioclnica (parcial ou generalizada)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crise Atnica (generalizada)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Crise de Ausncia (tpica)(generalizada)

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Definies

  • Parcial Simples

    Parcial Complexa

    Generalizada

    Parcial com Generalizao Secundria

    Parcial com Evoluo para Parcial Complexa

    Parcial com Evoluo para Parcial Complexa e Generalizao Secundria

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Conscincia

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Parcial Simples

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Parcial Simples = Localizada

    Crise com manifestao variada, mas geralmente motora, e SEM perda de conscincia

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Parcial Simples = Localizada

    Tratamento:

    Carbamazepina, Oxcarbazepina, Fenitona, Topiramato, Fenobarbital

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Generalizada

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Generalizada = Todo o crtex

    Perda de conscincia, com ou sem abalos generalizados

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Generalizada = Todo o crtex

    Tratamento:

    Fenobarbital, Valproato, Fenitona, Lamotrigina

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Parcial Complexa

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

  • Parcial Complexa

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

    Parcial simples com alteraes

    de conscincia

    (Com Automatismos)

  • Parcial Complexa

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao

    Tratamento:

    Carbamazepina, Oxcarbazepina, Fenitona, Topiramato, Fenobarbital

  • Crise nica

    No Epilepsia

    Etiologia

    Recidiva

    Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico Crise nica

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico Crise nica

    Atividade epileptiforme

    24 h

    80/156 (51%)

    49/144 (34%)

    Eletrencefalograma

    King et al. Lancet 1998

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico

    Normal

    Esclerosehipocampal

    Outras leses

    Van Paesschen et al. Neurology 1997

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico

    Is the underlying cause of epilepsy a

    major prognostic factor for recurrence

    F. Semah, MD; M.-C. Picot, MD; C. Adam, MD; D. Broglin, MD; A. Arzimanoglou, MD; B. Bazin,

    MD;

    D. Cavalcanti, MD; and M. Baulac, MD

    Neurology 1998;51:1256-1262

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico Recente e os de Fcil

    Controle

    EEG viglia sono privao de sono Neuroimagem RM superior a CT

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Diagnstico Difcil Controle

    Aderncia

    Eventos No-Epilpticos

    Toma medicao?

    epilepsia?

    Origem das crises?

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia Localizada Sintomtica

    Leses Localizadas

    Lobo Temporal

  • Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia do Lobo Temporal

    Crises Parciais Complexas

    Esclerose Mesial Temporal

    Relao com Crises Febris

    Depende da Leso

    Tratamento Medicamentoso e/ou Cirrgico

  • Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia do Lobo Temporal

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia Generalizada Sintomtica

    Sndromes

    West

    Lennox-Gastaut

  • Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Sndrome de West

  • Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Sndrome de West

    Espasmos

    Hipsarritmia

    Regresso DPM

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia Localizada Criptognica

    Epilepsia Generalizada Criptognica

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia Indeterminada

  • Crises Epilpticas e

    Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Epilepsia Localizada Idioptica

    Rolndica Benigna

    Epilepsia Generalizada Idioptica

    Mioclnica Neonatal

    Ausncia

  • Epilepsia

    Classificao das Epilepsias

    Convulses febris

    6 meses a 5 anos

    Febril simples TCG, menos de 5 minutos

    Sem sequelas

    Incidncia pouco maior de epilepsia na evoluo (1% versus 3%)

    Causa da Febre/Tratamento da Febre

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Enxaqueca

    Raramente altera conscincia

    Automatismos rarssimos, clonias e mioclonias impossveis

    Vertigem, ataxia

    Enxaqueca confusional

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Pseudocrises raramente:

    Modifica freqncia ao mudar a medicao;

    Pacientes se machucam

    Incontinncia esfincteriana

    Durante o sono

    Mordedura de lngua

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Sncope

    Fatores precipitantes

    A histria suficiente

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Hiperventilao

    Provoca tontura, sensao de levitao, ansiedade, desconforto torcico e epigstrico

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Perda de Flego (Crises de Reteno Respiratria)

    6 meses a 4 anos

    Choro Apnia Cianose Perda de Conscincia

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Distrbios do Sono

    Terror noturno

    Sonambulismo

    Pesadelo

    Bruxismo

    Jactatio capitis

    Narcolepsia

  • Epilepsia

    Diagnstico diferencial

    Distrbios Paroxsticos No-Epilpticos

    Tiques

    Movimentos arrtmicos

    Vrios msculos

    Pioram com estresse emocional

  • Crises neonatais

  • Perodo neonatal: maior risco de crises

    Incidncia: 1,5 a 5,5/ 1000 neonatos

    Pr-termos e RN baixo peso

    0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    Neonatos

    Muito baixo peso

    Baixo peso

    Peso normal

    3,5 57,5 4,4 2,8 0,00%

    0,50%

    1,00%

    1,50%

    2,00%

    2,50%

    3,00%

    3,50%

    4,00%

    < 30 sem

    > 30 sem

    *a cada 1000 nascidos vivos

    3,9% 1,5%

  • Crises: reacionais agudas ou sintomticas (ILAE)

