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Apresentao

A mudana climtica um fenmeno persistente e imprevisvel que ameaa comprometer a subsistncia de milhares de agricultores, colocando em risco tambm o setor cafeeiro. De acordo com Camargo (2010), a variabilidade climtica, exacerbada em um ambiente de mudanas climticas, tem sido o principal fator responsvel pelas oscilaes e frustraes da produo de caf no Brasil. Diante desta ameaa, a Iniciativa Caf e Clima (c&c), com apoio da Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil, visa apoiar os produtores de caf no Brasil atravs de capacitaes e de acesso a informaes, para que sejam capazes de responder efetivamente aos impactos negativos das mudanas climticas e aumentar a capacidade de adaptao de seus sistemas produtivos.

Seguindo esse objetivo, esta publicao apresenta aos produtores uma viso geral da relao do clima com a cafeicultura em seus diversos aspectos, tais como fenologia da planta, incidncia de pragas e doenas, qualidade do caf produzido, entre outros, visando conscientiz-los sobre a forma como o clima afeta a produo de caf e sobre a importncia que esse conhecimento pode ter no planejamento de melhores aes de adaptao frente a eventuais variaes climticas.

Max Ochoa Diretor Tcnico, HRNS do Brasil

Hanns R. Neumann Stiftung do Brasilwww.hrnstiftung.org

Rua Eduardo Gomes Teixeira Coelho, 148,Bairro Vila Murad Lavras - MG, BrasilCEP 37.200-000Tel. (035) 3821-7869 www.coffeeandclimate.org

Elaborao:Ramiro Ruiz-Crdenas

Reviso tcnica:Jos Braz Matiello - Fundao PROCAFFernanda Carlota Nery - Universidade Federal de LavrasRegis Pereira Venturin - EPAMIG

Projeto Grfico e Editorao www.dodesign-s.com.brImpresso: Artes Grficas Formato Ltda

Todos os resultados apresentados nesta publicao foram desenvolvidos dentro do programa develoPPP.de Melhoramento do Acesso a Financiamento Climtico para Pequenos Produtores de Caf no Brasil, financiado pelo DEG, Deutsche Investitions- und Entwicklungsgeschellschaft mbH, instituio que atua em representao do Governo Federal da Alemanha.

Junho de 2015

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1. A cafeicultura e sua relao com o clima

O estudo dos eventos peridicos que acontecem durante o ciclo de vida de uma espcie e a forma como estes so influenciados por fatores internos (sua constituio gentica) assim como por variaes ambientais, principalmente climticas, (fatores externos) denominado fenologia. No caso do cafeeiro, a variabilidade climtica, por exemplo, variaes na temperatura do ar ou na distribuio/intensidade das chuvas, influencia fortemente tanto a produtividade quanto a qualidade da bebida em um determinado ciclo produtivo, devido interferncia direta do clima nos diferentes estgios do ciclo de vida da planta.

O conhecimento dos efeitos do clima no desenvolvimento do cafeeiro, durante suas diferentes fases fenolgicas, tem grande aplicao no manejo da cultura, ao permitir o reconhecimento em campo das melhores pocas para a implementao de prticas agrcolas (tais como adubao, aplicao de defensivos, podas, irrigao, etc.), bem como o planejamento de novos cultivos com base na agrometeorologia da cultura (Pereira, Camargo e Camargo, 2008).

O ciclo fenolgico do cafeeiro consiste em uma sequncia natural de fases vegetativas e reprodutivas que leva dois anos para ser completado devido a especificidades de hbitos de crescimento e desenvolvimento da planta. Assim, o sucesso de sua produo est associado ao sincronismo entre suas fases fenolgicas e o clima local. De acordo com Camargo e Camargo (2001) ocorrem seis fases principais durante o ciclo fenolgico do cafeeiro arbica no Brasil, as quais so descritas no Quadro 1. Os principais efeitos do clima nas diferentes fases do cafeeiro esto resumidos na figura 1, e so detalhados a seguir.

Quadro 1. Fases fenolgicas do cafeeiro arbica sob condies brasileiras (adaptado de Camargo e Camargo, 2001)

Consiste na formao e desenvolvimento de ns com gemas axilares que formaro os ramos laterais responsveis pela produo de frutos no prximo ano. Esta fase acontece durante os meses de dias longos (setembro a maro) do primeiro ano do ciclo fenolgico de cafeeiros produtivos, e prepara a planta fisiologicamente para a safra do ano seguinte. A quantidade de ns e folhas formados nessa fase depende, em alto grau, da disponibilidade hdrica e energtica (radiao solar e temperatura) e influencia diretamente o tamanho da prxima safra, dado que a quantidade de flores que o cafeeiro poder produzir depende estreitamente do nmero de ns dos ramos laterais.

