Jogos e brincadeiras a deficientes

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Jogos e brincadeiras para animação de pessoas com deficiencia

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2. 2SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAO SUPERINTENDNCIA DA EDUCAO DIRETORIA DE POLTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONALO Ldico e o Desenvolvimento da Criana Deficiente IntelectualSnia Regina Corra Mafra2008 3. 3SUMRIOAPRESENTAO...............................................................................................41 JOGO, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM NA CONCEPO DE PIAGET E VYGOTSKY........................................................................................ 5 2 JOGOS BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS COMO RECURSO PEDAGGICO..................................................................................................... 11 3 O LDICO NA PRTICA PEDAGGICA COM CRIANAS DEFICIENTES INTELECTUAIS MODERADAS........................................................................... 15 4 SUGESTO DE JOGOS E BRINCADEIRAS................................................... 18 4.1 IMAGEM E ESQUEMA CORPORAL.............................................................184.2 COORDENAO MOTORA........................................................................... 20 4.3 ORIENTAO ESPACIAL.............................................................................. 25 4.4 ORIENTAO TEMPORAL............................................................................ 27 4.5 PERCEPO VISUAL.................................................................................... 28 4.6 PERCEPO AUDITIVA................................................................................ 31 4.7 PERCEPO TTIL....................................................................................... 33 4.8 PERCEPO OLFATIVA................................................................................ 35 4.9 MEMRIA....................................................................................................... 35 4.10 CLASSIFICAO.......................................................................................... 37 4.11 PENSAMENTO LGICO............................................................................... 40 4.12 MATEMTICA............................................................................................... 43 4.13 ALFABETIZAO......................................................................................... 46 REFERNCIAS..................................................................................................... 51 4. 4APRESENTAOConsiderando-se que a criana com deficincia intelectual apresenta dificuldades em assimilar contedos abstratos, faz-se necessrio a utilizao de material pedaggico concreto, e de estratgias metodolgicas prticas para que esse aluno desenvolva suas habilidades cognitivas e para facilitar a construo do conhecimento. Os jogos e brincadeiras so estratgias metodolgicas que apresentam as duas caractersticas acima citadas. Proporcionam a aprendizagem atravs de materiais concretos e de atividades prticas, onde a criana cria, reflete, analisa e interage com seus colegas e com o professor. Partindo dessa concepo, este material aborda primeiramente as teorias do desenvolvimento e da aprendizagem propostas por Piaget e Vygotsky, destacando a contribuio do jogo para esse desenvolvimento, segundo a opinio desses dois pesquisadores, traando um paralelo entre a teoria construtivista de Piaget e o scio-interacionismo de Vygotsky. No segundo captulo trata da importncia do uso dos jogos e das brincadeiras como recurso pedaggico nas escolas. Faz-se uma abordagem quanto relevncia da explorao desses recursos para propiciar uma aprendizagem pautada nas experincias vividas pela criana atravs das atividades ldicas. No terceiro captulo procura-se ressaltar a grande contribuio e a importncia de uma prtica pedaggica pautada no ldico, para o trabalho com crianas deficientes intelectuais moderadas. Aborda-se a contribuio dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, lingstico e fsicomotor dessas crianas. Bem como a sua utilidade para o desenvolvimento de contedos curriculares. O quarto e ltimo captulo, traz sugestes de jogos e brincadeiras para uso pedaggico, especificando as reas do desenvolvimento e os objetivos que se pode atingir com cada jogo. Pretende-se com este material dar subsdios tericos e prticos aos professores que trabalham com crianas com necessidades educacionais especiais tanto em classes regulares, salas de recursos, como em classes e escolas especiais,contribuindoparaaaprendizagem,odesenvolvimentoconseqentemente, para a incluso escolar e social dessas crianas.e, 5. 