RESUMO+DO+1 +SEMINÁRIO+SOBRE+O+PROJETO++ … · Lucio(Gregori((Engenheiro)(Fabio(L.(B.(dos ... •...

of 34 /34
Serviço Público Federal Ministério da Educação Universidade Federal de São Paulo PróReitoria de Graduação Rua Sena Madureira, 1500, 1º andar. CEP 04021000. São PauloSP. Brasil. Tel: (55) 11 33854101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/ 1 RESUMO DO 1 o SEMINÁRIO SOBRE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PARA O CAMPUS ZONA LESTE O seminário teve como objetivo ampliar a discussão, no âmbito da comunidade acadêmica da UNIFESP, a respeito das diretrizes do Projeto PolíticoPedagógico da UNIFESP na Zona Leste elaboradas pela comissão mista do Conselho Universitário (CONSU). A comissão sugere um Instituto das Cidades e Assentamentos Humanos. Este tema gerador permitirá a oferta de cursos de graduação ainda inexistentes no rol de carreiras já contempladas na UNIFESP e, estruturálos pedagogicamente, propiciando a interdisciplinaridade entre diferentes áreas do saber, favorecendo uma visão integrada entre humanidades e ciências exatas, articulando a formação de diferentes profissionais, como o engenheiro civil, o engenheiro de transporte, o engenheiro sanitário e ambiental, o arquiteto, o geógrafo, o designer público, o profissional do turismo e o gestor de políticas culturais. O tema também é parte fundamental da definição das condições e qualidades da vida cotidiana dos indivíduos, o que permitirá uma relação promissora entre ensino, pesquisa, extensão, e destes, com as políticas públicas e os direitos dos cidadãos. Programação Local: Teatro Marcos Lindenberg – Campus São Paulo Rua Botucatu, 862 Vila Clementino Abertura (13/02 – 9h00) Reitora, Profa. Dra. Soraya Smaili Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, Sr. Fernando de Melo Franco, representando a Prefeitura de São Paulo Sra. Ana Martins, representando o Movimento pela Universidade Federal na Zona Leste. Mesa 1 (13/02 – 9h45 às 12h15) Estado, Políticas e Planejamento Territorial Ermínia Maricato (Arquiteta e Urbanista) Lucio Gregori (Engenheiro) Fabio L. B. dos Santos UNIFESP Osasco

Embed Size (px)

Transcript of RESUMO+DO+1 +SEMINÁRIO+SOBRE+O+PROJETO++ … · Lucio(Gregori((Engenheiro)(Fabio(L.(B.(dos ... •...

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    1

    1

    RESUMO DO 1o SEMINRIO SOBRE O PROJETO

    POLTICO PEDAGGICO PARA O CAMPUS ZONA LESTE

    O seminrio teve como objetivo ampliar a discusso, no mbito da comunidade acadmica

    da UNIFESP, a respeito das diretrizes do Projeto Poltico-Pedaggico da UNIFESP na Zona Leste elaboradas pela comisso mista do Conselho Universitrio (CONSU). A comisso sugere um Instituto das Cidades e Assentamentos Humanos. Este tema gerador permitir a oferta de cursos de graduao ainda inexistentes no rol de carreiras j contempladas na UNIFESP e, estrutur-los pedagogicamente, propiciando a interdisciplinaridade entre diferentes reas do saber, favorecendo uma viso integrada entre humanidades e cincias exatas, articulando a formao de diferentes profissionais, como o engenheiro civil, o engenheiro de transporte, o engenheiro sanitrio e ambiental, o arquiteto, o gegrafo, o designer pblico, o profissional do turismo e o gestor de polticas culturais. O tema tambm parte fundamental da definio das condies e qualidades da vida cotidiana dos indivduos, o que permitir uma relao promissora entre ensino, pesquisa, extenso, e destes, com as polticas pblicas e os direitos dos cidados.

    Programao Local: Teatro Marcos Lindenberg Campus So Paulo Rua Botucatu, 862 - Vila Clementino Abertura (13/02 9h00) Reitora, Profa. Dra. Soraya Smaili Secretrio Municipal de Desenvolvimento Urbano, Sr. Fernando de Melo Franco, representando a Prefeitura de So Paulo Sra. Ana Martins, representando o Movimento pela Universidade Federal na Zona Leste. Mesa 1 (13/02 9h45 s 12h15) Estado, Polticas e Planejamento Territorial Ermnia Maricato (Arquiteta e Urbanista) Lucio Gregori (Engenheiro) Fabio L. B. dos Santos - UNIFESP Osasco

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    2

    2

    Mesa 2 (13/02 14h00 s 16h30) Urbanizao, Cultura e Produo social do espao Maria Adlia de Souza (Gegrafa) Rosana Miranda (Arquiteta e Urbanista) Clio Roberto Turino de Miranda (Historiador) Prof. Zysman Neiman - UNIFESP Diadema Mesa 3 (14/02 9h30 s 12h00) Modelo de integrao interdisciplinar em Cidades: disciplinas de projetos, suas teorias e mtodos. Mauro Zilbovicius (Engenheiro) Manuel Fernandes de Sousa Neto (Gegrafo) Ricardo de Sousa Moretti (Engenheiro) Virginia Junqueira - UNIFESP Baixada Santista

