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  • 4 setembro / outubro / novembro Agrobtica

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    VINHOS QUE PENSAM - parte II|IIIUTILIZAO DA CONDUTIVIDADE ELTRICA APARENTE DO SOLO NA INSTALAO E GESTO DAS CULTURAS: EXEMPLIFICAO NA VINHA

    Por: J. R. Marques da Silva12ab*, Jos Maria Terron3, Adlia Sousa1a, Paulo Mesquita1, Filipe Vieira1, Jorge Blanco3, Joo Serrano1a,

    Lus Leopoldo Silva1a, Renato Coelho1a, Carlos Alexandre1a e Ftima Baptista1a

    1Departamento de Engenharia Rural, Escola de Cincias e Tecnologia, Universidade de vora. P. O. BOX. 94, 7002 - 554 vora, Portugal,

    Tel: (+351) 266760823, Fax: (+351) 266711189 / 2AgroInsider, Lda. - "Processos agrcolas inteligentes". Av. Sanches de Miranda Lote 2, 1.. 7005 - 177

    vora, Portugal, Tel.: (+351) 962 858 425. / 3Departamento de Cultivos Extensivos, Instituto de Investigaciones Agrarias Finca La Orden-Valdese-

    quera, Centro de Investigaciones Cientficas y Tecnolgicas de Extremadura (CICYTEX) Gobierno de Extremadura, Badajoz, Espaa. / aICAAM, Instituto de Cincias Agrrias e Ambientais Mediterrnicas. / bCITI, Centro de Inovao em Tecnologias de Informao,

    vora, Portugal. / *jmsilva@uevora.pt

    INTRODUOO conhecimento sobre a variabilidade espacial das caractersticas do solo essencial para uma gesto agrcola moderna (Unamunzaga et al., 2014). A utilizao combinada da geoestatsti-ca e de diferentes tipos de estratgias de amostragem do solo amplamente utilizada no estudo da estrutura espa-cial dos atributos do solo (Triantafilis e Lesch, 2005), no entanto, este tipo de mtodos so normalmente caros e lentos (Aimrun et al., 2009), tornando-se inviveis numa perspetiva da ges-to diferenciada das culturas (Peralta e Costa, 2013). A medio da conduti-vidade eltrica aparente (CEa) do solo uma tecnologia bem mais eficiente na deteo da variabilidade espacial das caractersticas do solo (Peralta e Costa, 2013), oferecendo dessa forma uma alternativa mais robusta e menos dispendiosa que a metodologia ante-rior (Aimrun et al., 2009). Mertens et al. (2008) sugeriram que a medio da CEa do solo uma abordagem bem mais rpida, bem mais econmica e de maior detalhe geogrfico quan-do existe a necessidade de estimar indicadores de qualidade do solo e

    quando comparada com a abordagem clssica.

    Compreender as relaes entre a CEa do solo e as propriedades do mesmo pode em muito ajudar o de-senvolvimento de estratgias inova-doras na gesto agrcola (Mertens et al., 2008). A CEa frequentemente utilizada no estudo dos padres espa-ciais do solo, nomeadamente na amos-tragem inteligente destes, bem como, na identificao de zonas homogneas de gesto (Piikki et al., 2013). Vrios es-tudos tm mostrado uma correlao evidente entre a CEa do solo e a sua textura, especialmente no que se refe-re percentagem de argila (Lardo et al., 2012; Mertens et al., 2008; Peralta e Costa, 2013). De uma maneira geral o teor de argila no solo um indicador da fertilidade, pois afeta as proprie-dades estruturais e hidrolgicas, bem como a disponibilidade de nutrientes. Mapas de alta resoluo do teor su-perficial de argila no solo podem ser usados como informao relevante para muitas e diferentes aplicaes agrcolas (Piikki et al., 2013). Em solos no salinos, quando as propriedades fsicas dominam a CEa, esta poder

    ser usada como um indicador da tex-tura do solo (Aimrun et al., 2009).

    Os componentes do solo que so normalmente melhor representados na forma de mapa pela CEa so a per-centagem de argila, de limo e de areia (Prez et al., 2011), no entanto, com comportamentos antagnicos, ou seja, coeficientes de correlao negativos para a percentagem de areia e coefi-cientes de correlao positivos para a percentagem de limo e argila (Fulton et al., 2011; Prez et al., 2011).

    A medio da CEa do solo , por isso, uma das ferramentas mais utili-zadas atualmente para o estudo ed-fico e antropognico, no espao e no tempo, das propriedades do solo (Doolittle e Brevik, 2014). Todavia, esta tcnica tem algumas limitaes, j que os resultados so normalmente espe-cficos para os lugares de onde foram obtidos, pois as correlaes depen-dem da interao existente entre dife-rentes tipos de variveis do solo, nor-malmente muito complexas (Peralta e Costa, 2013; Doolittle e Brevik, 2014). A CEa pode ser influenciada por fato-res estticos e dinmicos, tais como, a salinidade, a textura, a mineralogia,

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    lturao teor de gua, a densidade aparen-

    te e a temperatura (Friedman, 2005). De uma forma geral, a magnitude e a heterogeneidade espacial da CEa do solo numa determinada parcela, so dominadas por um ou dois destes fa-tores, que variam de um campo para o outro, fazendo da interpretao da CEa um fenmeno dependente do lo-cal de estudo (Corwin e Lesch, 2005). Apesar de tudo, a CEa poder ser uti-lizada como uma ferramenta de diag-nstico, estimando-se a partir desta as propriedades do solo e promovendo a amostragem inteligente do mesmo (Sudduth et al., 2005).

