Nº9 Série II - NOVEMBRO 2014 - eformasau.pt · sUmáRio / sUmmaRY Nº9 Série II - NOVEMBRO 2014...

of 91 /91

Embed Size (px)

Transcript of Nº9 Série II - NOVEMBRO 2014 - eformasau.pt · sUmáRio / sUmmaRY Nº9 Série II - NOVEMBRO 2014...

  • N9 Srie II - NOVEMBRO 2014sUmRio / sUmmaRY

    eDitoRialArmnio GuArdAdo Cruz

    estUDo De aDaptao e valiDao Do Kings health QUestionnaiRe a mUlheRes com incontinncia URinRia De esfoRoStUDy OF ADAPtAtIOn AnD VALIDAtIOn OF KIngS HEALtH QUEStIOnnAIRE tO WOMEn WItH URInARy InCOntI-nEnCEEStUDIO DE LA ADAPtACIn y VALIDACIn DEL KIngS HEALtH QUEStIOnnAIRE A MUJERES COn InCOntInEnCIA URInARIA DE ESFUERzOsorAiA FiliPA niColA mArtins rodriGues

    o soRRiso como estRatgia De comUnicao em enfeRmagem: contRiBUtos paRa Uma Reviso sistemtica De liteRatURaSMILE AS COMMUnICAtIOn StRAtEgy In nURSIng: COntRIBUtIOnS tO A SyStEMAtIC LItERAtURE REVIEWSOnRISA COMO EStRAtEgIA DE COMUnICACIn En EnFERMERA: COntRIBUCIn A UnA REVISIn SIStEMtICA DE LA LItERAtURAAnA lCiA FerreirA louro; PAtrCiA PontFiCe de sousA

    Dotao segURa em enfeRmagem: caRacteRsticas e vaRiveis Do conceitoSAFE StAFFIng In nURSIng: CHARACtERIStICS AnD VARIABLES OF tHE COnCEPtDOtACIn SEgURA En EnFERMERA: CARACtERStICAS y VARIABLES DEL COnCEPtOmAriA joo bAPtistA dos sAntos de FreitAs; Pedro miGuel dinis PArreirA; joo PAulo mArCo

    estUDo Da pRevalncia e fatoRes De Risco De leses mUscUloesQUelticas ligaDas ao tRaBalho em enfeRmeiRosStUDy OF PREVALEnCE AnD RISK FACtORS OF WORK-RELAtED MUSCULOSKELEtAL InJURIES In nURSESEStUDIO DE PREVALEnCIA y FACtORES DE RIESgO DE LESIOnES MUSCULOESQUELtICAS RELACIOnADAS COn EL tRABAJO En LAS EnFERMERASjoAnA jernimo; Armnio Cruz

    estUDo Rn4cast em poRtUgal: PERCEPO DOS ENFERMEIROS SOBRE BURnOUtRn4CASt StUDy In PORtUgAL: nURSES PERCEPtIOn OF BURnOUtEStUDIO Rn4CASt En PORtUgAL: LA PERCEPCIn DE LOS EnFERMEROS SOBRE BURnOUtlvio HenriQues de jesus; AleXAndrA mArQues Pinto; ins sAntos estevinHo FronteirA; AidA mAriA de oliveirA Cruz mendes

    pRopRieDaDes psicomtRicas Das escalas De avaliao Do estigmaPSyCHOMEtRIC PROPERtIES OF SCALES FOR ASSESSIng tHE StIgMAPROPIEDADES PSICOMtRICAS DE LAS ESCALAS PARA EVALUAR EL EStIgMAlus mAnuel de jesus loureiro; Amorim GAbriel sAntos rosA; joo lus Alves APostolo

    Risco De QUeDa Dos iDosos, De Uma UniDaDe De saDe familiaRFALL RISK, FROM A FAMILy HEALtH UnIt.RIESgO DE CADAS En LOS AnCIAnOS, DE UnA UnIDAD DE SALUD FAMILIARAndreiA FernAndes; mAriA nilzA GuimAres noGueirA; PAulo teles

    o papel Do enfeRmeiRo na pReveno De complicaes associaDas pRtica Da eletRociRURgiaTHE ROlE Of NuRSINg IN PREVENTINg COMPlICATIONS ASSOCIATED wITH ElECTROSuRgERyEl PAPEL DEL EnFERMERO En LA PREVEnCIn DE COMPLICACIOnES ASOCIADAS A LA PRCtICA DE LA ELEtROCIRURgIAFiliPA isAbel serrA AFonso; mArtA susAnA loPes estvo CArvAlHo; lus miGuel nunes de oliveirA

    liDeRana em enfeRmagem e segURana Dos DoentesnURSIng LEADERSHIP AnD PAtIEnt SAFEtyLIDERAzgO DE EnFERMERA y LA SEgURIDAD DEL PACIEntEAmliA FilomenA oliveirA mendes CAstilHo; Pedro miGuel dinis PArreirA; mAriA mAnuelA FerreirA PereirA dA silvA mArtins

    RIE: registada no: latinDeX - Sistema Regional de Informacon en Lnea para Revistas Cientfi cas de America Latina, el Caribe, Espaa y Portugal. http://www.latindex.unam.mx. Classifi cada na QUalis (avaliao de 2014 com B4 - Avaliao de peridicos pela CAPES/Ministrio da Educao do Brasil). cuiden ciberindex - Base de Dados Bibliogrfi cos sobre Cuidados de Salud en Iberoamrica (http://www.index-f.com/bibliometria/incluidas.php).

    9

    7

    18

    26

    35

    47

    61

    68

    76

    81

  • Revista investigao em enfeRmagemPublicao /Periodicity Trimestral/quarterly

    DiRectoR/managing DiRectoRArmnio Guardado CruzEscola Superior de Enfermagem de Coimbra

    conselho eDitoRial/eDitoRial BoaRDLus Miguel Nunes de Oliveira (Escola Superior de Enfermagem de Coimbra); Vanda Marques Pinto (Escola Superior de Enfermagem de Lisboa); Maria do Cu Aguiar Barbiri Figueiredo (Escola Superior de Enfermagem do Porto); Antnio Fernando Salgueiro Amaral (Escola Superior de Enfermagem de Coimbra); Ndia Salgueiro (Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, aposentada)

    conselho cientfico/scientific BoaRD / coRpo De RevisoRes/peeR ReviewesAida Cruz Mendes, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraAntnio Marcos Tosoli Gomes, PhD, Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, BrasilArmnio Guardado Cruz, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraClia Samarina Vilaa Brito Santos, PhD, Escola Superior de Enfermagem do PortoClara de Assis Coelho de Arajo, PhD, Instituto Politcnico de Viana do Castelolvio Henrique de Jesus, PhD, Centro Hospitalar do FunchalFernando Alberto Soares Petronilho, PhD, Universidade do Minho, BragaJos Carlos Pereira dos Santos, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraManuel Jos Lopes, PhD, Escola Superior de Enfermagem S. Joo de Deus, Universidade de voraManuela Frederico, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraMargarida da Silva Neves de Abreu, PhD, Escola Superior de Enfermagem do PortoMaria Antnia Rebelo Botelho, PhD, Escola Superior de Enfermagem de LisboaMaria Arminda da Silva Mendes Costa, PhD, Escola Superior de Enfermagem do Porto, ICBAS.Maria de Ftima Montovani, PhD, Universidade Federal do Paran - BrasilMaria dos Anjos Pereira Lopes, PhD, Escola Superior de Enfermagem de LisboaMaria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins, PhD, Escola Superior de Enfermagem do PortoMarta Lima Basto, PhD, Unidade de Investigao e Desenvolvimento em EnfermagemPaulino Artur Ferreira de Sousa, PhD, Escola Superior de Enfermagem do PortoPaulo Joaquim Pina Queirs, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraPedro Miguel Diis Parreira, PhD, Escola Superior de Enfermagem de CoimbraTeresa Martins, PhD, Escola Superior de Enfermagem do PortoZuila Maria Figueiredo Carvalho, Phd, Universidade Federal do Cear, Faculdade de Farmcia Odontologia e Enfermagem, Departamento de Enfermagem, Fortaleza, Brasil.Wilson Jorge Correia de Abreu, PhD, Escola Superior de Enfermagem do Porto

    propriedade e administrao/ownershipFormasau, Formao e Sade, Lda. | Parque Empresarial de Eiras, lote 19 | 3020-265 Coimbra | Telef. 239 801020 Fax. 239 801029 nif 503 231 533 | Soc. por Quotas - Cap. Social 21 947,09

    internet - www.sinaisvitais.pt/rie.php e-mail - [email protected]

    Grafismo/Graphic Design - Formasau, Formao e Sade, Lda.

    Registo ICS: 123 486

    issn: 2182-9764

    Depsito Legal/Legal Deposit: 145933 /2000

  • estatUto eDitoRial

    1 - A Revista Investigao em Enfermagem uma publicao peridica trimestral, vocacionada para a di-vulgao da investigao em Enfermagem enquanto disciplina cientfica e prtica profissional organizada.

    2 - A Revista Investigao em Enfermagem destina-se aos enfermeiros e de uma forma geral a todos os que se interessam por temas de investigao na sade.

    3 - A Revista Investigao em Enfermagem tem uma ficha tcnica constituda por um director e um Con-selho Cientfico, que zelam pela qualidade, rigor cientfico e respeito por princpios ticos e deontolgicos.

    4 - A Revista Investigao em Enfermagem publica snteses de investigao e artigos sobre teoria de inves-tigao, desde que originais, estejam de acordo com as normas de publicao da revista e cuja pertinncia e rigor cientfico tenham o reconhecimento do corpo de revisores cientficos (peer reviews) constitudos em Conselho Cientfico.

    5 - A Revista Investigao em Enfermagem propriedade da Formasau - Formao e Sade, Lda, entidade que nomeia o director. O Conselho Editorial composto pelo director e por outros enfermeiros de reconhe-cido mrito, competindo-lhes a definio e acompanhamento das linhas editoriais.

  • A divulgao da produo de conhecimento fundamental para o desenvolvimento de qualquer cincia. A comunicao dos seus resultados pode ser feita por diversas vias, nomeadamente atravs de conferncias em congressos, seminrios, aulas, mas a publicao de artigos cientficos so a principal forma de comunicao nesta rea. Artigos publicados em revistas cientficas srias e indexadas em uma ou mais das principais bases de dados tornam o conhecimento produzido acessveis comunidade cientfica de forma estvel: a informao fica registada, inalterada e acessvel e partilhada com outros investigadores a nvel global e ao longo de geraes.

    Por isso, a procura de edies peridicas que publiquem os seus artigos deve ser contnua, pois disso depen-de a divulgao dos resultados das investigaes realizadas e, muitas vezes, a evoluo e desenvolvimento do investigador.

    A globalizao que se tem verificado nas ltimas dcadas, acompanhada pela opo das editoras em pu-blicaes em verso digital (cada vez mais comum), em detrimento da verso em papel, o acesso aberto, a utilizao de plataformas online no processo de submisso e gesto de artigos, entre outras mudanas, alterou significativamente os paradigmas anteriores, com reflexos evidentes em todo o processo editorial.

    Reconhece-se que as publicaes digitais, principalmente atravs do acesso aberto, tm contribudo para uma maior disseminao e aumento do nmero mdio de citaes que um artigo recebe. No entanto, o acesso aberto s revistas cientficas e aos seus artigos, por parte dos investigadores, cria alguns problemas de controlo de custos inerentes prpria gesto editorial, pois possibilita aos investigadores acederem aos artigos, muitas vezes, sem custos de inscrio ou de quotizao.

