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  • CORREDORES VERDES URBANOS: ESTUDO DA VIABILIDADE DE CONEXO DAS REAS VERDES DE

    VITRIA1

    Homero Marconi Penteado, MSc, MLA, Laboratrio de Planejamento e Projetos, Universidade Federal do Esprito Santo, homeropenteado@uol.com.br

    Cristina Engel de Alvarez, Dra., Laboratrio de Planejamento e Projetos, Universidade Federal do Esprito Santo, engel@npd.ufes.br

    RESUMO

    Grande parte dos profissionais de planejamento urbano tem buscado melhorar a qualidade de vida da populao e a aplicao de princpios de sustentabilidade, que se refletem, na maioria dos casos, na busca de ampliao das reas verdes, sejam na forma de parques, praas, arborizao de vias ou mesmo incentivo aos jardins particulares. Esta pesquisa apresenta o resultado do estudo de viabilidade de criao de corredores verdes urbanos na cidade de Vitria, estabelecendo uma rede de conexes utilizando-se de sua malha viria, visando incrementar as condies ecolgicas e paisagsticas urbanas e melhores condies de circulao de pedestres e ciclistas. Est alicerada nos conceitos desenvolvidos pela ecologia da paisagem, baseada em fragmentos, corredores e matriz. A metodologia adotada foi aplicada em uma rea teste, onde foram realizados levantamentos preliminares, mapeamento das reas verdes, seleo de vias para implantao de corredores, avaliao dos possveis corredores, inventrio e anlise das vias, diretrizes para estabelecimento dos corredores, ensaio projetual e criao de uma rede de corredores verdes. Dentre os principais resultados, verificou-se a possibilidade de criao de corredores com pequenas modificaes nos perfis de vias que permitiriam a insero de vegetao contnua, caladas e ciclovias com consequncias diretas (otimizao das condies microclimticas, melhoria na paisagem, atratividade para pequenos animais, incentivo ao percurso no motorizado, entre outros) e indiretas (reduo das partculas em suspenso, reduo dos nveis de rudo e do consumo de combustveis etc.).

    Palavras-chave: corredor, ecologia, paisagem, Vitria

    1 Pesquisa desenvolvida com o apoio do Fundo de Apoio Cincia e Tecnologia do Municpio de Vitria.

  • URBAN GREEN CORRIDORS: STUDY OF THE VIABILITY OF CONNECTION OF GREEN OPEN SPACES IN VITORIA

    ABSTRACT

    Urban planning professionals have ______ to apply sustainability principles, reflected on the increase of green space, parks, plazas, street trees etc. This research aims to explore the viability to create urban green corridors in Vitoria, ES, establishing a network of connections between its open spaces making use of its streets and avenues. The proposed corridors aim to improve urban ecology and landscape and the circulation of pedestrians and bikers. Studies are based on landscape ecology concepts, for who the landscape is formed by fragments, corridors and matrix. An area was chosen as a test for the methodology adopted, which includes desk studies, mapping of green areas, selections of streets to create corridors, evaluation of street potential as green corridor, site inventory and analysis, definition of guidelines, design of scenarios, and establishment of a green corridors network for Vitria. As a result, it was verified that it is possible to create corridors with small changes on streets and sidewalks to allow insertion of continuous tree canopy and bikeways, with direct consequences (microclimates, image, attractiveness to small mammals and birds, incentive to use of bikes) and indirect (to reducing of pollution and noise levels, consumption of fuel, etc.).

    Key words: corridors, ecology, landscape, Vitria

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    1 INTRODUO

    Ao longo do processo de desenvolvimento de grande parte das cidades brasileiras, o adensamento urbano reservou poucos vazios que representassem oportunidades de lazer e preservao de recursos naturais. Os stios disponveis encontram-se isolados, cercados por ruas e avenidas que, por sua vez, possuem pouco espao para pedestres, menos ainda para ciclistas e pequena possibilidade de arborizao.

    A pouca ocorrncia de espaos verdes resulta em conseqncias diversas para a vida nas cidades. Ruas estreitas significam reduo de ventilao natural, aumento de temperatura e concentrao de poluentes; ausncia de vegetao acarreta menor sombreamento, maior quantidade de partculas poluentes em suspenso no ar, menos habitats para pssaros, pequenos mamferos, insetos ou rpteis e, ainda, menor reteno e infiltrao de guas da chuva.

    O isolamento entre grandes espaos livres e demais reas urbanas impossibilita a realizao de uma rede que permita no somente maior conforto e incentivo para pedestres e ciclistas, como tambm a ocorrncia de maior biodiversidade na cidade. Baschak & Brown (1995) propem um modelo de desenvolvimento de corredores verdes urbanos (CVUs) baseados em princpios de design ecolgico e ecologia da paisagem. Cook (1991) sugere a criao de redes urbanas baseadas na ecologia da paisagem, compostas de sistemas de fragmentos de natureza e corredores interligados permeando a matriz urbana.

