A LITERATURA NA BAHIA | 1 - · PDF file · 2018-04-19nou lugar comum a...

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  • A LITERATURANA BAHIA

    Tradio e modernidade

    Cid Seixas

    e-book.brEDITORA UNIVERSITRIA

    DO L IVRO DIGITAL

    A LITERATURA

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    NA BAHIA(Livro 1)

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  • A LITERATURANA BAHIA

    Com o subttulo Impas-ses e confrontos de umavertente regional, esta cole-o planejada pelo autor pre-tende reunir diversos textosescritos sobre o tema, ao lon-go das suas atividades jorna-lsticas e acadmicas.

    Inicialmente, o plano com-preende as primeiras mani-festaes do modernismo naBahia e seu desdobramentoimediato propiciado pelosacontecimentos dos anostrinta do sculo passado.

    Deste modo, os primeirose-books da coleo, conco-mitantemente lanados so:Tradio e modernidade;1928: Modernismo e matu-ridade; e Trs temas dosanos trinta.

    Outros e-books sero dis-ponibilizados na net aindaao longo deste ano, permi-tindo acesso a qualquer lei-tor a informaes sobre avida cultural baiana.

  • A LITERATURA NA BAHIA | 1

  • Tipologia: Garamond, corpo 12.Formato: 12 x 18.

    Nmero de pginas: 100.

    Endereo deste e-book:https://issuu.com/ebook.br/docs/tradicaomodernidadehttps://issuu.com/cidseixas/docs/tradicaomodernidade

    http://www.e-book.uefs.brhttp://www.linguagens.ufba.br

  • A LITERATURANA BAHIA

    Tradio e modernidade

    e-book.brEDITORA UNIVERSITRIA

    DO L IVRO DIGITAL

    Cid Seixas

    (Livro 1)

  • CONSELHO EDITORIAL:Adriano Eysen

    Cid SeixasItana Nogueira NunesFlvia Aninger Rocha

    Francisco Ferreira de Lima

    EDITORA UNIVERSITRIA DO LIVRO DIGITALColeo Literatura na Bahia, vol. 1

    2016

    A LITERATURA NA BAHIAImpasses e confrontos de uma vertente regional

    1 |Tradio e modernidade2 | 1928: Modernismo e maturidade

    3 | Trs temas dos anos trinta4 |Final do sculo XX

    5 | No tabuleito da baiana (a sair)

  • e-book.br 7

    SUMRIO

    GodofredoFilho,pioneiro do modernismo na Bahia ..................... 9

    Um poeta modernistanas relaes luso-brasileiras ................................ 43

    Modernismo e tradicionismo na Bahia ............ 59

    Quando a poesia era uma festa ......................... 77

    A poesia do Decano ........................................... 87

    Livros do Autor ........................................... 93

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    A Literatura na Bahia | 1

    Os poetas Godofredo Filho, Eurico Alves e CarvalhoFilho, na fazenda Fonte Nova, em So Jos das Itapo-rorocas, Feira de Santana.

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    GODOFREDO FILHO,PIONEIRO DO MODERNISMO

    NA BAHIA

    O texto deste artigo teve origem por ocasiodas comemoraes dos cinquenta anos de presenaliterria do poeta Godofredo Filho. Na edio dodia 23 de maio de 1975 da Tribuna da Bahia publi-camos um artigo intitulado Godofredo Filho, 50anos de presena literria e do modernismo naBahia, ilustrado com fotografias do acervo dopoeta.

    Nascido na Feira de Santa, no dia 26 de abrilde 1904, Godofredo morreu em Salvador, no dia22 de agosto de 1992, aos 88 anos de idade. Ten-do passado a residir na capital do Estado, ondefez sua carreira de intelectual, o poeta costumavaretornar com frequncia sua fazenda na cidadenatal.

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    A Literatura na Bahia | 1

    A ligao telrica de Godofredo Filho teste-munhada por Consuelo Pond, ex-aluna do mes-tre na antiga Faculdade de Filosofia , Cincias eLetras:

    Mas, aqui e agora, estou a relembrar o feirenseapaixonado por sua terra que, nos ARQUIVOS IM-PLACVEIS, de Joo Cond, publicados em O Cru-zeiro, muitos anos atrs, declarou categrico quehaveria de sepultar-se em Feira de Santana, no Ce-mitrio da Piedade. (Pond, 2013)

    Nas constantes idas Feira de Santana, Godo-fredo mantinha contato com outro escritor feiren-se da mesma gerao, Eurico Alves (27 de junhode 1909 / 04 de julho de 1974), cujo papel de des-taque no modernismo baiano se deu em revistasda dcada de 20 como A Luva e, especialmente,Arco & Flexa, da qual foi um dos fundadores, se-gundo testemunho de Hlio Simes em depoimen-to a via Alves (1978).

    Segundo depoimento de Godofredo em nos-sas conversas para recolher dados, seu trisavmanteve na fazenda, na Feira de Santana, uma or-questra formada por escravos e forros, tipo de re-

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    Tradio e Modernidade

    quinte pouco conhecido no serto baiano e sobreo qual no existem registros conhecidos. Bem ver-dade que Eurico Alves (1989), no estudo intituladoFidalgos e Vaqueiros, sugere, j a partir do ttulo, oesprito de requinte contrastante com a imagemque se tem do agreste feirense.

    Em 2015, transcorreram, sem comemoraes,os 90 anos da poesia moderna na Bahia. Em ja-neiro de 1925, Godofredo Filho publicou seusprimeiros poemas de feio moderna na pginaliterria do jornal A Tarde, acompanhados do arti-go Poesia Nova, de Carlos Chiacchio.