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    3

    3

    A. Resumo das principais propostas apresentadas durante o Seminrio

    1. Sobre a pertinncia de um Instituto temtico e recorte do tema

    Todos os convidados confirmaram que a opo por um tema de conhecimento complexo o ideal para articular formaes diferenciadas e prticas interdisciplinares;

    O tema Cidades e/ou Metrpoles foi considerado muito promissor para isso e tema emergente no Brasil e no Mundo, em urbanizao acelerada e caos urbano;

    Deve-se avanar numa definio epistemolgica mais precisa de caracterizao do tema, conceitual e poltica, e do vis com que ser abordado;

    Foi sugerido por mais que um debatedor o mote das desigualdades scio-espaciais e como enfrent-las, como mote da proposta poltica-pedaggica;

    A Profa. Ermnia Maricato afirmou que a centralidade deve ser dada a questo do uso, ocupao e propriedade do solo urbano, pois o n da desigualdade a terra.

    2. Sobre o ttulo do Instituto

    Profa. Maria Adlia fez duas sugestes de nomes alternativos: Instituto de Estudos Estratgicos das Metrpoles ou Instituto de Estudos Estratgicos da Dinmica de Uso dos Lugares;

    Sra. Ana Martins, representando o Movimento da Zona Leste, comentou que o ttulo tem que ser claro para o povo, no pode ser hermtico;

    Demais convidados consideram que os nomes Cidades ou Metrpoles so fortes e claros para o nome do Instituto;

    A denominao complementar proposta, assentamentos humanos, apesar de bem vinda por abarcar outros povoamentos que no as grandes cidades, foi questionado como excessivamente metafrico e/ou associado ONU.

    3. Sobre o perfil do formando

    Houve consenso de que os formandos no Instituto no sero profissionais convencionais das reas de engenharia, arquitetura, geografia, turismo, design, etc. Mesmo que mantenham essas denominaes, para fins de Diploma e aprovao no MEC, eles tero um perfil diferenciado;

    Foi mencionado que devero ser primeiramente Urbanistas, Estrategistas Urbanos ou um nome geral comum para o profissional que pensa e atua na transformao das cidades/metrpoles e seus territrios, e num segundo grau assumem as formaes disciplinares. Como afirma a Profa. Maria Adlia: o trabalhador de excelncia da metropolizao, de quem o mundo inteiro est precisando;

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    4

    4

    Ainda a Prof. Maria Adlia sugeriu a seguinte redao: o egresso tem que ter competncia terica e tcnica e comprometimento tico e poltico com o conhecimento e lidar com uma metrpole do porte de So Paulo. E ainda, realizar anlises territoriais e traar estratgias para as polticas urbanas;

    Alm do perfil de estrategista foi mencionada a importncia de uma formao tcnica contextualizada, ao mesmo tempo atualizada, informada, crtica e capaz de promover a pesquisa de solues prticas.

    4. Sobre o aprendizado baseado em problemas e projetos

    Foi outro consenso que a formao de profissionais orientados para projetos e aplicao prtica das cincias (duras e sociais) deve ter seu aprendizado baseado na anlise e resoluo de problemas, conhecimento de seu contexto, dilogo com a populao e realizao de projetos interdisciplinares;

    Criticou-se a formao do tipo ciclo bsico, concentrado em matrias duras, que desanimam os estudantes, tem alta taxa de reprovao e estimulam a evaso e o desinteresse pela formao. Desde o princpio o estudante deve ser confrontado com problemas reais, mtodos, histria e teoria, todos relacionados a partir do problema e no dados a priori;

    O projeto no deve ser visto apenas como desenho. Como enfatizou o arquiteto e Secretrio Municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando Mello Franco, o projeto um campo de pactuao e embate poltico mediado por ideias na forma de desenhos que orientam solues para problemas complexos.

    5. Sobre a formao interdisciplinar e possvel Bacharelado

    Foi consenso a respeito de momentos de formao disciplinar e interdisciplinar que devem ocorrer concomitantemente, em atelis, sala de aula e pesquisas de campo. Professores com formaes diferentes devem ser chamados para abordar com diferentes olhares o mesmo problema;

    Seleo de professores fundamental para atrair profissionais interessados e capazes de fortalecer um projeto pedaggico interdisciplinar, que contraria a forma hegemnica de mensurao de produtividade ultra especializada. Esses professores devem estar conscientes desse desafio e sua seleo deve favorecer formas de avaliao para isso, por meio de projetos de pesquisa e extenso, histrico de atuao, etc;

    No houve consenso a respeito do modo de realizar a interdisciplinaridade na formao, se por meio de eixos comuns ou de bacharelado. Temos as duas situaes na Unifesp, que podem nos servir de parmetro;

    Prof. Ricardo Moretti, da UFABC defendeu enfaticamente o Bacharelado, reconhecendo que mesmo na UFABC ele sofre srio problemas. Segundo ele o

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    5

    5

    problema na verdade no do formato Bacharelado mas o modo como so ensinadas as disciplinas bsicas de matemtica e cincias. Sugere um Bacharelado mas aberto, com optativas em que o estudante j possa conhecer melhor as terminaes que ir optar a partir do terceiro ano. Prof. Moretti sugere o ttulo de Bacharelado em Tecnologias e Polticas Urbanas ou Bacharelado em Cidades.

