Infância(s), criança(s), cultura(s), socialização e escola ...· A turma faz a fila e desce para

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  • Infncia(s), criana(s), cultura(s), socializao e escola: perspectivas

    sociolgicas e educacionais

    Lisandra Ogg Gomes

  • 6. A alfabetizao de crianas participativas.

    4. Relaes educativas interativas: entre saberes docentes e saberes infantis.

    7. Olhando as crianas e como se alfabetizam.

    Considerar a heterogeneidade;

    Conhecer;

    Planejar e ponderar;

    Construir coletivamente;

    Mediar, interagir e partilhar;

    Avaliar constantemente.

    Coletivo Individual.

    Indivduo Sociedade.

  • A incapacidade de ser verdadeiroH verdades que parecem mentiras e... mentiras que parecem verdades! O que mentira? Onde est a verdade? E onde ficam as invencionices da imaginao e da poesia? Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois drages da independncia cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A me botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que cara no ptio da escola um pedao de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.

    Carlos Drummond de Andrade. Contos plausveis, 1994.

    Desta vez Paulo no s ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futeboldurante quinze dias.Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passarampela chcara de Si Elpdia e queriam formar um tapete voador para transport-loao stimo cu, a me decidiu lev-lo ao mdico. Aps o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabea: No h nada a fazer, Dona Col. Esse menino mesmo um caso de poesia.

  • Realidade.

    - Projetamos racionalmente nossa vida: o passado, elemento que sustenta o presente; no presente planejamos e adiamos o prazer em nome do futuro.

    - O prazer, a felicidade e o sucesso so possveis no futuro. Adiamos o prazer em nome de um projeto futuro.

    Prazer.

    - O que interessa viver o aqui e o agora.

    - Busca-se o prazer do agora.

    - Busca-se o sucesso e a felicidade ainda que efmeros.

    Cultura Ldica

  • Escola Estadual Mrcio de Aguiar Cunha. 2 ano, 1 ciclo. Entre no mundo da msica. Ipatinga, MG, 2013.

    Escola Estadual Professora Eunice dos Santos Costa. Confeco de petecas. SRE Coronel Fabriciano, MG, 2013.

    Construes coletivas: crianas adultos crianas.

  • Indiferena estrutural em relao s crianas

    As crianas so indiscutivelmente parte da sociedade e do mundo, e necessrio conectar a infncia estrutura social (poltica, economia, justia, tecnologia, educao, sade, cultura...).

    Isso no significa que cada criana, em particular, deva manifestar-se sobre questes da ordem estrutural.

    Significa entender todos os eventos, grandes e pequenos, tero repercusses sobre as crianas, pois elas so parte da sociedade.

    As crianas so atores de plenos direitos e a cultura das crianas sustenta-se nos mundos de vidas delas, os quais

    so heterogneos.

    Jens Qvortrup. Nove teses sobre a infncia como fenmeno social. 2011.

  • Indiferena estrutural em relao s crianas

    As crianas so importantes e sem importncia; espera-se delas

    que se comportem como crianas mas so criticadas nas suas

    infantilidades; suposto que brinquem absorvidamente quando se

    lhes diz para brincar, mas no se compreende porque no pensam

    em parar de brincar quando se lhes diz para parar; espera-se que

    sejam dependentes quando os adultos preferem a dependncia,

    mas deseja-se que tenham um comportamento autnomo; deseja-

    se que pensem por si prprias, mas so criticadas pelas suas

    'solues' originais para os problema.

    Calvert cit. in POLLARD, Andrew The Social World of the Primary School. 1985. In: Manuel Sarmento e Manuel Pinto. As crianas e a infncia. 1997.

  • 1) A infncia institucionalizada e considerada secundria na sociedade

    Professora: Agora que vocs pintaram a letra B faam fila para eu colar no caderno de vocs. E quem eu colar vai sentar e escrever duas vezes a palavra bola no caderno de vocs.

    Conforme as crianas vo terminando, a professora diz terminou, fica no seu lugar que eu pego o caderno de vocs. Ao pegar os cadernos, no olha e nem faz nenhum comentrio.

    Professora: Hoje vai dar para ir pro parque, mas j vou avisando que quem jogar areia vai sentar. A turma faz a fila e desce para o parque. Ao chegar a professora diz: Olha, t muito escuro, vamos voltar para a sala. As crianas formam a fila e voltam para a sala.

    Pesquisa com crianas de 06 anos.

    Renata P. Weffort Almeida, SP, 2009, p. 87.

  • A professora distribui as folhas e diz: Vocs vo contornar o leo com canetinha e pintar com lpis de cor. Depois, vo tentar escrever a palavra leo. Olha, presta ateno no som da letra, no para ir colocando um monte de letras sem pensar. A professora da outra sala aparece na porta da sala, elas ficam conversando. As crianas comeam a conversar, falar alto, dar risadas, levantar das cadeiras. Ao entrar na sala a professora diz: Que falta de educao. Eu falando assunto srio e vocs nessa baguna. Agora chega, eu no quero ouvir nem um pio. As crianas ficam quietas.

