Schiz-X: Conversando Sobre A Esquizofrenia - Vol. 2 - Caminho at© o diagn³stico

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Schiz-X: Diário de um Esquizofrênico - http://schiz-x.com

Transcript of Schiz-X: Conversando Sobre A Esquizofrenia - Vol. 2 - Caminho at© o diagn³stico

  • 1. Jorge Cndido de AssisCeclia Cruz VillaresRodrigo Affonseca Bressan CONVERSANDO SOBRE a esquizofrenia Caminho at o diagnstico 2
  • 2. Av. Vereador Jos Diniz, 3.300, 15o andar, Campo Belo 04604-006 So Paulo, SP Fone: 11 3093-3300 . www.segmentofarma.com.br segmentofarma@segmentofarma.com.brDiretor geral: Idelcio D. Patricio Diretor executivo: Jorge Rangel Controller: Antonio Carlos Alves DiasEditor de arte: Maurcio Domingues Gerente de negcios: Marcela Crespi Assistente comercial: Karina CardosoJornalista responsvel: Andrea Polimeno Mtb 32125 Coordenador geral: Alexandre Costa Coordenadora editorial:Andra Rangel Projeto grfico: Renata Variso Diagramao: Andrea T. H. Furushima Ilustraes: Claudio MurenaReviso: Renata Del Nero e Patrizia Zagni Produo grfica: Fabio Rangel Cd. da publicao: 5648.10.07
  • 3. Sumrio Prefcio................................................................. 5 Introduo ........................................................... 6 Como entender o desconhecido? .................... 8 Doena ou mal espiritual?..............................10 Chegando at a ajuda.....................................12 Mas... qual a doena? ...................................14 Uma convivncia nem sempre fcil .............16 Incio da melhora .............................................18 Isto loucura? ...................................................20 Caminho at o diagnstico ............................22 Tem cura? ...........................................................24 Esperana realista ............................................26
  • 4. Sobre os autores Jorge Cndido de Assis portador de esquizofrenia h 22 anos, atualmente aluno do curso de Filosofia da Universidade de So Paulo (USP) e diretor adjunto daAssociao Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (ABRE).Tem participado e ministrado aulas para o curso de medicina da Universidade Fe-deral de So Paulo (UNIFESP), palestrante nos dois ltimos Congressos Brasileirosde Psiquiatria. Ceclia Cruz Villares vice-presidente da ABRE; terapeuta ocupacional e tera-peuta de famlia; mestre em sade mental e doutoranda pela UNIFESP, onde tra-balha no Programa de Esquizofrenia (PROESQ) e supervisiona alunas do curso deEspecializao em Terapia Ocupacional em Sade Mental. Participa ativamente emmbitos nacional e internacional do estudo e combate ao estigma relacionado aostranstornos mentais. Rodrigo Affonseca Bressan familiar de uma pessoa que teve esquizofreniae membro da ABRE; professor adjunto do Departamento de Psiquiatra da UNIFESP;Ph.D. pelo Institute of Psychiatry, University of London, onde professor honorrio;coordenador do PROESQ e coordenador do Laboratrio de Neurocincias Clnicas(LiNC), ambos da UNIFESP.
  • 5. PrefcioAs doenas psiquitricas, particularmente a esquizofrenia, ainda sopouco conhecidas em nosso meio. A esquizofrenia uma doena que se inicia no final da adolescn-cia ou no adulto jovem. O indivduo que teve uma infncia normal,vinha estudando regularmente, comea a se retrair, isolar-se, aban-dona o estudo e passa a ter alteraes de comportamento. Mais parafrente surta, fica agitado e pode referir que est ouvindo vozes ouest sendo perseguido. Ante tal situao e sem informaes, a famliafica perdida e vai procurar ajudas alternativas ou espirituais que cos-tumam atrasar em um ou dois anos o incio do tratamento. Jorge C. de Assis, Ceclia C. Villares e Rodrigo A. Bressan, em umaparceria entre o Programa de Esquizofrenia (PROESQ) da Escola Paulis-ta de Medicina da Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP-EPM), aAssociao Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofre-nia (ABRE) e o laboratrio AstraZeneca, tiveram a feliz idia de elaboraruma srie de seis livretos psicoeducacionais sobre a esquizofrenia. A originalidade dos livretos consiste no fato de terem sido escritoslevando-se em conta a vivncia do portador da doena e de seus fa-miliares diante desse algo novo que ocorreu em suas vidas. A leitura deste livreto fez-me, como mdico, lembrar-me do acompa-nhamento de portadores de esquizofrenia que tiveram uma boa evolu-o, mas tambm de portadores que tiveram uma evoluo mais difcil. O meu desejo que com esta srie de livretos, familiares e por-tadores no sejam pegos de surpresa e possam aprender mais sobrea doena, tratar-se, conviver com o estigma dela e diminu-lo, o queajudar a melhorar a sua evoluo. Itiro Shirakawa Professor titular de Psiquiatria da UNIFESP-EPM