    Por isso, muitas das editoras cientificas, sejam de cariz privado, editoras de cariz associativo (sociedades, etc) ou de instituies pblicas (universidades, etc.), esto a optar por cobrar taxas de submisso e/ou de publicao de artigo ao(s) seu(s) autor(es) para fazer face s despesas inerentes a toda a mquina envolvido na produo da publicao no peridica.

    Actualmente, este procedimento comea a ser prtica comum na maioria das revistas internacionais, e tam-bm em algumas nacionais.

    Neste contexto global, a RIE tambm tem dificuldades em manter a mquina editorial em funcionamento e permitir o acesso aberto de forma a aumentar a disseminao dos artigos publicados e o aumento do nmero de citaes dos mesmos, sentindo necessidade de se adaptar a esta conjectura.

    Assim, a RIE v-se tambm na contingncia de alterar o seu sistema de financiamento, e em breve ir infor-mar atravs dos diversos meios de comunicao, das novas normas de submisso e publicao.

    Armnio Guardado Cruz

  • 9Revista Investigao em Enfermagem

    O trabalho consistiu num estudo metodolgico, descritivo e transversal que teve como objectivos fazer a adaptao lingustica e cultural, e validar a escala Kings Health Questionnaire (KHQ) e avaliar o impacto que a incontinncia urinria de esforo (IUE) assume na amostra.O KHQ e o questionrio Short-Form Health Survey (SF-36), foram simultaneamente administrados a 141 mulheres com IUE diagnos-ticadas atravs do estudo urodinmico. Foram testadas as propriedades psicomtricas do KHQ, como a fidelidade (consistncia interna e teste-reteste) e a validade de construto e de critrio. A consistncia interna ( de Cronbach) variou entre 0,64 e 0,89. A anlise dos dados das correlaes entre os domnios variou entre forte e muito forte e significativa, entre 0,87 a 0,99. Na validade de construto obtivemos uma correlao moderada a muito alta (0,53 a 0,94), relativamente validade de critrio, o coeficiente de correlao de Pearson entre o KHQ e o SF-36 foi muito fraca a moderada mas significativa (-0,24 a -0,67).A verso para o portugus (europeu) do KHQ adaptada lingustica e culturalmente para aplicao em mulheres com queixas de IUE apresen-tou resultados que demonstram estarmos perante uma escala fivel e vlida para avaliar a QdV no contexto especfico da IUE.

    Res

    umo

    Palavras-chave: Incontinncia Urinria de Esforo; Qualidade de Vida; Validade do KHQ

    Soraia Filipa Nicola Martins Rodrigues(1)

    StUDy OF ADAPtAtIOn AnD VALIDAtIOn OF KIngS HEALtH QUEStIOnnAIRE tO WOMEn WItH URInARy InCOntInEnCE.this work was methodological study, descriptive and cross that had as objective to make an adjustment, linguistic and cultural, and validate the scale Kings Health Questionnaire (KHQ) and evaluate the impact of stress urinary incontinence (SUI) took the sample.the KHQ and the Short-Form Heatlh Survey (SF-36) were simultaneously administered to 141 women with SUI diagnosed by urodynamic study. the psychometric properties of the KHQ were tested, such as reliability (internal consistency and test-testest) and contruct validity and criterion.The internal consistency (Cronbachs ) ranged between 0,64 and 0,89. The analysis of correlations between the domains ranged from strong and very strong and significant, between 0,87 to 0,99. Construct validity correlations obtained a moderate to very high (0,53 to 0,94), with regard to criterion validity, the Pearson correlation coefficient between KHQ and SF-36 was very weak to moderate but significant (-0,24 to -0,67).the version for Portuguese (European) KHQ linguistically and culturally adapted for use in women complaining of SUI presented results that demonstrate we are dealing with a reliable and valid scale to access QoL in the specific context of SUI.

    Abs

    trac

    t

    (1) Licenciada em Enfermagem Cooperativa de Ensino Superior Politcnico e Universitrio. Mestre em Cincias de Enfermagem - Instituto de Cincias Biomdicas Abel Salazar. Enfermeira nvel I a exercer funes no Servio de Urologia no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho. E-mail: [email protected]

    Rececionado em julho 2014. Aceite em setembro 2014

    Keywords: Urinary Incontinence, Quality of Life, KHQ Validity

    Revista investigao em enfeRmagem - novemBRo 2014: 9-17

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

    EStUDIO DE LA ADAPtACIn y VALIDACIn DEL KIngS HEALtH QUEStIOnnAIRE A MUJERES COn InCOntInEnCIA URInARIA DE ESFUERzOEl trabajo consisti en un estudio metodolgico, descriptivo y transversal que tuve como objetivos hacer la adaptacin lingstica y cultural y validar la escala Kings Health Questionnaire (KHQ) y avaluar el impacto que la incontinencia urinaria de esfuerzo (IUE) tiene en la muestra.EL KHO y el cuestionario Short Form Health Survey (SF 36), fueran simultneamente hechos a 141 mujeres con IUE diagnosticadas a travs del estudio uro dinmico. Fueran testadas las propiedades psicomtricas del KHQ, como la fidelidad (consistencia interna y teste-reteste) y la validad de constructo y de criterio.La consistencia interna ( de Cronbach) vario entre 0.64 y 0.89. La anlisis de los datos de las correlaciones entre los dominios vario entre fuerte y muy fuerte y significativa, entre 0.87 y 0,99. En la validad de constructo obtuvimos una correlacin moderada a muy alta ( 0,53 a 0,94), en relaciona la validad de criterio. El coeficiente de correlacin de Pearson entre el KFO y el SF-36 fue muy dbil a moderada pero significativa (-0,24 a -0.67).La versin para portugus (europeo) del KHQ adoptada lingstica y culturalmente para su aplicacin a mujeres con molestias de IUE presento resultados que muestran estar ante una escala fiable y vlida para avaluar a QdV en el contexto especfico de IUE.

    Res

    umen

    Palabras clave: incontinencia urinaria de esfuerzo; cualidad de vida; validad del KHQ

  • 10 Revista Investigao em Enfermagem

    intRoDUo

    A incontinncia urinria (IU) uma perda invo-luntria de urina. Olhando para todas as condies urolgicas, aquelas que se relacionam com a perda de urina so geralmente as mais negligenciadas. Devido esperana mdia de vida ser maior nas mulheres, estas so frequentemente acometidas por condies patolgicas no fatais e crnicas, sendo por isso expectvel que a taxa de incidncia da IU aumente concomitantemente com a idade1. Esta disfuno urinria constitui um desconcertante problema de sade, com repercusso social e eco-nmica, causando problemas de sade adicionais e piorando a qualidade de vida da pessoa. A incontinncia urinria de esforo (IUE), definida como a perda involuntria de urina decorrente de esforos sobre a regio abdominal, o tipo de IU que ocorre com maior frequncia, especialmente nas mulheres2. A anatomia da mulher, as alteraes hormonais, os traumas relacionados com as gesta-es e partos favorecem o deslocamento e enfra-quecimento dos msculos do perneo, explicando a maior vulnerabilidade das mulheres IUE.A OMS tornou aceitvel a noo de que a sade pode ser uma perceo independente de doena, e que conceitos como qualidade de vida (QdV) e bem-estar tm cada vez mais importncia na in-vestigao e na prtica dos cuidados de sade3.Os profissionais de sade tm vindo a demonstrar empenho no desenvolvimento de mtodos de ava-liao de resultados de sade nas diferentes fases da sua interao com o doente, pois quando este procura ajuda no o faz somente devido sua do-ena, mas tambm porque a sua QdV est alterada quer pelos sintomas da mesma, quer pela ansieda-de que esta gerou4.Os questionrios de QdV podem ser divididos em genricos e especficos5. Os instrumentos procu-ram avaliar de forma global os aspectos impor-tantes relacionados com a QdV (fsico, social, psicolgico e espiritual) dos quais se destacam, por exemplo, o Medical Outcomes Study 36-Item Short Form Health Survey (SF-36). Os instrumen-tos especficos so capazes de avaliar de forma individual e especfica alguns aspectos da QdV6. Os aspectos prprios da gravidade e impacto dos

    sintomas urinrios na vida das mulheres podem ser avaliados atravs de diversos questionrios especficos como o Bristol Female Lower Uri-nary tract Symptoms (BFLUtS), o Incontinence Quality of Life Questionnaire (I-QoL), o Stress In-continence Questionnaire (SIQ) e o Kings Health Questionnaire (KHQ) 7,8. Os questionrios I-QoL e SIQ medem o impacto dos sintomas urinrios de forma abrangente e generalizada, avalia-se a QdV direccionando-se apenas para a IU, evitando co--morbilidades8. O KHQ avalia tanto a presena de sintomas, como o seu impacto relativo na vida quotidiana, pressupondo resultados mais abran-gentes 7,8.A avaliao realizada pelos enfermeiros dever estar voltada para orientar a conduta de reestrutu-rao da continncia ou facilitar o convvio com a IUE em todos os contextos9.

    mateRial e mtoDos

    O presente estudo tem como finalidade melhorar o conhecimento dos enfermeiros, e de outros pro-fissionais de sade, acerca da QdV nas mulheres com IUE atravs da utilizao de um instrumento especfico e fivel, com vista a melhorar os cuida-dos de enfermagem.Deste modo foram delineados os seguintes objec-tivos: proceder adaptao lingustica e cultural do KHQ; validar o KHQ para a IUE nas mulheres portuguesas e avaliar o impacto que a IUE assume na QdV das mulheres portuguesas.A abordagem do estudo desenvolvido metodo-lgica, pois a investigao dos mtodos de obten-o, organizao, validao e avaliao dos instru-mentos e tcnicas de pesquisa10. A metodologia utilizada relativamente ao tipo de anlise de dados quantitativa porque pretende examinar conceitos precisos, como a IUE e a QdV, e as suas relaes mtuas com vista a uma eventu-al generalizao dos resultados11. Os dados foram recolhidos atravs do KHQ cujas perguntas que o compem so fechadas permitindo uma anlise estatstica dos resultados.A informao sobre a amostra foi recolhida num nico momento, pelo que o estudo considerado

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

  • 11Revista Investigao em Enfermagem

    transversal, normalmente utilizados para caracte-rizar o estado de sade de uma populao12. Este estudo apresenta variveis dependentes e va-riveis independentes, a varivel independente a que o investigador manipula para medir o seu efeito sobre a varivel dependente, enquanto a va-rivel dependente a que sofre o efeito da varivel independente e produz um resultado11. Podemos assim identificar nesta investigao, como varivel dependente a QdV. Como variveis independen-tes, que podem influenciar a varivel dependente, temos as caractersticas scio-demogrficase as variveis clnicas. De modo a permitir a recolha de dados foi elaborado um formulrio constitudo por trs partes: 1. Questionrio scio-demogrfico e clnico com o objectivo de caracterizar as participantes em es-tudo. O questionrio scio-demogrfico contem-pla variveis relativas ao perfil biolgico, como o gnero e a data de nascimento, contemplando tambm variveis scio-econmicas, como o esta-do civil, a escolaridade e a atividade profissional. Por ltimo, contempla as variveis clnicas como o tempo de queixa da disfuno urinria, o uso de absorventes, o nmero de absorventes utilizados por dia e as co-morbilidades. 2. Kings Health Questionnaire, cujos autores so mdicos ingleses que produziram e validaram o questionrio no Reino Unido, com a finalidade de avaliar o impacto que a IU assume na QdV de acordo com a perspectiva das pessoas afetadas pela doena 13. A consistncia interna da escala original, na sua verso inglesa, variou entre 0,72 (Limitaes Fsicas) a 0,89 (Relaes Pessoais) 13. Na verso traduzida e validada para o portugus (brasileiro) o coeficiente de de Cronbach variou entre 0,49 (Sono e Disposio) a 0,92 (Emoes)14.A verso adaptada lingustica e culturalmente para o portugus (Europeu) foram aplicadas na amostra em estudo com o intuito de a validar e avaliar o impacto da IUE nas mulheres participantes no es-tudo. Consiste numa escala de auto-preenchimen-to, tipo formulrio, que pode ser administrada pelo investigador pessoal ou telefonicamente. O KHQ manteve a estrutura original, sendo composto por 21 questes, divididas em oito domnios a saber: Perceo geral de Sade (um item), Impacto da

