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129 Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais Ciências Físicas e Naturais O papel das Ciências no currículo do ensino básico Ao longo dos últimos anos tem sido consensual a ideia de que há uma disparidade crescente entre a educação nas nossas escolas e as necessidades e interesses dos alunos. Apesar de custar admitir, sabe-se também que a educação não prepara os jovens para empregos seguros e duradouros. A mudança tecno- lógica acelerada e a globalização do mercado exigem indivíduos com educação abrangente em diversas áreas, que demonstrem flexibilidade, capacidade de comunicação, e uma capacidade de aprender ao longo da vida. Estas competências não se coadunam com um ensino em que as ciências são apresen- tadas de forma compartimentada, com conteúdos desligados da realidade, sem uma verdadeira dimen- são global e integrada. A maior parte das pessoas interessa-se por temáticas como a vida e os seres vivos, a matéria, o Universo, a comunicação. As explicações que lhes são inerentes são muitas vezes mais fornecidas pelos media do que pela escola. A Ciência transformou não só o ambiente natural, mas também o modo como pensamos sobre nós próprios e sobre o mundo que habitamos. Os processos que utiliza – como o inqué- rito, baseado em evidência e raciocínio, ou a resolução de problemas e o projecto, em que a argumen- tação e a comunicação são situações inerentes – são um valioso contributo para o desenvolvimento do indivíduo. Interligando diferentes áreas do saber, foram produzidos, numa espantosa variedade, artefactos e produ- tos – desde motores eléctricos a antibióticos, de satélites artificiais aos clones – que transformaram o nosso estilo de vida quando comparado com o das gerações anteriores. Os jovens têm de aprender a relacionar-se com a natureza diferente deste conhecimento, tanto com diversas descobertas científicas e processos tecnológicos, como com as suas implicações sociais. O papel da Ciência e da Tecnologia no nosso dia-a-dia exige uma população com conhecimento e compreensão suficientes para entender e seguir debates sobre temas científicos e tecnológicos e envolver-se em questões que estes temas colocam, quer para eles como indivíduos quer para a sociedade como um todo. O conhecimento científico não se adquire simplesmente pela vivência de situações quotidianas pelos alunos. Há necessidade de uma intervenção planeada do professor, a quem cabe a responsabilidade de sistematizar o conhecimento, de acordo com o nível etário dos alunos e dos contextos escolares. Atendendo às razões expostas, advoga-se o ensino da Ciência como fundamental. Este, na educação básica corresponde a uma preparação inicial (a ser aprofundada, no ensino secundário, apenas por uma minoria) e visa proporcionar aos alunos possibilidades de: Despertar a curiosidade acerca do mundo natural à sua volta e criar um sentimento de admiração, entusiasmo e interesse pela Ciência; Adquirir uma compreensão geral e alargada das ideias importantes e das estruturas explicativas da Ciência, bem como dos procedimentos da investigação científica, de modo a sentir confiança na abordagem de questões científicas e tecnológicas; Questionar o comportamento humano perante o mundo, bem como o impacto da Ciência e da Tecnologia no nosso ambiente e na nossa cultura em geral.

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    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

    Cincias Fsicas e Naturais

    O papel das Cincias no currculo do ensino bsico

    Ao longo dos ltimos anos tem sido consensual a ideia de que h uma disparidade crescente entre aeducao nas nossas escolas e as necessidades e interesses dos alunos. Apesar de custar admitir, sabe-setambm que a educao no prepara os jovens para empregos seguros e duradouros. A mudana tecno-lgica acelerada e a globalizao do mercado exigem indivduos com educao abrangente em diversasreas, que demonstrem flexibilidade, capacidade de comunicao, e uma capacidade de aprender aolongo da vida. Estas competncias no se coadunam com um ensino em que as cincias so apresen-tadas de forma compartimentada, com contedos desligados da realidade, sem uma verdadeira dimen-so global e integrada.

    A maior parte das pessoas interessa-se por temticas como a vida e os seres vivos, a matria, o Universo,a comunicao. As explicaes que lhes so inerentes so muitas vezes mais fornecidas pelos media doque pela escola. A Cincia transformou no s o ambiente natural, mas tambm o modo comopensamos sobre ns prprios e sobre o mundo que habitamos. Os processos que utiliza como o inqu-rito, baseado em evidncia e raciocnio, ou a resoluo de problemas e o projecto, em que a argumen-tao e a comunicao so situaes inerentes so um valioso contributo para o desenvolvimento doindivduo.

    Interligando diferentes reas do saber, foram produzidos, numa espantosa variedade, artefactos e produ-tos desde motores elctricos a antibiticos, de satlites artificiais aos clones que transformaram onosso estilo de vida quando comparado com o das geraes anteriores. Os jovens tm de aprender arelacionar-se com a natureza diferente deste conhecimento, tanto com diversas descobertas cientficas eprocessos tecnolgicos, como com as suas implicaes sociais. O papel da Cincia e da Tecnologia nonosso dia-a-dia exige uma populao com conhecimento e compreenso suficientes para entendere seguir debates sobre temas cientficos e tecnolgicos e envolver-se em questes que estes temascolocam, quer para eles como indivduos quer para a sociedade como um todo.

    O conhecimento cientfico no se adquire simplesmente pela vivncia de situaes quotidianas pelosalunos. H necessidade de uma interveno planeada do professor, a quem cabe a responsabilidade desistematizar o conhecimento, de acordo com o nvel etrio dos alunos e dos contextos escolares.

    Atendendo s razes expostas, advoga-se o ensino da Cincia como fundamental. Este, na educaobsica corresponde a uma preparao inicial (a ser aprofundada, no ensino secundrio, apenas por umaminoria) e visa proporcionar aos alunos possibilidades de:

    Despertar a curiosidade acerca do mundo natural sua volta e criar um sentimento deadmirao, entusiasmo e interesse pela Cincia;

    Adquirir uma compreenso geral e alargada das ideias importantes e das estruturas explicativasda Cincia, bem como dos procedimentos da investigao cientfica, de modo a sentir confianana abordagem de questes cientficas e tecnolgicas;

    Questionar o comportamento humano perante o mundo, bem como o impacto da Cincia e daTecnologia no nosso ambiente e na nossa cultura em geral.