51 JOGO, DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEMNA CONCEPO DEPIAGET E VYGOTSKYPartindo de uma concepo scio-construtivista-interacionista do jogo, ou seja, pensando-o como um meio de garantir a construo de conhecimentos e a interao entre os indivduos; a possibilidade de trazer o jogo para dentro da escola a possibilidade de pensar a educao numa perspectiva criadora, autnoma e consciente. Nesse sentido, as concepes construtivistas de Piaget vm de encontro s idias de desenvolvimento e aprendizagem, enquanto as teorias de Vygostsky so relevantes para a compreenso da importncia do contexto scio-cultural e das interaes sociais. Na concepo de Piaget, o desenvolvimento do conhecimento um processo espontneo, ligado ao processo geral da embriognese, que diz respeito ao desenvolvimento do corpo, do sistema nervoso e das funes mentais. J a aprendizagem situa-se do lado oposto do desenvolvimento, pois geralmente provocada por situaes criadas pelo educador. Para Piaget, a aprendizagem colocada como aquisio em funo do desenvolvimento. Segundo o autor, os indivduos adquirem o conhecimento segundo o seu estgio de desenvolvimento, e a partir das diversas formas de aquisio do conhecimento que se d a aprendizagem. Piaget (LOPES, 1996) classifica os estgios de desenvolvimento da criana em quatro perodos, quais sejam: Perodo sensrio-motor (do nascimento aos 2 anos): a partir de reflexos neurolgicos bsicos, o beb comea a construir esquemas de ao para assimilar mentalmente o meio. A inteligncia prtica. As noes de espao e tempo so construdas pela ao. O contato com o meio direto e imediato, sem representao ou pensamento. Exemplos: O beb pega o que est em sua mo; mama o que posto em sua boca; v o que est diante de si. Aprimorando esses esquemas capaz de ver um objeto, peg-lo e lev-lo boca. Perodo pr-operacional (2 a 7 anos): caracteriza-se , principalmente pela interiorizao de esquemas de ao construdos no estgio anterior. A criana no aceita a idia do acaso e tudo deve ter uma explicao ( a fase dos por qus). J 6. 6pode agir por simulao e imitao. Possui percepo global, sem discriminar detalhes. Deixa se levar pela aparncia sem relacionar fatos. Exemplos: Mostram-se para a criana duas bolinhas de massa iguais e dse a uma delas a forma de salsicha. A criana nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas so diferentes. No relaciona as situaes. Estgio das operaes concretas (7 a 12 anos): a criana desenvolve noes de tempo, espao, velocidade, ordem, casualidade, j sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade, mas ainda depende do mundo concreto para chegar abstrao. Desenvolve a capacidade de representar uma ao no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformao observada (reversibilidade). Exemplos: despeja-se a gua de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criana diga se as quantidades continuam iguais. A resposta afirmativa, uma vez que a criana j diferencia aspectos e capaz de refazer a ao. Estgio das operaes formais, que corresponde ao perodo da adolescncia (12 anos em diante): a representao agora permite a abstrao total. A criana capaz de pensar logicamente, buscando solues a partir de hipteses e no apenas pela observao da realidade. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provrbio como de gro em gro a galinha enche o papo, a criana trabalha com a lgica da idia (metfora) e no com a imagem de uma galinha comendo gros. Cada perodo define um momento do desenvolvimento. Um novo estgio se diferencia dos precedentes, pelas evidncias no comportamento. O aparecimento de determinadas mudanas qualitativas identifica o incio de um outro estgio do desenvolvimento intelectual. Cada estgio se desenvolve a partir do que foi construdo nos estgios anteriores. A ordem em que as crianas atravessam essas etapas sempre a mesma, variando apenas o ritmo com que cada uma adquire as novas habilidades, portanto as faixas etrias discriminadas em cada perodo no podem ser tomadas como parmetros rgidos, em funo das diferenas individuais e do meio ambiente. PIAGET (1975), valoriza a prtica ldica para que o desenvolvimento infantil seja harmonioso, pois tal atividade propicia a expresso do imaginrio, a aquisio de regras e a apropriao do conhecimento. 7. 7Para o autor, ao manifestar a conduta ldica, a criana demonstra o nvel de seus estgios cognitivos e constri conhecimentos (KISHIMOTO,2008, p.32). Piaget analisou e estabeleceu relaes entre o jogo e o desenvolvimento intelectual. Segundo os estudos do autor, existem trs tipos de estruturas que caracterizam o jogo infantil e fundamentam a classificao por ele proposta: -Jogos de exerccio: so as atividades ldicas da criana no perodo sensrio-motor, que vai dos 0 anos at o aparecimento da linguagem. So exerccios simples cuja finalidade o prazer do funcionamento. Caracterizam-se pela repetio de gestos e de movimentos simples e tm valor exploratrio. Jogos sonoros, visuais, olfativos, gustativos, motores e de manipulao. -Jogossimblicos:compreendeaidadedos2aos7anosaproximadamente. So jogos de fico e imitao. Atravs do faz-de-conta, a criana realiza sonhos e fantasias, revela conflitos interiores, medos e angstias, aliviando tenses e frustraes. Destacam-se os jogos de papis, faz-de-conta e representao. -Jogos de regras: so praticados a partir dos 7 anos de idade. A regra o elemento principal deste tipo de jogo, que surge da organizao coletiva das atividades ldicas e so indispe