    Incontinncia Urinria (um item), Limitaes de Atividades Dirias (dois itens), Limitaes Fsi-cas (dois itens), avalia as limitaes causadas pela IU a nvel fsico, Limitaes Sociais (dois itens), Relacionamento Pessoal (trs itens), Emoes (trs itens) e Sono/Disposio (dois itens). A lti-ma sub-escala do questionrio independente das restantes sub-escalas apresentadas, e tem por ob-jetivo avaliar a gravidade dos sintomas urinrios apresentados pela amostra: Medidas de gravidade (cinco itens).Estas escalas, tipo Likert, so graduadas em quatro opes de respostas, que variam entre 1 e 4 (1-nada, 2-um pouco, 3-moderadamente, 4-muito ou 1-nunca, 2-s vezes, 3-frequentemente, 4-sem-pre), exceo feita ao domnio Perceo geral de Sade com cinco opes de respostas, cuja pontua-o varia entre 1 e 5 (1-muito bom, 2-bom, 3-regu-lar, 4-mau, 5-muito mau) e ao domnio Relaes Pessoais, com uma pontuao que varia entre 0 e 4 (0-no aplicvel, 1-nada, 2-um pouco, 3-mode-radamente, 4-muito). O KHQ pontuado em cada uma das suas respostas, sendo os valores somados e avaliados por domnio, no havendo portanto pon-tuao geral. As pontuaes variam entre 0 e 100, e quanto maior a pontuao obtida, pior a QdV relacionada com aquele domnio.3. short-form health survey-36 um questio-nrio genrico de avaliao da QdV em sade, dado que se destina a medir conceitos de sade que representam valores humanos bsicos rele-vantes funcionalidade e bem-estar de cada um15, 16, 17. um questionrio multidimensional, formado por 36 itens, abrangendo oito estados de sade, detectando os estados positivos de sade, bem como os negativos16. O seu contedo divide-se em dois componentes: sade fsica e sade mental16. O componente fsico composto pelos seguintes domnios: funo fsica (dez itens), desempenho fsico (quatro itens), dor fsica (dois itens), sade geral (cinco itens); j o componente mental abran-ge os domnios vitalidade (quatro itens), funo social (dois itens), desempenho emocional (trs itens), sade mental (cinco itens). Existe, ainda, uma questo de avaliao comparativa entre as condies atuais de sade e as de h um ano atrs.

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

  • 12 Revista Investigao em Enfermagem

    As opes de resposta so tambm apresentadas em escala tipo Likert, e pode-se obter uma pontu-ao final de cada domnio que varia de 0 a 100, sendo que, inversamente pontuao do KHQ, quanto maior a pontuao, melhor o estado da sade avaliado. uma escala considerada fivel e vlida por Ferreira16, 17. O objectivo da utilizao deste questionrio ve-rificar a validade concorrente do KHQ.Aps a obteno da autorizao do estudo por parte do Dr. Kelleher para a utilizao do KHQ, procedeu-se sua adaptao lingustica e cultural para o portugus (europeu), seguindo-se a meto-dologia de Ribeiro18. A verso original do KHQ j se encontra traduzida e validada para a lngua por-tuguesa (brasileiro) pelo Dr. Tamanini, pelo que foi feita uma adaptao lingustica e cultural desta escala. Inicialmente, foram contactados peritos, que fizeram a adaptao lingustica e cultural da escala, pois necessrio uma familiarizao com as exigncias lingusticas e culturais inerentes s particularidades da populao a que dizem respei-to11. Cada um dos convidados fez uma adaptao, aps uma reunio com os trs peritos chegou-se a um consenso, e verso 1 do KHQ. Nesta verso 1 do KHQ foi mantida a estrutura da escala original, tendo sido alterado o texto, semn-tica e gramaticalmente, de modo a que se adaptas-se melhor ao padro cultural portugus (europeu). Os textos da verso portuguesa (Brasil) e da ver-so 1 do KHQ, foram comparados, tendo sido a verso 1, sujeita crtica de peritos at que a adap-tao foi considerada plenamente satisfatria, ori-ginando a verso 1.1 do KHQ11.A verso 1.1 foi, de seguida, pr-testada (estudo pi-loto) numa amostra, de 100 mulheres com IUE, no includa na principal, mas com caractersticas simi-lares, de forma a testar o seu contedo, permitindo verificar a clareza e pertinncia das questes11. As participantes, aps o preenchimento dos ques-tionrios, foram indagadas acerca da compreenso e pertinncia das questes e facilidade de preen-chimento. Todas as mulheres referiram boa com-preenso e aceitao das questes colocadas, as-sim considermos mais segura a no alterao ou eliminao de nenhum item nesta fase, pelo que foi considerada apta para ser aplicada amostra

    populacional em estudo.Os investigadores, devido s dificuldades levan-tadas ao trabalhar com a populao, trabalham com amostras, tornando a investigao mais eco-nmica e eficiente10. A amostragem utilizada neste estudo foi no probabilstica, mais concretamente de convenincia, pois os indivduos seleccionados so os de mais fcil acesso10. Assim, recorreu-se populao acessvel, pacien-tes que frequentam consultas de Urologia, num hospital do grande Porto, que j tinham efetuado o estudo urodinmico, confirmando uma incapaci-dade mais ou menos severa de conter urina. Deste modo, a amostra escolhida representa e asseme-lha-se o mais fielmente possvel s caractersticas que, expectavelmente, todas as mulheres com IUE apresentam.Os dados foram recolhidos durante um perodo de quatro meses, de Fevereiro a Maio de 2011, e a amostra foi constituda por todas as mulheres que preencheram os critrios de incluso estabelecidos e que acederam participar no estudo.A amostra utilizada foi constituda por 141 partici-pantes, o intuito foi incluir indivduos suficientes que permitissem prover resultados significativos no fim do estudo, dado que o tamanho da amostra tem influncia no processo de validao do KHQ e respectivos resultados da pesquisa. Foram aborda-das mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 70 anos, que frequentavam a consulta de urologia, e realizaram o exame urodinmico como comprovao da IUE, num hospital do grande Por-to. Mulheres em perodo gestacional ou lactantes foram excludas do estudo para que nenhum outro factor pudesse interferir com a avaliao da QdV.Todas as pacientes com confirmao do diagnsti-co de IUE e que respeitavam os critrios de inclu-so na amostra, foram contactadas telefonicamen-te e consultadas acerca do interesse em participar neste estudo. Foram informadas acerca dos objec-tivos do estudo, da confidencialidade dos dados e ausncia de repercusses caso no aceitassem participar na recolha de dados. Os questionrios foram preenchidos pela investigadora de acordo com as respostas dadas por telefone. As chamadas tiveram uma durao mdia de 20 minutos.A anlise estatstica dos dados obtidos foi reali-

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

  • 13Revista Investigao em Enfermagem

    zada utilizando o software SPSS, verso 17.0. Para selecionar o tipo de testes estatsticos a apli-car, efetuamos a explorao da distribuio da amostra, nomeadamente testando a normalidade da sua distribuio atravs dos testes Kolmogo-rov-Smirnov e Shapiro-Wilk, os testes efectuados no revelaram significncia estatstica (p

  • 14 Revista Investigao em Enfermagem

    Quadro n 1 - Anlise da fidelidade das sub-escalas do KHQ do autor, do estudo brasileiro e da amostra em estudo

    Factores/Sub-Escalas

    n de itens

    alpha de Cronbach

    (autor)n=293

    alpha de Cronbach (validao brasileira)

    n=156

    alpha de Cronbach (amostra)

    n=141

    L i m i t a e s Atividades Dirias 2 0,79 0,82 0,86

    Limitaes Fsicas 2 0,73 0,76 0,64

    Limitaes Sociais 2 0,76 0,69 0,76

    Relaes Pessoais 3 0,89 0,87 0,83

    Emoes 3 0,88 0,92 0,89

    Sono/Disposio 2 0,78 0,49 0,75

    Medidas Gravidade 5 0,78 0,79 0,64

    Atravs do quadro n1 podemos verificar valo-res de de Cronbach aceitveis em quase todas as sub-escalas, aproximando-se do valor mnimo geralmente utilizado como referncia, 0,7 em tra-balhos clnicos10. O coeficiente pode situar-se en-tre 0,50 e 0,94 tornando aceitveis os valores das sub-escalas Limitaes Fsicas (=0,64) e Medi-das de gravidade (=0,64)22. Podemos, portanto, considerar que a escala em estudo apresenta na sua globalidade uma fidelidade aceitvel.No sentido de conhecermos a estabilidade no tem-po ou constncia de resultados do instrumento em anlise, procedemos sua aplicao em dois mo-mentos diferentes11. A segunda administrao foi aplicada a uma sub-amostra de 30 participantes, das 141 iniciais, tendo sido aplicada entre o stimo e dcimo-quarto dia aps a primeira aplicao.Aps a aplicao do KHQ (teste) e a aplicao do reteste foi realizada a correlao de Pearson entre os resultados obtidos nos dois momentos. Ao ana-lisarmos os resultados das correlaes podemos verificar que todos os domnios apresentam uma correlao forte e significativa. Deste modo, po-demos concluir que existiu estabilidade no tempo entre as duas aplicaes, havendo constncia de resultados, atestando a reprodutibilidade do KHQ na amostra em estudo.A validade de construto concerne a capacidade que um instrumento possui para medir o conceito ou a estrutura terica do questionrio11. Uma boa

    convergncia/discriminao indica que os valores da correlao de Pearson com a sub-escala a que pertence devem ser superiores aos valores de cor-relao com as sub-escalas a que no pertencem. Em condies ideais os valores de correlao do item com a sub-escala a que pertence devem situ-ar-se acima de 0,40, e abaixo de 0,30 com aquelas a que no pertence. Atravs deste mtodo de an-lise, podemos concluir que os itens se encontram, na sua globalidade, organizados pelos respectivos domnios de acordo com a escala original.Procedemos anlise da validade concorrente atravs da correlao de coeficiente de Pearson entre o questionrio em estudo e o questionrio genrico da QdV, o SF-36, tal como os autores do KHQ e da verso traduzida e adaptada para o portugus (brasileiro)13,14. As correlaes entre os dois questionrios so negativas, ainda que ava-liem o mesmo conceito, isto verifica-se porque a cotao atribuda aos questionrios traduz resulta-dos inversos, ou seja, quanto maior a cotao au-ferida nos domnios do KHQ pior a QdV, enquanto no questionrio SF-36, quanto maior a pontuao melhor a QdV. O KHQ mostrou, tal como espera-do, correlacionar-se significativamente com todas as componentes do questionrio SF-36, mas, tal como os autores do questionrio original e do tra-duzido e validado para o Brasil, os resultados das correlaes foram mais significativos quando os domnios dos dois questionrios esto relaciona-dos, pois avaliam contedos similares. Podemos concluir, que mediante os resultados obtidos nes-ta anlise, o KHQ avalia o mesmo conceito que o questionrio SF-36, ou seja, a qualidade de vida. Consideramos, portanto, existir validade concor-rente, ou seja, validade de critrio para o KHQ aplicado nossa amostra. A anlise descritiva dos dados essencial para descrever as caractersticas da nossa amostra, me-diante os resultados obtidos pelos questionrios aplicados, o KHQ e o SF-36. A nossa amostra de mulheres, apresenta piores resultados no que con-cerne a QdV, quando sentem, com maior intensi-dade, o impacto da incontinncia na perceo que tm da sua prpria sade, afetando o seu quoti-diano dirio, aumentando as limitaes fsicas im-postas pela IUE. As componentes sociais e emo-

