ENCANTARIA DE - .... de se pôr no mundo, de conceber a realidade, na qual ... 14 Visita de Coli

download ENCANTARIA DE - .... de se pôr no mundo, de conceber a realidade, na qual ... 14 Visita de Coli

of 190

  • date post

    12-Nov-2018
  • Category

    Documents

  • view

    239
  • download

    2

Embed Size (px)

Transcript of ENCANTARIA DE - .... de se pôr no mundo, de conceber a realidade, na qual ... 14 Visita de Coli

  • ENCANTARIA DE

    BARBA SOEIRA:

  • Mundicarmo Ferretti

    ENCANTARIA DE BARBA SOEIRA:

    COD, CAPITAL DA MAGIA NEGRA?

    CMF

    So Lus

    2000

  • COMISSO MARANHENSE DE FOLCLORE

    2000

    Sergio Figueiredo Ferretti

    Presidente

    Jos Valdelino Ccio S. Dias

    Vice-presidente

    Conselho Editorial

    Sergio Figueiredo Ferretti, Jos Valdelino Ccio S. Dias, Carlos Orlando Lima, Izaurina Maria

    de Azevedo Nunes, Maria Michol Pinho de Carvalho, Mundicarmo Maria Rocha Ferretti,

    Roza Santos, Zelinda de Castro Lima

    Reviso

    Izaurina Maria de Azevedo Nunes

    Capa

    Maria Brbara - Ciro Falco

    Fotografia

    Sergio e Mundicarmo Ferretti

    ISBN... (?)

    Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

    ...................................

    FERRETTI, Mundicarmo Maria Rocha

    Encantaria de Barba Soeira: Cod, capital da magia

    negra?/Mundicarmo Maria Rocha Ferretti - So Lus: CMF., 2000.

    191 p.(?); il.; 22 cm.

    1. Cultura popular - Maranho. 2. Religio afro-brasileira. 3.

    Magia - Cod. 4. Terec - Maranho. I. Ferretti, Mundicarmo. II.

    Ttulo

    CDD 390.098121

    CDU: 39(812.1)

    ...................................

    Apoio Pesquisa

    Governo do Estado do Maranho (?)

    Fundao de Amparo Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnolgico do Maranho

    Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico CNPq

    Universidade Estadual do Maranho UEMA/DCS

    Universidade Federal do Maranho UFMA/GP-Mina

  • Para Dona Antoninha,

    Me-de-santo de muita fora,

    apegada s tradies do Terec,

    que permanece viva em nossas lembranas

    e em tudo o que construiu.

  • A religio tem segredos,

    mas as pessoas no devem abusar...

    Antoninha - Cod-MA

  • PREFCIO

    Talvez os maranhenses no se dem conta disso, mas quem vem de fora em visita a

    So Lus e vrias outras cidades deste estado logo se impressiona com a freqncia e a

    densidade temtica de prticas culturais religiosas e no religiosas de origem africana e

    indgena que mesclam o cotidiano, especialmente dos seguimentos populares. Terra de

    vodum, terra de encantado, o Maranho tem tradio prpria nesse mbito, o que faz dele um

    dos celeiros culturais do Brasil.

    Pea importante na composio de nosso repertrio sacro, as diferentes modalidades

    e expresses do tambor de mina, religio maranhense por excelncia, contribuem com

    riqussimo panteo de divindades e entidades, com msica e dana, com mitologia e crenas,

    com prticas mgicas e rituais religiosos, mas sobretudo com uma particular maneira de

    encarar a vida, de se pr no mundo, de conceber a realidade, na qual ocupam lugar

    fundamental, para os crentes, os prprios encantados. Para essa concepo, a prtica mgica,

    alm do servio religioso, representa o meio pelo qual se torna possvel interferir

    decisivamente no desenrolar do cotidiano, para dotar os fatos da vida de qualidades que

    favoream a boa sorte, o sucesso e a felicidade que cada um almeja alcanar e compartilhar no

    dia-a-dia sofrido e incerto que se experimenta neste mundo.

    O tambor de mina, como outras modalidades das religies afro-brasileiras, formado

    por um complexo articulado de formas que operam com grande autonomia, mas que

    estabelecem entre si muitos fluxos de interdependncia, influncias recprocas, adoes e

    emprstimos e sincretismo. Essas formas, conectadas com as bases religiosas mais gerais que

    definem a cultura brasileira em mbito nacional, o catolicismo, e com a modalidade genrica

    afro-brasileira, tambm de dimenso nacional, a umbanda, articulam-se numa rede formada de

    expresses locais concretizadas nos terreiros, que afirmam ritos particulares, origens distintas,

    nfases especficas. Assim, cada terreiro pode ser pensado como um mundo parte, mas todos

    eles esto referidos unidade maior que o tambor de mina como religio, unidade a que se

    chega ou pelo prprio sentimento de pertena do conjunto dos devotos ou pelo trabalho de

    abstrao do cientista.

    O trabalho de Mundicarmo Ferretti, ao longo de muitos e muitos anos de

    investigao, anlise e publicao, consiste exatamente em buscar a apreenso da religio

    afro-maranhense na perspectiva cientfica, o que a capacita a falar dessa religio como

    instituio genrica e do terreiro como manifestao concreta, sem deixar, contudo, de

  • valorizar a dimenso religiosa expressa no sentimento dos devotos, o que revela um modo de

    trabalhar que no uma exigncia do mtodo cientfico, mas uma qualidade humana de

    Mundicarmo. Decifrar as redes e interaes entre formas diferenciadas de culto, terreiros de

    diferentes origens, sacerdotes e seguidores tem sido tarefa a que Mundicarmo vem se

    dedicando em muitos anos de pesquisa sistemtica, pormenorizada e muito competente,

    pesquisa que faz com amor ao objeto e amizade com os informantes.

