Subst¢ncias Psicoativas - kiai.med. SUBST‚NCIAS PSICOATIVAS - S.P.A. Droga...

download Subst¢ncias Psicoativas - kiai.med. SUBST‚NCIAS PSICOATIVAS - S.P.A. Droga –qualquer subst¢ncia

of 49

  • date post

    08-Feb-2019
  • Category

    Documents

  • view

    213
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of Subst¢ncias Psicoativas - kiai.med. SUBST‚NCIAS PSICOATIVAS - S.P.A. Droga...

Substncias Psicoativas S.P.A.

Dr. Gustavo Daud Amadera

Mdico Psiquiatra - Santa Casa de Misericrdia de SP

Ps-Graduao em Psicobiologia da Dep. Qumica UNIFESP/EPM

Mdico Responsvel Tcnico do Instituto Padre Haroldo

Perito Psiquiatra (TJ-SP, JF-SP, TRT-SP e TRT-15)

http://www.kiai.med.br

SUBSTNCIAS PSICOATIVAS - S.P.A.

Droga qualquer substncia (ou mistura de substncias) quealtera(m) a funo biolgica e possivelmente a estrutura doorganismo (excetuando-se daquelas necessrias para a manutenoda vida, como a gua e o oxignio)

Substncias Psicoativas = Drogas Psicoativas so as drogas quealteram o comportamento, humor e cognio (drogas que atuamnos neurnios/SNC)

Drogas Psicotrpicas - Drogas de Abuso = so SPA compropriedades reforadoras com possibilidade de desenvolverdependncia

(Carlini EA et al. Drogas Psicotrpicas O que so e como agem. Revista IMESC no.3, pp9-35, 2001.)

CLASSIFICAO DAS S.P.A.

Quanto ao status legal:

Lcitas (lcool, medicaes e tabaco)

Ilcitas

(Trata-se de diviso arbitrria e instvel)

Quanto ao efeito bsico sobre o SNC

Depressoras

Estimulantes

Modificadoras (Perturbadoras, Alucingenas, Psicotomimticas,Entegenas)

(Chaloult, L. Une nouvelle classification des drogues toxicomanognes. Toxicomanies 4(4);371-375, 1971)

De acordo com o Princpio Ativo

Cocana / Crack

lcool

Tabaco

Cannabis

Benzodiazepnicos

Opiides (pio, Herona, Morfina, ...)

LSD

MDMA

CLASSIFICAO DAS S.P.A.

COCANA / CRACK

COCANA / CRACK

Desenvolvidas a partir de extrato de folha de Coca (Erythroxylon coca) um

alcalide psicoestimulante com efeitos anestsicos e vasoconstritores.

Nos pases onde so encontradas (Bolvia, Peru e Colmbia), suas folhas so

mascadas ou tomadas em forma de ch para melhorar a adaptao alta altitude,

diminuindo a fome e o cansao e melhorando a disposio.

Os colonizadores espanhis no sculo XVI levaram a planta para a Europa, onde era

usada para o tratamento de depresso, fadiga, fraqueza e para dependncia dos

derivados do pio, sendo vendida em farmcias como medicamento, sendo

composto da Coca-Cola antes de ser substituda pela Cafena no incio do sculo

XX.

Apresentaes mais comuns: PASTA BASE (Macerado das folhas , cal , querosene

ou gasolina e cido sulfrico), P (pasta tratada com cido hipoclordico,

produzindo o Cloridrato de Cocana), CRACK (Pasta de coca ou p, bicarbonato de

sdio ou amnia).

COCANA / CRACK

Mecanismo de Ao

Inibio da Recaptao

das Monoaminas, com

predileo pela DOPA-

MINA, levando ao au-

mento dos nveis do

neurotransmissor na

fenda sinptica.

PSICOBIOLOGIA DA ADICO

Mecanismo psicobiolgico disfuno da atividade na Via Dopaminrgica Mesolmbica, tambm chamada de Via da Recompensa ou do Prazer

PSICOBIOLOGIA DA ADICO

O mecanismo psicobiolgico final de todas as drogas de abuso j conhecido desde a dcada de 1970, e

envolveria o aumento da liberao do neurotransmissor DOPAMINA nos gnglios da base ativando a

via mesolmbica, tambm chamada de via do prazer ou circuito do prazer (Wise RA, Rompre PP:

Brain dopamine and reward. Annu Rev Psychol 1989; 40:191225)

Cada droga tem seu mecanismo de ao especfico e individual, algumas delas atuando diretamente no

sistema dopaminrgico (p.ex. cocana/crack que inibem a recaptao da dopamina aumentando seus

nveis), contudo mesmo as drogas sem esta ao dopaminrgica eventualmente ativam o circuito do

prazer - assim como todos os comportamentos associados ao prazer.

A Adico seria portanto mediada por uma disfuno neste circuito do prazer, obviamente associada a

especificidade da(s) substncia(s) utilizada(s) - p.ex. no caso da dependncia de opiceos o uso abusivo

levaria a diminuio da produo / liberao de opiceos endgenos com aumento de sintomas dolorosos

quando em abstinncia, ALM da disfuno dopaminrgica, sendo especialmente frequente, neste

mesmo exemplo, o incio da adico relacionada com uma tentativa de tratamento de alguma condio

dolorosa. (em outros casos uma tentativa de auto-medicar algum sofrimento)

Importante - os comportamentos patolgicos (jogo, sexo, internet patolgicos, p.ex.) seriam mediados

por esta mesma alterao dopaminrgica!

