Revista Mosaico 4

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Revista de Património e Cultura de Évora

Transcript of Revista Mosaico 4

  • DISTRIBUIO GRATUITA 04 JANFEVMAR2010PATRIMNIO, CULTURA E TURISMO

    roteiro do megalitismo

  • 2patrimnioA magia do megalitismoFontes Henriquinas em recuperaoO neo-clssico palcio dos Condes da Azarujinha

    entrevistaa Joo Paulo Macedo

    cultura e artesA. Bartolomeu Gromicho, o Senhor ReitorQuem foi Diana de LizExposies e Concertos

    passeiosAlto de S. Bento, o miradouro da cidade

    lojas com histriaA Casa Silva Neves e o capote alentejano

    costumes e saboresA Rota dos Sabores Tradicionais

    memria citadinaO caso do Chico Engeitado

    reportagemO estudo das aves e o turismo ecolgico caracterizam o CEAI

    lazerA invulgar leveza da esgrima

    restauranteO cativante Dom Joaquim

    aposentosA nova face do vora Hotel

    VORA MOSAICO n 4 Janeiro, Fevereiro, Maro 10 | EDIO: CME/ Diviso de Assuntos Culturais/ Departamento de Comunicao e Relaes Externas | DIRECTOR: Jos Ernesto

    dOliveira | PROJECTO GRFICO: Milideias, vora | COORDENAO E TEXTOS: Jos Frota | CARTAZ: Lus Ferreira | REVISO: Teresa Molar | FOTOGRAFIAS: Antnio Carrapato, Carlos

    Neves, Marta Ricardo | IMPRESSO: Diana - Litogrfi ca do Alentejo, vora | TIRAGEM: 5.000 exemplares | PERIODICIDADE: Trimestral | ISSN 1647-273X | Depsito Legal n292450/09

    | DISTRIBUIO GRATUITA

    FICHA TCNICA

    sumrio

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  • 3editorial

    editorial

    Ao concederem nas eleies autrquicas do passado ms de Outubro o triunfo fora poltica que represento, os eborenses acabaram por votar implicitamente na continuidade da vora Mosaico. No editorial do nmero an-terior, como decerto recordam, tinha aqui assumido esse compromisso em caso de vitria. Venho agora renov-lo, com acrescidas razes, pois a revista regista um crescente e significativo interesse por parte de eborenses e advent-cios, folheada e lida com ateno e comea a ser requerida e coleccionada por quantos se interessam pela histria passada e presente da cidade, sem entrar em conjecturas e discusses de carcter demasiado tcnico ou cientfico. Continuaremos por outro lado a privilegiar a informao sem concesses , por vezes vazia e oca, prosa potica.

    Assim sendo, a estrutura e o figurino da vora Mosaico no sofrero grandes alteraes ao longo do ano 2010. A frmula e o desenho que to bem tm provado vo manter-se. Ao nvel dos contedos, a ocorrncia de alguns acontecimentos marcantes, como o nosso primeiro aniversrio e a celebrao do centenrio da Repblica, poder ditar pequenos ajustamentos, adequados s respectivas circunstncias. Mas por melhor que um nmero seja planea-do, h por vezes factos que ultrapassam quem tem de decidir. Foi o que sucedeu com a morte do saudoso Mrio Bar-radas, ocorrida a 19 de Novembro, j com esta edio em pleno andamento. Aqui deixamos a nota de muito pesar pelo seu desaparecimento e a promessa de sua vida e trabalho dedicarmos algumas laudas na prxima edio.

    O tema de capa do presente nmero versa sobre os monumentos megalticos eborenses, num ano em que o Lonely Planet, o mais conhecido e influente dos guias tursticos mundiais, lana sobre eles os seus holofotes, consi-derando que so locais de visita indispensvel para quem visitar Portugal, destino incontornvel de frias em 2010. Traz por outro lado ao conhecimento de todos as obras de recuperao por que vo passar as fontes henriquinas da Praa de Giraldo e das Portas de Moura, monumentos emblemticos da cidade. Revelar e difundir a beleza do Palcio dos Condes de Azarujinha outro dos assuntos de interesse, destinado particularmente aos muitos que tm do concelho uma viso demasiado estreita e centralista.

    Numa altura em que tanto se discute e opina sobre o cinema em vora, a vora Mosaico achou por bem ouvir Joo Paulo Macedo, uma das pessoas mais entendidas sobre a matria. Recorda-se tambm a personalidade de Antnio Bartolomeu Gromicho, o grande reitor do Liceu que amou esta terra como poucos e dessa paixo deixou abundantes e relevantes testemunhos. A grande novidade ser, porm, a revelao de quem foi Diana de Liz, jorna-lista e escritora do sculo passado, praticamente desconhecida entre os seus

    A sugesto do passeio recai, como seria quase inevitvel, sobre o Alto de So Bento, notvel geo-stio e o grande miradouro da cidade. A reportagem incidiu sobre o CEAI (Centro de Estudos de Avifauna Ibrica), uma organiza-o no governamental na rea do ambiente. No captulo do comrcio tradicional a ateno volta-se, desta feita, para a firma Silva Neves, que mantm viva a fabricao e venda do capote alentejano, e na gastronomia o destaque nesta poca do ano vai para a j habitual Rota dos Sabores Tradicionais, que regista uma quantidade recorde de participaes.

