Livro Brasil Haiti Olhares Cruzados

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Projeto da OSCIP Imagem da Vida - www.imagemdavida.org.br/

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  • 1. BRASIL-HAITI OLHARES CRUZADOS FRECHALPORT AU PRINCE Crditos / Credits COORDENAO EDITORIAL / EDITORIAL CO-ORDINATION Dirce Carrion FOTOGRAFIAS / PHOTOS Ricardo Teles, Cabinda e Rio de Janeiro Mauro Pinto, Porto Alegre e Maputo Crianas da Escola D. Paulino F. Madeca, Cabinda Crianas do morro da Chacrinha, Rio de Janeiro Crianas da Vila dos Papeleiros - AREVIPA, Porto Alegre e do Galpo de Reciclagem Passo Dorneles, Viamo no Rio Grande do Sul Crianas do bairro de Hulene, Maputo APOIO / SUPPORT Secretaria Especial de Polticas de Promoo da Igualdade Racial PRODUO / PRODUCTION Imagem da Vida Editora Reflexo Frum Social Mundial - Porto Alegre 2005 EDIO DE FOTOGRAFIAS / PHOTOGRAPHIC EDITING Dirce Carrion DESIGN E DIREO DE ARTE / GRAPHICS AND DIAGRAMS Shadow Design Mauricio Nisi Gonalves TRADUO / TRANSLATION Graham Howells REVISO DO PORTUGUS / PORTUGUESE REVISION Gisele Gama PRODUO GRFICA / GRAPHIC PRODUCTION Shadow Design IMPRESSO E ACABAMENTO / PRINTING AND BINDING Pancrom Indstria Grfica TTULO DO LIVRO / TITLE OF THE BOOK Brasil-Haiti - Olhares Cruzados Brasil-Haiti - A Meeting of Eyes