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

  • 15Revista Investigao em Enfermagem

    cionais da QdV foram, pelo contrrio, as menos afetadas pelo impacto da IUE na vida das mulhe-res participantes nesta investigao.Para alm do estudo descritivo, optou-se por ava-liar possveis diferenas e/ou associaes, entre a varivel dependente (QdV), nas suas diversas di-menses, em funo das variveis scio-demogr-ficas e clnicas. A relao da QdV com as questes clnicas, como o tempo com sintomatologia de IUE, a utilizao de pensos/absorventes e a quan-tidade utilizada, bem como as doenas associadas IUE tambm foram relacionadas. Pudemos concluir que a idade influencia negati-vamente a Perceo geral de Sade e as Limita-es Fsicas das mulheres. A componente Rela-es Pessoais tambm afetada negativamente pela idade. Com a idade, tambm aumentam as alteraes no Sono/Disposio e nas Limitaes Sociais, embora com menos intensidade, sendo a QdV nestas componentes menos afetada do que as restantes.Para a anlise da QdV na mulher com IUE em fun-o do estado civil utilizamos o teste F da ANO-VA para comparao de mdias entre os diferen-tes grupos. Verificamos que as participantes deste estudo revelaram diferenas, no que concerne a perceo que tm da QdV, em funo do estado civil. Relativamente s Limitaes Fsicas, na nossa amostra de mulheres com IUE, o grupo das casadas considera ter melhor QdV do que o gru-po das vivas. Na componente Relaes Pessoais, verificamos que o grupo das mulheres casadas consideram que a sua QdV melhor do que a de mulheres pertencentes a outros grupos (solteiras, divorciadas/separadas e vivas).Relativamente a anlise da correlao da QdV na mulher com IUE em funo da escolaridade, ve-rificamos que as variveis que apresentam uma correlao estatisticamente significativa, encon-tram-se inversamente correlacionadas. Podemos perceber que as mulheres com mais anos de es-colaridade tm as componentes da QdV, Perceo geral de Sade, Limitaes Fsicas e Relaes Pessoais menos afetadas pela IUE.Verificou-se a existncia de diferenas estatistica-mente significativas em funo da atividade pro-fissional e a componente Perceo geral de Sade

    (F=2,82; p

  • 16 Revista Investigao em Enfermagem

    nentes Limitaes Sociais (t=3,67; p

  • 17Revista Investigao em Enfermagem

    5 WIEBE, S. [et.al.] - Comparative Responsiveness of Generic and Specific Quality-of-Life Instruments. Journal of Clinical Epide-miology. 5:1 (2003) 52-60.6 GUYATT, G. H.; FEENY, D. H.; PATRICK, D. L. - Measuring Health-related Quality of Life. Annals of Internal Medicine.118: 8 (1993) 622-629.7 FONSECA, E. [et.al.] Validao do Questionrio de Qualidade de Vida (Kings Health Questionnaire) em Mulheres Brasileiras com Incontinncia Urinria. Revista Brasileira de Ginecologia e Obste-trcia, 27: 5 (2005) 235-42.8 KELLEHER, C. Quality of Life and Urinary Incontinence. Baillieres Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gyna-ecology, 14:2 (2000) 363-79.9 LOPES, M.; HIGA, R. Desenvolvimento de Sistema Especialis-ta em Diagnstico de Enfermagem relacionados Eliminao Urin-ria. Revista Brasileira de Enfermagem. 58:1 (2005) 27-32. 10 POLIT, D.; BECK, C.; HUNGLER, B.; Fundamentos de Pes-quisa em Enfermagem: Mtodos, Avaliao e Utilizao. 5edio. Porto Alegre: Artmed, 2004.11 FORTIN, Marie-Fabienne. - Fundamentos e Etapas do Proces-so de Investigao. Loures. Lusodidacta. 2009.12 CUNHA, G. [et.al.] Estatstica Aplicada s Cincias da Sa-de. Lous. Lidel: Edies Tcnicas Lda. 2007.13 KELLEHER, C. J. [et.al.] - A new Questionnaire to Assess the Quality of Life of Urinary Incontinent Women. British Journal of Obstetrics and Gynaecology. 104 (1997) 1374-1379.14 TAMANINI, J. T. N. Traduo, Confiabilidade e Validade do Kings Health Questionnaire para a Lngua Portuguesa em Mulheres com Incontinncia Urinria. (2002) Tese de Mestrado.15 WARE, J. E.; SHERBOURNE, C. D. - The MOS 36: Item Short Form Health Survey (SF-36). Medical Care. 30:6 (1992) 473-83.16 FERREIRA, P. L. - Adaptao Cultural e Lingustica: Criao da Verso Portuguesa do MOS SF-36. Acta Mdica Portuguesa. 13 (2000a) 55-66.17 FERREIRA, P. L. - Testes de Validao. Criao da verso por-tuguesa do MOS SF-36. Acta Mdica Portuguesa. 13 (2000b) 119-127. 18 RIBEIRO, J.L.P. Investigao e Avaliao em Psicologia e Sade. Lisboa: Climepsi Editores, 1999.19 PEREIRA, A. Guia Prtico de Utilizao do SPSS: Anlise de Dados para Cincias Sociais e Psicologia. 7 Edio. Lisboa: Edies Slabo, 2008.20 MARCO, Joo Anlise Estatstica com o SPSS Statistics. 5Edio Lisboa: ReportNumber, 2011.21 INSTITUTO DE EMPREGO E FORMAO PROFISSIO-NAL - Classificao Nacional das Profisses - http://www.iefp.pt/formacao/CNP/Paginas/CNP.aspx. Disponvel em Maio de 2011. 22 SILVA, D.M. Expectativas Generalizadas de Controlo: Tra-duo e Adaptao da Escala BEEGC-20. centro de estudos em Educao, Tecnologias e Sade. (2010) 19-35.23 SIMONETTI, R. [et.al.] - Incontinncia Urinria em Idosos: Impacto Social e Tratamento. A Terceira Idade. 12:23 (2001) 53-69.24 LOPES, M.; HIGA, R. Desenvolvimento de Sistema Espe-cialista em Diagnstico de Enfermagem relacionados Eliminao Urinria. Revista Brasileira de Enfermagem. 58:1 (2005) 27-32. 25 CHALIFOUR, J. La Relation dAide en Soins Infrmiers: Une Perspective Holistique-Humaniste. Boucherville: Gaetan Mo-rin Editeur, 1989.

    Estudo de Adaptao e Validao do Kings Health Questionnaire a Mulheres com Incontinncia Urinria de Esforo

  • 18 Revista Investigao em Enfermagem

    A prtica de enfermagem abarca uma relao interpessoal entre o enfermeiro e o doente, destacando-se a importncia da comunicao como instrumento de enfermagem. Neste contexto, h que ter em conta que todo o ato humano comunica, mesmo sendo atravs da linguagem no verbal, como exemplo o sorriso. O sorriso nos cuidados de enfermagem pode ser um meio facilitador de confiana, de encorajamento, proporcionando uma sensao de maior apoio ao doente, transmite-lhe conforto e orientao. Com base no exposto, objetivou-se, com esta reviso sistemtica da literatura, dar resposta seguinte questo de investigao: Qual o papel do sorriso nos cuidados de enfermagem ao doente adulto/idoso em contexto hospitalar? A anlise dos trs artigos, objeto de estudo, permitiu contactar com prticas de enfermagem caracterizadas como humanas, onde o sorriso se assume como um instrumento teraputico, como uma manifestao de reconforto e confiana nos cuidados prestados, sendo esta uma opinio partilhada pelos autores, nos artigos analisados.

    Res

    umo

    Palavras-chave: Comunicao; Sorriso; Cuidados de Enfermagem.

    Ana Lcia Ferreira Louro(1); Patrcia Pontfice de Sousa(2)

    SMILE AS COMMUnICAtIOn StRAtEgy In nURSIng: COntRIBUtIOnS tO A SyStEMAtIC LItERAtURE REVIEW.nursing practice encompasses an interpersonal relationship between nurse and patient, highlighting the importance of communication as a tool for nursing. In this context, it should be borne in mind that every human act communicates, even though through nonverbal language, such as smiling. the smile on nursing care can be a facilitator of trust, encouragement, providing a greater sense of patient support, transmits you comfort and guidance. Based on the above, the objective is, with this systematic literature review, answer the following research question: What is the role of the smile on nursing care to the patient adult/elderly in the hospital setting? the analysis of the three articles, the object of study, allowed contact with nursing practices characterized as human, where the smile is assumed as a therapeutic tool, as a manifestation of comfort and confidence in the care provided, which is a view shared by the authors in articles analyzed.

    Abs

    trac

    t

    (1) Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Mestrado em Enfermagem na rea de Especializao em Enfermagem Mdico-Cirrgica, no Instituto de Cincias da Sade da Universidade Catlica Portuguesa de Lisboa. E-mail: [email protected](2) PhD, adjunta do Instituto de Cincias da Sade da Universidade Catlica Portuguesa de Lisboa.

    Rececionado em julho 2014. Aceite em setembro 2014

    Keywords: Communication; Smile; nursing

    Revista investigao em enfeRmagem - novemBRo 2014: 18-25

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM:

    Contributos para uma Reviso Sistemtica de Literatura

    SOnRISA COMO EStRAtEgIA DE COMUnICACIn En EnFERMERA: COntRIBUCIn A UnA REVISIn SIStEMtICA DE LA LItERAtURA.La prctica de enfermera comprende una relacin interpersonal entre enfermera y paciente, destacando la importancia de la comunicacin como herramienta para la enfermera. En este contexto, hay que tener en cuenta que todo acto humano se comunica, a pesar de que a travs del lenguaje no verbal, como sonrer. La sonrisa en los cuidados de enfermera puede ser un facilitador de confianza, nimo, proporcionando una mayor sensacin de apoyo al paciente, que transmite comodidad y orientacin. Con base en lo anterior, el objetivo es, con esta revisin sistemtica de la literatura, responda a la siguiente pregunta de investigacin: Cul es el papel de la sonrisa en los cuidados de enfermera al patiente adulto / ancianos en el hospital? El anlisis de los tres artculos, el objeto de estudio, el contacto permitido con las prcticas de enfermera se caracteriza como humanos, donde se supone que la sonrisa como una herramienta teraputica, como una manifestacin de la comodidad y la confianza en la atencin recibida, que es una opinin compartida por los autores en artculos analizados.