  • Ao longo da escolaridade bsica, ao estudarem cincias, importante que os alunos procurem expli-

    caes fiveis sobre o mundo e eles prprios. Para isso ser necessrio:

    (i) Analisar, interpretar e avaliar evidncia recolhida quer directamente, quer a partir de fontes

    secundrias;

    (ii) Conhecer relatos de como ideias importantes se divulgaram e foram aceites e desenvolvidas, ou

    foram rejeitadas e substitudas;

    (iii) Reconhecer que o conhecimento cientfico est em evoluo permanente, sendo um conhecimento

    inacabado;

    (iv) Aprender a construir argumentos persuasivos a partir de evidncias;

    (v) Discutir sobre um conjunto de questes pertinentes envolvendo aplicaes da Cincia e das ideias

    cientficas a problemas importantes para a vida na Terra;

    (vi) Planear e realizar trabalhos ou projectos que exijam a participao de reas cientficas diversas, tradi-

    cionalmente mantidas isoladas.

    Contributo das Cincias Fsicas e Naturaispara o desenvolvimento das competncias gerais

    No ponto anterior justificou-se o papel relevante das Cincias Fsicas e Naturais no ensino bsico, na

    perspectiva de uma compreenso global, no compartimentada. Reala-se aqui como estas contribuem

    para o desenvolvimento das competncias gerais, apresentando, a ttulo exemplificativo, um projecto

    sobre o estudo da gua que toma um carcter interdisciplinar nos diferentes ciclos de escolaridade.

    Os alunos podem envolver-se no projecto A gua no meu concelho, abordando diferentes vertentes:

    provenincia da gua; a gua como suporte de vida; consumo per capita e evoluo do consumo num

    perodo de tempo; necessidades locais da gua em termos de utilizao e tratamento; importncia dos

    cursos de gua para o progresso do concelho (perspectivas histrica, mdica e social); histrias popu-

    lares, lendas, poemas, monumentos (sentidos histrico e esttico); poluio hdrica, consequncias para

    a sade e vida das populaes, interveno individual e comunitria para a preveno e soluo de pro-

    blemas detectados; do concelho ao mundo (ligao a outras civilizaes, questes religiosas e outros

    hbitos; perspectiva global em termos de passado, de presente e de futuro). O desenrolar do projecto,

    nas suas diferentes fases e perspectivas, interliga-se com as competncias gerais, salientando-se o

    seguinte:

    Mobilizao e utilizao de saberes cientficos explorao conceptual e processual de aspec-

    tos fsicos, qumicos, geolgicos e biolgicos, ambientes naturais e formas de vida que deles

    dependem; considerar, por ex., as cadeias alimentares num rio, numa lagoa, efeitos sistmicos

    de poluentes (derrames, pesticidas, fertilizantes) nessas cadeias, preservao dos lenis

    freticos;

    Mobilizao e utilizao de saberes tecnolgicos tratamento da gua: processos fsicos e

    qumicos, casos especiais de tratamento de gua (como em hemodilise), transporte de gua,

    mecanismos de rentabilizao em casa, na agricultura, na jardinagem e na indstria;

    Mobilizao e utilizao de saberes sociais e culturais (questionamento da realidade envolvente

    numa perspectiva ampla), assim como os do senso comum (as histrias locais, as metforas, as

    concepes populares) na apreciao da gua como um bem comum e como um recurso

    extremamente valioso;

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

  • Pesquisa, seleco e organizao de informao de modo a compreender as diferentes vertentesda situao problemtica (recurso a mltiplas fontes de informao jornais, livros, inscrieslocais em monumentos, habitantes da regio, responsveis autrquicos, internet); apresentaodos resultados, mobilizando conhecimentos da lngua portuguesa, das lnguas estrangeiras (naconsulta de fontes noutras lnguas, num possvel intercmbio com alunos de escolas de outrospases), e de outras reas do saber, nomeadamente da geografia, da histria, da matemtica edas reas de expresso artstica, recorrendo s tecnologias;

    Adopo de metodologias personalizadas de trabalho e de aprendizagem, assim como nacooperao com outros, visando a participao nas diferentes fases das tarefas (individualmentee em grupo), desde a definio dos subproblemas at comunicao;

    Resoluo dos problemas e tomadas de deciso para uma interveno individual e comunitria,conducente gesto sustentvel da gua (regras individuais em casa e na escola, relativamenteao consumo e manuteno da qualidade da gua); adopo de hbitos de vida saudveis(higiene e lazer; preveno da poluio e no utilizao de guas contaminadas para consumoe agricultura) e de responsabilizao quanto segurana individual e comunitria (normas desegurana nas praias e nas piscinas; avaliao da contribuio individual e dos outros para aqualidade da gua e do ambiente).

    Ao participar num projecto como este, o aluno tem ocasio para desenvolver princpios e valores comoo respeito pelo saber e pelos outros, pelo patrimnio natural e cultural, conducente consciencializaoecolgica e social, construo da sua prpria identidade e interveno cvica de forma responsvel,solidria e crtica.

    Experincias de Aprendizagem em Cincia

    Para os conhecimentos cientficos serem compreendidos pelos alunos em estreita relao com a realidadeque os rodeia, considera-se fundamental a vivncia de experincias de aprendizagem como as que aseguir se indicam:

    Observar o meio envolvente. Para isso, planificar sadas de campo; elaborar roteiros de obser-vao, instrumentos simples de registo de informao, dirios de campo; usar instrumentos(como bssola, lupa, cronmetro, termmetro, martelo de gelogo, sensores);

    Recolher e organizar material, classificando-o por categorias ou temas. Atente-se a que sempreque se trate de material natural preciso no danificar o meio, recolhendo s uma pequenaamostra ou registando apenas por decalque, fotografia ou filme. Sugere-se a construo de umportflio onde se registam todas as etapas, da recolha classificao;

    Planificar e desenvolver pesquisas diversas. Situaes de resoluo de problemas, por impli-carem diferentes formas de pesquisar, recolher, analisar e organizar a informao, so funda-mentais para a compreenso da Cincia;

    Conceber projectos, prevendo todas as etapas, desde a definio de um problema at comu-nicao de resultados e interveno no meio, se for esse o caso. Os alunos tm de constituirparte integrante do projecto e ser envolvidos nele desde a sua concepo;

    Realizar actividade experimental e ter oportunidade de usar diferentes instrumentos de obser-vao e medida. No 1. ciclo comear com experincias simples a partir de curiosidade ou dequestes que preocupem os alunos. Mesmo nos 2. e 3. ciclos a actividade experimental deveser planeada com os alunos, decorrendo de problemas que se pretende investigar e no