    A prtica da esgrima preenche o espao dedicado ao lazer, enquanto na me-mria citadina se evoca o xito da pea O Caso do Chico Enjeitado, com que a Sociedade Dramtica e Recreativa Eborense (Antiga Mocidade Eborense) ganhou em 1959 o prmio SNI para o Teatro Amador. Completam este nmero as referncias usuais s unidades de excelncia no campo da restaurao e da hotelaria.

    Para todos um feliz e venturoso 2010, ltimo da dcada inaugural do actual sculo.

  • 4a magiado megalitismo

    patrimnio o megalitismo eborense

    O Lonely Planet, considerado o mais importante guia de viagens e de turismo cultural de todo o mundo e tido como de leitura obrigatria para todos os operadores dos respectivos sectores, afirma que, este ano, Portugal ser um destino incontornvel para os viajantes de toda a parte. E recomenda as experincias que o turista no pode perder ao visitar o nosso pas: a prova dos vrios vinhos do Porto, um passeio pelas remotas povoaes granticas da Peneda-Gers, passar por Lisboa e provar o pastel de Belm e, finalmente, ver um pr-do-sol nos monumentos megalticos junto a vora.

    Este alvitre vai, decerto, trazer cidade muitos viajan-tes estrangeiros com o objectivo explcito de visitar estes locais onde a aventura do homem, enquanto ser social, se comeou a desenhar. Ser ento desolador ver muitos eborenses e homens de cultura do pas exibirem o seu desconhecimento em relao a esses lugares, vestgios de um tempo mtico fundador sacralizado pelos deuses, quando outros viro de to longe para apreciar o espec-tculo indizvel que contemplar o ocaso do astro-rei

    num cenrio quase primordial. Neste contexto se entende que necessrio promover to valioso patrimnio, espa-lhado pelas imediaes da urbe e que to esquecido tem sido na divulgao do melhor que vora tem, fornecendo informao susceptvel de suprir to grave lacuna.

    Asseveram os estudiosos do passado que as primeiras sociedades agro-pastoris, prprias do Neoltico, se sucede-ram aos primitivos grupos errantes de caadores-recolectores que viviam do que a natureza lhes dava, caracterstica da poca mesoltica. A sedentarizao, produto do domnio das tcnicas agrcolas e da domesticao dos animais, veio criar uma nova forma de vida que implicava o trabalho em favor da comunidade. Esta profunda alterao na vivncia humana ocorreu sobretudo na Europa Ocidental.

    Em Portugal, os historiadores apontam para que os primeiros pastores tenham vindo dos concheiros do Tejo e Sado, locais de explorao de moluscos marinhos e terrestres, onde erguiam sazonalmente acampamentos que tinham a exacta durabilidade dos meios de subsistncia procurados: gua em abundncia e caa com fartura. Por essas alturas era a natureza da paisagem que impunha a fixao, ainda que temporria ou eventual. Ao posterior movimento de deslocao interna, gerador do mundo rural alentejano, veio a referir-se desta forma o arquelogo Manuel Calado: abandonar as margens dos esturios e mudar-se de armas e bagagens para os arredores de vora foi, certamente, uma ruptura profunda no quotidiano das populaes do VI milnio a.C.. De um dia para o outro houve (o homem) que adaptar-se a novos horizontes, novas actividades, novos valores.

    No Alentejo (zona de vora, particularmente) e na Bretanha (Oeste francs), duas das reas de maior concentrao demogrfica neoltica, foram pela primeira erguidos os grandes monumentos megalticos com base nos menires, cravados no solo e por vezes de alturas insuspeitas, relacionados com o culto da fecundidade (smbolos flicos) ou indi-cando marcos territoriais. Isto pressupe j a existncia de povoados prximos de afloramentos granticos com gente em larga escala para construir, levantar e transportar monlitos de dimenso impressionan-te, empenhada tambm, por outro lado, no desbravamento de bosques e florestas. O uso de instrumentos de pedra polida, nomeadamente de machados, era-lhes, por certo, essencial. Passemos ento descoberta dos grandes meglitos do concelho.

    Num cabeo localizado a 12 quilmetros a poente de vora, situado na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, encontra-se o maior monumento megaltico estruturado da Pennsula Ibrica e um dos mais antigos da histria da Humanidade. o Cromeleque dos Almendres, constitudo actualmente por 95 menires de granito (chegaram a ultra-passar centena) e comeado a construir h cerca de 7.000 anos, tendo passado 3 fases antes de atingir a feio ltima (forma oval) em finais do terceiro milnio a.C.. Uma dezena deles est decorada, exibindo

  • 5patrimnio o megalitismo eborense

    Foto

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    eves

    relevos e gravuras de grau de visibilidade diferente. Em metade so todavia bem notrios.

    Na placa interpretativa que figura junto ao parque de estacionamen-to, clareira cavada entre o montado de sobro e azinho ali existente e rodeada de medronhos, se informa ser desconhecida a sua funo. Adianta-se todavia que os dados arqueolgicos recentes tm coloca-do em evidncia a disposio e implantao de alguns monlitos em coincidncia com os movimentos elementares do Sol e da Lua, per-mitindo a marcao dos equincios e solstcios, o que deixa antever a possibilidade de te