    Res

    umen

    Palabras clave: Comunicacin, Sonrisa, Enfermera

  • 19Revista Investigao em Enfermagem

    intRoDUo

    Ao longo do percurso acadmico e profissional foi sempre enfatizada a ideia que, na profisso de enfermagem, tm de estar conjugadas trs verten-tes do desempenho, nomeadamente, a cientfica, a tcnica e a relacional, ou em trs dimenses do saber, designadamente, o saber-fazer, o saber-ser e o saber-estar. Por outro lado, a utilizao corrente da palavra cuidar, mais ou menos correta, faz com que se pense e repense na essncia da profisso.Assim, para a realizao deste trabalho de inves-tigao, a ateno centrou-se na esfera relacional, enfatizando-se o papel do sorriso nos cuidados de enfermagem ao doente hospitalizado. Ou seja, na pertinncia pessoal e profissional em estudar-se mais vivamente a relao profissional de sade/doente no contexto da interveno de enferma-gem, tendo em conta a importncia do humor tera-putico, do qual faz parte o sorriso, tido como um analgsico em muitas situaes de sofrimento, sobretudo quando se trata de doentes em ambiente hospitalar. Na relao de ajuda, um dos fatores re-lacionais importantes a aliana teraputica entre profissional de sade/doente. A pertinncia deste assunto tornou-se tanto mais clara porque se poder, atravs da reviso da lite-ratura servir de guia orientador e de instrumento de reflexo crtica da aprendizagem no desem-penho das diferentes atividades no presente e no futuro, bem como aperfeioar as capacidades de planeamento, execuo e avaliao dos cuidados de enfermagem.Os enfermeiros prestam cuidados s pessoas con-siderando-as um sistema aberto, confrontando-se com diferentes situaes para as quais desenvol-vem diferentes saberes. A relao de ajuda e a comunicao (verbal e no verbal) so exemplos de saberes que, ao serem adquiridos e aplicados, proporcionaro pessoa cuidados de enfermagem de excelncia (Moniz, 2003).A investigao foi feita sobre bases de dados ele-trnicas, e na sua conduo foi utilizada a metodo-logia PI[C]OD e a tcnica de anlise e integrao de dados por metasumrio, seguindo a lgica de Lopes et al... (2008).So abordados alguns conceitos relacionados com

    a comunicao verbal e no verbal, bem como sobre o papel do sorriso nos cuidados de enfer-magem. Seguidamente tem lugar toda a metodo-logia, explicitando-se o mtodo de pesquisa e a formulao da questo de investigao. Segue-se a apresentao dos resultados e posteriormente as principias concluses.

    comUnicao: o Jogo Da inflUncia na Relao com a pessoa cUiDaDa

    A comunicao um processo complexo. Jacques Salom e Christian Potier, referenciados por Pha-neuf (2005), descrevem a comunicao como a tentativa de criar um lao de reciprocidade entre duas pessoas. Contudo, no se pode esquecer que as pessoas so muito diferentes, tendo cada uma delas a sua biografia, a sua personalidade, as suas necessidades, as suas tendncias e os seus proble-mas particulares. Estas diferenas tornam-se mais importantes quando se trata de um enfermeiro e de uma pessoa cuidada. Neste sentido, Phaneuf (2005) refere que a dife-rena de idades, a distncia que criada por uma educao, muitas vezes, de um nvel mais elevado no enfermeiro e o jargo profissional utilizado so variveis que contribuem para o afastamento desta dade. Por outro lado, o simples facto de estabele-cer uma via de passagem entre elas constitui, por vezes, uma efetiva proeza. Retomando-se a definio de comunicar, que con-siste em exprimir e em permitir ao outro faz-lo, implica que se tenha a capacidade de perceber, escutar e ouvir o outro, bem como apreender o que se passa no interior de cada ser comunicante (emissor e recetor), identificar as emoes, os pen-samentos ou as reaes que as palavras suscitam no recetor (Phaneuf, 2005). Como escreve Colette Portelance, referenciada por Phaneuf (2005), comunicar significa estar em correspondncia com um outro, permanecendo em relao a si prprio. Neste sentido, surge o concei-to de autenticidade da comunicao que depende dessa relao. Phaneuf (2005) refere que a comunicao, na re-lao teraputica, um processo que abraa dois

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 20 Revista Investigao em Enfermagem

    polos: o dos profissionais de sade e o da pessoa cuidada. Esta dade pode influenciar-se reciproca-mente. Contudo, h uma premissa a ter em conta, s o polo do profissional de sade est verdadeira-mente sob o seu controlo e nunca se pode presumir o valor ou a influncia que se exerce sobre o do-ente. Ou seja, apenas a reao da pessoa cuidada pode informar sobre o significado que ela atribui mensagem emitida pelo profissional de sade e s a sua reao pode inform-lo do que se compreen-deu sobre o que se diz ou sente. A autora supracitada considera, ainda, que a co-municao no algo simples, na medida em que, neste fenmeno, nada pode ser considerado de maneira isolada: cada ser existe em interao com os outros, num determinado aqui e agora, com-portando uma dada cultura. Cada interlocutor est imerso num universo percetual que lhe prprio. Interpreta o mundo com a sua prpria viso e, por seleo e reagrupamento, modula, atribuiu senti-do, concebe a informao, medida que a trans-mite. Estes pressupostos remetem para a existn-cia de dificuldades de comunicao. Como tal, e atendendo ao exposto, Phaneuf (2005) situa a comunicao do enfermeiro com a pessoa cuidada nesta definio, uma vez que h a troca de informaes entre a dade e, de ambas as par-tes, h uma reao afetiva mensagem recebida, que confere sentido s palavras pronunciadas ou implcitas e aos gestos que as acompanham. As informaes recolhidas pelo enfermeiro, junto da pessoa cuidada, dizem-lhe diretamente respeito e a emotividade compreendida na situao advm da expresso dos sentimentos e dos sofrimentos sentidos pela pessoa cuidada e, simultaneamente, serve para uma melhor compreenso da situao vivenciada. Na comunicao existem as palavras que so tro-cadas, mas tambm a um nvel mais tnue, tudo o que elas readquirem, revelam ou dissimulam. As trocas comunicacionais abarcam dois elemen-tos centrais: o qu da mensagem e uma parte mais afetiva ligada forma como transmitida - o como. H, por vezes, diferenas relevantes no significado que comunicam estes dois fatores (Santos et al., 2005). Ainda que seja menos manifesta, esta parte no

    verbal da comunicao no menos importante, porquanto as emoes de um dos parceiros comu-nicativos, percebidas pelo consciente ou pelo in-consciente do outro, despoletam as suas prprias emoes. A este propsito, d-se, como exemplo, as palavras pronunciadas por um enfermeiro dis-trado ou frio, que podem acarretar uma reao emotiva de frustrao ou de exaltao na pes-soa cuidada, enquanto as palavras pronunciadas com calor e ateno, acompanhadas de um sor-riso provocam-lhe um estado de bem-estar. Com maior frequncia, no so as palavras utilizadas que agridem, mas as atitudes com que so pronun-ciadas, as emoes que as submetem e que fazem reagir (Ori et al., 2004). A emotividade subjacente a toda a comunicao, passvel de conceber as reaes do outro, leva a interrogar sobre este poder que confere comu-nicao ao servio dos enfermeiros. No se pode esquecer que comunicar consiste em influenciar. A pessoa em estado de doena est peculiarmente vulnervel e o enfermeiro que contacta com ela influencia-a pelo seu papel profissional, pela sua atitude, pela sua maneira de ser, pela qualidade da sua presena, pelo seu tom de voz, mormente pela intencionalidade que se manifesta nas suas pala-vras, nos seus gestos e nas suas expresses faciais (Santos et al., 2005). De acordo com Saraiva (2008), a ajuda do enfer-meiro deve basear-se em trs pontos-chave: a ver-dadeira escuta, que permite acolher a palavra do outro, proporcionando ao enfermeiro a identifica-o das necessidades expressas quer verbalmente, quer no verbalmente; a empatia, que implica ser capaz de compreender o outro, de se colocar no seu lugar, sabendo no entanto, manter a distncia que permite a relao teraputica e a congruncia, que implica que o enfermeiro deve ser autntico e ele prprio. Para conseguir concretizar estes pon-tos-chave, o enfermeiro deve demonstrar presena fsica e humana, disponibilidade para, desta for-ma, aceder totalidade da pessoa (Saraiva, 2008). Uma vez conseguida, a relao de ajuda permite que as pessoas ultrapassem de uma forma melhor os seus problemas, sendo este um dos seus gran-des objetivos (Melo, 2008).

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 21Revista Investigao em Enfermagem

    papel Do soRRiso nos cUiDaDos De enfeRmagemA prtica de enfermagem envolve necessariamen-te uma relao interpessoal entre o enfermeiro e o doente. Torna-se clara, portanto, a importncia da comunicao como instrumento de enfermagem. Neste sentido, a comunicao um instrumento bsico, uma habilidade indispensvel ao desempe-nho profissional. a comunicao que possibilita o relacionamento teraputico enfermeiro/doente, atravs do processo de comunicar que o enfermei-ro consegue chegar s pessoas, mudando mentali-dades e comportamentos.Neste sentido, h que ter conta que as compe-tncias dos enfermeiros em comunicar verbal ou no verbalmente com o doente esto associadas a vrias dimenses do cuidar. O signo no verbal todo aquele que no a lngua falada ou escrita, usado para representar alguma outra coisa que no ele prprio. Tais signos so significativos para a pessoa que os usa e para a pessoa que os recebem. A gama de signos no verbais muito vasta. Como tal, destaca-se um deles: o sorriso. A comunicao um importante aspeto para se es-tabelecer o cuidado de enfermagem que vislumbra uma assistncia de qualidade. Dessa forma, o sor-riso contribui para a promoo do cuidado emo-cional, sendo este uma manifestao do humor teraputico. Para se prestar o cuidado emocional, necessrio que o enfermeiro seja bom ouvinte, expresse um olhar atencioso e emptico, transmi-tido atravs do sorriso, como meio de confortar e ajudar a recuperar a autoestima do doente hospi-talizado, cujo cuidado emocional extremamente importante para a melhoria da sua qualidade de vida (Ori et al., 2004).O cuidado de enfermagem consiste na essncia da profisso e pertence a duas esferas distintas: uma objetiva, que se refere ao desenvolvimen-to de tcnicas e procedimentos, e uma subjetiva, que se baseia na sensibilidade, na criatividade e na intuio para cuidar de outro ser. A forma, o jeito de cuidar, a sensibilidade, a intuio, o fazer com, a cooperao, a disponibilidade, a participao, o amor, a interao, a cientificida-de, a autenticidade, o envolvimento, o vnculo compartilhado, a espontaneidade, o respeito, a

    presena, a empatia, o comprometimento, a com-preenso, a confiana mtua, o estabelecimento de limites, a valorizao das potencialidades, a viso do outro como nico, a perceo da exis-tncia do outro, o toque delicado, o respeito ao silncio, a recetividade, a observao, a comuni-cao, o calor humano e o sorriso, so os elemen-tos essenciais que fazem a diferena no cuidado (Souza et al., 2005).O sorriso, de acordo com Ford (2009), nos cui-dados de enfermagem funciona como um meio facilitador de confiana, de encorajamento, pro-porciona uma sensao de maior apoio ao doente e transmite conforto e orientao. A interao que os doentes estabelecem com o ambiente hospitalar e, especialmente com os enfermeiros, pode auxi-li-los face ao seu estado de sade, capacitando-os na adaptao s mudanas no quotidiano e a reagir com flexibilidade face ao tratamento.

    metoDologia Pretende-se agora descrever de forma sequencial as diversas etapas que orientam a elaborao deste estudo.Fortin (2009) considera a metodologia como um conjunto de mtodos e tcnicas que guiam a ela-borao do processo de investigao cientfica, sendo nesta fase do processo que se indica o tipo de investigao realizada, o problema e os obje-tivos. Desta forma, e tendo por base o referencial terico previamente elaborado, definem-se os procedimentos metodolgicos que se considera-ram mais adequados ao desenvolvimento deste estudo.Com o intuito de se estudar o papel do sorri-so nos cuidados de enfermagem, procedeu-se a uma reviso sistemtica da literatura, a qual tem trs etapas que necessitam de ser consideradas previamente: definir o objetivo da reviso, iden-tificar a literatura e selecionar os estudos pass-veis de serem includos. Essas fases anteceden-tes ajudam o investigador a adequar a pergunta norteadora da reviso com base na informao disponvel sobre o tema em estudo (Sandelo-wski et al., 2003).

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 22 Revista Investigao em Enfermagem

    oBJetivo Da Reviso

    Esta reviso sistemtica da literatura tem como principal objetivo identificar o papel do sorriso nos cuidados de enfermagem ao doente adulto/idoso em contexto hospitalar.

