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  • So Josemaria Escriv no Brasil

  • So Josemaria Escriv no BrasilEsboos do perfil de um santo

    Francisco Faus

    So Paulo

    I N D A I 2011

  • ndice

    Introduo, 7

    Captulo 1Senhor, no pensei em mim mesmo...!, 11

    Meu encontro com So Josemaria, 11Um episdio de 1954, 12Isto no trabalho, 15Este homem deve estar prostrado, 17O helicptero que no chega..., 19

    Captulo 2Senhor, procuro o teu rosto!, 25

    Fiquei com medo, 25Voc nunca viu ningum que esteja louco?, 28A minha alma tem sede do Deus vivo, 29No cu e na terra, 32Nos nossos coraes h habitualmente um cu, 34O carvo e o rubi, 36A eucaristia: um pedao de cu que se abre sobre a terra, 39Uma presena inefvel, 42

    Captulo 3A Jesus, por Maria, com Jos, 47

    Uma imagem entalhada, 47Sempre com os trs, 49

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    So Jos, a quem tanto quero, 52Como um personagem mais, 55

    Captulo 4Caridade, alegria, paz, 59

    Capaz de verdadeiro amor, 59A normalidade de uma vida em famlia, 61A simplicidade de um pai com os filhos, 66Carinho, solicitude, confiana, 72Estou-me apoiando nos meus filhos, 77Pais, mes, irmos, 80

    Captulo 5Um vulco de amor, 89

    Na Casa do Moinho, 89Propagar a fogueira da nossa alma, 91Cheios de Deus, capazes de dar Deus, 93Queres de verdade ser santo?, 95O Brasil aos olhos de um santo, 99Horizontes de um homem de Deus, 102Como a bno dos patriarcas, 104Dilataste o meu corao, 106

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    Introduo primeira edio

    Faz cinqenta anos, por iniciativa de So Josemaria Escriv com a sua bno, as suas oraes e o seu incentivo , teve incio o trabalho do Opus Dei, a servio da Igreja, no Brasil. Exatamente na solenidade de So Jos, dia 19 de maro de 1957, pisaram terra brasileira os primeiros fiis do Opus Dei que chegaram aqui para ficar.

    Estas pginas querem ser uma expresso de agradecimento a Deus e a So Josemaria por me ter concedido o dom de poder colaborar, ao longo de quarenta e seis anos, na aventura empolgante de abrir caminhos divinos da terra os do Opus Dei, caminho de santificao no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres cotidianos do cristo nesta Terra de Santa Cruz, que h anos escolhi voluntariamente como minha ptria.

    Quero, porm, esclarecer desde o incio que este livro no foi concebido como um relato histrico nem amplo, nem sinttico desses cinqenta anos. Se fosse assim, cometeria uma tremenda injustia com muitos homens e mulheres no

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    mencionados nestas pginas, que deram o sangue por Deus, pela Igreja e pelas almas, entregando-se a fazer o Opus Dei em terras brasileiras: muitos deles foram e ainda so atores principais dessa maravilhosa histria.

    Tambm no o livro, como o ttulo poderia sugerir, uma crnica mais ou menos completa, das duas semanas em que So Josemaria permaneceu no Brasil, entre 22 de maio e 7 de junho de 1974.

    Na realidade, a obra foi escrita com um intuito muito definido: pr em destaque alguns traos caractersticos da santidade crist, que so patentes na vida inteira de mons. Escriv, mas concentrando o foco quase exclusivamente nos dezessete dias em que o tivemos entre ns no Brasil. S esporadicamente farei alguma exceo por exemplo, no comeo do primeiro captulo , recorrendo a reservatrios mais antigos da memria de outros perodos em que convivi com mons. Escriv: em Roma, de outubro de 1953 at junho de 1955, ano em que fui ordenado sacerdote; e, tambm em Roma, nuns poucos dias de dezembro de 1973. Mas mais de noventa por cento do livro tem o Brasil como cenrio.

    Quero advertir ainda o leitor de que as palavras de So Josemaria, freqentemente citadas no livro, procedem, em sua maior parte, das minhas lembranas e de muitas anotaes pessoais; por isso mesmo, no so estritamente literais.

    A estrutura do livro - os seus cinco captulos -, como o leitor poder verificar, corresponde ao esquema clssico do desenvolvimento da santidade crist: sobre o alicerce bsico da humildade (captulo I), a santidade tem como essncia o

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    crescimento da caridade, vnculo da perfeio (Ef 5, 2 e Col 3, 14): em primeiro lugar, da caridade do amor para com Deus, ao qual esto estreitamente unidos o amor Virgem Maria, aos Santos e aos Anjos (captulos II e III); e, em segundo lugar e inseparavelmente1, do amor ao prximo decorrncia necessria do amor a Deus (captulo IV) , cuja expresso sobrenatural mais alta o apostolado (captulo V).

    As luzes e bnos que Deus, por intermdio de So Josemaria, concedeu aos seus filhos e filhas brasileiros aos daquela poca, aos de hoje e aos do futuro , e a muitas outras pessoas, nos dias em que o tivemos conosco, so motivo mais do que suficiente, neste jubileu de ouro, para esta tentativa de homenagem e de gratido.

    So Paulo, 22 de maio de 2007.

    1 Cfr. 1 Jo 4, 20.

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    Captulo 1Senhor, no pensei em mim mesmo...!

