Jornal Habitats - Número 4

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Jornal Habitats - Número 4, do Ecocentro IPEC, o jornal da escola sustentável!

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  • Permacultura | Sustentabilidade | Educao | Participao | Tecnologia Habitats na Escola

    na EscolaUma publicao do Ecocentro IPEC | www.escolasustentavel.com.br | Ano 2, N 4 | Pirenpolis, Gois - Abril de 2007

    Voc sabe o que os sapos Rancho Grande da Venezuela, Coqui Dourado de Porto Rico, Mountain mist da Austrlia e Vegas Valley dos Estados Unidos tm em comum?

    Eles todos foram vistos pela ltima vez nos anos 80! Ou seja, esto em extino. Por isso, nesta edio, trazemos dicas de como voc pode ajudar os anfbios. Aprenda, por exemplo, como fazer um laguinho de ferrocimento e criar ambientes seguros para sapos e pererecas, espcies muito importantes do nosso ecossistema.

    A construo de um habitat na escola um conceito profundo no universo da pedagogia educacional. Ns consideramos uma biblioteca uma ferramenta essencial para crianas e nunca podemos imaginar uma escola sem ela. O mesmo podemos dizer sobre o laboratrio de informtica. No ter estas instalaes equivale a no estarmos preparando adequadamente as nossas crianas para serem bem-sucedidas no futuro. Agora, precisamos reconhecer as lies de vida do habitat assim como fazemos com os livros e computadores. Ele , de fato, uma necessidade bsica para a educao de nossas crianas.

    Lucia Legan

    Pesquisas no mundo todo comprovam os benefcios dehabitats nas escolas

    Incluso - todos so bem-vindos para contribuir na escola sustentavel.

    A aprendizagem ativa com o meio ambiente - de fato na natureza e no apenas falando sobre ela - vem sendo estudada e cada vez mais respeitada. Desde o final da dcada de oitenta o aprendizado em habitats naturais dentro da escola vem sendo discutidos e, literalmente, ganhando terreno. Auto-estima e atitude positiva em relao a escola so dois efeitos importantes relatados por Sheffield, B.K. em 1992.

    Em 1997 Skelly, S.M., e J.M. Zajicek pesquisaram o efeito do aprendizado no jardim e concluiram que as experincias em habitats na escola tm um impacto positivo na compreenso das crianas. Isso porque conceitos importantes de cincia e suas tcnicas investigativas so vivenciados e h uma significativa melhora na atitude em relao ao meio ambiente.

    Do final da dcada de noventa em diante pesquisas comprovando o efeito benfico desses espaos naturais na escola no pararam de aparecer. Foi constatado que adolescentes que participam desses programas melhoram suas relaes inter-pessoais. e que estas atitudes positivas so fundamentais para formao de carater. As pesquisas mostram que os estudantes permanecem nos programas de habitat por motivos variados: Melhora da auto-estima, oportunidade continuada de aprendizagem, chance de ajudar e sentir-se conectado a outras pessoas e at porque desenvolve habilidades para o mercado de trabalho. Com tantos benefcios difcil compreender porque continuamos presos ao currculo tradicional. Ter um habitat onde alunos podem aplicar conceitos faz a aprendizagem tornar-se, literalmente, mais viva.

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    Nova cara para escola em Pirenopolis - GoisMuitos professores pensam que para transformas uma escola tradicional em escola sustentvel preciso um ptio grande, mas na verdade, possvel montar um habitat at mesmo em reas bem pequenas. Em um dia nublado, a equipe do Ecocentro IPEC e 100 estudantes de diversas idades comearam a mudana na Escola Estadual Professor Ermano da Conceio em Pirenpolis, Gois. Depois de um alongamento para aquecer os msculos e uma rpida discusso das idias, os estudantes colocaram a mo na massa.

    Primeiro, todas as antigas cercas foram retiradas para aumentar o espao onde criaramos o jardim. Nessa hora j comeamos a planejar. Ter um plano fundamental.

    Um ms depois

    Veja voc mesmo! O Habitat est consoli-dado. As plantas esto crescendo e podemos sentir a vida circulando por ali.

    No dia seguinte

    O sol veio para saudar o trabalho e, animados, os estudantes marcaram as reas dos canteiros usando garrafas PET. Elas foram coloridas usando gua misturada com tintura de tecido.

    As passagens foram criadas em formato de buraco de fechadura para que, no futuro, as crianas no precisem pisar na horta para colher os alimentos. At mesmo pezinhos pequenos podem compactar o solo.

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    O frgil mundo daspererecas...

    Veja o que a professora achou no jardim em Arauai.

    H aproximadamente 200 milhes de anos sapos e pererecas habitam desde a Tundra rtica at o mais seco deserto, pntanos encharcados e trpicos midos. Seria o suficiente para dizer que eles vieram para ficar. No entanto, hoje, diversas espcies esto sendo banidas e, talvez, de forma irreversivel. Por qu?