    6. Sobre as engenharias e suas especializaes

    Os trs engenheiros que participaram das mesas (Gregori, Zilbovicius e Moretti) foram unnimes em defender engenharias mais generalistas, como a civil e ambiental, contra engenharias muito especializadas, como a de transportes (ou mecnica e eltrica). A Engenharia foi comparada formao do mdico, que mdico em primeiro lugar, tem formao generalista, antes de se especializar. As engenharias esto sendo precocemente especializadas;

    O Eng. Lcio Gregori ainda defendeu um engenheiro genrico, preparado para resolver quaisquer tipos de problemas, de modo a poder renovar-se durante os seus 50 anos de vida profissional. O mais importante que esse engenheiro tenha uma formao capaz de compreender a relao entre tcnica e sociedade, os contextos em que atua e como se posicionar de forma crtica e fundamentada em cada tomada de deciso, em cada projeto e pesquisa de soluo. Props que no se usasse a palavra urbanismo apenas no curso de arquitetura e urbanismo, pois poderia dar margem a equvocos em relao aos cursos de engenharia, por exemplo;

    Sugeriram que a Engenharia Civil poderia ter nfases diferentes ao final do curso, e transportes urbanos e mobilidade seria uma delas. Do mesmo modo a Arquitetura poderia ter nfase em Habitao, por exemplo;

    O prof. Pedro Arantes sugeriu que analisssemos os cursos de Engenharia de Transportes do Centro de Engenharias da Mobilidade da UFSC. Engenharia de Mobilidade no especializao excessiva, tema emergente no mundo, formao clssica em universidades como o MIT e UCLA e abarca questes ambientais, sociais, urbanas, energticas, de logstica, planejamento de terminais, operao de sistemas, modelos de financiamento, economia, polticas pblicas, indstria etc. H desconhecimento disso no Brasil.

    7. Sobre o curso de Gesto Cultural [proposto em verso anterior do PPP e documento de

    debate] Foi mencionado em vrias mesas como destoante dos demais, por no ser um

    curso de pesquisa e projetos territorias. Contudo, houve consenso da importncia da Cultura e das mediaes que ela permite para um Instituto que pretende pensar e transformar as Cidades.

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    6

    6

    O Historiador Clio Turino props que a Cultura permeie todos os cursos, como forma de sensibilizao dos estudantes a diversos problemas que a tcnica dura no capaz de reconhecer por si s. A Cultura no Instituto elemento de humanizao dos tomadores de deciso e definidores de projetos;

    Clio Turino considera que ela ficaria fragilizada sem um curso aglutinador e sugere a denominao de Mediao em Polticas Culturais, que abarcaria tambm aspectos de comunicao social como mediador de polticas pblicas e de democracia participativa, entre outras;

    Ricardo Moretti sugere que as Polticas Culturais no deveriam ser um curso isolado, mas tal como props para Engenharias, deveria ser uma nfase num curso mais generalista. Sugere Administrao Pblica, que pode ter como uma de suas nfases ou habilitaes a Gesto em Polticas Culturais.

    8. Sobre cursos noturnos e seus estudantes, bolsas e integralidade

    Todos os que abordaram o tema reconheceram a importncia dos cursos noturnos para que a Universidade receba estudantes trabalhadores. Contudo necessrio garantir sua permanncia com fortes polticas afirmativas e de bolsas, de modo que possam estudar no apenas a noite, possibilitando curso integral (dada a carga horria grande de engenharias e arquitetura) e reduzindo o desgaste a que so submetidos entre trabalho-ensino sem descanso;

    Os alunos do noturno tem perfil diferenciado, relao com trabalho e experincia de vida que precisam ser mais valorizadas na Universidade. Devem ser incentivados a ingressar e a permanecer. Se o vestibular for para perodo integral esse pblico no se candidata;

    Poltica de bolsas pode estar associada a Extenso, Pesquisa e/ou Residncia em Cidades, como proposto, com valores condizentes para que o estudante possa estudar sem trabalhar, em perodo integral, como ocorre nos exemplos citados da UNILA e da proposta das Engenharias na Zona Leste, na gesto Marta Suplicy.

