DA ESCOLA PBLICA PARANAENSE .considerada um campo neutro, ... (variante latina da deusa Atena)

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  • O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOSDA ESCOLA PBLICA PARANAENSE

    2009

    Produo Didtico-Pedaggica

    Verso Online ISBN 978-85-8015-053-7Cadernos PDE

    VOLU

    ME I

    I

  • 0

    SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAO DO PARAN

    SUPERINTENDNCIA DA EDUCAO

    DIRETORIA DE POLTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS

    PDE - PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL

    NEUSA MARIA FERREIRA DE CASTRO

    UNIDADE TEMTICA

    A ESCRITA FEMININA: EM BUSCA DA LIBERAO PELA PALAVRA

    UNIO DA VITRIA - 2010

  • 1

    NEUSA MARIA FERREIRA DE CASTRO

    UNIDADE TEMTICA

    A ESCRITA FEMININA: EM BUSCA DA LIBERAO PELA PALAVRA

    Produo Didtico-Pedaggica elaborada na forma de Unidade Temtica, apresentada como um dos requisitos do PDE Programa de Desenvolvimento Educacional, ofertado pela SEED Secretaria de Estado da Educao do Paran em parceria com a Secretaria de Tecnologia e Desenvolvimento. Orientador: Prof. Me Caio Ricardo Bona Moreira

    UNIO DA VITRIA - 2010

  • 2

    Dizia-se geralmente que ensinar-lhes a ler e escrever

    era proporcionar-lhes os meios de entreterem

    correspondncias amorosas, e repetia-se, sempre,

    que a costura e trabalhos domsticos eram as nicas

    ocupaes prprias da mulher. Este preconceito

    estava de tal sorte arraigado no esprito de nossos

    antepassados, que qualquer pai que ousava venc-lo

    e proporcionar s filhas lies que no as daqueles

    misteres, era logo censurado de querer arrancar o

    sexo ao estado de ignorncia que lhe convinha.

    Nsia Floresta Brasileira Augusta

  • 3

    SUMRIO

    DADOS DE IDENTIFICAO................................................................. 04

    TEMA DE ESTUDO................................................................................. 04

    TTULO................................................................................................... 04

    JUSTIFICATIVA DO TEMA DE ESTUDO.............................................. 04

    OBJETIVO GERAL................................................................................ 07

    OBJETIVO ESPECFICO....................................................................... 07

    FUNDAMENTAO TERICA............................................................. 08

    CRTICA LITERRIA FEMININA........................................................... 14

    BREVE HISTRICO DA ESCRITORA STELLA FLORENCE.............. 17

    RESENHA DO LIVRO DE CONTOS HOJE ACORDEI GORDA.......... 20

    CONTO A VTIMA............................................................................. 20

    ANLISE DO CONTO A VTIMA......................................................... 27

    METODOLOGIA..................................................................................... 31

    CRNICAS DE STELLA FLORENCE................................................... 33

    *CORINTO AQUI................................................................................ 33

    *NUFRAGO......................................................................................... 35

    *VIOLNCIA SEXUAL........................................................................... 36

    REFERNCIAS....................................................................................... 39

    ANEXOS................................................................................................... 41

  • 4

    DADOS DE IDENTIFICAO

    Professora PDE: Neusa Maria Ferreira de Castro

    rea: Lngua Portuguesa e Literatura

    Ncleo Regional: Unio da Vitria

    Professor Orientador: Caio Ricardo Bona Moreira

    IES vinculada: FAFIUV Faculdade de Filosofia Cincias e Letras de Unio

    da Vitria

    Escola de Implementao: CEEBJA Centro Estadual de Educao Bsica

    para Jovens e Adultos Ensino Fundamental e Mdio.

    Pblico-alvo da implementao: Educandos e educandas do ensino mdio

    da EJA

    Produo Pedaggica: Unidade Temtica

    TEMA DE ESTUDO

    A leitura da obra de Stella Florence e das escritoras preteridas por

    uma sociedade patriarcal para estudo da potica feminina na literatura

    brasileira.

    TTULO

    A escrita feminina: em busca da liberao pela palavra

    JUSTIFICATIVA DO TEMA DE ESTUDO

    A literatura foi escrita e institucionalizada exclusivamente pelos homens

    e isso s vem se modificando h uns 50 anos. Ainda hoje se define a literatura

    que narra histrias de mulheres e seus conflitos femininos e escrita por

    mulheres, como uma literatura feminina, ou ainda, pelo uso do termo chick

    lit. Esta expresso alguns crticos utilizam para se referir pejorativamente

    escrita feminina e significa literatura de mulherzinha.