    Deus d a sua graa aos humildesI Pedr 5, 5

    Se algum quiser vir aps mim, renuncie a si mesmo,tome a sua cruz e siga-me

    Mt 16, 24

    Meu encontro com So Josemaria

    Em 1954, eu estava em Roma, no Colgio Romano da Santa Cruz, quando mons. Escriv morreu. J me referi em outra ocasio a esse fato2, que assim enunciado fica chocante e exige uma explicao. Mas antes de esclarec-lo, desejava situar o leitor no ambiente e nos antecedentes do evento.

    Para comear, direi que eu conhecera mons. Escriv em outubro de 1953, na manh seguinte ao dia da minha chegada a Roma. Encontrava-me junto ao porto do jardim de Villa Tevere sede central do Opus Dei quando vi de repente o nosso Fundador, que ia sair de carro. Mal me viu, reconheceu-me sem nunca me ter visto (atribuo isso, em par te, fama da minha

    2 Francisco Faus, A pacincia, Ed. Quadrante, So Paulo 1998, pgs. 31 a 38.

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    incipiente calvcie) e chamou-me, com mui to carinho, pelo meu nome familiar. O carro deteve-se, beijei a mo de mons. Escriv para ns, o Padre , que me cumprimentou com afeto de pai e, depois de me olhar nos olhos afetuosamente, me disse umas palavras que ecoam ainda nos meus ouvidos: Em Barcelona a cidade onde nasci e estudei at terminar o curso de direito , j tivemos os espinhos; agora chegou o tempo das rosas.

    Referia-se a umas contradies, narradas com detalhe nas biografias do santo, que no incio dos anos quarenta do sculo passado (eu era ainda uma criana de nove ou dez anos) se desencadearam em Barcelona contra o nascente Opus Dei: calnias, falsidades infames, acusaes de heresia, promoo deliberada at por parte de sacerdotes mal informados de um clima de desconfiana e de terrorismo moral, dirigido a apavorar pais e mes de jovens que sentiam a vocao para o Opus Dei... Tudo se desfez com o tempo, e pde-se verificar, como acontece tambm agora e sempre acontecer, que Deus dos males tira bens, e que faz concorrer todas as coisas como escreve So Paulo para o bem daqueles que o amam3.

    Um episdio de 1954

    Conheci vinha dizendo mons. Escriv ao chegar a Roma em 1953, e Deus me concedeu conviver l com ele durante mais de dois anos. Via-o, ouvia-o, podia participar de conversas com ele quase todos os dias e, freqentemente, mais de uma vez por dia. As palavras clidas com que me acolheu recm-chegado as que acabo de narrar, com mais uma pequena digresso

    3 Rom 8, 28

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    esclarecedora , so expressivas do clima de proximidade cordial que os alunos do Colgio Romano da Santa Cruz tnhamos com o nosso Fundador.

    Posso afianar que, desde o meu primeiro dia em Roma, vi um mons. Escriv alegre, sempre sorridente, cheio de uma vivacidade e de uma vitalidade fora do comum; atento aos menores detalhes que pudessem significar ajuda, servio, estmulo para qualquer um de ns; um Padre, um pai sensvel s necessidades de incentivo, de consolo, de alegria ou de orientao de que precisasse algum de seus filhos espirituais.

    Se me perguntassem pela sua sade, provavelmente eu teria dito ento que esbanjava sade. Talvez, depois de diz-lo, parasse uns instantes pensativo e acrescentasse: Bem, j ouvi dizer que, desde 1940, padece de um diabetes grave, que tem fortes efeitos colaterais e lhe cria molstias intensas; mas, sinceramente, no parece. Afora um pouco de cansao algumas noites, e o fato de que precisa beber meio copo de gua de vez em quando, eu no notei nada. Creio que os universitrios de vrios pases que estvamos l, completando a nossa formao nas faculdades eclesisticas romanas muitos de ns preparando-nos para o sacerdcio , teriam expressado um parecer semelhante.

    E, no entanto, o diabetes estava, naquele ano de 1954, na sua fase mais grave e perigosa. O certo, porm, que ns no notvamos nada. Por isso, foi uma surpresa chocante a notcia que recebemos na primavera desse ano. O Padre, no dia 27 de abril festa de Nossa Senhora de Montserrat tivera um choque anafiltico aps receber a dose diria de uma nova insulina de efeito retardado, e entrara em coma, ficando como morto, beira mesmo da morte. Antes de ficar desacordado, pedira ao pe.

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    lvaro del Portillo, que estava a seu lado, a absolvio.

    Dias mais tarde, recuperado da cegueira temporria que o afetou, contou-nos com muito bom humor que, mal pde contemplar de novo o seu rosto no espelho, comentou ao pe. lvaro: J sei que aspecto vou ter quando morrer... Por isso, dizia s vezes: J sei o que morrer. Eu morri, naquele dia 27 de abril de 1954. A partir da, o diabetes desapareceu, ficando inexplicavelmente curado (Deus e Nossa Senhora tm a explicao), ainda que permanecessem seqelas dos longos anos da doena no rim, na vista e no corao. Uma vez ultrapassada essa ocorrncia, tudo, no nosso convvio com ele, continuou, como dantes, num clima de permanente presena de Deus e de alegria expansiva e familiar.

    Refletindo sobre esses fatos, escrevi em 1998: Neste episdio todo, algo se nos revelou com absoluta nitidez, com inequvoca