    Dois anos depois, no Rio de Janeiro, O Jornal(1927) tambm publicava uma entrevista com opoeta feirense, abrindo espao na Capital do Paspara o lanamento de Samba verde, previsto parao ano seguinte.

    Na Bahia, nos anos de 1974 e 1975, uma sriede eventos, promovidos pelo poeta Carlos Cunhae por ns, marcaram os cinquenta anos do mo-dernismo, com nfase na figura de GodofredoFilho. Foram publicadas as plaquetes Solilquio(contendo sete poemas da maturidade e a repro-duo do manuscrito do soneto que d ttulo ao

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    A Literatura na Bahia | 1

    volume) e Sete cantares de amigo, com poemas deCarlos Cunha, Carvalho Filho, Cid Seixas,Florisvaldo Matos, Humberto Fialho Guedes,Ildsio Tavares e Myriam Fraga, dedicados ao au-tor de Solilquio. A contracapa dos Sete cantares deamigo, assinada pelo crtico modernista AlceuAmoroso Lima, destacava a extraordinria origi-nalidade da sua poesia. (Lima, 1975)

    UM DESBRAVADORDE IDIAS

    Enquanto, em So Paulo, a dcada de vintemarcava o rompimento brusco e panfletrio dainteligncia mais atuante com os postulados est-ticos do sculo XIX, na Bahia, parnasianos cau-dais e simbolistas de vo rasteiro fossilizavam oprestgio de um decadentismo cultural que pode-mos chamar de belle poque epignica dos becos ebotecos da antiga metrpole colonial.

    Para melhor compreenso da vida literriabaiana dessa poca, convm no perder de vista oalvorecer do sculo, quando Afrnio Peixoto eXavier Marques esboaram um procedimento es-

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    Tradio e Modernidade

    ttico que se tornou matriz para poetas, prosado-res e publicistas do primeiro quartel do sculo XX,na velha Cidade do So Salvador e adjacncias.

    Lembre-se que a posio desses dois escrito-res nas letras nacionais j representava umacontemporizao do romantismo, aliada s pli-das tintas de um naturalismo meterico. Por isso,a belle poque baiana pouco acrescentou ao seu pas-sado, limitando-se a um pastiche dos seus doispredecessores imediatos.

    A rigor, aps o romantismo, poucos consegui-ram permanecer a cavaleiro nesse bailecastroalvino de vivas condoreiras, que era o gran-de sarau literrio da chorosa Bahia de Cecu. En-tre estes, destacam-se uns poucos heris: os bra-vos rapazes das revistas Nova Cruzada e Os Annaes,que desempenharam o papel de disseminadoresdo simbolismo, no primeiro decnio do sculo.Mas os nomes de Pethion de Villar, Pedro Kilkerry,Durval de Moraes e Arthur de Salles no poderi-am transpor os limites do simbolismo visto daprovncia e anunciar a instaurao do pensamen-to moderno. Embora inslitos com relao aogosto literrio do fim do sculo XIX, as prprias

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    A Literatura na Bahia | 1

    condies do ambiente cultural baiano criavamentraves para o grande salto que representaria umanova revoluo na sua formao esttica.

    Bem verdade que em outros estados nordesti-nos, poetas de inspirao parnasiana e simbolistaevoluram para o modernismo, conforme o signi-ficativo exemplo de Jorge de Lima que come-ou como sonetista neoparnasiano, autor doantolgico Acendedor de Lampies, um dosXIV Alexandrinos, e chegou a ostentar o ttulo dePrncipe dos Poetas das Alagoas, conforme regis-trou Alfredo Bosi (1974). Jorge de Lima conse-guiu dar o salto e j com O Mundo do Menino Impos-svel adere ao modernismo, como ressalta ManuelBandeira (1967). Como epgrafe dos Novos Poemasse l: E o menino impossvel quebrou todos osbrinquedos que os vovs lhe deram.

    J entre os baianos, os brinquedos doados pe-los avs eram guardados e transformados em uten-slios poticos pelos netos adultos, venerveis an-cies a brincar com pelourinhos de papel doura-do. At mesmo o fenmeno Kilkerry, sistema dealarma premonitrio da arte potica moderna,teve sua voz abafada pelo som bombstico dos

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    Tradio e Modernidade

    atabaques retricos. Marshall McLuhan (1974) tor-nou lugar comum a concepo de Ezra Pound,no seu Abc da Literatura, do artista como antenasda raa ou como antecipador de ocorrncias etendncias sociais. Surpreendentes, mas em per-feito e tcito acordo com tais concepes, so al-guns trechos do poeta Pedro Kilkerry no JornalModerno, em 1913, sob o pseudnimo de Petrus:

    Olhos novos para o novo! Tudo outro outende para outro!

    O metro livre: vivamo-lo. O mais impor-tante, porm, de tudo, dessa complexidade, de todaessa demncia raciocinante que as harmonias in-dividuais, os caracteres no podem ser velhos comoos senadores de Roma ou os sete sbios quecofiaram longas barbas na velha Grcia. No searrastam passos, braos no tremem; na existnciado sculo no se titubeia.

    Ao tempo em que escrevo estas linhas, j aest a urgncia suarenta do tipgrafo a espi-la eouo a trepidao ansiosa do maquinismo impres-sor, a que estou associando a nsia dos leitores nonosso rgo, que o do seu momento social, dahora que soa. (Kilkerry , 1913)