  • 5

    Menina no entra. Este era o lema da Academia Brasileira de Letras h

    pouco tempo. Em 1897, quando foi criada a ABL, foi negada uma vaga Jlia

    Lopes de Almeida, importante romancista, contista e cronista e, em seu lugar,

    convidado o marido, Filinto de Almeida, escritor inexpressivo. Em 1930, a

    escritora piauiense Amlia de Freitas Bevilqua era forte candidata para a

    cadeira n 23, mas tambm foi preterida com a justificativa de que no estatuto

    constava que a ABL era apenas para os brasileiros, no para as brasileiras. O

    mesmo aconteceu com as escritoras Clarice Lispector e Ceclia Meireles.

    Somente em 1970 uma mulher tornou-se imortal: Raquel de Queiroz. E vinte e

    seis anos depois em 1996 a escritora Nlida Pion ocupou o mais alto

    posto: a presidncia da ABL.

    Embora se manifeste de maneiras diferenciadas, a opresso feminina

    tem razes no campo cultural, econmico e poltico, e continua a produzir

    sementes. Por isso a importncia em se disseminar, estudar e compreender a

    escrita de autoria feminina, j que tradicionalmente a anlise literria

    considerada um campo neutro, independente de influncias como gnero,

    orientao sexual, raa ou classe social. E h como comprovarmos que no

    assim: o patriarcalismo se manifestou desde sempre, seja na exaltao dos

    escritores masculinos, no esquecimento de obras escritas por mulheres ou na

    excluso feminina dos espaos literrios, praticamente todo ocupado por

    homens.

    H, atualmente, muitos tericos e estudiosos que nos sinalizam a

    importncia de lanarmos sobre a literatura um olhar investigativo, reflexivo e

    crtico, buscando desconstruir preconceitos no que se refere mulher escritora,

    leitora e personagem do texto literrio de autoria feminina e masculina.

    No exerccio do Magistrio, as mulheres educadoras so

    indiscutivelmente, maioria, portanto, devemos refletir sobre o papel que tm

    representado na sociedade brasileira, principalmente na literatura. A imagem

    da mulher e os preconceitos impostos a ela devem ser analisados, e, com o

    auxlio da literatura e de estudiosos do tema, pretendemos dar nossa parcela

    de contribuio. Pois, ao mesmo tempo em que a escola tem reproduzido

    preconceitos que contribuem para uma imagem negativa da mulher, ela pode

    ser um espao de reflexo, leituras de mundo e consequentes mudanas de

  • 6

    pensamentos e aes.

    A funo da literatura na vida escolar e na cotidiana ajudar a escrever

    melhor, alm de estimular a fantasia e o trmino dos preconceitos. Com ela

    podemos vivenciar, em parte, papis muito distantes da nossa realidade e

    assim, nos colocarmos no lugar de, exercitando a empatia.

    O trabalho desta pesquisa e sua implementao na EJA pretende levar

    os educandos e educandas a esse exerccio, ao estudar a presena da mulher

    em nossa literatura. Lendo, ouvindo histrias, cantando e discutindo o assunto,

    alunos e alunas, professores e professoras contribuem na formao de uma

    sociedade justa, fraterna e igualitria para homens e mulheres.

    Segundo as DCE - Diretrizes Curriculares da Educao Bsica de

    Lngua Portuguesa (2008, p. 59), o texto literrio permite mltiplas

    interpretaes, uma vez que na recepo que ele significa. [...] Alm disso, o

    texto traz lacunas, vazios, que sero preenchidos conforme o conhecimento de

    mundo, as experincias de vida, as ideologias, as crenas, os valores, entre

    outros, que o leitor carrega consigo.

    E para expandir o conhecimento de mundo dos alunos e alunas da EJA,

    tanto no ensino fundamental quanto no ensino mdio, a prosa, a poesia e a

    msica so instrumentos poderosos, seja qual for o tema escolhido neste

    caso a figura da mulher na obra de Stella Florence e na sociedade brasileira.

    Quanto aos tericos contemporneos, as DCE (verso final, 2008), nos

    orientam ao estudo da Esttica da Recepo, criada por Hans Robert Jauss em

    1960, na qual o autor prope sete teses para uma nova metodologia no ensino

    da literatura e da Teoria do Efeito, de Wolfgang Iser, que trata sobre o

    resultado esttico da obra literria no leitor durante a recepo. Um leitor ideal,

    mas nem sempre real.

    Estas teorias so de suma importncia para os educadores e

    educadoras na anlise literria e na formao do leitor ou leitora, alm de

    incrementar o trabalho em relao ao Contedo Estruturante da Lngua

    Portuguesa (Discurso como prtica social).

  • 7

    OBJETIVO GERAL

    Aprimorar, pelo contato com os mais variados textos literrios que

    contemplem o tema a mulher brasileira em nossa sociedade a capacidade do

    pensamento crtico e a sensibilidade esttica dos alunos da EJA, tendo como

    referncia a obra da