    Diante do exposto o principal obje-tivo deste trabalho passou por verificar: a relao entre a CEa do solo e os

    indicadores de textura; se a CEa do solo poder ser um

    parmetro importante na instala-o e gesto de parcelas de vinha ou outro tipo de culturas.

    DESCRIO DO LOCAL DE ESTUDO E METODOLOGIAS

    Caractersticas das zonas de estudoO estudo foi conduzido em 3 locais distintos: a parcela 1 -Casito (Lat: 38 32

    37.87N, Long: 52 7 11:00W, Da-tum WGS84), com 80 ha, situada no monte de PINHEIROS prxima da cidade de vora (Portugal);

    a parcela 2 - Cerro del Amo (38 58 14N, 6 33 3.94W, Datum WGS84), com 33 ha, situada a 37 Km de Montijo, a Este de Badajoz (Espanha);

    a parcela 3 - Herdade de Linhares (37 54 49.44N, 7 57 49.04W, Datum WGS84), com cerca de 500 ha, situada a 15 Km (sudoeste) de Beja (Portugal).

    As duas primeiras parcelas em virtu-de de apresentarem texturas muito diversas, Casito com solos mais are-nosos e Cerro del Amo com solos mais argilosos, serviram para estudar as relaes entre a CEa do solo e os parmetros texturais do mesmo. A terceira parcela (Herdade de Linha-res) serviu como ensaio de aplicao para um potencial tipo de estudo que

    se poder efetuar a partir do conhe-cimento gerado pela tecnologia de medio da condutividade eltrica aparente do solo.

    Os solos das parcelas 1 e 2 so me-diterrnicos, no salinos, com teores de matria orgnica inferiores a 1,5% e com uma distribuio de granulo-metria variada. Os solos da parcela 3 apresentam caractersticas semelhan-tes aos solos das parcelas 1 e 2, no en-tanto, face a uma ocupao pecuria prolongada (produo de vacas de carne), em algumas zonas o teor de matria orgnica ultrapassa 1,5%.

    Amostragem dos solosNas parcelas Casito, Cerro del Amo e Herdade de Linhares foram recolhidas respetivamente 70, 80 e 45 amostras superficiais (at 0,30 m de profundidade) de solo tendo em conta o seu padro de CEa. Estas amostras foram georreferenciadas por forma a relacionar os parmetros texturais do solo com os respetivos valores de CEa. As amostras de solo nos trs locais foram introduzidas em sacos de plstico, secas ao ar, criva-das num crivo de 2 mm e analisadas quanto: textura, pelo mtodo gravim-

    trico utilizando a metodologia da pipeta de Robinson (envolveu a remoo prvia de matria orgni-ca e carbonatos);

    matria orgnica, pelo mto-do de combusto a 1300 C (num analisador elementar Leco SC144DR, LECO Corporation, St. Joseph, Michigan, USA).

    Nas amostras de solo da parcela 3 fo-ram ainda analisados: o pH, pelo mtodo electro-mtrico; a capacidade de troca catinica

    (CTC), pelo mtodo do acetato de amnio a pH 7;

    o fsforo e o potssio disponveis (P2O5 e K2O), pelo mtodo de gner-Rhiem;

    os micronutrientes: Cobre (Cu), Ferro (Fe), Zinco (Zn), Boro (Bo), Mangans (Mn), por espetrofoto-metria de absoro atmica.

    Amostragem da CEa dos solosA condutividade eltrica aparente do solo nas parcelas Casito e Cerro del

    Amo foi obtida por intermdio de um sensor geoeltrico VERIS 3150 (Veris Technologies Inc., Salina, KS, USA). Na parcela Herdade de Linhares a CEa foi obtida por intermdio de um sensor geoeltrico VERIS 2000XA. As pro-fundidades consideradas situaram-se entre 0,30 m e 0,50 m. As medies da CEa foram obtidas e georreferen-ciadas considerando uma frequncia de registo de 1 s (~2,5 m de intervalo entre cada ponto registado, atenden-do velocidade de deslocamento), na direo do movimento. Foram realiza-das passagens em linhas paralelas de levantamento com, aproximadamente, 10-15 m de intervalo entre si. Todas es-tas medies foram transferidas para o software ARCGIS 10.1 (ESRI 2012 Spatial analyst) e foram interpoladas com o interpolador IDW (inverso do quadrado da distncia) (Webster e Oliver, 1992), com um raio de pesquisa varivel considerando o mnimo de 12 pontos e uma resoluo da grelha de 5 m.

    Mdia geomtrica e desvio padro geomtrico da textura do soloShirazi e Boersma (1984) na tentativa de exprimir a textura do solo numa escala contnua desenvolveram a metodolo-gia apresentada nas Equaes 1 e 2.

    Equao 1:DMG = exp, with = 0.01 [fi Ln (Mi)]

    Equao 2:DPG = expb, with b = [0.01 (fi Ln (Mi)

    2 - a2)]1/2

    Onde: fi, a percentagem da classe tex-tural i; n, o nmero total de classes texturais (na classificao de Atter-berg n igual a 4: areia grossa, AG, com dimetro entre 2,000-0,200 mm;, areia fina, AF, com dimetro entre 0,200-0,020 mm; limo, L, com dime-tro entre 0,020-0,002 mm; e argila, Arg, com dimetro inferir a 0,002 mm); e Mi (mm), a mdia da classe textural i (na classificao de Atterberg, nor-malmente utilizada pelos laboratrios portugueses, M1=1,100 mm, M2=0,110 mm, M3=0,011 mm e M4=0,001 mm).

    Estas equaes foram utilizadas para calcular o dimetro mdio geo-mtrico (DMG) e o desvio padro ge-omtrico (DPG) das amostras de solo

    i = 1

    i = 1

    n

    n

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