Sophie weston o guerrilheiro das montanhas

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    02-Jul-2015
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  • 1. O GUERRILHEIRO DAS MONTANHASBeyond ransomSophie WestonA conscincia de Roberta foi voltando aos poucos, fazendo-a compreendersua terrvel situao: havia sido sequestrada naquele pequeno pas daAmrica Central! De repente, ouviu vozes a logo depois a porta se abriu.Ao reconhecer seu raptor, Roberta comeou a tremer. Tratava-se dohomem misterioso com quem havia danado numa festa ali, em Oaxacam.Agora podia conhecer sua verdadeira identidade: aquele era RafaelMadariaga, o lder dos revolucionrios que queriam derrubar o governomilitar de seu pas!

2. Copyright: Sophie Weston Ttulo original: Beyond RansomPublicado originalmente em 1986 pela Mills & Boon Ltd., Londres, InglaterraTraduo: Fernando Simo Vugman Copyright para a lngua portuguesa: 1987 EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.Av. Brigadeiro Faria Lima, 2000 3. andarCEP 01452 So Paulo SP BrasilEsta obra foi composta na Artestilo Ltda. e impressa na Artes Grficas Guaru S/A.Foto da capa: Keystone 2 3. CAPTULO I Incomodada, Roberta Lennox observou que o volume da msicatinha aumentado ainda mais depois de encerrado o espetculo de danana boate. Com discrio, consultou o relgio. Nem meia-noite ainda! Percebendo sua inquietao, Larry Davidson se aproximou. Quer ir embora? perguntou em voz baixa. Por um instante Roberta sentiu-se tentada a aceitar a sugesto.Havia tido um dia terrvel. Passara a manh toda negociando, usando cadagota de sua aprecivel capacidade de argumentao para chegar ao fimdo dia com a sensao de que se esgotara em vo. Estava cansada, comuma dor de cabea comeando a incomod-la e sentindo a alegriaartificial da mais cara boate da cidade exercer um efeito depressivosobre seu estado de esprito. Mas isso fazia parte do seu trabalho, e, at o presidente deOaxacan[1] se definir claramente sobre o contrato com a TechnicaAssociates, no sairia dali. Esboou um sorriso a Larry. No, eu agento disse. No deixa de ser uma experinciainteressante. Ele deu de ombros. Se voc diz... Larry tinha um ar entediado. Ao contrrio de Roberta, possuavasta experincia na Amrica Central, e por isso fora designado para serseu assistente naquela misso. Falava com fluncia o castelhano, emboramesmo Roberta pudesse detectar um leve sotaque de Milwaukee. E ele quem havia descoberto que aquele era o lugar onde representantes do3 4. Ministrio das Finanas esperavam ser levados para resolver negcioscom estrangeiros.Eu devia estar grata a ele, Roberta pensou, acomodando-se na cadeiraforrada de veludo. Pelo menos nossos convidados parecem estar se divertindo.[1] Nota do editor: Oaxacan um pas fictcio. Todos os personagens so imaginrios. Lanavam-se com volpia sobre as comidas finas e consumiam sem parar ousque importado, fartamente distribudo por belas garotas com sorrisos bemtreinados e roupas provocantes. No comeo, os representantes do ministrio tinhamficado constrangidos com a presena de Roberta. Mas, diante de sua posturaimperturbvel e sob o efeito dos primeiros copos de bebida, j se mostravam maisrelaxados. Agora conversavam animadamente com as garotas como se a anfitrifosse, afinal, um homem, como haviam imaginado a princpio.Larry tambm julgara que Roberta criaria problemas num programacomo aquele, tipicamente masculino, e no havia escondido sua opinio.Ela, no entanto, no vacilara. Alm de autorizar uma quantia substancialpara despesas de entretenimento, fizera questo de ser ela mesma aanfitri. O assistente ainda tinha argumentado, dizendo que iria seaborrecer, e agora Roberta admitia que o rapaz estava com a razo.No entanto, no era a presena das garonetes em seus trajesdiminutos que a constrangia. Chegava at a nutrir um certo sentimentode camaradagem por elas. A qualquer momento, teria tambm de aceitaro convite de algum dos seus alegres convidados para danar.Foi quando se dirigia para a pista de dana com o porta-voz doministrio que teve a ntida sensao de estar sendo observada. Olhoupara trs num movimento involuntrio.E ento localizou o homem. Estava de p junto da cortina de veludoque encobria a entrada. Vestia um elegante smoking, como a maioria doshomens do salo, e acabava de dar um finssimo casaco para a4 5. recepcionista guardar. Tinha interrompido a seqncia de movimentospara tirar as luvas, para estud-la com olhos mais atentos. Espantada, Roberta estacou. Percebeu que ele a examinava de altoa baixo, parecendo revelar um certo desprezo, mas tambm algum outrosentimento... O que seria? Sim, seu olhar comparava-se ao de um velhoprofessor universitrio que tivera, ao observar um inseto ao microscpio;ao mesmo tempo que sentia fascnio tinha repugnncia. Isso. Aquelehomem a olhava admirado, embora a contragosto. Esquecida dos que a cercavam, ela fitou o desconhecido. Ele eraalto, uns dez centmetros mais alto do que seus outros trsacompanhantes; possua o corpo musculoso e atltico, e seu rosto erasem dvida seu ponto mais marcante. Na meia-luz da boate, Roberta nopodia distinguir