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    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • constituem a simples aplicao de um receiturio. Em qualquer dos ciclos deve haver lugar a

    formulao de hipteses e previso de resultados, observao e explicao;

    Analisar e criticar notcias de jornais e televiso, aplicando conhecimentos cientficos na abor-

    dagem de situaes da vida quotidiana;

    Realizar debates sobre temas polmicos e actuais, onde os alunos tenham de fornecer argu-

    mentos e tomar decises, o que estimula a capacidade de argumentao e incentiva ao respeito

    pelos pontos de vista diferentes dos seus;

    Comunicar resultados de pesquisas e de projectos, expondo as suas ideias e as do seu grupo,

    utilizando audiovisuais, modelos ou as novas tecnologias da informao e comunicao;

    Realizar trabalho cooperativo em diferentes situaes (em projectos extracurriculares, emsituao de aula, por exemplo, de resoluo de problemas) e trabalho independente.

    importante reconhecer o papel da avaliao, ajudando os professores, como fazedores de currculo, a

    tornarem claros os seus objectivos. Ao responderem questo "O que devem saber os alunos quando

    completarem o estudo deste currculo?" concretizam ideias, muitas vezes implcitas, e determinam a

    nfase no currculo implementado na sala de aula.

    Competncias Especficas para a Literacia Cientficados Alunos no Final do Ensino Bsico

    Preconiza-se o desenvolvimento de competncias especficas em diferentes domnios como o do

    conhecimento (substantivo, processual ou metodolgico, epistemolgico), do raciocnio, da comunicao

    e das atitudes. Tal exige o envolvimento dos alunos no processo ensino aprendizagem, atravs

    de experincias educativas diferenciadas que a escola lhes proporciona. Estas, por um lado, vo de

    encontro aos seus interesses pessoais e, por outro, esto em conformidade com o que se passa

    sua volta.

    De salientar que os domnios que a seguir se mencionam no so compartimentos estanques ou

    isolados, nem as sugestes apresentadas esgotam um determinado domnio e nem existe sequencialidade

    e hierarquizao entre eles. As competncias no devem ser entendidas cada uma por si, mas no seu

    conjunto. Desenvolvem-se em simultneo e de uma forma transversal, na explorao das experincias

    educativas, com graus de profundidade diferente nos trs ciclos de escolaridade, atendendo ao nvel

    etrio dos alunos.

    CONHECIMENTO

    Conhecimento substantivo sugere-se a anlise e discusso de evidncias, situaes problemticas, que

    permitam ao aluno adquirir conhecimento cientfico apropriado, de modo a interpretar e compreender

    leis e modelos cientficos, reconhecendo as limitaes da Cincia e da Tecnologia na resoluo de

    problemas, pessoais, sociais e ambientais.

    Conhecimento processual pode ser vivenciado atravs da realizao de pesquisa bibliogrfica, obser-

    vao, execuo de experincias, individualmente ou em equipa, avaliao dos resultados obtidos,

    planeamento e realizao de investigaes, elaborao e interpretao de representaes grficas onde

    os alunos utilizem dados estatsticos e matemticos.

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

  • Conhecimento epistemolgico prope-se a anlise e debate de relatos de descobertas cientficas, nosquais se evidenciem xitos e fracassos, persistncia e formas de trabalho de diferentes cientistas, influn-cias da sociedade sobre a Cincia, possibilitando ao aluno confrontar, por um lado, as explicaescientficas com as do senso comum, por outro, a cincia, a arte e a religio.

    RACIOCNIO

    Raciocnio Sugerem-se, sempre que possvel, situaes de aprendizagem centradas na resoluo deproblemas, com interpretao de dados, formulao de problemas e de hipteses, planeamento de inves-tigaes, previso e avaliao de resultados, estabelecimento de comparaes, realizao de inferncias,generalizao e deduo. Tais situaes devem promover o pensamento de uma forma criativa e crtica,relacionando evidncias e explicaes, confrontando diferentes perspectivas de interpretao cientfica,construindo e ou analisando situaes alternativas que exijam a proposta e a utilizao de estratgiascognitivas diversificadas.

    COMUNICAO

    Propem-se experincias educativas que incluem uso da linguagem cientfica, mediante a interpretaode fontes de informao diversas com distino entre o essencial e o acessrio, a utilizao de modosdiferentes de representar essa informao, a vivncia de situaes de debate que permitam o desen-volvimento das capacidades de exposio de ideias, defesa e argumentao, o poder de anlise e de sn-tese e a produo de textos escritos e/ou orais onde se evidencie a estrutura lgica do texto em funoda abordagem do assunto. Sugere-se que estas experincias educativas contemplem tambm acooperao na partilha de informao, a apresentao dos resultados de pesquisa, utilizando, para oefeito, meios diversos, incluindo as novas tecnologias de informao e comunicao.

    ATITUDES

    Apela-se para a implementao de experincias educativas onde o aluno desenvolva atitudes inerentesao trabalho em Cincia, como sejam a curiosidade, a perseverana e a seriedade no trabalho, respei-tando e questionando os resultados obtidos, a reflexo crtica sobre o trabalho efectuado, a flexibilidadepara aceitar o erro e a incerteza, a reformulao do seu trabalho, o desenvolvimento do sentido esttico,de modo a apreciar a beleza dos objectos e dos fenmenos fsico-naturais, respeitando a tica e a sensi-bilidade para trabalhar em Cincia, avaliando o seu impacto na sociedade e no ambiente.

    Para o desenvolvimento das competncias definidas prope-se a organizao do ensino das cincias nostrs ciclos do ensino bsico em torno de quatro temas organizadores:

    Terra no espao

    Terra em transformao

    Sustentabilidade na Terra

    Viver melhor na Terra.

    A coerncia conceptual e metodolgica dos quatro temas gerais tem subjacente a ideia estruturante quea seguir se apresenta e que consta da figura 1.

    Viver melhor no planeta Terra pressupe uma interveno humana crtica e reflectida, visandoum desenvolvimento sustentvel que, tendo em considerao a interaco Cincia, Tecnologia,

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    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • Sociedade e Ambiente, se fundamente em opes de ordem social e tica e em conhecimentocientfico esclarecido sobre a dinmica das relaes sistmicas que caracterizam o mundonatural e sobre a influncia dessas relaes na sade individual e comunitria.