    Vitria configura-se como uma das capitais brasileiras com grande potencial turstico, seja de lazer como de negcios e cuja ambincia, da mesma forma que atrai investimentos, determina a necessidade de estratgias especficas de planejamento. No entanto, verifica-se que as metodologias de planejamento urbano esto, quase sempre, aliceradas nas malhas virias e na resoluo dos problemas decorrentes do crescimento urbano e do incremento populacional. reas destinadas preservao so constantemente invadidas pela natural demanda habitacional; vias so abertas ou ampliadas para garantir o escoamento de veculos; reas livres potenciais deixam de existir em conseqncia da necessidade de novos equipamentos e a paisagem natural fica diminuda frente proliferao de novas edificaes.

    Experincias de implantao de CVUs vm ocorrendo desde o sculo XIX, como por exemplo o Emerald Necklace de Olmsted, em Boston, at mais recentemente, como em Denver, onde se prope conectar parques a escolas, centros de lazer e centros de bairro atravs de ruas verdes com ciclovias e caladas contnuas, adequadas e arborizadas, seguras para a travessia de pedestres, acessveis a pessoas de todas as idades e habilidades (Denver Parks and Recreation, 2003). Nas ltimas dcadas, iniciativas nos Estados Unidos, Canad e Europa buscam desmontar esse cenrio de isolamento atravs da construo de greenways (vias verdes) em escalas diversas, da local transnacional.

    No Brasil iniciativas isoladas abordam problemas ecolgicos e urbanos, de proteo de recursos hdricos e recreao (Frischenbruder e Pellegrino 2004). Em escala local, a Rede Verde Urbana para a cidade de Florianpolis (SC) procura melhorar a qualidade dos ambientes urbanizados, favorecendo a interao das espcies da fauna e da flora (Pilotto e Afonso 2004). Em So Lus (MA), Rosa Kliass prope um sistema de avenidas-parque que ligam reas livres da cidade. Em escala regional, o projeto Corredores Ecolgicos prope a conexo entre fragmentos de mata atlntica que se estendem da Bahia ao Rio de Janeiro.

    Esta pesquisa estudou a viabilidade de implementar corredores verdes que incrementem as condies ecolgicas e paisagsticas da cidade. Aliado aos corredores,

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    obteve-se dados que confirmam a possibilidade de integrao e melhorias no sistema de praas e parques tambm para a circulao de pedestres e ciclistas.

    2 AMBIENTE CONCEITUAL

    A ecologia da paisagem - de onde se extraiu conceitos para o desenvolvimento dos CVUs -, une diversas disciplinas no estudo da paisagem; busca compreender a relao recproca entre padres espaciais, fluxos e processos ecolgicos (Wu e Hobbs (2002); entende que a paisagem compreende uma rea heterognea onde ecossistemas se repetem e interagem de forma similar (Forman, 1995) e funcionam de acordo com uma dada estrutura que integra aspectos bioecolgicos e geoecolgicos (Moss, 2000). Assim, baseado em Moss (2000), Hobbs (1997), Baschak e Brown (1995) e Forman (1995), as questes de estrutura, funo e mudana so os principais focos do estudo da paisagem em questo.

    A estrutura da paisagem a relao espacial entre elementos da paisagem ou fragmentos (Hobbs 1997). Os componentes estruturais bioecolgicos da paisagem so os fragmentos (ecossistemas), corredores e matriz (Forman, 1995), enquanto os geoecolgicos so os elementos hidrolgicos, pedolgicos e geomorfolgicos.

    Funo a interao entre os elementos espaciais, ou seja, processos hidrolgicos, fluxos de partculas, atividades animais e humanas (Forman, 1995), responsveis por moldar a estrutura da paisagem.

    Mudana a alterao da estrutura e da funo ao longo do tempo representada por qualquer alterao na estrutura e/ou funo (Hobbs, 1997; Forman e Godron, 1986), decorrentes de processos naturais ou aes humanas, como tempestades, inundaes, fogo, transformao do solo etc. (Marsh, 1997).

    2.1 CORREDORES

    Corredores contribuem com a proteo da biodiversidade, ajudam no gerenciamento das guas, proporcionam oportunidades de recreao, fortalecem a coeso comunitria e cultural, criam identidade, abrigam a circulao da vida silvestre e criam rotas de disperso (Forman, 1995). Dramstad et al (1996) ressaltam a importncia dos corredores como forma de diminuir o isolamento entre fragmentos.

    Por serem lineares e estreitos, somente uma gama limitada de espcies adaptadas exposio matriz circundante, espcies multihabitat e espcies exticas invasoras (Forman, 1995) adotam corredores como habitat, com predominncia de herbvoros e plantas tolerantes ao sol pleno. Quanto mais largos, estratificados e complexos, maior a biodiversidade observada. Entretanto, a funo de habitat no a principal, mas sim a sua capacidade de funcionar como condutor ou eixo de circulao.

    Greenways, ou vias verdes, so tipos especiais de corredor com significncia ecolgica, recreacional e esttica ou que possuam valor histrico