    Classificao das crises neonatais:

    Manifestaes clnicas

    Fisiopatologia da crise

    Relao entre crise clnica e achados no EEG

    Tipo de sndrome epilptica

  • No epilpticos: (Mizrahi e Kellaway)

    Fenmenos de liberao do tronco

    Automatismos motores

    Manifestaes de crises: (Goldberg, Friis-Hansen, Watanabe)

    Alteraes da frequncia cardaca

    Alteraes na respirao

    Alteraes na presso sangunea

    Ruborizao

    Aumento da salivao

    Ailatao pupilar

    Crises eletrogrficas sem alteraes clnicas

  • Causas mais frequentes de crises neonatais

    Hipxico-isqumico Anormalidades cerebrais conbgnitas Hemorragia intracraniana Distrbios neurodegenerativos Intraventricular Erros inatos do metabolismo Intracerebral Convulses benignas neonatais Subdural Convulses neonatais familiais benignas Subaracnidea Uso de medicaes ou intoxicaes Infeco do SNC Meningite Encefalite Intrauterina Infarto Distrbios metablicos Hipoglicemia Hipocalcemia Hipomagnesemia Anormalidades cromossmicas

  • Classificao sindrmica das crises neonatais

    Convulses neonatais benignas

    Convulses neonatais benignas familiais

    Encefalopatia mioclnica precoce

    Encefalopatia epilptica infantil precoce

  • Convulses neonatais benignas

    Crises clnicas focais

    RN normal: termo, gestao e parto sem

    complicaes

    Incidncia: 4 a 38% das crises neonatais

    No tem causa identificvel

    Rotavrus? Deficincia de zinco no LCR?

    No h histria familiar

  • Convulses neonatais benignas

    Ocorre entre 7 e 10 dias de vida

    Pode haver apnia

    Durao de 1 a 3 minutos

    Crises auto-limitadas

    Podem recorrer em 24 a 48 horas

    RN normal aps a crise

  • Convulses neonatais benignas

    EEG: ondas agudas com atividade de fundo normal

    Em alguns casos podem ocorrer ondas theta (4 a 7 Hz) no EEG

    Podem persistir por at 2 semanas

  • Convulses neonatais benignas

    Iniciao de tratamento controversa

    Raras crianas atraso de desenvolvimento

    Diagnstico de excluso!

  • Convulses Neonatais Benignas

    Familiais

    Incio precoce

    Clnicas focais ou tnicas focais

    Sem outros achados neurolgicos

    RN a termo

    44 famlias descritas na literatura

    Autossmica dominante, penetrncia incompleta

    20q13 e 8q

  • Convulses Neonatais Benignas

    Familiais

    Canais de potssio: KCNQ2 e KCNQ3

    Lentido da conduo do potssio

    Mutaes nos canais KCNQ2 podem ocorrer em

    neonatos com crises sem histria familiar

    Novas mutaes relacionadas a encefalopatia

    epilptica e retardo mental

    Crises ocorrem nos primeiros 7 dias de vida

  • Convulses Neonatais Benignas

    Familiais

    VEEG: postura tnica assimtrica

    apnia ou taquipnia

    movimentos assimtricos

    clnus

    EEG:

    Fase tnica: voltagem atenuada

    Atividade clnica: pontas

    Interictal: normal

  • Convulses Neonatais Benignas

    Familiais

    Tratamento: manter fenobarbital

    2 semanas aps ltima crise

    11 a 16% recorrncia no perodo ps-natal

  • Encefalopatia mioclnica precoce

    (Sndrome de Ohtahara)

    Rara

    Criana no normal ao nascer

    Hipotonia, pouco reativos

    Mioclnus no 1 ms de vida

    Desenvolvimento de crises focais e espasmos

    infantis

    EEG: surto-supresso durante sono e despertar

    EEG no diagnstico!

  • http://www.meddean.luc.edu/lumen/medEd/pedneuro/graphics/hyps_lg.jpg

  • Tratamento

    Tratar eventos epilpticos

    Tratar causa especfica

    Crises agudas: benzodiazepnicos, fenobarbital,

    fenitona

    Crises crnicas:

    Fenobarbital ou fenitona: 3 a 5 mg/kg/dia

    Crises refratrias: carbamazepina, valproato,

    vigabatrina, lamotrigina

  • Tratamento

    No h critrio para descontinuar o tratamento

    1 semana a 12 meses depois da ltima crise

    Efeitos colaterais do tratamento:

    Alteraes no crescimento celular e uso de substrato energtico

    Depresso respiratria

    Hipotenso

    Bradicardia

    Fenitona, febobarbital, valproato, diazepnicos e

    vigabatrina: neurodegenerao apopttica em ratos

  • Independente do tipo de sndrome epilptica crise

    leva dano neuronal!

    Retardo de crescimento cerebral

    Alteraes no desenvolvimento hipocampal

    Alteraes nos circuitos cerebrais

    Alterao na aprendizagem e no comportamento