    Fig. 1 Esquema organizador dos quatro temas

    O esquema organizador da figura 1 salienta a importncia de explorar os temas numa perspectiva inter-disciplinar, em que a interaco Cincia, Tecnologia, Sociedade e Ambiente dever constituir umavertente integradora e globalizante da organizao e da aquisio dos saberes cientficos. Esta vertente

    assume um sentido duplo no contexto da aprendizagem cientfica ao nvel da escolaridade bsica e obri-gatria. Por um lado, possibilita o alargar os horizontes da aprendizagem, proporcionando aos alunosno s o acesso aos produtos da Cincia mas tambm aos seus processos, atravs da compreenso daspotencialidades e limites da Cincia e das suas aplicaes tecnolgicas na Sociedade. Por outro lado,permite uma tomada de conscincia quanto ao significado cientfico, tecnolgico e social da interveno

    humana na Terra, o que poder constituir uma dimenso importante em termos de uma desejveleducao para a cidadania.

    Atente-se a que qualquer dos temas envolve as componentes cientfica, tecnolgica, social e ambiental,embora seja diferente a nfase a dar na explorao destas componentes em cada um. Outro aspecto asalientar tem a ver com a articulao dos temas. Com a sequncia sugerida pretende-se que, aps terem

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

    CINCIA

    Terra no espao

    Terraem transformao

    Sustentabilidadena Terra

    Viver melhor naTerra

    AMBIENTE

    Sadee segurana

    Terra

    Mundomaterial

    Mundovivo

    Qualidadede vida

    Ser humano

    Agenteecolgico

    Sujeitobiolgico

  • compreendido conceitos relacionados com a estrutura e funcionamento do sistema Terra, os alunos sejamcapazes de os aplicar em situaes que contemplam a interveno humana na Terra e a resoluo deproblemas da resultantes, visando a sustentabilidade na Terra.

    TERRA NO ESPAO

    O primeiro tema Terra no espao foca a localizao do planeta Terra no Universo e sua inter-relaocom este sistema mais amplo, bem como a compreenso de fenmenos relacionados com os movimen-tos da Terra e sua influncia na vida do planeta. Considera-se fundamental que as experincias deaprendizagem no mbito deste tema possibilitem aos alunos, no final do ensino bsico, o desenvolvi-mento das seguintes competncias:

    Compreenso global da constituio e da caracterizao do Universo e do Sistema Solar e daposio que a Terra ocupa nesses sistemas;

    Reconhecimento de que fenmenos que ocorrem na Terra resultam da interaco no sistema Sol,Terra e Lua;

    Reconhecimento da importncia de se interrogar sobre as caractersticas do Universo e sobre asexplicaes da Cincia e da Tecnologia relativamente aos fenmenos que lhes esto associados;

    Compreenso de que o conhecimento sobre o Universo se deve a sucessivas teorias cientficas,muitas vezes contraditrias e polmicas.

    O tema desenvolve-se de acordo com o esquema organizador re p resentado na figura 2

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    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

    Universo

    C a r a c t e r i z a o

    C a r a c t e r i z a o Satlites

    DimensoOrientao

    Distncias

    Origem

    Constituio

    Terra no Espao

    Fig. 2 Esquema organizador do tema Terra no espao

    Planeta Terra

    Sistema Solar

    ConstituioForma

    CaractersticasMovimentose foras

    Terra no Sistema Solar

  • 1. ciclo

    Conhecimento da posio da Terra no espao, relativamente a outros corpos celestes;

    Compreenso das razes da existncia de dia e noite e das estaes do ano;

    Utilizao de alguns processos de orientao como forma de se localizar e deslocar na Terra;

    Anlise de evidncias na explicao cientfica da forma da Terra e das fases da Lua;

    Reconhecimento da importncia da Cincia e da Tecnologia na observao de fenmenos.

    No 1. ciclo de escolaridade fundamental estimular os alunos para a observao do que se passa sua

    volta. Atendendo s competncias especficas do Estudo do Meio, sugerem-se situaes em que o aluno

    observe, se interrogue sobre o que observa e faa registos de observao. A constatao de que existe

    dia e noite pode ser consubstanciada com registos de observao noite (cada aluno trar os registos

    para a aula no dia seguinte para serem discutidos), mediante a chamada de ateno para determinados

    aspectos, como a existncia de Lua com formas diversas, a existncia de astros diferentes, com brilho

    diferente. A comparao com a situao diurna, mediante observao do cu durante o dia, ajuda com-

    preenso da presena ou ausncia desses astros e respectiva explicao cientfica. A constatao da

    existncia de estaes do ano pode ser acompanhada da observao das diferentes posies do Sol,

    durante o ano. A percepo sobre a forma da Terra ao longo dos tempos pode gerar discusses sobre

    a evoluo do conhecimento cientfico, percebendo os alunos que as ideias cientficas para serem

    compreendidas precisam de evidncias (viagem de circum-navegao, fotografias tiradas do espao e

    desaparecimento progressivo de um barco no horizonte).

    2. ciclo

    Compreenso global da constituio da Terra, nos seus aspectos complementares de biosfera,

    litosfera, hidrosfera e atmosfera;

    Reconhecimento do papel importante da atmosfera terrestre para a vida da Terra;

    Planificao e realizao de pequenas investigaes que relacionem os constituintes da atmos-

    fera com aspectos da vida da Terra.

    No 2. ciclo de escolaridade este tema constitui uma iniciao ao estudo do planeta Terra, a ser

    continuado no tema proposto a seguir Terra em transformao. A resoluo de problemas, com base na

    problematizao, no registo e nas explicaes cientficas, constitui uma situao favorvel ao estudo deste

    tema. Investigao complementar (com recurso a informao em livros e em suporte electrnico) sobre

    a constituio dos continentes, oceanos e atmosfera pode ajudar os alunos a compreender a relao

    natural que existe entre diferentes ambientes e que contribui para o equilbrio dinmico da Terra, sendo

    uma base importante para a temtica seguinte. O papel da atmosfera pode ser explorado nesta fase quer

    com exemplos relacionados com viagens espaciais quer com experincias sobre as propriedades dos

    principais constituintes do ar.

