Vida e Obra de Paracelso

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    dele; a alcunha de Aureolus deve ter sido dada por seus admiradores nos ltimos anos de sua vida,j que at 1538 no encontrada em nenhum documento relacionado com sua pessoa. Quanto aonome famoso de Paracelso, acredita-se que este tenha sido dado por seu pai quando ainda jovem,querendo com isso demonstrar que era mais sbio que Celso, mdico clebre contemporneo doimperador Augusto e autor de um livro de medicina muito mais avanado entre todos os que haviaem sua poca.

    J a partir de 1510 ficou conhecido pelo nome de Paracelso e, embora muito raramente o inclusseem sua assinatura, certo que o estampou em suas grandes obras filosficas e religiosas. Do mesmomodo seus discpulos o chamavam de Paracelso, nome que sempre apareceu nas polmicas e nosataques injuriosos de que foi vtima.

    Paracelso foi uma criana franzina, debilitada e com tendncia ao raquitismo, razo pela qual exigiaos maiores cuidados, que lhe eram dispensados pelo prprio pai, que o amava muito. Alm disso,no era muito favorecido pela natureza: era baixinho, corcunda e gago. Dr. Hohenheim atribua umaimportncia extraordinria aos efeitos benficos do ar livre, respirado em plena natureza; por isso,quando o rapaz j estava crescido, fez dele seu companheiro de excurses, conseguindo dessa

    maneira robustecer-lhe o corpo e enriquecer-lhe o esprito.

    Nessa poca na Europa, a farmcia ainda no era reconhecida, diferentemente do que acontecia naChina, no Egito, na Judia e na Grcia, milhares de anos antes da era crist. Com efeito, a primeirafarmacopia pertence a Nuremberg e data de 1542, o ano seguinte morte de Paracelso. Porconseguinte, pode-se afirmar que a maioria das ervas medicinais, que se receitam em nossos dias, jera conhecida na Idade Mdia e os religiosos as cultivavam com todo cuidado, nos jardins dosconventos.

    Das prprias memrias de Paracelso deduz-se que seu pai foi seu primeiro mestre de latim, debotnica, de alquimia, de medicina, de cirurgia e de teologia; mas nele atuaram outras influncias

    de educao, que Dr. Hohenheim no pde infundir. Essas influncias foram devidas ao espritoirrequieto da poca, da nova era que estava sendo preparada: A Renascena.

    Indiscutivelmente foi o esprito da Renascena que deu a Paracelso o grande impulso rumo induo cientfica e ao mtodo experimental. O encontro desse esprito cientfico com as correntesespirituais da Reforma, com sua influncia sobre a alma dos homens, graas a Lutero, fornece aexplicao da formao de sua personalidade, aparentemente contraditria.

    As teorias em voga vinham sendo propagadas ativamente j muito tempo antes de Lutero. Duzentose cinqenta anos antes, uma alma solitria, Roger Bacon, teve uma viso que iluminou as trevas

    acumuladas por quinze sculos de ignorncia e descobriu a chave do divino tesouro da Natureza.Em 1483 nasceu Lutero; dez anos depois, Paracelso; em 1510 veio luz o famoso mdico e filsofomilans, Jernimo Cardano, e em 1517 nascia o clebre cirurgio Ambrsio Pare; Coprnico, oastrnomo revolucionrio, e Pico della Mirandola, todos contemporneos. Tudo eclodiu de uma svez: nova concepo religiosa, nova filosofia, novas cincias, acompanhadas de uma granderenovao no mundo da arte.

    Ainda muito jovem, Paracelso foi enviado famosa escola dos beneditinos do mosteiro de SantoAndr, no Lavantal, a fim de receber a instruo religiosa. Ali tornou-se amigo do bispo EberhardBaumgartner, que era considerado um dos alquimistas mais notveis de seu tempo. Tamanho foi o

    ardor com que Paracelso dedicou-se aos seus trabalhos de laboratrio, tanta a sua fora deobservao nos fenmenos que estudava, que imediatamente se viu em condies para comear aexecutar um trabalho que se antecipava ao seu sculo. Alm disso, teve a sorte de contar com o

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    clima da Carntia que favoreceu grandemente seu desenvolvimento fsico, conseguindo com issodesfrutar uma sade quase perfeita.

    Logo depois, transferiu-se para Basilia, onde fez grandes progressos no estudo das cinciasocultas. Naquele tempo, era impossvel dedicar-se medicina sem conhecer profundamente aastrologia. A cincia experimental estava ainda por nascer. Todos os conhecimentos que seadquiriam nos colgios ou conventos eram puramente dogmticos e esses ensinamentos foramconservados respeitosamente durante muitos sculos.

    Laboratrio Alqumico Mestre e discpulos

    O misticismo e a magia conviviam com as teorias mais antagnicas e os homens mais clebres lhesrendiam homenagem. William Howitt, um mdico notvel, escreveu o seguinte: O verdadeiromisticismo consiste na relao direta entre a inteligncia humana e a de Deus. O falso misticismono procura a verdadeira comunho entre Deus e o homem. O esprito absorto em Deus est

    protegido contra todo ataque. A mente que repousa em Deus aclara a inteligncia.

