livro integralidade e saude

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  • Projeto Grfi co e Diagramao | Diogo Cesar

    Reviso Geral | Os Autores

    Reviso Ortogrfi ca | Afonso Henrique Novaes Menezes

    Impresso e Acabamento | PRINTPEX Grfi ca e Editora

    TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reproduo total ou parcial, por qualquer meio ou pro cesso, especialmente por sistemas grficos, microflmicos, fotogrficos, reprogrficos, fonogrficos e vdeogr ficos. Vedada a memorizao e/ou a recuperao total ou parcial em qualquer sistema de processamento de dados e a incluso de qualquer parte da obra em qualquer programa jusciberntico. Essas proibies aplicam- se tambm s caractersticas grficas da obra e sua editorao.

    Catalogao na fonte:Bibliotecria Joselly de Barros Gonalves, CRB4-1748

    Avenida Guararapes, 1647 | Centro, Petrolina - PE CEP: 56302-000Fone: (0xx87) 3861.1174petrolina@printpex.com.br

    Rua Acadmico Hlio Ramos, 20 | Vrzea, Recife - PE CEP: 50.740-530 Fones: (0xx81) 2126.8397 | 2126.8930 | Fax: (0xx81) 2126.8395www.ufpe.br/edufpe | livraria@edufpe.com.br | editora@ufpe.br

    I61 Integralidade e sade : epistemologia, poltica e prticas de cuidado / Alexandre Franca Barreto, (org.) Recife : Ed. Universitria da UFPE, 2011.

    [192] p.

    Vrios autores.Inclui referncias bibliogrficas.ISBN 978-85-7315-962-2 (broch.)

    1. Sade pblica. 2. Teoria do conhecimento. 3. Poltica de sade. 4. Medicina integrativa. 5. Matria mdica vegetal. 6. Homeopatia. 7. Acupuntura. 8. Biodana. I. Barreto, Alexandre Franca (Org.).

    614 CDD (22.ed.) UFPE (BC2011-151)

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    Sumrio

    Introduo Integralidade e Sade: Epistemologia, Poltica e Prticas de cuidadoAlexandre Franca Barreto

    Captulo 1 Observador e observvel: estreitos laos de estados que criamos Letcia M. Oliveira

    Captulo 2 Sade: entre Cincia, Doena e Mercado: Reflexesepistemolgico-crticasMarcelo L. Pelizzoli

    Captulo 3 Prticas integrativas e complementares no SUS: Ampliao do acesso a

    prticas de sade e resolubilidade do Sistema Angelo Giovani Rodrigues; Carmem De Simoni; Marcos Antnio Trajano; Tiago Pires de Campos

    Captulo 4 Cidadania no cuidado: um ensaio sobre os caminhos de se (re)pensar a

    integralidade nas Prticas Integrativas e Complementares em Sade Roseni Pinheiro; Felipe Rangel Machado e Francini Lube Guizardi

    Captulo 5 Desafios para a implantao da Fitoterapia no Sistema nico de SadeAmanda Leite Guimares, Ana Paula de Oliveira, Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida

    Captulo 6 Homeopatia Martha Maria de Souza Guimares e Nadja Maria Ferreira Cavalcanti

  • Captulo 7 Unidade mente-corpo: A Anlise Bioenergtica como um caminho para o

    cuidado integral sadeAlexandre Franca Barreto; Anne Crystie da Silva Miranda; Carine da Silva Oliveira Lima; Carla Janne da Silva Souza.

    Captulo 8 Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura: Uma contribuio com impacto

    positivo sade no Vale do So Francisco Dulce Dantas Lima Ribeiro; Israel Jos da Silva Filho.

    Captulo 9 Vivncia no Ncleo Temtico de Prticas Teraputicas com Abordagem em

    Acupuntura: Um relato de experincia. Josyvera Maria Ribeiro Barbosa e Magna Vanessa Rodrigues da Silva

    Captulo 10 Biodanza: Outra construo possvel Ren de Sousa Moura

    Sobre os Autores

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    Introduo

    Integralidade e Sade:

    Epistemologia, Poltica e Prticas de cuidado

    Alexandre Franca Barreto

    Esta publicao fruto de um esforo coletivo de profissionais, educadores, pesquisadores dedicados ao campo da sade e suas relaes com o cuidado e a existncia humana.

    O livro Integralidade e Sade: Epistemologia, Poltica e Prticas de cuidado, traz reflexes introdutrias sobre diversas possibilidades de ser/fazer sade. Esta uma primeira obra coletiva de professores e estudantes da Universidade Federal do Vale do So Francisco (UNIVASF), profissionais de sade do semi-rido nordestino (pioneiros em prticas integrativas de cuidado) que congregam o Laboratrio de Estudos, Pesquisas e Prticas em Integralidade atualmente a principal ao deste Grupo est no desenvolvimento de um Ncleo Temtico de Prticas Teraputicas no Vale do So Francisco que se caracteriza como um componente curricular dos cursos de graduao da UNIVASF, envolvendo ativi-dades de ensino, pesquisa e extenso com elementos multi, inter e trasdisciplinares.

