Alfabetiza§£o de Pescadores Artesanais

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    07-Nov-2015
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Excelente estudo social

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  • Rede

    de

    Saberes

  • REDE DE SABERES

    Alfabetizao depescadores artesanais:Informaes, reflexese pistas metodolgicas

    na formao de educadores

  • PRESIDENTE DA REPBLICALuiz Incio Lula da Silva

    MINISTRIO DO TRABALHO E EMPREGORicardo Berzoini

    SECRETRIO DE POLTICAS PBLICASDE EMPREGORemgio Todeschini

    DIRETOR DO DEPARTAMENTO DEQUALIFICAOAntonio Almerico Biondi Lima

    COORDENADORA-GERAL DEQUALIFICAOEunice La de Moraes

    Copyright 2004 Ministrio doTrabalho e Emprego

    Secretaria de Polticas Pblicas deEmprego SPPEDepartamento de Qualificao DEQEsplanada dos Ministrios, Bloco F, 3andar, Sala 300CEP.: 70059-900 Braslia DFTelefones: (0XX61) 317-6239/317-6004FAX: (0XX61) 224-7593E-mail: qualificacao@mte.gov.br

    Tiragem: 500 exemplares (vendaproibida)

    Elaborao, Edio e Distribuio:Dados da Entidade ConvenenteCentro de Ao Comunitria CEDACRua Benjamin Constant, 108 GlriaCEP.: 20241-150 Rio de Janeiro RJTel.: (21) 2509-0263Fax: (21) 2222-2527E-mail: cedac@cedacnet.org.br

    Concepo EditorialGrfica Freitas

    Reviso de TextoFtima Oliveira e Maria Elisa Nunes

    Projeto grficoAvellar & Duarte Ltda

    IlustraesLygia Ferraz

    Obs.: Os textos no refletem necessariamente aposio do Ministrio do Trabalho e Emprego

  • Boa

    via

    gem

    !Sejam bem-vindos e bem-vindas a bordo! Va-mos iniciar uma viagem desafiadora e estimu-lante. Esperamos que esta revista, tal como umpequeno barco no vasto mar, possa trazer con-tribuies a essa travessia que tem como nicapreciso (no sentido de exatido) o ponto departida - a alfabetizao de jovens e adultospescadores artesanais.

    A revista foi pensada para apoi-los nesse per-curso e, embora traga indicaes e orientaesrelacionadas aos sujeitos e temas da alfabeti-zao de jovens e adultos, ela no uma cartanutica onde o caminho j est traado e bastaapenas segui-lo. Sabem por qu? Porque onosso jeito de pensar educao envolve senti-mentos, atitudes, valores, experincias, sabe-res e como tal processual, est permanente-mente se fazendo. algo que acontece em umespao artesanal, invisvel e denso tramadonuma rede de relaes. Portanto, o processo eo ponto de chegada sero construdos em cadaturma com os seus diferentes jeitos de ser, emcada lugar com seus aromas, cores e sabores.As indicaes e orientaes devem ser percor-ridas, ressignificadas e reconstrudas na buscade novos sentidos para essa alfabetizao.

    So muitos os desafios, mas so eles que nosimpulsionam na direo das mudanas espera-das, desejadas, sonhadas; mudanas to poss-veis quanto necessrias. Um dos desafios paravocs, alfabetizadores, est em exercitar nessaviagem a busca de sua autonomia, sua autoria,seu papel de protagonista nessa ao e a indis-pensvel criatividade na conduo dos traba-lhos. Entendemos que a tarefa de alfabetizar to pedaggica quanto poltica, que ler e es-crever as palavras abrem possibilidades decompreender e de se estar no mundo, de discu-tir e intervir nas prprias condies de vida, depensar os homens, as mulheres e as crianasem sua plenitude, de produzir coletivamenterespostas e aes novas e criativas para pro-blemas velhos que insistem em persistir.

    Amigos e amigasalfabetizadores

    Que essa viagem possa nos ajudar a redesco-brir, na relao que se estabelecer entre edu-cadores e educandos, o encantamento das pala-vras; palavras que desvelam o desconhecido;que registram as memrias dos pescadores so-bre seus fazeres, saberes e poderes. Palavrasque quando escritas ajudam o pensamento aatravessar tempo e espao, e a exercitar a auto-ria de seus prprios textos. Palavras que quere-mos despertar e fortalecer, como: justia social,solidariedade, tica, convivncia, paixo, com-paixo, amor e tantas outras. Talvez possamosadormecer ou ressignificar as palavras que vio-lentam, agridem e ferem a condio humana. Edar relevo s palavras que nos permitam ampli-ar nossa capacidade de comunicao, de ex-presso e de enriquecimento pelo contato coma diversidade do convvio humano e, assim,conseguir traar com maior preciso as nossasrotas de navegao, e clarear as escolhas quefazemos e faremos ao longo desse percurso.Boa viagem!