    9. Sobre a relao com a Zona Leste e movimentos populares

    Houve consenso de que a Zona Leste a grande interlocutora, fomentadora e laboratrio de pesquisa e prticas. Como cidade ainda em parte por se fazer, e espao dos trabalhadores na metrpole, tem um grande potencial para pesquisa e implantao de polticas e tecnologias urbanas democrticas e inovadoras;

    Professores e estudantes devem ter conhecimento das lutas sociais e da histria da Zona Leste, devem ter a disposio da permanncia no local, nas atividades nos bairros e com os moradores, no dilogo permanente para construir uma universidade aberta e participativa;

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    7

    7

    H enorme decepo com os rumos da USP Leste, como relata Ana Martins. Tanto com os cursos quanto com o distanciamento dos movimentos e demandas da Zona Leste e, por fim, a contaminao e fechamento atual do Campus. Espera-se que a Unifesp faa diferente;

    Prof. Ricardo Moretti comenta que h debate nacional hoje para que o sistema de cotas para alunos de rede pblica possa levar em considerao a localizao das escolas, de modo a atender alunos locais. Isso interessante para a UFABC e tambm para a Unifesp, que poderia debater a questo que to reivindicada pelo movimento da Zona Leste.

    10. Outras modalidades de ensino e importncia da extenso

    Foi discutido em diversas mesas o ilhamento da Universidade e seu alheamento em relao as necessidades do povo brasileiro. Formas de superar parcialmente esse problema foram mencionadas, como: relao com o entorno, Extenso universitria forte, poltica de permanncia, poltica de cotas para ensino pblico da regio, aulas em praa pblica, aulas em casas e espaos residuais da regio, dilogo permanente com a sociedade e movimentos populares;

    A Extenso universitria deve ser valorizada, receber bolsas e favorecer a oxigenao da graduao e pesquisa por meio de trabalhos de campo com as comunidades locais e polticas pblicas. Ela vetor central para um Campus diferenciado, atento s dinmicas do real e disposto pesquisa de solues;

    Poltica de Residncia em Cidades, com estudantes trabalhando em rgos pblicos, ongs, movimentos e entidades civis tambm uma forma de aproximar o Campus dos desafios na implantao de polticas pblicas.

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    8

    8

    B. Resumo das apresentaes e debates do Seminrio

    Mesa de Abertura

    Reitora Soraya Smaili Fala sobre dilogo com Haddad e como ele apoiou e tem apoiado a Unifesp. Crescimento da Unifesp e seus desafios. Necessidade de Planejamento. Dificuldades de oramento, sobretudo para os campi novos. Falta de autonomia de financiamento dificulta o planejamento do crescimento. Desafio do projeto pedaggico vem junto com o desafio de um pacto de viabilidade de abertura do campus. Elogia o projeto pedaggico proposto para o Campus pela comisso mista do CONSU. Importncia da negociao com o MEC e o MPOG para fazer um Campus de qualidade e no precrio, sem passar pelo sofrimento dos outros campi da expanso, com recursos de investimento e servidores na quantidade adequada. Fernando Mello Franco (Secretrio de Desenvolvimento Urbano de SP) Relata entusiasmo do Prefeito com a Unifesp. Elogia projeto pedaggico que est sendo formulado. A questo urbana uma dos principais temas emergentes no mundo hoje. Projeto da Unifesp indito e promissor e tem potencia incrvel. Vai responder a demandas do pas. Referncia crtica aos modelos de escolas tradicionais de engenharia, arquitetura, geografia que a gente tem. Recorda debate na FAU USP nos anos 1970-80 sobre Projeto como ao transformadora. Naquela poca da ditadura havia dvidas se a lapiseira era instrumento contundente. Hoje o contexto diferente. Importncia da capacidade de projetar, do projeto como articulao de saberes, o desenho junto com modelagens jurdica, financeira etc. Sabemos que planos abundam no Brasil. Dificuldade de empenhar recursos porque carecem projetos estruturados. Na instalao da infraestrutura do pas h sempre uma cidade (atrs de cada porto, usina etc). Transformao da urbanidade e da ruralidade em todo o pas. Pensar o projeto cada vez mais feito a partir de processos democrticos e participativos. Projeto como campo de pactuao e embate poltico. Enfim, o Projeto Pedaggico de vocs muito promissor. Mantm a prioridade na relao com as polticas pblicas. Na SDU fizemos a criao de uma assessoria de fomento pesquisa aplicada. Diferenas entre os tempos do gestor pblico e o da academia. Auxlio para formulao de polticas dado pela Universidade fundamental. Instituto pode ser parceiro para pensar nosso projeto poltico e lugar de vida que a cidade. Ana Martins (Mov. Universidade Federal na Zona Leste) Satisfeita em ver uma mulher a frente da Unifesp. Fala da dificuldade do movimento em fazer seminrio durante a semana e horrio de trabalho, em geral noite e no fim de semana melhor para a populao participar. Lamenta ausncia do representante do MEC como previsto na mesa. MEC tem que se comprometer cada vez mais. Passos nas articulaes do movimento com a Unifesp tem que ser garantido com o novo