os detalhes, mas estava claro o bastante para quepudesse notar sua tez morena, o nariz fino e reto, o queixo quadrado edecidido e a boca firme. Os olhos, embora no lhe fosse possveldistinguir a cor, eram argutos como os de um falco. O acompanhante de Roberta percebeu sua reao e seguiu- lhe adireo do olhar. Ah, Don Rafael est aqui ele comentou num tom estranho. Voc o conhece, Seorita? No ela disse devagar, imaginando se dizia a verdade. No conseguia lembrar-se dele, mas ele a olhava com talintensidade que talvez j se conhecessem. Mas aquele no era o tipo dehomem que se conhece e se esquece depois. Seor Rafael Madariaga advogado... um advogado muito rico ebem-sucedido. Presta muitos servios para empresas internacionais. Temcerteza de que no o conhece? 5 6. Ela balanou a cabea. Nem mesmo ouvi falar em seu nome. No? o outro perguntou, entre surpreso e aliviado. Ah, bem,existem outros advogados, afinal, e Don Rafael possui... ele hesitou interesses mais audaciosos hoje em dia. Pelo menos o que dizem. Ela deixou que seu acompanhante a conduzisse para o centro dapista de dana e no pde mais ver o homem que de forma to estranha eintensa havia despertado sua ateno. Por mais absurdo que fosse,lamentou perder o estranho de vista... Devia ser resultado da msica to alta, disse a si mesma. Ou dasemi-obscuridade do ambiente. As duas coisas combinadas exerciam umefeito desorientador. Era a nica justificativa para a sua exageradaperturbao. Enquanto isso, o porta-voz se esforava ao mximo para manteruma conversa educada. Esta sua primeira visita a Alto Rio, Seorita? Sim. Espero que durante sua estada aqui tenha tido a chance deconhecer um pouco do meu pas. Muito pouco, receio. Larry e eu realmente no tivemos tempopara fazer turismo. De fato, o turismo muito restrito em Oaxacan. Para ns, essaainda uma atividade pouco explorada. E h o problema da altitude; comoa regio montanhosa, muitos dos estrangeiros que vm nos visitarpassam muito mal nos primeiros dias.6 7. Foi o que ouvi falar. Me considero uma pessoa de sorte; tenho mesentido muito bem.O homem se mostrou surpreso. Ah, aqui em Rio Alto a altitude baixa, Seorita. Mal chega aostrs mil metros. no interior que atinge at seis mil metros. Claro queessas regies so as mais interessantes, onde se encontram runas eartesanato da era pr-colonial. Fez um muxoxo. Pena que turistassintam-se mal e no possam desfrutar muito desses passeios. Realmente Roberta foi respondendo sem prestar muitaateno quando, aps um rodopio, voltou a ver o estranho que lhe haviacausado to profunda impresso. Ele continuava junto da entrada, a fit-la.O garom havia se afastado, seguido dos trs acompanhantes deDon Rafael, de modo que ele estava agora sozinho, avaliando-a com arespeculativo. Ela no gostou de sua expresso e levantou o queixo,desafiadora.Os olhos de ambos se encontraram outra vez, e por um breveinstante ele pareceu despertar de um devaneio, reagindo com embarao.Mas logo se recobrou, e enquanto ela se virava ao som da msicaestridente, ele seguiu seus companheiros, sem nunca perd-la de vista.Roberta sentiu um calafrio. Engoliu em seco, surpresa com a prpriareao diante de algum que via pela primeira vez. E ento, como quepara exibir coragem, sorriu em resposta ao meio-sorriso que eleguardava nos lbios. Era um desafio; procurava assim for-lo adisfarar, fingindo que no a estivera observando aquele tempo todo.Mas se ela esperava desconcert-lo com sua atitude franca,desapontou-se. Por um instante Don Rafael ergueu as finas sobrancelhas,em espanto, mas em seguida reassumiu uma expresso de autoconfiana. 7 8. Sem perder a pose, curvou-se de modo discreto e elegante, guisa decumprimento.Ela corou, e ele sorriu com malcia, sugerindo uma perturbadoraintimidade. Em seguida virou-se para ir se juntar a seus amigos.O porta-voz do ministrio no havia deixado de perceber a discretatroca de olhares, embora no notasse o profundo efeito causado em suaanfitri. Parece que Don Rafael a conhece, Seorita comentou sem jeito. Ou, pelo menos, espera conhecer.Roberta recuperou o autocontrole com esforo. Bobagem! Deve ter me confundido com alguma outra pessoa. Estto pouco iluminado aqui que isso no deve ser difcil de acontecer. Elaretomou decidida o assunto do artesanato e das runas pr-coloniais deOaxacan. mesa, Larry discutia futebol americano com outro convidado, oqual no se esforava para disfarar seu tdio. Por cima do ombro deLarry, lanava olhares melosos para uma garota vestida no que pareciaser um mai de lam e que vendia cigarros e balas. Larry, que no fumava,no tinha reparado nem na moa nem na falta de ateno de seuinterlocutor.Roberta estava se sentando, de volta mesa, quando ouviu o porta-voz dizer no seu castelhano carregado, tpico daquela regio: Madariaga est aqui. Procurando por algum, eu diria.O outro funcionrio do ministrio se mostrou alarmado. Quem? No ns?8 9. Roberta baixou os olhos para ocultar seu interesse. Tinha achadouma boa ttica no revelar aos seus clientes em potencial o seu domniodo castelhano e incumbira Larry da maior parte das conversas nessalngua. Isso deixava-os mais