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

  • 3. ciclo

    Compreenso de que os seres vivos esto integrados no sistema Terra, participando nos fluxosde energia e nas trocas de matria;

    Reconhecimento da necessidade de trabalhar com unidades especficas, tendo em conta asdistncias do Universo;

    Conhecimento sobre a caracterizao do Universo e a interaco sistmica entre componentes;

    Utilizao de escalas adequadas para a representao do Sistema Solar;

    Identificao de causas e de consequncias dos movimentos dos corpos celestes;

    Discusso sobre a importncia do avano do conhecimento cientfico e tecnolgico no conhe-cimento sobre o Universo, o Sistema Solar e a Terra;

    Reconhecimento de que novas ideias geralmente encontram oposio de outros indivduos egrupos por razes sociais, polticas ou religiosas.

    Tendo em conta as Orientaes curriculares para o 3. ciclo do ensino bsico, sugere-se aos professoresa abordagem por problemas relacionados com fenmenos que os alunos observam ou conhecem,criando oportunidade de levarem a cabo pequenas investigaes, individual ou colaborativamente,onde esteja presente a histria da Cincia, to rica nestes assuntos. A comparao de teorias, asviagens espaciais, a queda de meteoritos, a explorao de documentos diversos (textos antigos,documentrios, sites na internet) pode proporcionar momentos de discusso em aula sobre o avano daCincia e da Tecnologia e sobre a importncia e as implicaes para a melhoria das condies de vidada humanidade.

    TERRA EM TRANSFORMAO

    Com o segundo tema Terra em transformao pretende-se que os alunos adquiram conhecimentosrelacionados com os elementos constituintes da Terra e com os fenmenos que nela ocorrem. No mbitodeste tema essencial que as experincias de aprendizagem possibilitem aos alunos o desenvolvimentodas seguintes competncias:

    Reconhecimento de que a diversidade de materiais, seres vivos e fenmenos existentes na Terra essencial para a vida no planeta;

    Reconhecimento de unidades estruturais comuns, apesar da diversidade de caractersticas epropriedades existentes no mundo natural;

    Compreenso da importncia das medies, classificaes e representaes como forma de olharpara o mundo perante a sua diversidade e complexidade;

    Compreenso das transformaes que contribuem para a dinmica da Terra e das suas conse-quncias a nvel ambiental e social;

    Reconhecimento do contributo da Cincia para a compreenso da diversidade e das transfor-maes que ocorrem na Terra.

    Ao longo dos trs ciclos de escolaridade o tratamento deste tema est organizado de acordo com o esque-ma da figura 3.

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    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • 1. ciclo

    Observao da multiplicidade de formas, caractersticas e transformaes que ocorrem nos seresvivos e nos materiais.

    Identificao de relaes entre as caractersticas fsicas e qumicas do meio e as caractersticas ecomportamentos dos seres vivos.

    Realizao de registos e de medies simples, utilizando instrumentos e unidades adequados.

    Reconhecimento da existncia de semelhanas e diferenas entre seres vivos, entre rochas eentre solos e da necessidade da sua classificao.

    Explicao de alguns fenmenos com base nas propriedades dos materiais.

    Neste ciclo pretende-se privilegiar o despertar da curiosidade pelo meio local e pelos elementos e fen-menos naturais que dele fazem parte. Considerando as competncias especficas definidas parao Estudo do Meio, recomenda-se criar situaes que permitam aos alunos a observao directa de animaise plantas e o registo da sua evoluo, nomeadamente da metamorfose de alguns animais (bichos-da-seda,rs). Com base nesses registos e em algumas actividades experimentais, podem ser debatidos aspectoscomo a relao entre as transformaes do meio (variaes climatricas), o comportamento dos seres vivose os aspectos fsicos e qumicos que possibilitam a sua sobrevivncia (nos solos, no ar e na gua).

    A organizao de coleces de rochas, amostras de solos e folhas de plantas, por exemplo, permitirelaborar um quadro simples de referncias sobre as semelhanas e diferenas que vo encontrando.A complementaridade destas actividades com jogos de reconhecimento, atravs de caractersticas bsicas,pode possibilitar a compreenso da importncia das classificaes no quotidiano e no mundo da Cincia.

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

    Mundo vivo

    Mundo material Complexidade Fenmenos

    Energia

    DiversidadeMundo natural

    Dinmica intern a Dinmica extern a

    Equilbrio dinmico

    O que existe na Terra

    Terra em transformao

    Fig. 3 Esquema organizador do tema Terra em transformao

    Dinmica

  • 2. ciclo

    Identificao de relaes entre a diversidade de seres vivos, seus comportamentos e a diversi-dade ambiental.

    Reconhecimento que, dadas as dimenses das clulas, h necessidade de utilizar instrumentosadequados sua observao.

    Utilizao de critrios de classificao de materiais e de seres vivos.

    Explicao da dinmica da Terra com base em fenmenos e transformaes que ocorrem.

    Planificao e realizao de investigao envolvendo a relao entre duas variveis, mantendooutras constantes.

    Compreenso da importncia de se questionar sobre transformaes que ocorrem na Terra e deanalisar as explicaes dadas pela Cincia.

    O interesse pelo mundo material e pelo mundo vivo, iniciado atravs do contacto com o meio local, deveneste ciclo ser ampliado para espaos e realidades que os alunos no conhecem directamente. Seres vivosou rochas de outros ambientes podem ser conhecidos mediante a troca de informao com alunosde escolas de regies distantes. A propsito da diversidade nas plantas sugere-se, por exemplo,a organizao de um herbrio que os alunos completem progressivamente. A influncia de alteraesdo meio sobre os seres vivos pode ser constatada por observao directa, por exemplo, da modificaodas folhas das rvores ao longo do ano ou por investigao bibliogrfica sobre a migrao ou ahibernao.

    Se no 1. ciclo se privilegia essencialmente a diversidade, de realar neste ciclo tambm a unidade domundo vivo, mediante uma primeira abordagem ao estudo da clula. Esta deve ser acompanhada demanuseamento do microscpio, permitindo aos alunos comparar clulas diferentes. A anlise de relatosdo trabalho de cientistas (que, por exemplo, contriburam para o aperfeioamento do microscpio oupara o conhecimento da clula) constitui uma oportunidade para os alunos reflectirem sobre a evoluodo conhecimento cientfico e as respectivas consequncias sociais.

    3. ciclo

    Reconhecimento de que na Terra ocorrem transformaes de materiais por aco fsica,qumica, biolgica e geolgica, indispensveis para a manuteno da vida na Terra.

    Classificao dos materiais existentes na Terra, utilizando critrios diversificados.

    Compreenso de que, apesar da diversidade de materiais e de seres vivos, existem unidadesestruturais.