    Com Encantaria de "Barba Soeira" vai se aprofundando o conhecimento sobre a

    religio dos voduns e encantados, conhecimento que muito deve a outros trabalhos de

    Mundicarmo Ferretti. Focando seus instrumentos de observao e anlise no panteo da

    encantaria maranhense, sua obra vem nos proporcionando no somente uma melhor

    compreenso da religio afro-maranhense em seus aspectos doutrinrios e rituais, mas tambm

    um melhor entendimento da cultura brasileira e dos sentimentos populares, de modo que assim

    melhor podemos perceber o Maranho e o Brasil. Ao debruar-se sobre o terec, ou tambor da

    mata, ou mata de Cod, Mundicarmo se depara com a questo da magia negra. Penetrando no

    universo da magia, que no evita e nem esconde, Mundicarmo nos permite chegar mais perto

    daquilo a que me referi como o sentimento do povo, ampliando a demonstrao de que a

    religio atua na sociedade como fonte de orientao de conduta e, pela via da magia, como

    instrumento de interveno para alterar simbolicamente, em benefcio do crente, as

    adversidades do mundo, mesmo quando as solues religiosas implicam aceitar as

    contradies dos problemas e das solues possveis, contradies encarnadas na constituies

    dos mais significativos personagens do panteo, como o emblemtico Lgua Bogi.

    Com este estudo sobre a religio afro-maranhense em Cod, Mundicarmo Ferretti

    reafirma sua condio de intelectual cuja obra tem que ser necessariamente lida pelos que se

    interessam pelas religies afro-brasileiras e pela cultura do Pas. Leitura agradvel e cativante,

    Encantaria de "Barba Soeira" tambm um livro para o povo-de-santo.

    Reginaldo Prandi

    Professor Titular de Sociologia da

    Universidade de So Paulo

  • APRESENTAO

    Encantaria de Barba Soeira o resultado de vrios anos de pesquisa na rea de

    cultura afro-brasileira. Trata sobre Terec - religio de origem africana tradicional de Cod -,

    da forma como ele foi e encarado pelos terecozeiros, retratado na literatura e que est

    aparecendo na mdia.

    O livro comeou a ser escrito em 1997. No foi fcil chegar at aqui, mas o resultado

    foi compensador. Em nossa caminhada, recebemos a colaborao e o apoio de vrias

    instituies e de muitos colegas, alunos, amigos e familiares citados nominalmente nos

    agradecimentos ou nas diversas partes do livro. Contamos tambm, em nossa trajetria, com a

    inestimvel colaborao de representantes expressivos do povo de santo do Maranho e com

    a carinhosa amizade da saudosa Me Antoninha de Cod e de sua continuadora na Tenda

    Santa Brbara, Maria dos Santos, a quem somos eternamente gratos.

    O projeto de publicao do livro deve muito a Zelinda Lima, diretora do Centro de

    Criatividade Odilo Costa Filho, que, como representante da Comisso Maranhense de

    Folclore, recomendou sua incluso no Plano Editorial do Estado, em comemorao aos 500

    anos de descobrimento do Brasil. Essa recomendao, tendo sido feita por Dona Zelinda,

    muito nos honra, pois ela, alm de ser grande conhecedora da cultura popular maranhense,

    vem, h muito, liderando e participando dos trabalhos mais significativos do Estado na rea de

    Cultura, de modo que um aval seu potencializa o valor da nossa obra.

  • LISTA DE ILUSTRAES

    1 Festa de Terec em Santo Antnio dos Pretos, p.178

    2 Afinando a fogo um Tambor da Mata, p.178

    3. Salo de Terec com guna (poste central visto esquerda) em dia de festa, p.179

    4 Instrumento musical do Terec tradicional: marimba/ berimbau, p.179

    5 Fabrica de tecelagem de Cod, p.180

    6 Salo de Eusbio Jnsen, o mais antigo do Terec de Cod, p.180

    7 Maria Piau e a modernizao do Terec de Cod, p.181

    8 Bita do Baro - pai-de-santo famoso por seus trabalhos na linha da mata, p.181

    9 Cong de Me Antoninha, p.182

    10 Detalhe do cong de Me Antoninha, p.182

    11 Fachada do salo novo de Antoninha, p.183

    12 Festa de Reis de Mina, guia de Maria dos Santos, p.183

    13 Abertura de ritual da mata/Terec, por Bita do Baro, p.184

    14 Visita de Coli Maneiro ao salo de Antoninha, p.184

    15 Pai Alusio com a encantada Maria, p.185

    16 Sada de terecozeiros do salo de Antoninha pelas ruas de Cod, p.185

  • LISTA DE SIGLAS USADAS ABA -Associao Brasileira de Antropologia

    BEM -Banco do Estado do Maranho

    CCS -Centro de Cincias Sociais

    CEAO -Centro de Estudos Afro Orientais da UFBA

    CEMPLA -Centro de estudos, Pesquisas e Planejamento (do Estado do MA)

    CESC -Centro de Estudos Superiores de Caxias (da UEMA)

    CEUMA -Cruzada Esprita de Umban