    A perda de Habitats o mais bvio vilo. A destruio e alteraes das eras onde moram os anfbios so a maior causa da morte de sapos e pererecas. Cada vez que os seres humanos destroem florestas, drenam pntanos e represam rios muitos sapos morrem. Algumas causas ainda so incertas, mas a maioria dos cientistas acredita que mudanas climticas, poluio, pesticidas, dentre outros fatores que tem o humano como vilo, esto cooperam na matana dos sapos.

    Foi por causa de notcias alarmantes como essas que o Ecocentro IPEC decidiu dar a esses anfbios um lugar honroso, transformando-o em educador, pesquisador e ativista!

    Os sapos so timos bio-indicadores! Um bio-indicador uma criatura viva (bio significa vida) que nos conta algo sobre a rea onde vive. Pode ser uma informao positiva ou negativa. Por exemplo, ter sapos em uma rea nos diz que o meio ambiente saudvel (tem gua, insetos e no quimicamente contaminado). J um local onde os sapos comeam a desaparecer nos mostra que o ambiente est mudando e que alguma coisa est errada.

    Voc sabe que o que metamorfose?

    quando o animal sofre grandes mudanas na aparncia e estrutura de seu corpo. Eles passam por meta (mudana) em sua morfo (forma). Os sapos so um exemplo. Seus ovos eclodem em girinos e estes passam por uma dramtica mudana perdendo sua calda e ganhando pernas, para finalmente crescem tornando-se sapos adultos. A chave na metamorfose essa mudana rpida e drstica na forma. A borboleta um outro exemplo de animal que sofre metamorfose, passando de uma lagarta uma borboleta.

    Os sapos so bio-indicadores porque:

    Passam parte do seu ciclo de vida na terra e parte na gua. Tm a pele permevel, o que permite a entrada e sada de substncias em seu corpo, com relativa facilidade. Absorvem e concentram toxinas (substncias venenosas) em seu tecido adiposo.

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    Para ter certeza de que o lago est nivelado usamos uma mangueira de nvel. Se o laguinho no ficar nivelado, voc ter um srio problema de vazamento da gua.

    Depois, compactamos o buraco com um peso, tanto o fundo como as laterais. Borrifamos um pouco de gua e compactamos mais uma vez. importante que a superfcie esteja livre de razes, pedras ou tocos.

    Depois as crianas ajudaram a colocar areia no fundo.

    Primeiro escolhemos o local onde seria o laguinho.

    Cavamos do centro para as extremidades, removendo o solo e colocando nas margens. O crculo no perfeito porque nenhum lago um circulo exato. Fizemos bordas nas margens e deixamos diferentes alturas no buraco (fundo do lago).

    Por que devemos celebrar e pesquisar a gua? to simples: gua gera vida e ainda tem um efeito calmante sobre ns. Fazer um laguinho no quintal da escola mais simples do que parece e o resultado incrvel, j que a gua um timo habitat para muitas espcies.

    Estudar a gua por meio de pesquisas sobre o habitat aqutico da escola permite que os estudantes entenderem como a nossa existncia est relacionada com esta substncia preciosa. A gua um elemento vital para um habitat bem sucedido. Uma das formas mais eficazes de atrair vida silvestre prover gua limpa e proteo aos animais. Como ns, eles se estabelecem em locais onde tm o que precisam e se sentem seguros. Este laginho foi criado na Escola Esdadual Isaltina Cajubi, em Arauai-MG, como um habitat para pererecas e sapos. Entenda como foi o trabalho.

    Habitat para pererecas

    Criando um laguinho na escola

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    Com cuidado colocamos uma tela de galinheiro para cobrir toda a extenso do laguinho e cortamos os pedaos de tela que sobraram. bom usar ganchinhos de metal para fixar a tela no cho. Estes ganchos podem ser feitos com pedaos de ferro de vergalho.

    Quando a tela estava bem presa no cho comeamos a passar a primeira camada de cimento. Esta cobertura no precisa ser perfeita, mas deve cobrir toda a tela. Depois de terminar lave as ferramentas e deixe o cimento do laguinho secar por uma noite.

    No dia seguinte estvamos prontos para a prxima etapa. Cuidadosamente, entramos no laguinho e comeamos a passar a segunda camada de cimento. Uma vez que tenha terminado, passe levemente uma esponja por todo o laguinho. Isto ir selar o cimento e deixar o laguinho com um aspecto macio. Depois, lavamos as ferramentas e deixamos o lago secar por mais uma noite.

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    Agora o laguinho est pronto para receber gua e pedras. importante encher lentamente, para no criar o efeito splash com a gua marcando o cimento.

    Por ltimo, colocamos as plantas, pedras e troncos criando locais onde as pererecas possam se esconder. A cascatinha (chamada flow forms) que colocamos nessa escola foi feita em cimento antecipadamente. Voc tambm pode criar enfeites para o seu lago.

    Depois de 15 dias voc pode colocar peixinhos na gua! Antes disso periga el