Art 04 controle bibliografico universal

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  • 1. 111 4 CONTROLE BIBLIOGRFICO UNIVERSAL: incio, vantagens e objetivos A reunio de obras editadas em um nico pas, a primeira vista parece uma tarefa impossvel, ainda mais quando se pensa na reunio das obras editadas em vrios pases como um todo, construindo assim um controle bibliogrfico universal. O registro de todas as obras de todos os lugares do mundo apresenta-se como uma utopia, mas espera-se a definio de uma poltica em que haja a adeso de: bibliotecrios, editores e autores. Esta poltica consiste, principalmente, em adotar normas para a representao documentria aceita internacionalmente, tendo em mente a cooperao bibliogrfica permitindo assim a troca de informaes e o intercmbio de dados. Estabelecida uma forma de representao das informaes contidas em documentos convencionais ou no, benefcios seriam percebidos por autores, pesquisadores e profissionais envolvidos no trabalho de tratamento e recuperao da informao sendo grande vantagem a oportunidade de poder ter acesso qualquer documento em pouco espao de tempo, como j possvel com os documentos inseridos nas bases de dados, disponveis ao acesso pblico. A efetivao da reunio de obras editadas tanto em nvel nacional como internacional em uma poltica de CBU, somente se dar se forem usadas normas e regras adotadas internacionalmente. A idia de um controle bibliogrfico contou com tentativas realizadas de maneira no planejada, dificultando seu funcionamento

2. 112 efetivo. Responsveis pelo controle bibliogrfico eram as bibliotecas que se utilizavam de catlogos como instrumentos para o controle dos acervos. Podemos mencionar, o catlogo elaborado por Calmaco, na Biblioteca de Alexandria, que contava com 120 rolos de papiro, representando ainda que seletivamente grande parte do acervo da biblioteca, como um marco na histria do controle bibliogrfico. Com o aumento significativo na produo de livros surgem as bibliografias, elaboradas por pessoas interessadas na organizao da informao. Sonha-se com as bibliografias universais que registrem documentos publicados no mundo inteiro, abrangendo todas as reas do saber. Nesta tentativa o suo Conrad Gesner (1516-1565) bibligrafo, publicou quando no havia passado ainda um sculo do aperfeioamento da imprensa, a Biblioteca Universalis, obra que contemplava apenas obras em hebraico, latim e grego, 15 mil ttulos de mais ou menos 3 mil autores, se considerar tambm o apndix de 1555 que essa bibliografia registrou, supe- se que tenha correspondido apenas a uma quinta parte da produo bibliogrfica europia at o ano de 1997 (CAMPELLO; MAGALHES, 1997). Podemos citar outras pessoas que realizaram tentativas de produo de bibliografias universais, no sculo XVIII, o ingls Michael Maittaire (1668-1747); o alemo Gottieb Georgi no sculo XIX e o francs Jacques Charles Brunet (1780-1867) que tiveram sua obra suplementada por Johann Georg Theodor Graesse (1814-1885). Mas todos eles limitaram- se produo tipogrfica da europa ocidental. Iniciativas mais especializadas tambm ocorreram mas no com sucesso desejado, como o Concilium Bibliographium, sediado em Zurique, 3. 113 1890, que pretendia controlar a literatura mundial da rea de cincias biolgicas, deixando de produzir seus registros em 1940. O International Catalogue of Scientific Literature, iniciado no comeo do sculo XX tendo a inteno de cobrir a literatura cientfica em geral lutando para sobreviver durante 17 anos quando deu fim sua publicao. O projeto mais ambicioso foi realizado em 1895 que partiu do Instituto Internacional de Bibliografia em Bruxelas, tendo como objetivo a reunio da produo bibliogrfica mundial em forma de catlogo em fichas, onde era indicada tambm a localizao fsica da obra. Rpertoire Bibliographique Universal, foi como ficou conhecido este catlogo que chegou a reunir cerca de 20 milhes de fichas, representando o acervo de bibliotecas americanas e europias, dando fim suas atividades, devido dificuldades financeiras. O Instituto, entretanto, mantinha outras atividades na rea da documentao, transformando-se mais tarde na Federao Internacional de Informao e Documentao (FID). At o sculo XVIII a disseminao da informao era realizada somente em forma de livros, surgindo ento, com o crescimento da cincia, um novo meio de disseminao da informao: o peridico cientfico. Como primeiro peridico cientfico podemos citar o Journal des Savans que ficou conhecido mais tarde como Journal des Savants pelo seu carter literrio. A partir de ento os peridicos vieram aumentando de maneira ininterrupta como pode se observar na quantidade de registros inseridos no Ulrichs International Periodicals Directory, que j relacionava em sua publicao, aproximadamente 150 mil ttulos correntes em sua 33. edio de 1994/1995 (CAMPELLO; MAGALHES, 1997). 4. 