    Questo de investigao - Qual o papel do sorriso nos cuidados de enfer-magem ao doente adulto/idoso em contexto hos-pitalar?

    Mtodo de PesquisaAps a formulao da questo de investigao, comeou-se a investigar sobre bases de dados ele-trnicas, que possibilitassem uma maior expanso da informao. Assim, a procura de artigos para a concretizao deste trabalho de investigao foi realizada de forma cuidadosa e sistemtica em duas bases de dados: Medline/Pubmed e B-on, por se tratar de bases de dados abrangentes, que permitem o acesso a artigos cientficos, de forma integral e gratuita. Estabeleceu-se um horizonte temporal de 7 anos

    (2005 at 2012), recorrendo s seguintes palavras--chave: Cuidados de enfermagem, Comunica-o em enfermagem, humanismo nos cuidados de enfermagem, Relao de ajuda, Papel do sorriso nos cuidados de enfermagem. Os idiomas preferenciais foram o portugus (do Brasil e de Portugal), ingls e espanhol. Foram estabelecidos os critrios de incluso e de excluso, para que se pudesse selecionar os arti-gos: - Critrios de Incluso: Horizonte temporal da pesquisa entre 2005 e 2012; Estudos empricos de natureza quantitativa e qualitativa; doentes adul-tos hospitalizados; - Critrios de excluso: Horizonte temporal da pesquisa inferior a 2005; estudos no mbito da Pe-diatria e em Sade Mental; artigos de opinio. Depois de analisados os artigos na ntegra, e com base na verificao dos critrios propostos, res-taram 3 artigos, que foram includos na reviso sistemtica. A figura que se segue esquematiza o processo de seleo dos estudos para incluso nes-te trabalho.

    Figura 1 Representao esquemtica das fases sequenciais de seleo dos estudos

    20 artigos encontrados

    15 artigos

    10 artigos

    A amostra final foi de 3 artigos relevantes includos na reviso

    sistemtica da literatura, em conformidade com os critrios de incluso.

    5 artigos inelegveis para a reviso sistemtica, ficando 15

    De 15 artigos, excluram-se 5 porque o horizonte temporal era inferior a 2005 (n=10).

    Dos 10 artigos, efetuaram-se 7 excluses por no verificao critrios de incluso, ou seja, tinham como amostra crianas

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 23Revista Investigao em Enfermagem

    Identificada a necessidade da reviso e a litera-tura pertinente na rea, localizados e seleciona-dos os estudos, passou-se anlise dos mesmos, respeitando-se uma srie de passos bem definidos, os quais esto preconizados para a elaborao de estudos de reviso sistemtica. Seguidamente so apresentados os dados e resultados mais pertinen-tes, tendo em conta a questo de investigao.

    apResentao Dos ResUltaDos

    Apresentar os resultados, consiste em fornecer toda a informao pertinente relativamente aos objetivos traados, que orientam o trabalho. Os resultados apresentados tiveram por base a anlise rigorosa e criteriosa dos 3 artigos selecionados. Os resultados foram organizados de forma a atender

    Identificao do Artigo BACKES, D.S; KOERICH, M.S.; ERDMANN, A.L. Humanizando o cuidado pela valorizao do ser humano: re-significa-o de valores e princpios pelos profissionais da sade. Ribeiro Preto. Rev. Latino-Am. Enfermagem. Vol.15, n1. (2007).

    p Participantes 17 profissionais da equipa multiprofissional de uma instituio hospitalar da Regio Sul, entrevistados em trs grupos amostrais.

    i intervenes Procurar os significados dos valores e princpios que norteiam a prtica dos profissionais da sade, a fim de alcanar os valores que balizam a humanizao.

    c comparaes No existem.

    o Resultados(outcome)

    Os dados demonstraram que possvel desenvolver novas competncias, capazes de provocar uma re-significao dos valo-res e princpios que balizam a humanizao, visando o trabalho como realizao pessoal/profissional, aliando a competncia tcnica e a humana na prtica dos profissionais e vivenciando o cuidado humanizado. Os autores concluram tambm que houve enfermeiros a responderem que h doentes e familiares a perceber o sorriso e a sensibilidade do profissional de sade, mormente dos enfermeiros, argumentando que h doentes que afirmam que no so apenas os medicamentos que os curam e os acalmam, a simpatia e o sorriso de quem cuida deles, em contexto hospitalar, tambm um fator importante, e uma estratgia para aliviar o seu sofrimento e afastar os seus receios.

    D Desenho do estudoEstudo de abordagem qualitativa. Foi utilizada a metodologia preconizada pela Teoria Fundamentada nos Dados, que re-sultou na construo de um modelo terico, que teve como fio condutor "humanizando o cuidado pela valorizao do ser humano".

    Identificao do Artigo FORD, S. Patients view smiling as 'best' indicator of nurse skill. Nursing, Times Net. [Em linha] (2009).

    p Participantes 32 doentes, com idades compreendidas entre os 30 e os 96, tratados numa Unidade de Cuidados Intensivos de um hospital dos EUA.

    i intervenes Verificar se os doentes vem o sorriso como 'melhor' indicador de habilidade dos enfermeiros, nos cuidados prestados.

    c comparaes No existem.

    o Resultados(outcome)

    Os resultados demonstraram que os doentes valorizaram as habilidades interpessoais nos cuidados de enfermagem, em vez de suas habilidades tcnicas, atribuindo valor ao sorriso, tido como um indicador da qualidade dos cuidados de sade pres-tados. Os doentes descreveram os enfermeiros como: amigveis, reveladores de interesse pela pessoa do outro, com com-paixo, bons ouvintes. Referiram que os enfermeiros eram alegres, sorriam com frequncia, o que lhes transmitia confiana nos cuidados prestados e lhes permitia a expresso de sentimentos e a colocao de dvidas. O sorriso assumiu-se como um meio facilitador de comunicao entre os doentes e os enfermeiros, estabelecendo-se, deste modo, uma relao emptica.

    D Desenho do estudo Estudo qualitativo, com recurso a entrevistas e anlise de contedo.

    Quadro 1 Sntese das evidncias encontradas PICOD

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 24 Revista Investigao em Enfermagem

    aos objetivos do estudo, assim como foram com-parados e debatidos para que a informao apre-sentada fosse o mais clara e especfica possvel.Os estudos selecionados encontram-se em lngua estrangeira (ingls) e lngua portuguesa e foram levados a efeito em diferentes pases: Estados Unidos da Amrica (EUA), Brasil e Portugal. To-dos os artigos so recentes, com publicaes entre 2005 e 2009. Aquando da leitura integral dos artigos seleciona-dos foi identificado o artigo, os participantes, as intervenes, os resultados e o desenho do estu-do, como apresentado no quadro que se segue (cf. Quadro 1).

    DiscUsso

    Este estudo permitiu contactar com prticas de enfermagem caracterizadas como humanas, onde o sorriso se assume como um instrumento tera-putico, como uma manifestao de reconforto e confiana nos cuidados prestados, sendo esta uma opinio partilhada pelos autores, nos artigos ana-lisados. Face ao exposto, torna-se pois imprescindvel fomentar a confiana e a cooperao mtuas no

    Identificao do Artigo SOUZA, M.L, et al. O cuidado em enfermagem - uma aproximao terica. Contexto Enfermagem. Vol. 14 n2 (2005), p. 266-270.

    p Participantes Bases bibliogrficas

    i intervenes

    Refletir sobre uma reflexo sobre o cuidado de enfermagem elegendo a dimenso tico-poltica e alguns aspetos histrico--filosficos que o caracterizam; Compreender o valor do cuidado de enfermagem requer uma conceo tica que contemple a vida como um bem valioso em si, comeando pela valorizao da prpria vida para respeitar a do outro, na sua complexi-dade, as suas escolhas, inclusive, a escolha da enfermagem como uma profisso.

    c comparaes No existem.

    o Resultados(outcome)

    O cuidado de enfermagem consiste na essncia da profisso e pertence a duas esferas distintas: uma objetiva, que se refere ao desenvolvimento de tcnicas e procedimentos, e uma subjetiva, que se baseia em sensibilidade, na criatividade e na intuio para cuidar de outro ser. A forma, o jeito de cuidar, a sensibilidade, a intuio, o fazer com, a cooperao, a disponibilidade, a participao, o amor, a interao, a cientificidade, a autenticidade, o envolvimento, o vnculo compartilhado, a esponta-neidade, o respeito, a presena, a empatia, o comprometimento, a compreenso, a confiana mtua, o estabelecimento de limites, a valorizao das potencialidades, a viso do outro como nico, a perceo da existncia do outro, o toque delicado, o respeito ao silncio, a recetividade, a observao, a comunicao, o calor humano e o sorriso, so os elementos essenciais que fazem a diferena no cuidado.

    D Desenho do estudo Reviso sistemtica da literatura.

    processo de interao entre os enfermeiros e os doentes, o que pode ser veiculado atravs de um simples sorriso, nunca esquecendo que a comuni-cao no verbal tem muita relevncia na relao de ajuda. atravs de uma comunicao verbal e no verbal que se estabelece a relao enfermei-ro/pessoa, na qual so fornecidas, a esta ltima, as condies necessrias para satisfazer as suas necessidades individuais, uma vez que se trata de uma relao particularmente significativa que se vai estabelecer entre profissional de sade e a pessoa cuidada, sendo este um dos pressupostos fundamentais quando se fala em relao de ajuda.

    conclUso

    Antes de se fazer aluso s ideias chave deste tra-balho de investigao, comea-se por referir que muitas foram as limitaes encontradas para a sua realizao, tais como: nmero muito reduzido de artigos cientficos, nacionais ou internacionais, que abordassem o papel do sorriso nos cuidados de enfermagem, em contexto hospitalar, nomea-damente em doentes que no sejam peditricos. No se encontraram quaisquer estudos nesta rea cujo foco fossem os idosos, o que resultou numa

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 25Revista Investigao em Enfermagem

    abordagem do tema de forma mais genrica. No se encontrara, em vrios locais de busca, estudos para alm de 2009, sendo os mais recentes no m-bito da Pediatria, onde a abordagem do sorriso, como instrumento teraputico, mais vasta. Atendendo a estas limitaes, sugere-se a reali-zao de uma investigao, no futuro, que estudo o papel do sorriso nos cuidados de enfermagem, podendo-se optar por uma metodologia qualitati-va, entrevistando enfermeiros e doentes. Intervir de forma humanizada vai sem dvida con-duzir a uma resposta individualizada dos cuidados prestados pelos enfermeiros, com base num pro-cesso holstico, em que fazer com, estar com e ser com devero ser atitudes dominantes que per-mitem no s pessoa cuidada ser constantemente includa no processo de cuidados, estando no seu centro, como tambm ao enfermeiro, enquanto cui-dador por excelncia, transmitir respeito e confian-a, demonstrar disponibilidade e estimular o desen-volvimento das capacidades da pessoa.O sorriso surge, assim, como um processo eficaz na relao de ajuda, na medida em que comple-menta e d mais sentido s palavras que so profe-ridas, tendo em conta que as expresses faciais, os gestos, o sorriso exprimem mensagens que com-pletam as mensagens transmitidas pelas palavras.