COCANA / CRACK

Efeitos Agudos

Estado de Excitao, Inquietao, Agitao

Sensao de Poder, Euforia, Onipotncia

Hipertermia

Taquicardia

Hipertenso

Dilatao de Pupilas

Pensamentos e fala acelerados, Mais comunicativo

Diminuio de Apetite e Sono

"Depresso" ps-uso uma constante, podendo durar algumas horas at semanas, dependendo da

quantidade utilizada e da predisposio individual

Efeitos Crnicos

distrbios cardacos

distrbios respiratrios/nasais

distrbios gastrointestinais

distrbios psiquitricos

risco de overdose (com o desenvolvimento de tolerncia as doses passam a ser cada vez maiores)

COCANA / CRACK

OVERDOSE

Desde o mal estar, que at 7% dos usurios j experimentaram

At quadros graves com falncia aguda de um ou mais rgos, com ameaa real vida do

usurio com arritmias cardacas, crises convulsivas, insuficincia respiratria aguda

Cocana x Crack diferem somente pela via de administrao

Cocana pode ser aspirada (absorvida pela mucosa nasal) ou injetada

Crack fumado (absorvido pelos pulmes)

A via mais efetiva a fumada, conseguindo ao aps segundos com tempo de ao de

somente de alguns minutos - com isso o poder aditivo ampliado, mesmo em relao via

injetada

COCANA / CRACK

15% dos usurios de cocana desenvolvem dependncia (Anthony JC, Warner LA,

Kessler RC: Comparative epidemiology of dependence on tobacco, alcohol, controlled substances, and inhalants:

basic findings from the National Comorbidity Survey. Exp Clin Psychopharmacol 1994; 2:244268 )

Dependncia de Cocana tem pico aos 23-25 anos

5-6% dos usurios de cocana desenvolvem dependncia ainda no 1o ano de uso,

com a maioria dos casos de dependncia ocorrendo at o 3o ano de uso, e

somente 15-16% desenvolvendo at o 10o ano de uso (Wagner FA, Anthony JC: From first

drug use to drug dependence: developmental periods of risk for dependence upon marijuana, cocaine, and

alcohol. Neuropsychopharmacology 2002; 26:479488)

No Brasil o levantamento mais recente indicou uso na vida de 4% e uso no

ltimo ano de 2% (II LENAD de 2012)

COCANA / CRACK

VACINA ANTI-COCANA

Molcula modificada a partir da cocana leva o

organismo a fabricar anticorpos (AC) de alta

afinidade

(AC) reduzem entre 75-90% a frao livre da

droga na corrente sangunea

minimiza os efeitos euforizantes e reforadores

da droga

teoricamente fazendo o usurio se

desinteressar

testes promissores em animais

inicialmente seria utilizada somente em

dependentes qumicos altamente motivados

objetivo futuro - preveno primria

COCANA / CRACK

Sndrome de Abstinncia

Humor disfrico

Fadiga

Sonhos vvidos e desagradveis

Insnia ou hipersonia

Aumento do apetite

Retardo ou agitao psicomotora

Padro mais comum - incio na 1a semana, pico na 2a e 3a semana e alvio aps a 4a semana

da interrupo do uso.

O tratamento sintomtico (no existe ainda tratamento especfico)

LCOOL

LCOOL

8.000 aC - Jiahu/China - fermentado de arroz, mel, uvas e cereja

4.000 aC - Sumrios - fermentado a base de trigo e cevada

3.400 aC - Egpcios montam a primeira cervejaria do mundo - os trabalhadores

escravos que construram a pirmides de Giz ganhavam 5L de po lquido

Com o lcool temos um laboratrio dos efeitos de polticas restritivas - em

1920 foi instituda a Lei Seca nos EUA, proibindo a produo e comrcio de

bebidas alcolicas. So descritos aumento da criminalidade, fortalecimento de

mfias bem como diminuio da arrecadao tributria. Revertida em 1933 aps

mobilizao social intensa - atualmente a legislao uma das mais restritivas

do mundo.

(Iain Gately. Drink: A Cultural History of Alcohol. Gotham Books, 2008.)

LCOOL

Afeta diversos sistemas de neurotransmisso

cido gama-aminobutrico (GABA, principal neurotransmissor inibitrio do SNC) e o

glutamato (principal neurotransmissor excitatrio).

Estimula diretamente a liberao de dopamina, serotonina e endorfinas que parecem

contribuir para a sensao de bem-estar presente na intoxicao alcolica leve

Inibe o influxo de clcio (Ca++) atravs da membrana celular

TOLERNCIA - Inicialmente potencializa os efeitos do GABA, aumentando os

efeitos inibitrios, porm cronicamente reduz o nmero de receptores GABA (down

regulation ou dessensibilizao). O lcool tambm altera a ao sinptica do

glutamato no crebro, reduzindo a neurotransmisso glutaminrgica excitatria.

ABSTINNCIA - mediada pelo desequilbrio entre os sistemas excitatrio e inibitrio

cerebrais (com hipoatividade GABArgica e hiperatividade glutamatrgica)

LCOOL

Concentrao de lcool no sangue (CAS) (g /100 ml de sangue)

0.01 - 0.05- Comportamento normal

0.03 - 0.12- Euforia leve, sociabilidade, indivduo torna-se maisfalante- Aumento da auto-confiana desinibio, diminuioda ateno, capaci