    Esta publicao tambm contou com a importante colaborao de interlo-cutores deste grupo que apresentam consistente produo no cenrio nacional, seja por sua histria de produo cientfica neste campo, seja pela sua partici-pao profissional na consolidao de polticas pblicas pautadas na integra-lidade. Alm disso, recebemos o financiamento do Ministrio da Educao, vinculado ao Programa de Extenso Universitria (PROEXT), o que possibi-litou a impresso desta edio.

    Com o desenvolvimento tecnolgico do ltimo sculo, a cincia muitas vezes se reduziu ao aprimoramento de ferramentas e instrumentos para melhor manipular o mundo e os objetos, com isto nos desprendemos da sensibilidade, da empatia e de valores fundamentais para uma convivncia sadia e sustentvel.

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    No contexto da sade, esta crise planetria tem como uma de suas expres-ses a farmacodependncia. Nunca houve antes no mundo tantas pessoas com dependncia crnica de medicamentos para garantir sua vida, mesmo em tenra idade. Assim como no Brasil estamos consumindo cada vez mais substancias qumicas como itinerrio habitual dos cuidados mdicos e de sade, temos feito um uso abusivo tambm das substncias qumicas em nossa alimentao, h dois anos ocupamos o lugar de maiores consumidores de agrotxicos do mundo.

    O auxlio desta tecnologia bioqumica, ao contrrio do que imaginvamos, em muitos casos teve como nus o prejuzo real em nossa qualidade de vida, por fatores diversos: fragilidade de vnculos sociais/afetivos; limitada capaci-dade reflexiva e de autoconhecimento; hbitos e prticas nocivas a si e ao meio ambiente, e; emergncia de novas doenas e quadros patolgicos.

    Os/as autores/as deste livro esto em dois espaos importantes, instituies de formao de profissionais de sade/pesquisadores (universidades) e servios pblicos de sade (na ateno e gesto); deste lugar que surgem nossas princi-pais preocupaes e desafios. E para estas pessoas e instituies que desejamos prioritariamente ser interlocutores com esta publicao.

    J se foi o tempo no qual um profissional de sade estudava astrologia, alquimia, filosofia, religio, fsica, biologia e tantos outros campos necessrios para olhar o sujeito que demanda cuidado de maneira ampla e integrativa. Ainda assim, muitos dos conhecimentos de sade/cuidado faziam parte da tradio de culturas sendo bens inalienveis, onde os/as cuidadores/as eram reconhecidos por sua sabedoria, capacidade de acolhimento, amorosidade e profunda ateno e cuidado em uma relao baseada nas trocas recprocas de bens e afetos.

    O processo de mercantilizao das profisses e servios de sade caminhou ao lado do utilitarismo e do pragmatismo do conhecimento sobre a sabedoria humana (cincia), bem como do saber de si e do outro (relao humana), empo-brecendo nossos currculos de formao e prtica profissional. Vivemos em um mundo onde estamos conectados com qualquer lugar do globo, temos acesso a culturas diversas e estamos em constante troca de conhecimento entre pases, etnias e geraes.

    O Brasil tem uma constituio sui generis por conta de sua multicultura-lidade com patrimnio cultural invejvel por qualquer outro pas do globo, contudo tem enormes desafios na efetivao do reconhecimento, legitimao e respeito diversidade. Por que no valorizar esta diversidade de conhecimento como um campo aberto a construes e aprimoramento da tica humana e do ato de cuidar? Esta uma indagao que fazemos continuamente.

    Nossos currculos, ainda carentes de abertura, restringem anos de formao em uma mesma linguagem acadmica importada de grandes centros que muitas

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    vezes limitam nossa cincia a um conhecimento pragmtico, reprodutor, julgador, fragmentado e pouco efetivo diante de nossos desafios sociais.

    Pensar a sade de maneira inovadora nos faz olhar o passado e reconhecer nosso presente com viso justa e potencializadora. Nosso caminho de aprofundar reflexes sobre integralidade e prticas/sistemas de cura no hegemnicos surge como possibilidade de criar fissuras em nossos aparatos institucionais, legiti-mando o espao para inventividade amparada por uma tica do cuidado e pela valorizao do potencial humano.

    Esta produo, longe de estar isolada, comunga de um movimento que vem consistentemente surgindo nas ltimas seis dcadas. H em curso uma reviso paradigmtica no contexto do fazer cincia e produzir conhecimento, como tambm dentro do campo da sade e das prticas de educao/formao, gesto e ateno. O nmero de publicaes, documentos tcnicos internacionais e pol-ticas pblicas sensveis a esta viso tem se solidificado, apontando sabiamente os limites do modelo teraputico dominante.

    Porm, reafirmamos que estamos em uma zona de conflito, vivemos uma crise humanitria mundial, milhares de pessoas morrem, tem sua cidadania negada a cada dia, por escolhas e direes avessas a princpios ticos e sociais que deveriam sustentar qualquer prtica humana. Assim, nossa forma de combate a instaurao de um dilogo sincero, amoroso e profundamente implicado.

    Nosso livro apresenta uma diviso entre trs grandes temticas (epistemo-logia, poltica e prticas de cuidado); esta diviso meramente didtica, pois acreditamos que cada um dos captulos enseja estes trs elementos em seu corpo, apesar de nossa v cincia muitas vezes no enxergar que o ato de cuidar do outro nutre uma epistemologia ou prtica poltica, da mesma forma que se debruar no estudo do conhecimento tambm pode ser feito de vrias form