2. 4 5 O Haiti logo al do outro lado da estrada. Crianas do Quilombo do Frechal 3. 6 7 Brasil-Haiti: Olhares Cruzados O projeto Brasil-Haiti, Olhares Cruzados vem promover o conhecimento recproco e a solidariedade entre bra- sileiros e haitianos por meio do intercmbio de ima- gens produzidas por crianas brasileiras e haitianas. Com base em experincias similares em Angola e Moambique, este trabalho apresenta de maneira ori- ginal a realidade social de crianas haitianas e brasi- leiras residentes em comunidades carentes. Alm de trabalhar o lado ldico da ao de fotografar e pintar, o projeto evidencia como a cultura, as brin- cadeiras e a maneira de interagir com a famlia e a sociedade so parecidas no Brasil e no Haiti. Mais do que um projeto, Brasil-Haiti: Olhares Cruzados uma ponte entre universos ao mesmo tempo to distantes e to prximos. Desde 2004, quando o Brasil passou a integrar com expressivo efetivo a Misso das Naes Unidas para a Estabilizao no Haiti (MINUSTAH), criou-se um forte movimento de aproximao entre os dois pases. O 18 de agosto, data do amistoso entre as selees do Bra- sil e do Haiti, passou a ser celebrado como o Dia da Paz. Para comemorar a data, em 2005, foi inaugurado um mural na Praa Saint Pierre, produzido no prprio local por pintores haitianos e brasileiros. Enquanto o mural era pintado pelos artistas, centenas de crianas de escolas pblicas e orfanatos de Porto Prncipe par- ticiparam do projeto produzindo seus prprios desenhos. Religio e cultura dos dois pases, com suas razes comuns no continente africano, tambm irmanam Haiti e Brasil. A participao brasileira na reestruturao da democracia no Haiti deixa claro nosso compromis- so com a recuperao do pas. Mais do que trazer segurana e ordem, o Brasil quer contribuir para a revitalizao das instituies e para a promoo do desenvolvimento econmico, social e cultural do Haiti. A MINUSTAH parte do princpio de que a paz no um bem gratuito. Deve-se trabalhar pela paz com afin- co. E o preo da paz a participao. O trabalho da brasileira Dirce Carrion e sua equipe visa dar a conhecer aos haitianos algo mais sobre um pas que eles tanto admiram, mas com o qual no tm tido, ainda, a oportunidade de estabelecer contatos estreitos. A iniciativa se insere na dimenso humanista que a poltica do Governo do Presidente Lula vem im- primindo diplomacia brasileira. Embaixador Celso Amorim, Ministro de Estado das Relaes Exteriores Brsil-Hati: Regardes Croiss Le projet Brsil-Hati, Regards Croiss a lintention de promouvoir la connaissance rciproque et la solida- rit entre brsiliens et hatiens au moyen de lchange dimages ralises par des enfants brsiliens et ha- tiens. Bas sur des expriences semblables en Angola et au Mozambique, ce travail prsente de manire ori- ginale la ralit sociale denfants hatiens et brsiliens habitants des communauts dfavorises. Tout en travaillant le cot ludique de laction de pho- tographier et de peindre, le projet met en vidence le fait que la culture, les jeux et la faon dinteragir avec la famille et la socit se ressemblent au Brsil et en Hati. Plus quun projet, Brsil-Hati: Regards Croi- ss sagit un pont entre des univers la fois si dis- tants et si proches. Depuis 2004, quand le Brsil sest mis intgrer avec un effectif considrable la Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Hati (MINUSTAH), un puissant mouvement dapproximation entre les deux pays sest cr. Le 18 Aot, date du match amical entre les quipes du Brsil et dHati, est maintenant clbr comme le Jour de la Paix. Pour fter la date, en 2005, une murale a t inaugure sur la place Saint Pierre, ralise sur place par des peintres hatiens et brsiliens. Pendant que luvre tait excute par les artistes, des centaines denfants dcoles publiques et orphelinats de Port-au-Prince ont particip au projet faisant leurs propres dessins. La religion et la culture des deux pays, ayant leurs raci- nes communes dans le continent africain, aussi, lient Hati et Brsil. La participation brsilienne dans la res- tructuration de la dmocratie en Hati tmoigne de no- tre engagement avec la rcupration du pays. Plus que dapporter scurit et ordre, Le Brsil entend contri- buer la revitalisation des institutions et la promotion du dveloppement conomique, social et culturel dHati. La MINUSTAH part du principe que la paix nest pas un bien gratuit. Il faut travailler pour la paix avec tnacit. Et le prix de la paix est la participation. Le travail de la brsilienne Dirce Carrion et de son quipe vise faire les hatiens dcouvrir un peu plus sur un pays quils admirent tant, mais avec lequel ils nont pas, encore, eu loccasion dtablir des liens troits. Linitia- tive sinscrit dans la dimension humaniste que la politi- que du gouvernement du Prsident Luis Incio Lula da Silva confre dernirement la diplomatie brsilienne. Ambassadeur Celso Amorim, Ministre dtat des Relations Extrieures 4. 8 9 O olhar sensvel sobre a identidade haitiana Nas ltimas dcadas tm-se ampliado os olhos e senti- dos voltados para as condies de vida que os povos de diversas localidades do mundo desfrutam. Esses olha- res, provocados por movimentos sociais, debatidos nas conferncias mundiais e por governos locais compro- metidos com a mudana, apreendem, principalmente, o exerccio da democracia como fonte de justia, cida- dania e igualdade, para alm de fronteiras polticas, econmicas, sociais e culturais. Os mesmos olhares globais que aproximam idias e formas de vida tambm esto atentos s desumanida- des histricas que separaram etnias, destronaram reis e rainhas e massacraram comunidades, transforman- do-os em mercadorias e trabalhadores escravizados. A frica me, origem e escola para estes povos es- palhados pelo mundo sob sua ascendncia e descen- dncia hoje reconstri sua histria, por meio de seus filhos: pases compostos, em sua grande maioria, por pessoas descendentes de africanos trazidos na escra- vido, que lutam pela liberdade de expressar sua iden- tidade e pelo seu desenvolvimento poltico, econmico e comercial. Brasil e frica uniram-se de maneira trgica pela es- cravido e por todo o aparato comercial instalado na costa do Atlntico, tanto l como c, para o trfico de escravos. A abolio tardou a acontecer, mas com ela nossos antepassados conquistaram a liberdade. Iniciou- se a outro ciclo que no correspondeu exatamente conquista da cidadania plena, a qual ainda continua sendo nosso intuito. Hoje, nos reaproximamos da frica por meio de con- vnios, acordos bilaterais e multilaterais, partilhando as possibilidades de crescimento econmico, poltico e social. Da mesma forma, hora de demonstrar soli- dariedade ao povo haitiano. H muito somos convida- dos para refletir sobre nossa irmandade com este povo que conquistou a liberdade poltica, quando muitos brasileiros e afro-descendentes de outras partes do mundo nem sequer acreditavam que seriam um dia tratados da mesma maneira que os outros cidados e cidads. No Haiti, a independncia chegou 118 anos antes de sua conquista no Brasil, fazendo daquele pas a primeira repblica negra do mundo, em 1804, e tor- nando-o um farol para todas as naes e culturas libertrias. Por esse motivo, o pas encontrou dificuldades para se estruturar, permanecendo isolado e sem efetivo respal- do externo. Hoje, a comunidade internacional preocu- pa-se de maneira mais enftica por que as condies de vida so inadmissveis, com profundas desigualda- des econmicas e sociais e toda a sorte de mazelas. Urge contribuir para o resgate da ousadia ancestral desse povo, que iluminou durante sculos a resis- tncia similar que ocorreu no Brasil e em outros can- tos do mundo. O governo brasileiro tem tratado a agenda da Promo- o da Igualdade Racial de maneira continuada, o que fica explcito na incorporao do Brasil ao projeto Olha- res Cruzados, que traz incontveis possibilidades. En- tre elas esse livro, que busca similaridades de nossos olhares sobre o mundo e explora a proximidade da iden- tidade haitiana com a nossa. O Brasil e o Haiti, embora naes diferentes, sofrem das mesmas seqelas deixadas pela escravido: a ri- queza concentrada, a violncia racial, a resistncia, as favelas. Infelizmente, a escravido e o colonialismo fo- ram marcas comuns na nossa histria. A verdade que ns, brasileiros, africanos e haitianos sabemos pouco ou quase nada uns dos outros, mas mantemos forte identidade. Pouco nos conhece- mos no que diz respeito s nossas produes, nossas organizaes polticas, nossas linguagens. Temos, sim, um lao ancestral e cultural que une o Brasil a pases que possuem grande contingente populacional negro, pois muito de suas identidades se assemelham. Ministra Matilde Ribeiro, Secretria Especial de Polticas de Promoo da Igualdade Racial Regard sensible sur lidentit haitienne Pendant les dernires dcennies les yeux et les sens dirigs vers les conditions dans lesquelles vivent les peuples de diverses parties du monde se sont intensi- f