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    9

    9

    ministro Paim. Parabeniza os presentes por estarem interessados em refletir nova localizao e novo perfil de universidade. Universidade em geral pouco compartilhada com os segmentos populares. UNESP, no interior de So Paulo, que descentralizada em 26 cidades, mais integrada com a sociedade do que as universidades muito centralizadas como a USP. Projeto pedaggico vai alm de definir cursos e o calendrio de implantao. Est num contexto de sociedade que quer se democratizar e avanar. Faz breve relato da histria do Movimento pela Universidade na Zona Leste. Movimento pouco conhecido na universidade. ZL tem professorado pobre, tratado com discriminao, diferente do professorado das universidades. Lembra que em 1983 ocorreram primeiras reunies em So Miguel com professores da Unicamp e USP para pensar uma universidade pblica na regio. Seminrios de sbado e domingo contriburam muito. Luta era pela melhoria do ensino como um todo e no s trazer universidade. Lembra, por exemplo, do movimento das mulheres contra taxa na matrcula e da substituio de um cadeio por uma escola tcnica. O que transforma a sociedade so os movimentos organizados com apoio dos partidos e universidades. Comenta o movimento por ampliao do nmero de creches desde 1979 e por cursos de suplncias. Em 2004 conquistamos a USP Leste, hoje fechada por irresponsabilidade no modo de administrar. Problemas de contaminao j existentes somou-se ao aterro criminoso com terra contaminada. Hoje 5 mil alunos no esto tendo aulas l. Com Lula, passamos a lutar tambm por uma Federal na regio. Prope que faamos um seminrio sobre o projeto pedaggico na Zona Leste antes do ato do dia 26 de maro. Desafio de garantir a permanncia dos profissionais da universidade l. Para que possam conhecer a realidade. Desafio de fazer a universidade onde esto os trabalhadores, e garantir acesso e permanncia. Crise da democracia representativa, das elites. Pelo fortalecimento da democracia participativa, da conscincia de justia, e amor ao povo, de um futuro promissor para o Brasil. Nosso movimento representa diferentes segmentos da populao (moradia, mulheres, professorado etc). Queremos seguir participando de todo o processo, construindo um perfil novo, que faamos algo novo, no fomos respeitados na USP Leste. Queremos um conselho com participao.

    Primeira mesa: Estado, Polticas e Planejamento territorial.

    Ermnia Maricato (Arquiteta e Urbanista, professora titular da FAU USP. Foi Secretria de Habitao e Desenvolvimento Urbano do Municpio de So Paulo (1989-1992). Formulou a proposta de criao do Ministrio das Cidades onde foi Ministra Adjunta (2003-2005). Foi presidente da Comisso de Pesquisa da FAU USP e fundadora do LABHAB - Laboratrio de Habitao e Assentamentos Humanos da FAU USP) Como pensar um novo projeto pedaggico com a universidade de hoje, na qual o produtivismo liberal, o Lattes que nos governa, em que cada um est por si atrs de publicao internacional em revista arbitrada. Universidades americanas e professores que vieram de outros pases (fuga de crebros) e se formaram aqui em universidades pblicas. Poltica no pas tem que garantir permanncia e financiamento para pesquisas de temas

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    10

    10

    que interessam a todos ns, doenas negligenciadas etc. Fapesp resolveu apoiar a Universidade do Vale do Rio Doce e USP fez parceria com Monsanto. Precisamos nos engajar por uma universidade diferente. Vocs marcaram um gol com a proposta deste Instituto das Cidades, mas vo ter que lutar muito, pelas dificuldades que a reitora falou, e vo ter que ter o apoio permanente do movimento. Esse Instituto uma necessidade premente para o pas. Todo mundo concorda que estamos vivendo uma crise das cidades no Brasil, que muito significativa, e estamos despreparados para enfrentar essa crise. Vivemos o analfabetismo urbanstico, a falta de conhecimento das questes urbanas. Gostaria que os brasileiros soubessem 10% do que sabem sobre futebol sobre oramento pblico, administrao pblica. O oramento municipal tem sido aprovado na calada da noite, submetido a lobbies de empresas. Contrata-se obras que contrariam os Planos Diretores. Instituto como o que vocs pretendem muito importante e proposta apresentada muito boa, interdisciplinar e trabalha com graduaes existentes, sem inventar diploma que no existe. Tem ligao forte com as polticas pblicas. Muito interessante quando reconhece a cidade invisvel, ilegal e em risco, para ser tema de formao, tudo que no faz parte da representao oficial da cidade, o mundo esquecido e perifrico. Tambm no ignora o meio fsico e o ambiental. Minha sugesto de tema para incluir no projeto pedaggico a questo da segurana alimentar, que decisiva hoje, e questo da agricultura urbana e das bordas urbanas. Esse um tema emergente hoje, inclusive para evitar que o alimento viaje, reduzir agrotxicos, o latifndio etc. Movimento muito forte nos EUA e mundial da agricultura urbana nas franjas das cidades. Outra caracterstica acertada do Instituto que vocs propem ele se vincular com experincias prticas de projeto, laboratrios, escritrio modelo e a residncia universitria em cidades. Fiz a proposta na FAU USP e nunca foi implantada at hoje. Mergulho na realidade absolutamente necessrio para quem trabalha com ambiente construdo. Nome do Instituto tambm est timo, permite trabalhar com comunidades no urbanas, outros assentamentos humanos que no as grandes cidades. Participei da constituio do Ministrio das Cidades no incio do governo Lula. Mas o Ministrio das Cidades no conseguiu construir uma nova cultura da poltica urbana, ao contrrio, tem retrocedido. Movimento de Reforma Urbana conseguiu avanos, base constitucional, Estatuto das Cidades etc. Temos hoje 20 mil conselhos participativos em todos os nveis. Mas regredimos na poltica urbana nos ltimos anos. Invaso de automveis perniciosa, dobramos o nmero em 10 anos. Morrem 40 mil por ano em acidentes nas cidades. Est diminuindo a expectativa de vida na cidade de So Paulo com a poluio. Temos um boom imobilirio que em 3 anos resultou em aumento de 150% no preo do m2, com subsdio federal para o mercado. Tem uma melhora das condies de vida para os mais pobres, mas distribuio de renda no prev distribuio de cidade (saneamento, transporte, moradia social etc). Melhorar as cidades exige reformas, polticas pblicas, mais do que distribuio de renda. Precisamos retomar mpeto transformador da sociedade. Esse Instituto vai ajudar para isso, novo, diferente. O que pode ser mais destacado na proposta: a maioria dos problemas urbanos est ligado ao uso e ocupao do solo. fundamental avanar na avaliao das formas de controle sobre isso. Nosso pas no tem tradio de planejamento e controle sobre o solo. No falta lei e plano para proibir