    RefeRncias BiBliogRficas BACKES, D.S; KOERICH, M.S.; ERDMANN, A.L. Humanizando o cuidado pela valorizao do ser humano: re-significao de valores e princpios pelos profissionais da sade. Ribeiro Preto. Rev. Latino--Am. Enfermagem. Vol.15, n1. (2007).FORD, S. Patients view smiling as best indicator of nurse skill. Nur-sing, Times Net. [Em linha] (2009). [Consult. 03 jan. 2013.] Dispo-nvel em www.nursingtimes.net/whats-new-in-nursing/acute-care/pa-tients-view-smiling-as-best-indicator-of-nurse-skill/5006094.article.FORTIN, M.F. O processo de investigao: da concepo rea-lizao. (Edies tcnicas e cientficas, Lda.). Loures: Lusocincia, 2009. LOPES, A.L.M.; FRACOLLI, L.A. Reviso sistemtica de literatura e metassntese qualitativa: consideraes sobre sua aplicao na pes-quisa em enfermagem. Texto e Contexto de Enfermagem. Florian-polis . ISSN 0104-0707. Vol 17, n4 (2008), p. 771-778. MELO, R.C.C.P. A Relao de Ajuda: Contextos e Prticas em Enfer-magem. Servir, Vol. 56 n2 (2008), p. 67-73. MONIZ, J.M.N. A enfermagem e a pessoa idosa: a prtica de cui-dados como experincia formativa. Lisboa: Lusocincia, 2003.

    ORI, M.O.B.; MORAES, L.M.P.; VICTOR, J.F. A comunicao como instrumento do enfermeiro para o cuidado emocional do clien-te hospitalizado. Revista Eletrnica de Enfermagem, [Em linha]. Vol. 06, n2 (2004). [Consult. 5 jan. 2013.] Disponvel em www.revistas.ufg.br/index.php/fen. PHANEUF, M. Comunicao, entrevista, relao de ajuda e vali-dao. Loures: Lusocincia, 2005. SANDELOWSKI, M. & BARROSO, J. Focus on research metho-ds: toward a metasynthesis of qualitative findings on motherwood in HIV-positive women. Research in Nursing & Health. Vol. 26 n2, (2003), p. 153-170. SANTOS, C.C.V. & SHIRATORI, J. A influncia da comunicao no verbal no cuidado de enfermagem. Revista Brasileira de Enfer-magem. Braslia. Vol. 58 n 4, (2005), p. 434-437. SARAIVA, D.M.R.F. Refletir o Cuidar em Enfermagem. Nursing. N230 (2008), p. 14-20.

    SOUZA, M.L, et al.. O cuidado em enfermagem - uma aproximao terica. Contexto Enfermagem. Vol. 14 n2 (2005), p. 266-270.

    O SORRISO COMO ESTRATGIA DE COMUNICAO EM ENFERMAGEM

  • 26 Revista Investigao em Enfermagem

    O conceito de Dotao Segura em Enfermagem surgiu devido necessidade em adequar os recursos de enfermagem s reais necessidades dos clientes, para se produzirem os melhores resultados nos pacientes, nos enfermeiros e nas organizaes. Foi efetuado um estudo exploratrio descritivo com abordagem qualitativa, visando descrever os elementos de essencialidade do conceito de Dotao Segura em Enfermagem e as suas variveis, com recurso entrevista semiestruturada. Pesquisa realizada entre julho e setembro de 2012 tendo participado 6 enfermeiros com funes de gesto. A anlise temtica e categorial evidenciou as caractersticas essenciais constitutivas: Disponibilidade de enfermeiros em qualquer altura na quantidade e com as competncias adequadas e as caractersticas essenciais consecutivas: Prestao de cuidados de enfermagem seguros e de qualidade, manuteno de ambiente seguro, do conceito de Dotao segura em enfermagem, bem como as variveis que cada uma dessas caractersticas integra.

    Res

    umo

    Palavras-chave: Administrao de recursos humanos em sade; dotao de recursos para cuidados de sade; recursos humanos de enfer-magem; dotao segura enfermagem

    Maria Joo Baptista dos Santos de Freitas(1); Pedro Miguel Dinis Parreira(2); Joo Paulo Marco(3)

    SAFE StAFFIng In nURSIng: CHARACtERIStICS AnD VARIABLES OF tHE COnCEPtthe concept of Safe Staff nursing emerged due to the need of suiting nursing resources to the real needs of the clients, to produce the best results for the patients, nurses and organizations. A descriptive and exploratory study was conducted with a qualitative approach, seeking to describe the essential elements in the concept of safe allocation in nursing and its variables, resourcing to the semi- structured interview. Research conducted between July and September 2012, with the participation of 6 nurses with management functions. the thematic and categorical analyses showed the essential constitutive characteristics: nurses availability at any time in the appropriate quantities with appropriate competences, and the essential consecutive characteristics: Provision of safe nursing with quality, maintenance of a safe environment, the concept of Safe Staff nursing, as well as variables that integrate each of these characteristics.

    Abs

    trac

    t

    (1) Doutoranda em enfermagem no Instituto de Cincias da Sade- Universidade Catlica Portuguesa; Enfermeira gestora. Hospital Cuf Descobertas; Lisboa, Portugal; [email protected](2) PhD: Gesto, Instituto Superior de Cincias do Trabalho e da Empresa; Professor Adjunto na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal; [email protected](3) PhD Professor Associado, Instituto Superior Psicologia Aplicada, Lisboa, Portugal; [email protected]

    Rececionado em maio 2014. Aceite em agosto 2014

    Keywords: Health personnel management; health care rationing; nursing staff; safe staff nursing

    Revista investigao em enfeRmagem - novemBRo 2014: 26-34

    DOTAO SEGURA EM ENFERMAGEM: CARACTERSTICAS E VARIVEIS DO CONCEITO

    DOtACIn SEgURA En EnFERMERA: CARACtERStICAS y VARIABLES DEL COnCEPtOEl concepto de dotacin Segura en Enfermera surgi debido a la necesidad de adecuar los recursos de enfermera a las reales necesidades de los clientes, para producirse los mejores resultados en los pacientes, en los enfermeros y en las organizaciones. Se efectu un estudio exploratorio descriptivo con un enfoque cualitativo, pretendiendo describir los elementos de esencialidad del concepto de Dotacin Segura en Enfermera y sus variables, con recurso a la entrevista semi-estructurada. Pesquisa realizada entre julio y septiembre de 2012 habiendo participado 6 enfermeros con funciones de gestin El anlisis temtico y categrico evidenci las caractersticas esenciales constitutivas: Disponibilidad de enfermeros en cualquier momento en la cantidad y con las competencias adecuadas y las caractersticas esenciales consecutivas: Prestacin de cuidados de enfermera seguros y de calidad, mantenimiento de ambiente seguro, del concepto de Dotacin segura en enfermera, as como las variables que cada una de esas caractersticas integra.

    Res

    umen

    Palabras clave: Administracin de recursos humanos en salud; dotacin de recursos para los cuidados de la salud; recursos humanos de enfermera; dotacin segura enfermera

  • 27Revista Investigao em Enfermagem

    intRoDUo

    No mundo tal como hoje o conhecemos e com o desenvolvimento das tecnologias de informao, a acessibilidade informao sobre sade/ doena propiciou o desenvolvimento nos cidados de ca-pacidade interventiva e decisria nos processos de transio sade/ doena.Para os cidados j no espectvel que lhes se-jam apenas prestados cuidados de sade mas sim cuidados com qualidade, que garantam a sua se-gurana e a satisfao das suas necessidades em cuidados em sade. Para dar resposta a este direito necessrio dotar as organizaes de sade com o capital humano adequado. No caso da Enferma-gem, a dotao segura essencial para realizar um trabalho com qualidade. Inscreve-se na determina-o do nmero de enfermeiros necessrios, com as competncias adequadas, para prestarem cuidados a um determinado grupo de clientes com quali-dade e segurana. Pretende-se com esta pesquisa compreender a conceo acerca do conceito Dota-o Segura em Enfermagem a partir da perceo dos participantes e da reviso da literatura, tendo como principais objetivos descrever as caraters-ticas essenciais deste conceito e as suas variveis.

    RefeRencial teRico

    O conceito de Dotao Segura em Enfermagem sendo um conceito geral, aparece devido ao im-perativo de adequar os recursos de enfermagem s necessidades dos clientes, promovendo a pres-tao de cuidados de enfermagem seguros e de qualidade (1). A primeira entidade a propor uma definio para este conceito foi a American Fede-ration of Teachers (apud Ordem dos Enfermeiros Portugueses (OEP) (2:9-10) que o define como estar disponvel em todas as alturas uma quanti-dade adequada de pessoal, com uma combinao adequada de nveis de competncia, para assegu-rar que se vai ao encontro das necessidades de cui-dado dos doentes e que so mantidas condies de trabalho isentas de riscos. Esta definio foi posteriormente adotada pelo International Council of Nurses (1) e em Portugal pela OEP (2). Apela

    para um mix inovador, ao definir dotao segura de enfermeiros como a necessidade de estarem sempre disponveis enfermeiros, no s em nume-ro mas tambm com as competncias adequadas, para dar resposta com qualidade s necessidades de cuidados dos pacientes, sendo igualmente pro-motora da manuteno de um ambiente seguro.A complexidade deste conceito assenta na obser-vncia de um conjunto de caractersticas que se auto influenciam e que so indissociveis para a aplicao da unidade de conhecimento: Dotao Segura em Enfermagem. Efetumos uma reviso da literatura nesta rea temtica. Tivemos por base a Teoria do Conceito de Dahlberg (3) em que o Conceito entendido como uma unidade de conhecimento constitu-da por elementos que se articulam de forma estru-turada. Na formao do conceito so enunciadas dois tipos de caractersticas ou propriedades do objeto: as essenciais ou necessrias e as acidentais ou possveis. Assim as caractersticas essenciais podem ser caractersticas constitutivas ou caracte-rsticas consecutivas da essncia, sendo que estas dependem ou derivam sempre das constitutivas.

    elementos De essencialiDaDe Do conceito Dotao segURa em enfeRmagem

    A populao tem vindo a aumentar de forma pro-gressiva, observando-se um incremento na sua dependncia de cuidados de enfermagem, pelo que a Disponibilidade de enfermeiros em qual-quer altura em quantidade adequada essencial para a prestao de cuidados de enfermagem se-guros e de qualidade, sendo vital definir dotaes de enfermeiros. Este clculo constitui a primeira etapa do processo de provimento de pessoal, deve ser entendido como um processo sistemtico, que fundamenta o planeamento do quantitativo e qua-litativo de enfermeiros e suporta a sua avaliao (4). Existem diversos fatores que dificultam esta tarefa, nomeadamente a flutuao do fluxo de pa-cientes, a estrutura fsica dos servios, o modo de organizao dos cuidados, a produtividade do pes-soal, entre outros. A evoluo das regalias/ perdas