    Prximo ao horrio do lanche a professora diz: vocs vo deixar a lio em cima da mesa, vo deitar a cabea na mesa e s vo levantar quando eu falar, porque hoje vocs saram dos limites.

    Ela vai chamando um de cada vez com a expresso brava e voz alta, e comenta com a pesquisadora: se no for assim eles no

    aprendem, e a gente j sabe bem no que vai dar.

    Pesquisa com crianas de 06 anos.Renata P. Weffort Almeida, SP, 2009, p. 126.

  • Homogeneidade e heterogeneidade na infncia:

    1) institucionalizao e confinamento na famlia e escola;

    2) variao nas condies de vida das crianas: sexo, classe social, raa, etnia, idade;

    3) conhecimento acerca dos valores, dos percursos, das crenas, dos saberes e das representaes das crianas;

    4) em termos legais, a criana considerada como menor e imatura um lugar que dado pelo grupo dominante correspondente, os adultos;

    5) gerao crianas.

  • 2) Enquanto a infncia for considerada a-histrica e intercultural a ideia de criana ser sempre problemtica

    [...] naquela poca a gente no tinha um horrio, no tinha um nada, voc tinha uma liberdade pra fazer o que voc quisesse. uma das coisas que mais marca, pra gente hoje. E principalmente hoje a gente v a diferena do que era nossa infncia do que do pessoal hoje. Pra gente qualquer coisa era uma diverso, hoje videogame, computador. O foco mudou. A gente saa de manh e voltava noite, sem problema. Hoje em dia o pessoal sai, e cinco minutos j fica preocupado, onde que est, o que aconteceu. o que mais me marca. Essa liberdade que a gente tinha que hoje em dia voc j no tem mais isso.

    Pesquisa sobre a infncia de adultos. Gabriel, 32 anos.Bruna Breda, SP, 2010, p. 51.

  • A ideia de criana ainda supra-histrica e, portanto, ela um indivduo a-histrico.

    Grard Blot. Roda de crianas. RMN-Grand Palais, sec XX.

    Escola Estadual Professora Eunice dos Santos Costa. Brincadeira com petecas. SRE Coronel Fabriciano, MG, 2013.

    So desconsideradas as aes construtivas das crianas em seus prprios direitos: participao, criao e aes afirmativas.

  • A infncia deve ser tratada em sua variabilidade histrica.

    No possvel separar a criana da sociedade na qual ela vive.

    Jens Qvortrup. Nove teses sobre a infncia como fenmeno social. 2011.

    Escola Estadual Mrcio de Aguiar Cunha. 2 ano, 1 ciclo. Entre no mundo da msica. Ipatinga, MG, 2013.

    Parque Infantil. Arquivo EMEI/Campinas. SP, 1951. Foto s/d.

  • Julien Germain Retratos de salas de aulas. Escola Estadual Francisca Josina, Serra do Cip.

    Brasil, 2004.

    Autor annimo. Classe com professora da escola primria. Berlim, Alemanha. 1918.

    As crianas vivem suas infncias conforme seu tempo e espao.

  • 3) Infncia faz parte da sociedade e da diviso de trabalho

    Acho que foi bom porque assim eu saio da escola mais rpido e tenho oportunidade de arrumar um emprego bom de ajudar a mim e a minha famlia... sabe... me criar na sociedade. Acho que foi timo porque assim as crianas conseguem aprender mais em mais tempo.. no.. mais em menos tempo e conseguem conviver em conjunto com a sociedade e conseguem fazer as coisas direito na vida. (Raphael, 12 anos sobre a funo e o ritmo da escola).

    Pesquisadora: Voc sabia o que era esperado de voc no primeiro ano?Lucas Gabriel afirmou saber: Ah! Sabia. Escrever, ler essas coisas (12 anos).

    Pesquisa com crianas entre 11 e 13 anos.Sueli Oliveira, MG, 2011, p. 123 e 129.

  • [...] assim, a me dele veio aqui e, se ele fosse participar do projeto, no teria ningum para levar a pequena na UMEI. Porque assim, quando ele sai daqui 11:30 e vai em casa e leva a irm para escola. A me disse que deixa almoo para eles, mas no tenho certeza disso no. Mas, assim, a me trabalha, n!? melhor deixar ele ir e voltar do que ele perder o projeto, n?! (Entrevista com Gestora do PEI).Fui com Igor levar sua irm na creche por duas vezes. O percurso de ida e volta leva aproximadamente uma hora. Na volta, uma subida forte e, no horrio do almoo, quando o dia est mais quente, bem cansativo. [...] Igor almoa depois de levar a irm, para no ir de barriga cheia. Quando ele chega [na escola], a turma dele j almoou.Na caminhada, Igor parece muito tranquilo, cumprimenta as pessoas e vai me mostrando a casa dos parentes e de pessoas que ele conhece. Ele disse que antes ele parava na Lan House, mas agora no deixam crianas irem l sozinhas [...].

    Pesquisa com crianas entre 06 e 08 anos. Levindo Diniz Carvalho, 2013, p. 97.

    Durante os cinco primeiros meses da pesquisa, Igor levou sua irm aproximadamente trs vezes por semana. E tambm deixou de frequentar as atividades por longos perodos (relato do pesquisador).