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    11

    11

    ocupaes irregulares, mas no so aplicados. Mdia fala que falta planejamento, mas os planos preveem tudo isso. O que falta? Falta incluso social, diminuir a desigualdade e aplicar a lei. Fiz reunio com juzes da Escola de Magistratura de SP e nos disseram que nos cursos de direito no tem formao em direito urbanstico. Os juzes no conhecem, do aes erradas, prejudicam as famlias em despejos forados. Direito a moradia absoluto na Constituio, enquanto o direito propriedade relativo e subordinado funo social. Instituto no vai superar a crise das cidades mas pode ajudar a dar os primeiros passos. Alguns foram dados pelo movimento de Reforma Urbana, acreditamos que o Ministrio das Cidades tambm avanaria. A questo do SOLO a que nos une, central, deve estar no projeto pedaggico do Instituto em destaque. Trazer para a sociedade brasileira a questo de que preciso ter controle social sobre o uso do solo, poluio dos rios, lixo etc. Veja-se os economistas, que ignoram o territrio. BNDES no tem mapa dos seus investimentos. No percebemos toda a gama de interesses que vai tornando as cidades uma selva, o quanto as empreiteiras dominam o fundo pblico. Lembra das oito megaobras do Jnio Quadros que Erundina herdou. Planos Diretores no regulam, negociao de polticos com empreiteiros para definir obras. Poltica urbana vira um monte de obras sem nexo. Por isso formao sobre uso e ocupao do solo tem que estar em todos os cursos do Instituto. Questo da moradia e transportes tem tudo a ver com uso e ocupao do solo. Problemas do modelo de transporte sobre rodas, o rodoviarismo, histria da destruio do transportes sobre trilhos. Moradias nas reas de proteo ambiental, no porque o pobre quer destruir, vem o Estado e depois criminaliza. O n da questo urbana a terra, o cho urbano. Infelizmente propriedade privada absoluta, se seguisse a Constituio no seria. Cho urbano transformado em meio para extrair renda, que est enriquecendo horrores muita gente, e est empobrecendo a populao e os poderes pblicos, que no conseguem mais desapropriar nada. Para fazer uma creche tem que pagar preo de mercado! Desapropriaes de metr so carssimas, alis no sei porque to grandes. Boom imobilirio empobrece a sociedade toda, especulao, com dinheiro pblico, com bilhes de subsdio. Para no desanimar vocs, tivemos no Brasil um perodo de florescimentos de polticas urbanas e regionais nos anos 1980-90, que esto a para serem resgatadas e estudadas pelo Instituto. Exemplos: Oramento Participativo de Porto Alegre, Consrcio do Rio Piracicaba, o Consrcio do ABC, primeiro Plano Diretor de Diadema e municipalizao do seu saneamento (frutos da luta popular), poltica habitacional e assessorias tcnicas na poca da Erundina, habitao com prticas participativas e de boa qualidade tcnica (Recife, BH, Fortaleza, POA, Par). Mas nossas cidades enveredaram pelo caminho do grande capital, empreiteiras e automvel. Tem que ter muita garra para lutar por esse Instituto porque o Brasil precisa dele. Fbio Barbosa dos Santos (mediador, Historiador e Doutor em Histria Econmica pela Universidade de So Paulo. Professor da UNIFESP no Campus Osasco, atuando no curso de Relaes Internacionais no campus Osasco. Tem experincia na rea de Histria com nfase em Histria da Amrica Latina e Histria Contempornea. Foi integrante do projeto Bras-Cuba, do