    Utilizao de smbolos e de modelos na representao de estruturas, sistemas e suas transfor-maes.

    Explicao de alguns fenmenos biolgicos e geolgicos, atendendo a processos fsicos equmicos.

    Apresentao de explicaes cientficas que vo para alm dos dados, no emergindo simples-mente a partir deles, mas envolvem pensamento criativo.

    Identificao de modelos subjacentes a explicaes cientficas correspondendo ao que pensamosque pode estar a acontecer no nvel no observado directamente.

    139

    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • Atendendo s Orientaes curriculares para o 3. ciclo do ensino bsico, sugere-se partir de umcontexto familiar aos alunos para a abordagem dos contedos cientficos. Sempre que possvel recorrer

    a situaes do quotidiano e aos conhecimentos que os alunos j tm sobre fenmenos de transformao

    de materiais e relaes energticas. Os assuntos tratados neste tema proporcionam oportunidade derealizao de actividade experimental, levando os alunos ao desenvolvimento de capacidades mani-

    pulativas e tcnicas. Sugere-se a discusso de conceitos e teorias cientficos, criando situaes de

    resoluo de problemas de modo a promover a compreenso sobre a natureza da Cincia.

    A utilizao de convenes matemticas e cientficas e a explicao da sua utilizao revestem-se de per-

    tinncia, pois neste tema que os alunos so postos perante a diversidade de materiais e de fenmenos

    existentes no nosso planeta. Sugere-se que os alunos confrontem as explicaes dadas pela Cincia paraa dinmica interna da Terra com as evidncias e os dados obtidos pelo estudo desses fenmenos. Podem

    proporcionar-se situaes de anlise de documentos, de argumentos cientficos, de factos conhecidos e

    de debate de situaes da histria da descoberta cientfica, para a compreenso da Histria da Terra.

    Ser importante proporcionar situaes diversificadas onde o aluno interprete textos, tabelas e diagramas,

    analise informao cientfica, coloque questes e conduza pequenas investigaes. Ser tambm estimu-

    lante proporcionar a realizao de projectos, quer na aula, quer noutros espaos, fomentando-se, assim,o debate de ideias e a comunicao de resultados das pesquisas realizadas, utilizando meios tambm

    diversos (cartazes, portflios, jornal da escola, internet...).

    SUSTENTABILIDADE NA TERRA

    No terceiro tema Sustentabilidade na Terra pretende-se que os alunos tomem conscincia da

    importncia de actuar ao nvel do sistema Terra, de forma a no provocar desequilbrios, contribuindo

    para uma gesto regrada dos recursos existentes. Para um desenvolvimento sustentvel, a Educao emCincia dever ter em conta a diversidade de ambientes fsicos, biolgicos, sociais, econmicos e ticos.

    No mbito deste tema essencial que os alunos vivenciem experincias de aprendizagem de forma acti-

    va e contextualizada, numa perspectiva global e interdisciplinar, visando o desenvolvimento das seguintescompetncias:

    Reconhecimento da necessidade humana de apropriao dos recursos existentes na Terra para

    os transformar e, posteriormente, os utilizar;

    Reconhecimento do papel da Cincia e da Tecnologia na transformao e utilizao dosrecursos existentes na Terra;

    Reconhecimento de situaes de desenvolvimento sustentvel em diversas regies;

    Reconhecimento que a interveno humana na Terra afecta os indivduos, a sociedade e o

    ambiente e que coloca questes de natureza social e tica;

    Compreenso das consequncias que a utilizao dos recursos existentes na Terra tem para os

    indivduos, a sociedade e o ambiente;

    Compreenso da importncia do conhecimento cientfico e tecnolgico na explicao eresoluo de situaes que contribuam para a sustentabilidade da vida na Terra.

    Ao longo dos trs ciclos da escolaridade, o tratamento deste tema desenvolve-se de acordo com o

    esquema organizador apresentado na figura 4.

    140

    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

  • 1. ciclo

    Reconhecimento da utilizao dos recursos nas diversas actividades humanas.

    Reconhecimento do papel desempenhado pela indstria na obteno e transformao dosrecursos.

    Conhecimento da existncia de objectos tecnolgicos, relacionando-os com a sua utilizao, emcasa e em actividades econmicas.

    Realizao de actividades experimentais simples, para identificao de algumas propriedadesdos materiais, relacionando-os com as suas aplicaes.

    Reconhecimento que os desequilbrios podem levar ao esgotamento dos recursos, extino dasespcies e destruio do ambiente.

    No Estudo do Meio h ocasio de iniciar o estudo da Sustentabilidade na Terra. Os alunos podemefectuar o levantamento de situaes que evidenciam a interveno humana no meio local monumentose outras construes, transportes, espaos de lazer, turismo, agricultura, pecuria, explorao florestal,

    141

    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

    C i e n t f i c o -- t e c n o l g i c a

    EcossistemasPoltica Sociedade

    Econmica

    tica

    Interveno com implicao Custos, benefcios e riscos

    Mudana global

    Transformao Aplicao

    Msica

    Telecomunicaes

    Novos materiais

    Diagnstico mdico

    Explorao

    Tempoatmosfrico

    Gesto sustentvel

    Sustentabilidadena Terra

    Fig. 4 Esquema organizador do tema Sustentabilidade na Terra

    Recursos

  • pesca, explorao mineral, indstria... Os registos obtidos possibilitam aos alunos centrar a sua pesquisano(s) sector(es) com maior relevncia na regio, atravs de visitas de estudo, entrevistas, recolha de infor-mao bibliogrfica (por exemplo, perspectiva histria, materiais utilizados como matria prima e outransformados, evoluo de tcnicas, de mquinas e de instrumentos) e verificar as consequncias queessas intervenes tm no modo de vida das pessoas e no ambiente. Os alunos podero recolher infor-mao acerca dos diversos materiais usados na construo de casas ou de monumentos, questionandopessoas ligadas construo civil e, posteriormente, investigar as propriedades e a origem desses mate-riais, levando-os a distinguir entre recursos naturais e transformados. Os alunos podero pesquisar casosde degradao do ambiente prximo, atravs de registos icnicos, grficos, ou de outra natureza ep ropor solues de interveno ao seu alcance para melhorar os problemas detectados (recolha selectiva,reutilizao e reciclagem dos lixos, ajardinamentos, campanhas de sensibilizao dirigidas aos colegas, populao local e s entidades responsveis...). Sugere-se que os alunos identifiquem objectostecnolgicos utilizados nas suas casas (tesouras, fogo, torradeira, frigorfico, televiso, telefone) e emdiferentes actividades humanas (agricultura, medicina, transportes).