114 A forma de disseminao da informao no ficou somente em livros e peridicos cientficos, comeando a surgir depois deste ltimo, relatrios tcnicos, trabalhos de congressos, documentos oficiais, materiais no bibliogrficos, publicaes e comunicaes eletrnicas, desvinculando a disseminao de seu formato tradicional, fazendo com que esta diversidade acarretasse mais complexidade para a realizao de um controle bibliogrfico mundial. A diversidade de suportes informacionais e a necessidade de se dar incio ao registro de documentos para um controle bibliogrfico exigiu a institucionalizao do Controle Bibliogrfico. Portanto desde 1970 a UNESCO em parceria com a IFLA vem desenvolvendo o programa conhecido como CBU Universal Bibliographic Control (UBC) que j teve seu objetivo mencionado em captulos anteriores mas reforando seu objetivo [...] reunir e tornar disponveis de maneira eficiente, os registros da produo bibliogrfica de todos os pases, concretizando uma rede internacional de informao. (CAMPELLO;MAGALHES, 1997, p. 4). Tornar disponvel de modo que o usurio possa obter o documento fsico caso seja necessrio. O CBU se define pelo prprio nome mas podemos conceitu-lo modestamente como: atividade que controla de forma a disponibilizar teoricamente e fisicamente documentos publicados no mundo inteiro. Para o funcionamento do CBU, primeiramente cada pas deve fazer um controle de suas publicaes respeitando, aceitando, e ainda, usando a descrio bibliogrfica que permita a troca de informaes internacionais. 5. 115 4.1 Polticas para o Controle Bibliogrfico Universal Ao se pensar no controle bibliogrfico universalmente deve-se logo pensar no controle bibliogrfico nacional. As entidades responsveis pelo CBU IFLA e UNESCO, recomendam que o servio comece em nvel local, sendo ento que as ferramentas teis e bsicas para o CBU so os servios que os pases realizam para a compilao de suas bibliografias nacionais. Enfatizam-se ento dois aspectos referentes ao CBU: o reconhecimento de que cada pas est bem mais capacitado pra identificar e registrar sua produo editorial; a aceitao, pelos paises, de normas internacionais para o registro da descrio bibliogrfica de sua produo bibliogrfica. (CAMPELLO; MAGALHES, 1997, p. 6). Cada pas, mesmo os mais carentes de recursos financeiros, devem buscar o aprimoramento e o uso de tecnologias para a representao descritiva de seus documentos, colaborando com registros de qualidade, sempre pensando que muitos podero usar posteriormente seus registros. Depois de ficar claro que o controle bibliogrfico deve comear em nvel nacional, os rgos responsveis pelo CBU recomendam a existncia e o funcionamento de uma Agncia Bibliogrfica Nacional (ABN), qual competir a, 6. 116 [...] coordenao dos mecanismos que, implementados em mbito nacional, facilitam os processos de captao e registro bibliogrfico dos documentos, possibilitando o acesso eficiente informaes produzidas no pas. So eles: o depsito legal; os registros bibliogrficos que, reunidos, formam a bibliografia nacional; as normas que proporcionam a uniformizao dos registros (ISBDs); os nmeros de identificao de documentos, (ISBN e ISSN); os programas de catalogao na publicao (CIP) e de disponibilidade de publicao (UAP). (CAMPELLO; MAGALHES, 1997, p. 67). O papel que a ABN exerce est inserido tanto em nvel nacional como internacional, pois se for realizado um servio de baixa qualidade nacionalmente, conseqentemente sua contribuio em nvel internacional somente vir a prejudicar. Estabelecer e colocar em funcionamento uma estrutura como esta, pode ser de difcil instalao para alguns pases, mesmo assim todos devem tomar iniciativas neste sentido. A UNESCO recomenda que a ABN seja um setor da BN de cada pas, pela semelhana de atividades que cada uma desempenha. Destacamos ento outras funes de uma ABN: controlar o depsito legal e o cumprimento da respectiva lei; manter catlogos coletivos nacionais, no tanto com o objetivo de localizar publicaes, mas principalmente de identificar itens no depositados ou no registrados na bibliografia nacional; atuar como agncia central de catalogao, encarregando-se de: a) manuteno da lista padronizada de nomes de autores do pas (pessoas fsicas, nome geogrficos, entidades coletivas); b) definio de regras catalogrficas a serem utilizadas na bibliografia nacional, em catlogos coletivos e nas bibliotecas do pas, seguindo padres internacionais; c) manuteno do programa de catalogao na publicao; manter o centro de atribuio dos nmeros padronizados para documentos: o ISSN e o ISBN; coordenar o intercmbio de registros bibliogrficos com ABNs de outros pases; assessorar sistemas de informao especializada na incorporao de seus registros bibliogrficos em sistemas, internacionais. (CAMPELLO; MAGALHES, 1997, p. 14). 7. 117 Dependendo da concepo e do funcionamento da BN de cada pas, suas atribuies so: manter a coleo dos materiais bibliogrficos produzidos no pas; colecionar manuscritos e obras raras; pesquisar e treinar pessoal em tcnicas biblioteconmicas; pesquisar tcnicas de conservao e restaurao de documentos; fornecer documentos (emprstimos ou, mais freqentemente, cpia para pesquisadores); manter o escritrio de registro de direitos autorais; produzir