LATIM VULGAR DO LATIM VULGAR No existe nenhum texto exclusivamente vulgar (sermus vulgaris), mas sim...

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  • LATIM VULGAR: CONCEITO, CARACTERSTICAS, FONTES DE

    ESTUDO E FRAGMENTAOP R O F A . D R A . L IL IA NE B A R R E IR O S

    (P P G E L - M E L / U E F S )

  • TEXTOS:

    BASSETTO, Bruno F. Origem das Lnguas Romnicas. In:_______. Elementos de Filologia Romnica: histria externa daslnguas. v. 1. So Paulo: Editora da USP, 2005, p. 87-109.

  • LNGUA PORTUGUESAOlavo Bilac (1865 - 1918)

    ltima flor do Lcio, inculta e bela,s, a um tempo, esplendor e sepultura:Ouro nativo, que na ganga impuraA bruta mina entre os cascalhos vela...

    Amote assim, desconhecida e obscura,Tuba de alto clangor, lira singela,Que tens o trom e o silvo da procelaE o arrolo da saudade e da ternura!

    Amo o teu vio agreste e o teu aromaDe virgens selvas e de oceano largo!Amo-te, rude e doloroso idioma,

    Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"E em que Cames chorou, no exlio amargo,O gnio sem ventura e o amor sem brilho!

  • Pr-histrico primeiros habitantes do Lcio;

    Proto-histrico primeiros documentos da lngua;

    Arcaico utilizada entre o sculo III a.C. e incio do I a.C. (antigostextos literrios);

    Clssico sculo I a.C., forma lingustica refinada e elaborada, observada nas grandes obras da prosa e dapoesia latina (destacou-se os fenmenos gramaticais do idioma);

    Evoluo do Latim

  • Evoluo do LatimVulgar lngua falada pelo povo , da qualprocedem as lngua romnicas, entre as quais se tem oPORTUGUS.

    Ps-Clssico observado nas obras literrias compostas entre ossculos I e V d.C.

  • Latim Clssico versus Latim Vulgar

    A grande diferena entre as duas variedades do latim no cronolgica (o latim vulgar no sucede ao latim clssico), nemligada escrita, social.

    Uma extremamente estvel, a outra inova constantemente.

  • Latim Clssico versus Latim Vulgar

    Sociedade fechada, conservadora, aristocrticaPATRCIOS

    Aberta a todas as influncias PLEBEUS/

    ESCRAVOS

    As duas variedades refletem duas culturas que conviveram em Roma.

  • Variedades do Latim

    Sermoplebeius

    Sermourbanus Portugus

    Galego Castelhano Catalo Provenal Francs Rtico Sardo Italiano Dalmtico Romeno

  • Latim escrito e latim faladoAs lnguas romnicas so uma continuao do latim.

    A questo : de que latim?

  • Latim escrito e latim falado Desenvolveu-se em um longo e contnuo processo detransformao lingustica.

    O latim ocupava uma rea limitada do Lcio, rodeado dedialetos itlicos e pelo etrusco. Somente depois se fixa comolngua literria, com o aspecto que deram os grandes escritoresda poca republicana.

  • Regies da Itlia

  • reas marginais conservam caractersticas mais arcaicas Fenmenos de conservao:

    - o sistema de declinao (1 a 5)

    A lngua falada se diferenciava da lngua escrita (e,sobretudo, daquela escrita com pretenses artsticas) em maiorou menor grau, de acordo com a poca e as classes sociais.

  • O latim e suas fontes de estudo...

    O latim passa a ser conhecido, mais sistematicamente, apartir do sculo III a.C.; antes disso, as inscriesencontradas so muito espordicas.

  • Caractersticas do latim vulgar Mais SIMPLES em todos os nveis

    - Fontica: Perda da quantidade voclica

    (durao/pronncia timbre)

    10 vogais > 7 > 6 > 5 vogais

    - Morfologia: reduo das declinaes

    2 absorve a 4 / 3 absorve a 5

  • Caractersticas do latim vulgar- Numerais: apenas os cardinais

    - Gnero neutro: raros vestgios > gnero masculino

    - Simplificao dos pronomes demonstrativos e indefinidos

    - Is, hic, iste, ille, ipse, idem > iste, ipse, ille

    - Sintaxe: ordem das palavras na orao

  • Caractersticas do latim vulgar Mais ANALTICO

    - Uso de preposies, advrbios, pronomes e verbos auxiliares

    Mais CONCRETO

    - Termos abstratos praticamente desconhecidos

    Mais EXPRESSIVO

    - Eminentemente falado: caract. nfase, espontaneidade e afetividade

    Mais PERMEVEL A ELEMENTOS ESTRANGEIROS

    - Emprstimos lexicais

  • Urbanitas versus rusticitasO latim falado continha certamente um

    maior nmero de diferenas regionais esociais em virtude da uniformizaoprovocada pela unificao poltica e cultural.

    Ccero e Quintiliano fazem umadistino entre a urbanitas (da urbe) romanae a rusticitas (variedade corrompida) ourustica vox.

  • Certamente, a variedade de latim que etruscos e itlicosreceberam no era a mesma recebida pelos gauleses e povos maisdistantes; assim, o sermo vulgaris devia j ter, no ser cerne,algumas diferenas dialetais que mais tarde iam se desenvolvernas diferentes lnguas romnicas.