    2. ciclo

    Reconhecimento de que a interveno humana na Terra fundamental para a obteno dos ali-mentos e da energia necessria vida.

    Compreenso de como a interveno humana na Terra pode afectar a qualidade da gua, dosolo e do ar, com implicaes para a vida das pessoas.

    Discusso da necessidade de utilizao dos recursos hdricos e geolgicos de uma formasustentvel.

    Identificao de medidas a tomar para a explorao sustentvel dos recursos.

    Planificao e implementao de aces visando a proteco do ambiente, a preservao dopatrimnio e o equilbrio entre a natureza e a sociedade

    Sugere-se que os professores envolvam os alunos em tarefas como a anlise de processos industriais,quer de purificao de guas (visitas a estaes de tratamento), quer ligados alimentao (visita afbricas de produtos alimentares). Os alunos tm ocasio de efectuar actividades experimentais sobre ascaractersticas dos diferentes solos e sobre as propriedades fsicas e qumicas da gua da sua regio.Os alunos podero analisar informao sobre a existncia de pedreiras e minas, discutindo o impacte naregio. Discusso de questes e problemas relativos importncia das zonas verdes e da sua preservaoconstitui outro aspecto a explorar.

    3. ciclo

    Reconhecimento de que a interveno humana na Terra, ao nvel da explorao, transform a oe gesto sustentvel dos recursos, exige conhecimento cientfico e tecnolgico em diferentes re a s .

    Discusso sobre as implicaes do progresso cientfico e tecnolgico na rentabilizao dosrecursos.

    Compreenso de que a dinmica dos ecossistemas resulta de uma interdependncia entre seresvivos, materiais e processos.

    Compreenso de que o funcionamento dos ecossistemas depende de fenmenos envolvidos, deciclos de matria, de fluxos de energia e de actividade de seres vivos, em equilbrio dinmico.

    142

    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

  • Reconhecimento da necessidade de tratamento de materiais residuais, para evitar a sua acumu-

    lao, considerando as dimenses econmicas, ambientais, polticas e ticas.

    Conhecimento das aplicaes da tecnologia na msica, nas telecomunicaes, na pesquisa de

    novos materiais e no diagnstico mdico.

    Pesquisa sobre custos, benefcios e riscos das inovaes cientficas e tecnolgicas para os indi-

    vduos, para a sociedade e para o ambiente.

    Reconhecimento da importncia da criao de parques naturais e proteco das paisagens e da

    conservao da variabilidade de espcies para a manuteno da qualidade ambiental.

    Tomada de deciso face a assuntos que preocupam as sociedades, tendo em conta factores

    ambientais, econmicos e sociais.

    Divulgao de medidas que contribuam para a sustentabilidade na Terra.

    Nesta temtica, considerando as Orientaes curriculares para o 3. ciclo, os alunos podero investigar

    o tratamento que dado aos recursos na sua regio e, nomeadamente, os problemas sociais emergentes

    do tratamento dos materiais residuais. Sugere-se a realizao de actividades experimentais de vrios tipos:

    (i) investigativas, partindo de uma questo ou problema, avaliando as solues encontradas;

    (ii) ilustrativas de leis cientficas; (iii) aquisio de tcnicas. Divulgar, na sua regio ou cidade, as conse-

    quncias possveis para as geraes vindouras do uso indiscriminado dos recursos existentes na Terra,

    outra actividade. Os alunos podero intervir localmente com o fim de consciencializar as pessoas para a

    necessidade de actuar na proteco do ambiente e da preservao do patrimnio e do equilbrio entre

    natureza e sociedade. No que diz respeito a actividades de pesquisa e discusso sobre os custos, bene-

    fcios e riscos de determinadas situaes, bem como sobre questes de desenvolvimento sustentvel

    atingido em determinadas regies, sugere-se que os professores de Cincias Naturais, de Cincias

    Fsico-Qumicas e de Geografia planifiquem, em conjunto, actividades para os seus alunos: por exemplo,

    problemas relativos utilizao da gua ou da energia, ao tratamento de lixos, limpeza de cursos

    de gua, preservao dos espaos naturais, melhoria da qualidade do ar. A constituio de um grupo

    de discusso na internet entre alunos de diferentes pases possibilita a comunicao dos resultados

    obtidos.

    VIVER MELHOR NA TERRA

    O quarto tema Viver melhor na Te r r a visa a compreenso de que a qualidade de vida implica sade esegurana numa perspectiva individual e colectiva. A biotecnologia, rea relevante na sociedade cientficae tecnolgica em que vivemos, ser um conhecimento essencial para a qualidade de vida. Para o estudodeste tema as experincias de aprendizagem que se propem visam o desenvolvimento das seguintesc o m p e t n c i a s :

    Reconhecimento da necessidade de desenvolver hbitos de vida saudveis e de segurana, numaperspectiva biolgica, psicolgica e social;

    Reconhecimento da necessidade de uma anlise crtica face s questes ticas de algumas dasaplicaes cientficas e tecnolgicas;

    Conhecimento das normas de segurana e de higiene na utilizao de materiais e equipamen-tos de laboratrio e de uso comum, bem como respeito pelo seu cumprimento;

    Reconhecimento de que a tomada de deciso relativa a comportamentos associados sade esegurana global influenciada por aspectos sociais, culturais e econmicos;

    143

    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • Compreenso de como a Cincia e da Tecnologia tm contribudo para a melhoria da qualidadede vida;

    Compreenso do modo como a sociedade pode condicionar, e tem condicionado, o rumo dosavanos cientficos e tecnolgicos na rea da sade e segurana global;

    Compreenso dos conceitos essenciais relacionados com a sade, utilizao de recursos, e pro-teco ambiental que devem fundamentar a aco humana no plano individual e comunitrio;

    Valorizao de atitudes de segurana e de preveno como condio essencial em diversosaspectos relacionados com a qualidade de vida.

    Ao longo dos trs ciclos de escolaridade o tratamento deste tema desenvolve-se de acordo com oesquema organizador da figura 5.