Caracterizada pela induo das gemas axilares (vegetativas), formadas na primeira fase, para gemas florais e seu desenvolvimento at o abotoamento. Esta fase acontece durante o perodo de dias curtos (abril a agosto) e fecha o primeiro ano fenolgico do cafeeiro. No fim desta fase (julho-agosto) as plantas entram em um perodo de repouso (dormncia), preparatrio para o florescimento. Um estresse hdrico moderado nesta fase necessrio para o adequado desenvolvimento dos botes florais.

a primeira fase do segundo ano fenolgico e compreende normalmente o perodo de setembro a dezembro. Inicia-se com a florada cerca de 8 a 15 dias aps um choque hdrico nos botes florais maduros, causado por chuva ou irrigao. Na sequncia vem a fecundao, o pegamento (chumbinhos) e a expanso em volume dos frutos.

Corresponde granao dos frutos, quando os lquidos internos do fruto solidificam-se, formando os gros. Esta fase ocorre geralmente no perodo de janeiro a maro e a fase de maior demanda hdrica da planta.

Corresponde ao processo de maturao dos frutos. Compreende normalmente os meses de abril a junho. O tempo necessrio para a maturao depender do regime de temperaturas durante esse perodo. Deficincias hdricas moderadas nessa fase favorecem o processo de amadurecimento, contribuindo para a qualidade do caf produzido.

Corresponde ao perodo de repouso, senescncia e queda dos ramos no primrios que j produziram (auto-poda). Normalmente ocorre nos meses de julho e agosto.

1a fase (vegetao)

2a fase (induo floral)

3a fase (florao,

chumbinho e expanso dos

frutos)

4a fase (granao)

5a fase (maturao)

6a fase (senescncia)

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Figura 1. Esquematizao das fases fenolgicas do cafeeiro arbica sob condies climticas do Brasil (adaptado de Camargo e Camargo, 2001), e os principais efeitos do clima em cada uma delas.

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1.1 Relao entre o clima e a florao do cafeeiro

A deficincia hdrica pode afetar negativamente o crescimento vegetativo do cafeeiro e o desenvolvimento dos frutos, todavia, em nveis moderados uma condio necessria para a adequada florao. Quando as flores alcanam o estgio de boto entram em um perodo de repouso, que pode durar vrias semanas. Para que o florescimento acontea normalmente necessrio que ocorra um perodo de estresse hdrico nas semanas que antecedem a florada, interrompido por uma chuva ou irrigao. A quantidade de chuva necessria para estimular a florada depender do perodo de seca, mas em geral, entre 10 e 35mm so considerados suficientes (Pereira, Camargo e Camargo, 2008).

Enquanto mais acentuado e mais prolongado seja o estresse hdrico, a florada ser mais abundante e ficar mais concentrada. Por outro lado, a interrupo desses perodos de deficincia hdrica, pela ocorrncia de chuvas espordicas, induzir diversas floraes de intensidade varivel. Como consequncia, haver desigualdade na maturao dos frutos, dificultando a colheita e o controle fitossanitrio, com efeito, tambm, na qualidade do caf produzido. Alm de um dficit hdrico apropriado, amplitudes trmicas (diferenas entre a temperatura diria mxima e a mnima) superiores a 10C tambm tem sido apontadas como favorveis a uma adequada florao. Por outro lado, o excesso hdrico durante os meses que antecedem a florao tem um efeito negativo na formao de botes florais no cafeeiro (Ramrez et al., 2011).

Existem diversos distrbios fisiolgicos afetando o vingamento da flor e o pegamento do fruto em graus variveis dependendo do nvel de estresse causado pelo clima:

- Se o dficit hdrico intenso continuar aps o incio do abotoamento, e se este estiver associado a temperaturas mximas dirias muito elevadas para o cafeeiro (32C ou mais durante vrios dias consecutivos), pode ocorrer o abortamento das flores, resultando nas conhecidas "estrelinhas", um caso extremo de anomalia em que a estrutura floral no se desenvolve normalmente, e permanece entumescida, o que inviabiliza a produo dos frutos. A formao de gemas florais em pocas fora do perodo normal de florao ou o amadurecimento inadequado dessas gemas, por falta de perodos secos definidos, tambm favorecem o aparecimento de estrelinhas.

- Quando a florada acontece sob condies de pouca chuva, (10 a 20 mm), ocorrem os botes chamados de "gros de arroz". Nesta situao a gua disponvel no suficiente para estimular o crescimento completo dos botes florais e a abertura das flores. Esses botes ento ficam amarelecidos e acabam caindo, sem que se abram em flores. Isto , no daro frutos, pois a fecundao no ocorre.

- Com um pouco mais de gua disponvel, mas ainda em quantidades no ideais, as ptalas das flores podem ficar menores e algumas delas abriro apenas parcialmente. No entanto, sob esta condio no so esperadas perdas.

- Em anos de seca e calor excessivos, quando h seca de ramos e desfolha dos cafeeiros, a florao fica prejudicada pela morte de gemas e pelo menor pegamento da florao, pois as reservas que se acumulam nas folhas remanescentes so insuficientes para suprir as necessidades da planta (Matiello, 2014b).

- Por outro lado, em cafezais em que o incio da florada coincide com um perodo de chuva intensa e continuada, os botes tendem a permanecer em repouso por um tempo maior, retardando a abertura das flores. Em