  • CceroO prprio Ccero (106 a.C. a 43

    a.C. ) usa, em algumas de suas cartasfamiliares no destinadas publicao,um estilo consideravelmente diferentedaquele que usado em seus discursosou obras filosficas e retricas.

  • A tradio literria comea em Roma no sculo III a.C. com oaparecimento dos primeiros escritores: Lvio Andronico, CneuNvio, Enio.

    O perodo de ouro do latim clssico representado pelapoca de Ccero e de Augusto. ento que aparecem os grandesartistas da prosa e do verso, que levam a Lngua ao seu maioresplendor.

  • Afinal, o que o latim vulgar? No se trata, segundo Tagliavini, do latim falado pelas classesmais baixas da populao, os jovens do cordel, os gladiadores, osescravos, as prostitutas, mas sim da lngua falada por todas asclasses sociais, com infinitos refinamentos.

    Assim, entende-se que nunca existiu um latim vulgar nico,como muitas vezes alguns livros parecem sugerir.

  • FONTES DO LATIM VULGAR

  • FONTES DO LATIM VULGARI) Autores latinos quando usavam expresses de lngua falada ou

    popular.

    Isso se dava no s pelo gnero cmico, pelo uso de dilogos,mas tambm porque alguns dos modelos que depois iam sertomados com rigor ainda no tinham sido fixados.

    Exemplo: comdias de Plauto.

    Tambm Petrnio, no seu Satyricon, faz uso, por meio de seuspersonagens, de termos plebeus, vulgares.

  • FONTES DO LATIM VULGARDesde os primeiros sculos, comeou a se formar um latim

    cristo, que no somente trazia influncias gregas e orientais,como tambm tinha a inteno direta de propagar as palavras doSenhor, a difuso da nova religio e, tendo nascido em meiossobretudo populares, representava uma lngua mais prxima dafalada do que a dos autores pagos que lhes eramcontemporneos.

    Ex: Santo Agostinho

  • FONTES DO LATIM VULGARAlm desses escritos, textos de autores de pouca

    escolaridade, a quem o empenho gramatical e estilstico paraescrever um latim 'correto' no era capaz de evitar vulgarismosgramaticais e lexicais.

  • FONTES DO LATIM VULGARNo existe nenhum texto exclusivamente vulgar (sermus

    vulgaris), mas sim que se encontram traos mais ou menostomados como reflexos do latim vulgar.

    Esses traos podem ser copiados intencionalmente, usadospor falta de termos tcnicos no latim clssico (como o caso dealguns tratados de medicina popular etc.), para melhorinteligibilidade dos leitores ou ainda pela deficincia escolar doautor em textos.

  • FONTES DO LATIM VULGARII) Os Gramticos Latinos

    Meios de se evitar formas no padro ou onde seassinalavam os 'erros' mais comuns do uso cotidiano.

  • FONTES DO LATIM VULGARIII) Os lexicgrafos

    Nas obras lexicogrficas, especialmente na de Isidoro deSevilha, no s esto explicadas palavras arcaicas ou raras, comotambm os vulgarismos.

    Entre os glossrios, tem particular interesse, do ponto devista romanstico, o chamado Appendix Probi, escritoprovavelmente em Roma, no sculo II d.C.

  • Apndix Probi o terceiro dos cinco apndices

    adicionados por um autor annimo nagramtica latina Instituta Artium. Aprpria gramtica foi atribuda a aogramtico Valerius Probus, que viveu noprimeiro sculo.

    No apndice, vrias entradas soreferncias a lugares ou realidades doNorte de frica, o que levou muitospesquisadores a acreditar que o autor erade origem africana.

  • Ainda sobre o Appendix Probi bvio que se o autor julgava oportuno fazer com aquelas

    palavras uma lista era porque estavam bastante difundidas.

    Exemplo de glossa: auris non oricla

    - clssico auris , se usava o diminutivo auricula

    - vulgar , reduzia au a o e suprimia a postnica da proparoxtona(oricla).

    Dessa forma oricla, vm todas as formas romnicas:orecchia, oreille, oreja, orelha, ureche.

  • FONTES DO LATIM VULGARIV) Inscries

    O estudo das particularidades lingusticas das inscriespermite fazer uma ideia do latim regional da Glia, Dcia, Ibriaetc.

    Exemplo: Grafismos nos muros de Pompia.

  • PompiaEsta pequena cidade, aos ps do

    vulco Vesvio, foi coberta por umagrande erupo na noite de 24 deagosto de 79 d.C., juntamente com suasvizinhas Herculano, Stabia e Oplontis.Em poucas horas, lavas, cinzas e gasesvenenosos cobriram e matarammilhares de pessoas.

  • Pompia

  • Pompia

  • PompiaSoterradas por metros de

    materiais vulcnicos, esta cidadeguardou detalhes da vidacotidiana de seus habitantes e desua riqueza cultural.

    Somente em 1748 , com oachado de uma inscrio, a cidadede Pompia foi redescoberta e assuas preciosidades tm sidoreveladas pelos vestgios aliguardados.

  • Nas escavaes realizadas em Pompia, tm sidoencontradas muitas inscries, das quais h que se distinguir doistipos:

    As monumentais, que so escritas com letras capitais, esculpidasem monumentos, tumbas funerrias, edifcios pblicos, entreoutros; e

    As comuns, que so escritas com letras cursivas, feitas com pincelou estiletes, em livros ou paredes, para registros de fatos docotidiano.

  • Destas inscries comuns,chamam a ateno a grandequantidade encontrada emmuros, pare