    Fig. 5 Esquema organizador do tema Viver melhor na Terra

    144

    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais

    Funo Estrutura

    Individual

    Preveno

    Comunitria

    Riscos

    Viver melhorna Terra

    Identidadedo corpo Sistemas

    Organismo humano

    Electricidade Electrnica

    Qualidade de vida

    Sade e segurana

    Propriedades

    Equilbrionatural

    Estrutura

    Novosmateriais

    Materiais

    Controlo e regulao

  • 1. ciclo

    Conhecimento das modificaes que se vo operando com o crescimento e envelhecimento,relacionando-as com os principais estdios do ciclo de vida humana.

    Identificao dos processos vitais comuns a seres vivos dependentes do funcionamento de

    sistemas orgnicos.

    Reconhecimento de que a sobrevivncia e o bem estar humano dependem de hbitos indi-viduais de alimentao equilibrada, de higiene e de actividade fsica, e de regras de seguranae de preveno.

    Realizao de actividades experimentais simples sobre electricidade e magnetismo.

    Discusso sobre a importncia de procurar solues individuais e colectivas visando a qualidadede vida.

    Para atender s competncias especficas definidas para o Estudo do Meio, neste tema o professor poderincentivar os alunos descoberta do seu prprio corpo. Recorrendo observao de caractersticas defamiliares e colegas os alunos tm ocasio de identificar aspectos comuns. Podem ser criados modelosdo corpo humano (com a montagem dos diversos rgos que constituem os sistemas em estudo) acom-

    panhadas de recolha de informao quanto s estruturas e funes. Sugere-se a discusso de situaesque envolvam riscos para a sade (tabaco, lcool) e necessidade de hbitos de vida saudveis e vigiln-cia peridica. Sugere-se a utilizao de radiografias, boletim de vacinas ou de outros registos mdicospara discutir o papel que a Cincia e a Tecnologia desempenham no diagnstico e na preveno dedoenas.

    A simulao, atravs de jogos de papis, de situaes de perigo, observadas ou vividas pelos alunos,

    constitui um recurso para abordar a necessidade de cumprir regras de segurana.

    A observao de alguns objectos simples de uso corrente um aspecto a considerar para ajudar os alunosa perceberem como funcionam, incentivando-os a realizar actividades com pilhas e lmpadas, commanes e com mquinas simples (balana, tesoura, quebra-nozes, roldanas...).

    2. ciclo

    Explicao sobre o funcionamento do corpo humano e sua relao com problemas de sade esua preveno.

    Reconhecimento de que o organismo humano est sujeito a factores nocivos que podem

    colocar em risco a sua sade fsica e mental.

    Compreenso de que o bom funcionamento do organismo decorre da interaco de diferentessistemas de rgos que asseguram a realizao das funes essenciais vida.

    Compreenso da importncia da alimentao para o funcionamento equilibrado do organismo.

    Discusso sobre a influncia da publicidade e da comunicao social nos hbitos de consumo

    e na tomada de decises que tenham em conta a defesa da sade e a qualidade de vida.

    Prope-se a utilizao de programas de simulao em computador a fim de que os alunos se apercebamda interaco dos sistemas do organismo. Sugere-se que o professor planifique com os seus alunos activi-dades experimentais para testarem os nutrientes nos alimentos e o modo como decorre o processo dedigesto. Podero realizar um jogo de tabuleiro para reverem os conhecimentos sobre a morfologia e a

    145

    Currculo Nacional do Ensino Bsico Competncias Essenciais

  • fisiologia do aparelho digestivo. Prope-se o levantamento da dieta alimentar constante da ementa doprograma semanal de almoos do refeitrio escolar para comparar com informao sobre alimentaoequilibrada em fontes diversas. A anlise de anncios sobre alimentos apresentada em folhetos desupermercado, jornais e na televiso permite discutir a influncia da publicidade nos hbitos deconsumo e nas tomadas de deciso que tenham em conta a defesa da sade e a qualidade de vida.Podero pesquisar o valor energtico dos respectivos alimentos em rtulos de embalagens alimentaresou listas dietticas e interpretar dados que relacionem despesas energticas do organismo em diferentescondies fsicas. Outra actividade de pesquisa consiste no estudo de situaes de risco para a sade,devido a factores nocivos como droga, tabaco e lcool, a partir da qual os alunos tm ocasio deprocurar influncias no organismo, na degradao das relaes familiares e sociais e propor campanhasde sensibilizao na escola e no meio local.

    3. ciclo

    Discusso sobre a importncia da aquisio de hbitos individuais e comunitrios que con-tribuam para a qualidade de vida.

    Discusso de assuntos polmicos nas sociedades actuais sobre os quais os cidados devem teruma opinio fundamentada.

    Compreenso de que o organismo humano est organizado segundo uma hierarquia de nveisque funcionam de modo integrado e desempenham funes especficas.

    Avaliao de aspectos de segurana associados, quer utilizao de aparelhos e equipamentos,quer a infraestruturas e trnsito.

    Reconhecimento da contribuio da Qumica para a qualidade de vida, quer na explicao daspropriedades dos materiais que nos rodeiam, quer na produo de novos materiais.

    Avaliao e gesto de riscos e tomada de deciso face a assuntos que preocupam as sociedades,tendo em conta factores ambientais, econmicos e sociais.

    Este tema constitui o culminar do desenvolvimento das aprendizagens anteriores e tem como finalidadecapacitar o aluno para a importncia da sua interveno individual e colectiva no equilbrio da Terra,quer tomando medidas de preveno, quer intervindo na correco dos desequilbrios. Tendo em contaas Orientaes curriculares para o 3. ciclo do ensino bsico, importante investigar problemticas doponto de vista da sade individual (o corpo humano, seu funcionamento e equilbrio), do ponto de vistada segurana e sade globais, em interaco com os outros e o meio. Sade entendida aqui comoqualidade de vida para a qual contribui um modo de estar no mundo, atendendo ao que cada um podefazer e compreenso das medidas sociais e polticas para o garante dessa qualidade. A identificaode comportamentos de risco pode desencadear a pesquisa, a resoluo de problemas, o debate e acomunicao, com vista interveno e proposta de solues. A anlise de posies cientficascontroversas, o levantamento de problemas na escola (elaborao de listas de situaes de perigo no diaa dia), a discusso de temas actuais no mundo podem conduzir tomada de conscincia sobre aimportncia de cada um no se alhear dos problemas e respectivas solues, identificando os contri-butos da Cincia e da Tecnologia na resoluo desses problemas.

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    Competncias Especficas Cincias Fsicas e Naturais