    Esse foi o misticismo que Paracelso esforou-se por adquirir: a unio de sua alma com o esprito

    divino, a fim de poder conceber o funcionamento desse esprito universal dentro da Natureza.Quando partiu para Basilia, h tinha adquirido a prtica das operaes cirrgicas, ajudando seu paino tratamento de feridos. EmLivros e escritos de cirurgia, relata-nos que teve os melhores mestresdessa cincia e que havia lido e meditado os textos dos homens mais clebres, tanto da atualidadecomo do passado.

    Pouco se sabe da estada de Paracelso em Basilia; consta unicamente que sua passagem por locorreu em 1510. Nessa ocasio ele comea a atacar severamente os sistemas de cura em voga napoca, enaltecendo a compreenso da natureza, a observao clnica, a patologia geral, o estudo dosremdios de acordo com os sinaisou as assinaturas, que so a base da homeopatia divulgada

    posteriormente por Hahnemann. Considerado por muitos como chefe mstico da Fraternidade Rosa

    Cruz, seus trabalhos influenciaram decisivamente os cabalistas, os neoplatnicos e as doutrinasnaturais. Exerceu ainda uma grande influncia na obra de Fludd e Van Helmont.

    Nessa poca, a Universidade da Basilia era dirigida pelos escolsticos e pedantes da poca.Paracelso percebeu que nada sairia ganhando com os ensinamentos daqueles doutores. O p e ascinzas respeitados por esses espritos estreis, haviam-se transformado em matria importante,escreveu ele. Paracelso renunciou a entrar numa luta com aqueles sbios, guardies petrificados dacincia oficial. O que ele queria era a verdade e no o pedantismo; a ordem e no a confuso; aexperincia cientfica e no o empirismo.

    Os estudos com o abade Jean TrithemiusSegundo sua prpria declarao, Paracelso lera as obras manuscritas do abade Jean Trithemius, queencontrou na valiosa biblioteca de seu pai, e to embevecido se sentiu por elas que resolveu

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    transferir-se para Wrzburg, lugar onde o sbio abade se mantinha em contato com seus discpulos.Ali estudou alquimia e cincias ocultas com o abade Trithemius e com o famoso alquimista BasilValentine. Trithemius afirmava que as foras secretas da Natureza estavam confiadas a seresespirituais. Grande era o nmero de seus discpulos e os ele que julgava dignos, admitia em seulaboratrio, onde se manipulava toda espcie de experincias de alquimia e de magia.

    Como mago, Paracelso teve um papel decisivo na evoluo da magia natural que terminou portransformar-se depois naquilo que se convencionou chamar de Cincia Experimental. Empregou oim em muitos de seus trabalhos de cura, sendo, por isto, considerado um dos precursores doMagnetismo Pessoal e do Mesmerismo.

    Jean Trithemius

    Em certas experincias psquicas, obteve xitos surpreendentes; talvez tenha sido ele o primeiro quenos falou da transmisso do pensamento distncia. Deve-se a ele os primeiros ensaios dacriptografia ou escrita secreta. Era tambm um grande conhecedor da Cabala, por meio da qualfornecera profundas interpretaes das passagens profticas e msticas da Bblia. Por isso, colocavaas Sagradas Escrituras acima de todos os estudos e seus alunos tinham que lhes dedicar toda sua

    ateno e todo seu amor. Paracelso foi influenciado pelas Escrituras por toda sua vida e o estudo daBblia constituiu, mais tarde, uma das tarefas que o ocuparam com mais intensidade. Em seusescritos encontramos o testemunho de seu conhecimento perfeito da linguagem e do profundosignificado esotrico da Bblia.

    Embora seja fato incontestvel que estudou as cincias ocultas com o abade Trithemius, chegando aconhecer as foras misteriosas do mundo visvel e invisvel, no menos certo que abandonou,repentinamente certas prticas mgicas, por julg-las indignas e contrrias vontade divina. Tinhaaverso, sobretudo, necromancia praticada por homens pouco escrupulosos, absolutamenteconvencido de que por meio dela s se atraam foras malficas. Recusou, igualmente, todo ganho

    pessoal que viesse do exerccio da magia, pois esta, segundo pensamento dele, s seria permitida sefosse para curar desinteressadamente ou fazer outro bem qualquer a nossos semelhantes.

    Foi com esse intuito que se lanou s investigaes e s experincias de magia divina. Discerniaperfeitamente o alimento mental e espiritual daquele que era imprprio e enganoso, para conseguira unio de sua alma com a divindade.

    Curar os homens conforme Cristo fizera, nisto consistia todo o seu desejo ardente. E quem sabe se aprpria comunho com o Senhor no o credenciaria a esse poder sublime? Entrementes, recebia deDeus a graa de saber procurar e encontrar todos os meios de cura com os quais o Criador provera a

    Natureza.

    Medicina e Alquimia

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