    DOTAO SEGURA EM ENFERMAGEM: CARACTERSTICAS E VARIVEIS DO CONCEITO

  • 28 Revista Investigao em Enfermagem

    sociais tambm obriga a uma atualizao no pro-cesso de clculo (5). Assinala-se o facto da opera-cionalizao deste processo requerer a aplicao de um mtodo que seja capaz de identificar e siste-matizar o efeito que os fatores mencionados exer-cem sobre a atividade da equipa de enfermagem (4), dado que interferem diretamente na eficcia, qualidade e custo dos cuidados. Encontrmos v-rios mtodos, mas verificamos que no encontram consenso na literatura (6). Ainda que a investi-gao procure dar resposta a esta problemtica, torna-se evidente a inexistncia de um mtodo de clculo de dotao de enfermeiros, que assegure integralmente a aplicabilidade deste conceito, seja universalmente aceite e utilizado pelos enfermei-ros, pelo que o desenvolvimento de estudos nesta linha de investigao crtico, no sendo o con-texto portugus exceo (6). Para dar resposta s necessidades de cuidados de enfermagem no basta termos disponveis enfer-meiros em quantidade adequada pois as interven-es de enfermagem desenvolvem-se num con-texto de complexidade e de imprevisibilidade em que os enfermeiros mobilizam continuamente as suas capacidades para agir face s necessidades de cuidados observadas (7). Neste sentido a Disponi-bilidade em qualquer altura de enfermeiros com as competncias adequadas assume especial rele-vncia sendo outra caracterstica essencial para a qualidade e segurana da dotao.As competncias so um conjunto de comporta-mentos que englobam as capacidades, os conhe-cimentos, as habilidades e os atributos pessoais que no seu conjunto so essenciais para realizar um trabalho eficaz (8). Para o desenvolvimento das suas competncias, o enfermeiro est capaci-tado com uma formao inicial que o torna apto para a prtica da profisso e que ao longo do seu percurso profissional vai sendo complementada com a formao contnua e em servio (9). Alguns estudos corroboram a importncia da combinao de competncias no seio das equipas para o suces-so dos resultados, demonstrando que enfermeiros com maior nvel de diferenciao prestam cuida-dos mais seguros com melhores resultados para os pacientes (10- 11). A Prestao de cuidados de enfermagem segu-

    ros e de qualidade condio fundamental para garantir a segurana do paciente. Nos enunciados descritivos dos padres de qualidade do exerccio profissional dos enfermeiros da OEP (12), esto descritas as categorias de padres de qualidade que o enfermeiro, na procura permanente da exce-lncia, deve perseguir. A definio de padres de qualidade permite evoluir para o desenvolvimento de modelos de avaliao dos cuidados de enfer-magem, que se traduzem em indicadores de qua-lidade, que por sua vez refletem a satisfao das principais necessidades de cuidados dos pacientes, assim como os ganhos em sade sensveis aos cui-dados de enfermagem. Neste ciclo inserem-se a promoo e implementao de programas de me-lhoria contnua da qualidade dos cuidados.A World Health Organization (WHO) (13) reco-nheceu a necessidade de tornar a segurana dos pacientes como um princpio fundamental, em to-dos os sistemas de sade. A prtica relativa segu-rana do paciente refere-se a medidas aplicadas a estrutura e processos que reduzam a probabilidade de ocorrncia de eventos adversos (danos ou le-ses causadas pelos profissionais de sade no tra-tamento de uma doena e que no tm relao com essa mesma doena) (14). Um dos fatores conhe-cidos para a ocorrncia destes eventos a fadiga dos profissionais de sade devido a sobrecarga de trabalho, turnos longos, horas de trabalho suple-mentares e insuficincia de dotao (15). A segurana hoje uma componente fundamen-tal da qualidade na sade e mais especificamente na qualidade dos cuidados de enfermagem, pelo que os enfermeiros tm um papel preponderante na reduo do risco e dos eventos adversos. Mas para que os enfermeiros consigam concretizar este designo necessrio que a dotao de enfermeiros seja a adequada e entendida como determinante na Manuteno de Ambiente Seguro. Assim os am-bientes favorveis prtica afetam de forma posi-tiva os profissionais de enfermagem, promovendo a excelncia dos cuidados, melhorando os resulta-dos para os pacientes (16). A cultura de segurana um dos atributos especficos destes ambientes, estando a dotao segura de enfermagem neles inscrita, pelo que as dotaes inadequadas em que a carga de trabalho excessiva, diminuem a se-

    DOTAO SEGURA EM ENFERMAGEM: CARACTERSTICAS E VARIVEIS DO CONCEITO

  • 29Revista Investigao em Enfermagem

    gurana do ambiente. Em enfermagem a carga de trabalho habitualmente determinada a partir do nmero de pacientes atribudos por enfermeiro e das suas necessidades. Para ajudar a identific-las surgiram os sistemas de classificao de doentes (SCD) que permitem classific-los em nveis, de acordo com um grau de dependncia/ necessidade de cuidados, possibilitando a sua distribuio pe-los enfermeiros em cada turno de forma equitativa (5). A maneira como o trabalho dos enfermeiros organizado e desenvolvido produz tambm efeito no ambiente. Devido a todos os fatores menciona-dos, torna-se compreensvel e evidente o peso que exercem na promoo da segurana do ambiente em que so prestados os cuidados de enfermagem.

    metoDologia

    Pesquisa descritiva, exploratria de abordagem qualitativa. A amostra constituiu-se por enfermei-ros que no desempenho da sua atividade profis-sional, tm responsabilidade na rea da gesto de unidades de sade e servios de enfermagem. Os entrevistados integraram uma amostra no probabilstica de convenincia, composta por 6 enfermeiros que cumpriram os critrios de inclu-so (ser detentor do ttulo de enfermeiro, ter res-ponsabilidade na rea da gesto de Unidades de sade e servios de enfermagem, mnimo de dois anos na funo, demonstrar disponibilidade para participar no estudo). A saturao dos dados e a diversidade da amostra constituram critrios para determinao da amostra associados ao paradigma qualitativo (17). No nosso estudo a saturao dos dados deu-se na sexta entrevista. O mtodo de recolha de dados selecionado foi a entrevista semiestruturada, com base num guio constitudo por duas perguntas, tendo sido subme-tido a um painel de dois peritos, que o validaram. As entrevistas foram previamente agendadas com os participantes a quem foram facultadas informa-es sobre o mbito, objetivo e finalidade do estu-do, obtendo-se a sua concordncia na participao e assinatura do consentimento informado. Decor-reram entre julho a setembro de 2012, no local e hora sugeridos pelos participantes. Foram gra-

    vadas, procedendo-se sua transcrio integral, sendo a seguir devolvidas aos entrevistados, que as validaram quanto veracidade e pertinncia do contedo transcrito. O anonimato dos participan-tes foi salvaguardado com a sua denominao por siglas.Para a anlise do verbatium utilizmos o software de apoio anlise qualitativa webQDA. Inscri-tos dentro da anlise de contedo realizmos co-dificao temtica na qual a frase constituiu o seg-mento de discurso mais pequeno a ser codificado, sendo entendida como a nossa unidade de sentido. A agregao destas a cada uma das categorias ad-veio da identificao de similaridades entre elas. Este estudo foi submetido Comisso de tica da Universidade Catlica Portuguesa, tendo obtido parecer favorvel (s/n registo).

    ResUltaDos e DiscUsso

    A nossa amostra constituiu-se por seis enfermeiros com funes de gesto em servios de enferma-gem, com mdia de idade de 49 anos, 83% do sexo feminino, 50% so enfermeiros Diretor e 50% En-fermeiros Chefe. A mdia de anos de exerccio profissional de 26 anos. A anlise temtica dos discursos identificou as caratersticas essenciais do Conceito Dotao Segura em Enfermagem e as variveis que tm associadas.

    Caractersticas essenciais constitutivas e conse-cutivas do conceito Atravs da anlise dos dados recolhidos, come-mos por compreender como os respondentes enun-ciam o conceito Dotao Segura em Enfermagem,() termos, em cada turno, o nmero de enfermei-ros necessrio para dar resposta necessidade de cuidados que os doentes apresentam e, por outro lado, para alm da quantidade de elementos neces-srios, tambm a abrangncia em termos de com-petncias ser adequada tipologia de doentes e ne-cessidades de cuidados que eles apresentam (E1). Numa viso um pouco diferente E2 introduz no conceito a necessidade do cliente ser entendido numa perspetiva holstica, enunciando-a como re-quisito para a segurana dos cuidados:

    DOTAO SEGURA EM ENFERMAGEM: CARACTERSTICAS E VARIVEIS DO CONCEITO

  • 30 Revista Investigao em Enfermagem

    O meu conceito de dotao segura so as condi-es indispensveis a ter em conta, de elementos de enfermagem neste caso, necessrias para cui-dar dos doentes, e esse cuidado para ser seguro implica que o cliente seja visto como um todo. Ribeiro (18) concorda e refere que, num modelo holstico, para se prestarem cuidados de exceln-cia preciso encarar o cliente como um todo, res-peitando os seus valores e a sua cultura. Para os nossos participantes a dotao segura tem uma caracterstica numrica ou quantitativa. O que eu entendo por dotaes seguras em en-fermagem o valor correspondente ao nmero de elementos de enfermagem que garantem a prtica dos cuidados em segurana, (E3). O meu conceito de dotaes seguras, o nmero de enfermeiros que permite prestar cuidados de enfermagem, tendo em vista a segurana do doen-te e a qualidade dos cuidados (E4). Nestas duas definies fica patente a necessidade da dotao de enfermagem inscrever uma quan-tidade adequada, pois para estes participantes o nmero de enfermeiros condio essencial para a prestao de cuidados seguros e de qualidade, constituindo uma caracterstica essencial consti-tutiva deste conceito. Verificamos nas definies de dotao de enfermeiros de outros autores que esta caracterstica no exclusiva deste conceito (4,19- 20).Com uma perspetiva mais alargada, E5 refere que a dotao de enfermagem para ser segura deve comtemplar o nmero de enfermeiros, mas tam-bm ter em ateno as suas competncias que de-vem ser as adequadas:A dotao segura no s o nmero de enfermei-ros para o nmero de doentes necessrios, mas tambm o grau ou nvel de desenvolvimento do prprio enfermeiro. Parece ento evidente a necessidade das equipas constiturem-se por enfermeiros com diferentes nveis de desenvolvimento de competncias, para que estas sejam equilibradas e capazes de dar res-posta s necessidades dos pacientes e s compli-caes que possam ocorrer, sendo esta outra cara-terstica essencial constitutiva do conceito. Neste sentido pesquisadores comprovam a importncia da combinao de capacidades nas equipas, de-

    monstrando que enfermeiros com maior nvel de diferenciao prestam cuidados mais seguros com melhores resultados (10). Assinalamos ainda ou-tros estudos que identificam estas duas caracters-ticas essenciais como fundamentais para a prtica de cuidados seguros e de qualidade (21- 23). A qualidade e segurana dos cuidados referida pelos participantes como estando dependente da adequao da dotao:Considero ser fundamental, a qualidade dos cui-dados de enfermagem (E1); () os cuidados aos utentes independentemente do tipo e da patologia esto garantidos com qua-lidade e eficincia (E3); () prestar cuidados de enfermagem, tendo em vista a segurana do doente e a qualidade dos cuidados (E4); So as dotaes adequadas para dar resposta s totais necessidades de cuidados dos doentes, prevenindo riscos de erros e falhas que possam prejudicar as pessoas envolvidas (E6).Apuramos assim que a qualidade dos cuidados de enfermagem est associada aos recursos de en-fermagem disponveis, estabelecendo uma carac-terstica essencial consecutiva do conceito. Este enunciado verdadeiro autenticado nos estudos que referem a existncia de uma associao entre nveis de dotao mais elevados, equipas mais di-ferenciadas e a melhoria da qualidade dos cuida-dos (11,21,24-25).A existncia de um ambiente de trabalho isento de riscos e promotor da segurana dos pacientes e dos enfermeiros facilitador do desempenho dos enfermeiros sendo relatado por quatro dos parti-cipantes: () a organizao e forma como est organizada influenciam a dotao ser ou no segura (E2); () a estrutura, os apoios que tambm o servio tem (E5); () a estrutura, o equipamento, se numa unida-de que tem comisso de risco, se certificada de qualidade (E6); A tecnologia que pode diminuir a intensidade dos cuidados porque ajuda na vigilncia na supervi-so (E3). Verificamos que a disponibilidade e o bom funcio-namento dos equipamentos, consumveis e frma-

    DOTAO SEGURA EM ENFERMAGEM: CARACTERSTICAS E VARIVEIS DO CONCEITO

  • 31Revista Investigao em Enfermagem

    cos, a existncia de servios de suporte com pro-cessos bem definidos e controlados, constituem alguns dos atributos da estrutura que concorrem para a segurana. Sendo a dotao de enferma-gem um atributo da estrutura, constitui-se como importante requisito na manuteno