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    12

    12

    coletivo Nossa Amrica e atuou com movimentos populares no Jardim Pantanal, na Zona Leste). (Faz um comentrio) O cubano Jos Marti dizia que conhecer resolver. Para enfrentar esses problemas vamos precisar desse tipo de abordagem, entusiasmo e anlise, para produzir conhecimento. Passa palavra. Lcio Gregori (Engenheiro aposentado da CETESB. Foi Diretor tcnico da Emplasa da Grande So Paulo (1975-79), Diretor de Planejamento da Emurb (1971-72), Secretrio de Servios e Obras (1989-90) e Secretrio dos Transportes (1990-92) do municpio de So Paulo. Formulador da Proposta de Tarifa Zero e da Municipalizao dos transportes de nibus em So Paulo na Gesto Erundina. colaborador do Movimento do Passe Livre (MPL) desde 2005) Minha presena com atraso aqui (ficou preso no trnsito vindo de Jundia) a evidncia por si mesmo do significado da imobilidade urbana. Tem aspecto objetivo e subjetivo, cansao, angstia, medo associados imobilidade. Mobilidade faz parte umbilicalmente ao que chamamos de cidade. Sou profissional da prtica, da experincia, no sou acadmico. Vou falar um pouco da questo da mobilidade. Cidade s tem sentido pela circulao, seno ela aldeia. Ela surge atravessada pelos circuitos. Cidade lugar de reproduo da fora de trabalho. E ela precisa circular pela cidade. Apesar do retorno da ideia de voltar o trabalho a pertinho de casa, tem que avaliar melhor, a pessoa no poder mudar de emprego? Evitar a mentalidade de aldeia. Para se opor ao isolamento tpico da aldeia e hoje do que a televiso faz, importante que circulamos, a mistura urbana que garante liberdade (de circular) e relao ativa com a cidade. O transporte assim parte fundamental do urbano e para o desfrute da cidade. Transporte coletivo rene os desconhecidos, nos faz conviver, viver a alteridade, mesmo que nem fale com o vizinho. Janice Cayafa fez entrevistas com passageiros de nibus no Rio e seu modo de convvio. Urbanismo seria uma rea do conhecimento humano que teoriza e executa aes sobre as cidades. Nele a mobilidade central (prefere o uso de mobilidade do que de transportes). A formao geral bsica do Instituto deveria ser em Urbanismo, depois as especializaes. No d para separar urbanismo de engenharia de transportes, por exemplo, precisam estar muito relacionados. Transporte coletivo deveria ser de nibus eltricos, campo notvel para inovao, indstria nacional etc. Ele no precisa hoje mais dos cabos (troley). Por que no h incentivo para isso, porque o Ministrio das Cidades entrega a poltica dos transportes a lobbies? No sei se engenheiros de transportes conseguem visualizar essa possibilidade e todas as conexes da mobilidade com urbanismo, economia, economia poltica. Histria da Poli USP e diviso da engenharia civil em 4 (hidrulica, geotcnica, estruturas, transportes). Mas transportes na Poli diferente da proposta de vocs, l muito ligada a projeto de estradas, pontes, tneis etc. Ento poderamos pensar um outro nome para no confundir, como j disse, prefiro mobilidade ou transportes urbanos e metropolitanos. Outra questo importante na formao em mobilidade a do transporte das cargas urbanas, a mobilidade das mercadorias nas cidades, de grande e pequena monta (caminhes a motoqueiros), cujas polticas recentes so estapafrdias. Sem a mobilidade das cargas a cidade para de funcionar. Bem como os terminais, incluindo os de carga, e as hidrovias urbanas. Rio Pinheiros e Tiet poderiam ter