    Equipe de produo da revista

  • Sumrio

    Amigos e amigas alfabetizadores 3

    Navegando com palavras 6

    A histria da Educao de Jovens e Adultos no Brasil 8

    Por que alfabetizar pescadores artesanais? 14

    Quem so os nossos alunos? 18

    Que alfabetizao desejamos? 20

    A questo poltica 22A questo pedaggica 25

    A questo ambiental e a pesca 28

    Quem o educador de jovens e adultos? 31

    Como acontece a formao do educador? 34

    Preparando barcos, anzis e redes: a prtica na sala de aula 36

    Os nomes das pessoas e das coisas 39Estabelecer alianas e negociaes 40

    Fazer da sala de aula um espao de fortalecimento do grupo 42Valorizar suas histrias 43

    Usar e valorizar as diversas linguagens expressivas 46Problematizar as situaes de aprendizagem 48

    A importncia de ler diariamente para os alunos 50Registrar a oralidade, valorizar e socializar saberes e experincias 52Registrar a memria literria - ditados, trovas, msicas, parlendas 55

    O alfabeto como fonte de consulta 56Associando atividades e alternando os jeitos de fazer 58

    Trabalhando com grupos heterogneos 59

    Navegando com a escrita e a leitura 60

  • Como o trabalho pode ser organizado nesses seis meses? 62Pensando o tempo: o tempo do pescador e o tempo para estudar 62

    Pensando a organizao dos contedos 64

    Quando, como e para que avaliar o aluno e a ao alfabetizadora 68

    Avaliao inicial e diagnstica 69Dirio de classe do alfabetizador 70

    O sentido do erro na avaliao 71

    Terra planeta gua 72

    Pescando mais 74

    Uma entrevista com o lavrador Antnio Ccero de Souza 74O homem, esse descuidado 78Guilherme Augusto Arajo Fernandes 82Um sonho que no serve ao sonhador 84Analfabetismo ou leitura do mundo 88Sugestes para as prticas de sala de aula 89Caboclo das guas 94A Iara 96O marido da me dgua 98O sineiro, o sino, 100Msicas de Dorival Caymmi 103

    Psicognese da lingua escrita 104

  • 6No incio de seu governo, o Presidente LuizIncio Lula da Silva criou a Secretaria Espe-cial de Aqicultura e Pesca que ficou com aresponsabilidade de elaborar polticas sociaise econmicas para desenvolver este setor daeconomia, to rico e ao mesmo tempo toabandonado no Brasil.

    Um dos problemas levantados, logo noincio pela Secretaria, foi o alto ndice deanalfabetismo entre os pescadores e suasfamlias. Para comear a combater esseproblema foi criado o Programa Pescan-do Letras que pretende, at o ano 2006,alfabetizar 400 mil pescadores em todo

    Navegandocom as palavras

    Brasil. As organizaes no-governa-mentais Cedac1 e Semear,2 que possuemum histrico semelhante de trabalhoscom educao popular, foram convida-das para, junto com a Secretaria Especialde Aqicultura e Pesca, buscar alternati-vas para desenvolver o Programa.

    Por meio do Ministrio do Trabalho ecom recursos do Fundo de Amparo aoTrabalhador (FAT) foi possvel obter oapoio para os primeiros passos dessalonga caminhada. Um pequeno projeto,executado entre outubro e dezembro de2003, articulou as seguintes aes:

  • 7 o desenvolvimento da metodologia etecnologia de qualificao social e pro-fissional para a alfabetizao de pes-cadores artesanais;

    a formao de 35 formadores, repre-sentantes de diferentes estados;

    a realizao de oficinas de validaoda metodologia em trs colnias depescadores artesanais no estado doRio de Janeiro;

    a confeco do relatrio de sistemati-zao do processo de formao de for-madores;

    a elaborao e distribuio de 500exemplares de uma revista sobre ametodologia para alfabetizao depescadores artesanais.

    Para realizar bem esse volume de ativi-dades, em to curto espao de tempo, oCedac e o Semear pediram a colabora-o de tcnicos vinculados ao Nead Razes Comunitrias Ncleo de Edu-cao de Adultos da PUC-Rio, e orga-nizao no-governamental Sap Ser-vios de Apoio Pesquisa em Educao,todos com vasta experincia na rea daalfabetizao de jovens e adultos e naformao de educadores.

    Assim nasce essa revista, como fruto deuma produo coletiva que envolveu aequipe mobilizada para esse processo, ossaberes dos 35 representantes da Secre-taria de Pesca de 14 estados, participan-tes do curso de formao realizado noRio de Janeiro, e a vivncia das oficinas,nas Colnias dos Pescadores, que fize-ram parte da formao.

    O objetivo da revista levar aos futurosalfabetizadores um conjunto de informa-es, reflexes e pistas metodolgicasque possam ajud-los a enfrentar, comsucesso, a tarefa de preparar as condi-es para que pescadores e pescadorascomecem a se mover, com maior segu-rana, no mundo da leitura e da escrita.

    Todos os que se comprometeram comesta proposta de trabalho enfrentamum desafio novo: Como ensinar a umpovo com o qual temos tanto a apren-der? Na histria dos pescadores en-contramos a histria do Brasil. Na vidados pescadores encontramos a resis-tncia, coragem, fora e capacidade desuperar dificuldades.

    O pescador com sua simplicidade nosensina meteorologia, ecologia e muitosoutros conhecimentos que fazem partede sua cultura. Temos conscincia de quea troca vai ser rica: alfabetizao, cons-truo de palavras, textos... de um lado,respeito pela natureza e orgulho de umavida inteira sobrevivendo exploraoe fazendo a histria de uma nao... dooutro lado.

    Mais do que alfabetizar, a publicao seprope a demonstrar que o poder econ-mico forte, mas o poder de um povoque tem orgulho do que faz supera qual-quer obstculo.

    Cedac e Semear

    1. Cedac Centro de Ao ComunitriaRua Benjamim Constant 108, GlriaCEP: 20241-150, Rio de Janeiro.

    2. Semear Centro Ativo de Programas SociaisRua