  • 6. IntroduoEste o segundo dos seis livretos da srie Conversando sobre a esqui-zofrenia. Nele apresentaremos o caminho percorrido at se estabele-cer o diagnstico da esquizofrenia. Consideramos que apresentar esseprocesso que permeado de vrias diculdades deva se dar atravs deum exemplo em que o diagnstico ocorreu com um pouco de atraso. Co-nhecemos vrios casos parecidos com o que relataremos a seguir, assimcomo conhecemos outros tantos casos onde as pessoas enfrentam v-rias situaes adversas e o diagnstico levou muito tempo para ser feito.O objetivo desse livreto pontuar atitudes e caminhos que podem aju-dar no processo, bem como as atitudes que levam a um retardo dodiagnstico e conseqentemente do tratamento adequado. Esse cami-nho muito importante, pois sabemos que quanto mais rpido o diag-nstico e o tratamento, melhor a evoluo da doena. Nossa inteno mostrar como se d o diagnstico a partir da vi-vncia da pessoa que tem esquizofrenia, dos familiares, dos profissio-nais de sade e da sociedade. Ao relatar esse caminho, discutiremosos aspectos tcnicos de como se faz o diagnstico da esquizofreniado ponto de vista prtico. Para tanto, relataremos a histria de Gabriele de sua famlia, como personagens fictcios criados a partir do conv-vio que temos ao longo dos anos com pessoas que tm esquizofreniae seus familiares. Relembrando o primeiro livreto, Gabriel, ao terminar os estudos ecomear a trabalhar, encontra diculdades tanto nos relacionamentoscomo nas novas responsabilidades. Decide sair do emprego para estu-dar para o vestibular, e esta uma escolha que o leva a um isolamentoprogressivo. Gabriel passa a maior parte do tempo no quarto, tenta es-tudar, mas sente diculdade em se concentrar. Os pais percebem asmudanas de comportamento do lho, mas acreditam que uma fasee que, aps o vestibular, Gabriel voltar a ser o rapaz alegre de sempre.
  • 7. Acontece que Gabriel no passa no vestibular. Isso vivido por elecomo uma grande derrota e, ele que j vinha isolando-se, passa a viversem conseguir dividir seus sentimentos com os familiares. Sente-sesozinho e marcado por essa perda, comea a desenvolver percepese pensamentos incomuns. Comea a achar que as pessoas falam maldele, que as coisas que acontecem a seu redor sempre tm uma rela-o com ele. Junto a essas impresses, ele passa a perceber as coisasde forma diferente, com mais intensidade, de forma que suas vivnciaso colocam em um estado de constante desorientao e perplexidade. No conseguindo lidar com essa nova situao, Gabriel se isolaainda mais e comea a apresentar dificuldades ainda maiores. Passaa ouvir vozes que conversam entre si, sendo que na realidade no temningum falando. Esse um sintoma chamado alucinao auditiva.Comea a ter pensamentos de perseguio, de culpa e a achar queexiste um compl mundial contra ele, que so os delrios. Tambmtem dificuldade para se comunicar, as pessoas no entendem o queele diz, pois seus pensamentos ficam muito desorganizados. A essasituao, juntam-se a falta de vontade de fazer qualquer coisa e oisolamento em relao aos amigos e famlia. Seus pais chegam a lev-lo a um psiquiatra, entretanto a famliafica com muitas dvidas. a partir desse ponto que comeamos este livreto.
  • 8. Como entender o desconhecido?O nosso entendimento do mundo e das coisas da vida se d atravsdo que j experimentamos e aprendemos. A doena de Gabriel emmenos de seis meses mudou sua histria e de sua famlia, entrandoem suas vidas como algo novo e permeado de dificuldades. O desco-nhecido, no caso um transtorno mental, traz consigo muita angstia,muita desorientao e muito medo. A primeira consulta com o psiquiatra trouxe uma srie de dvidas.Gabriel no acha que est doente e sente que o mdico no entendeo que ele est vivendo. Seus pais tm dificuldade em aceitar que umde seus filhos precise de tratamento psiquitrico; por mais difcil queesteja o convvio com Gabriel, no fundo eles mantm a esperana deque o filho supere essa fase ruim. A dificuldade em aceitar as explicaes do mdico e a busca dealternativas para lidar com a situao caracterizam este perodo deindeciso que em muitos casos se arrasta por anos, prejudicando arecuperao das pessoas que tm esquizofrenia. No nosso caso, oincio efetivo do trat