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    13

    13

    transporte de passageiros e de carga. Recursos hdricos da metrpole foram vinculados a gerao de energia eltrica e inverteram curso do Pinheiros etc. No perfil do egresso, incluiria a palavra gesto em transportes, alm de concepo e implementao. Gerir a mobilidade uma das questes mais importantes. Nos atelis acrescentaria estudos bem concretos feitos junto a populao. Exemplo: o seccionamento de linhas de nibus. Instituto deveria discutir junto com a populao casos concretos que ocorrem na cidade para modific-los. Linhas de nibus representam no inconsciente das pessoas toda uma histria afetiva. Mudanas no podem ser feitas sem respeitar isso. Gente tem que ser respeitada, no sistemas, abstraes, numerologias. Comenta a Lei de Protees de Mananciais, feita quando foi diretor da Emplasa. Era toda baseada em mtodo cientfico de clculo de quanto os corpos de gua poderiam receber de DBO, DQO etc. Esqueceram que estavam no regime capitalista e o valor da terra foi pro brejo, o que permitiu as ocupaes clandestinas. Deu tudo errado, foi uma abstrao sem conhecimento da realidade. Por isso preciso formar o profissional para entender a sociedade ao pensar as solues, entender o capitalismo e o valor da terra. Outra lei que se descolou do real, de que participei, foi a Lei de Zoneamento Industrial. Naquele momento a poluio por industrializao era um dos problemas mais srios. Por fim, alm do Instituto, s vejo uma forma de atuar na questo urbana: atravs da poltica na rua. No jogar bomba, matar, mas a poltica urbana se faz na rua, pelos movimentos sociais e assim voltar s origens do que venha a ser o urbano. A cidade feita para ser para gente, para pessoas! A gente esquece disso. Cidade no feita para automvel e para $. Da a angstia da imobilidade e da vida urbana hoje. Sobre o curso Arquitetura e Urbanismo comentou, porque no Engenharia e Urbanismo etc. Essa vinculao de Urbanismo e Arquitetura pode dar margem a equvocos. Prefere, com se disse, o curso de Urbanismo e depois as especializaes em engenharia, arquitetura etc. Fbio Barbosa dos Santos Essa mesa tem alguma coisa desse Instituto em projeto. Ermnia, carreira acadmica participao na militncia e governos; Lcio, servidor pblico; eu como Historiador professor da Unifesp vejo aqui uma interdisciplinaridade e o sentido poltico da proposta. Vejo a nossa proposta como uma disputa pelo carter do Estado Brasileiro. Disputa pelo espao pblico, reivindicao da Zona Leste por equipamentos pblicos de qualidade. Outra dimenso o sentido da universidade pblica. O carter especfico da proposta, que no convencional. O que pode dar fora poltica para o projeto a conjuno das duas dimenses, a luta por um equipamento pblico no convencional, um projeto de uma natureza singular, diferente da USP ZL. Envolve a discusso pelo sentido do ensino pblico superior no Brasil. Objetivo do Instituto atender ao interesse pblico e no ao mercado. Milita contra a especializao do conhecimento e do trabalho, que traz danos na gesto do interesse pblico. Tambm prope a prxis como ao pensada, no separando trabalho intelectual e manual, aproximando dos problemas do povo brasileiro. Dois comentrios sobre a proposta: na dimenso dos intercmbios e residncias, poderia pensar isso para a Amrica Latina, reforar a identidade, os problemas so similares e a superao dos problemas idem. Tambm senti um pouco falta da

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    14

    14

    questo rural, como dimenso dos assentamentos humanos, e uma questo poltica candente. Militar pela aproximao do urbano e do rural, sobretudo poltica. Abre a palavra para perguntas. Perguntas: Ricardo Moretti (Eng. e Prof. UFABC) Lucio falou da mobilidade como parte do urbanismo. Pensaria ento que em vez de engenharias temticas, de habitao, de saneamento, poderia ser uma formao nica com nfases. Podemos fazer o resgate de experincia da UFSCar nos anos 1980 com nfases nos cursos. nfases podem ser dadas pela prpria residncia. Ana Martins Pergunta sobre ZEIS e Estatuto da Cidade para Ermnia conquistas populares que universitrios no conhecem. Para Lucio: sobre a convivncia nos transportes, ela complementa uma sociabilidade popular, no futebol, na padaria etc. As universidades precisam conhecer mais a cidade, como as pessoas vivem. Seno s faz proposta errada, fora da realidade. Que saber esse da universidade? No pode negar a cincia mas precisa adequar realidade vivida. Instituto primeira etapa, depois temos que chegar a muito mais cursos, rea de sade etc. Pedro Arantes (Pr-Reitor Adjunto de Planejamento da Unifesp e Prof. do Campus Guarulhos) Lcio falou contra a engenharia de transportes ser uma formao do Instituto, uma carreira prpria, achando que deve ser restrita a uma nfase de uma engenharia mais geral, como a engenharia civil. assim na Poli USP e em vrias Polis no Brasil, o que j existe e no est dando conta. A UFSC lanou recentemente um Centro de Mobilidade em Joinville com diversas engenharias de transportes, iniciativa pioneira no Brasil. Hoje estamos vendo o travamento das cidades e as gestes pblicas refns de lobbies, cartis e vendedores, quase todos internacionais, de sistemas de mobilidade, de pacotes. A faz e no funciona, gasta-se fortunas com obras desconexas e a mobilidade segue piorando. Est faltando um pensamento nessa rea no Brasil, que nos d mais segurana da racionalidade dos investimentos, de que no futuro teremos uma rede de transportes que funciona, que fruto de um grande esforo da sociedade em pagar por isso. No podemos aceitar os desastres que esto sendo feitos. O PAC Mobilidade tem muitos problemas. Temos que ter um pensamento forte nessa rea no Brasil. No mundo inteiro h cursos importantes em transportes, no MIT, na UCLA etc. E o currculo extenso, com temas ligados a economia poltica e financiamento do setor, a relao com o desenvolvimento urbano e social, matriz energtica, impactos ambientais e na sade pblica, os vrios modais e suas conexes, novos equipamentos e sistemas de operao, gesto de todo o sistema (a cargo do Estado e no das empresas), projetos de terminais, logstica e transportes de cargas etc. Enfim, h questes muito relevantes para um curso prprio em transportes e o Brasil tem essa demanda, do Estado e das ruas.

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    15

    15

    Respostas da mesa: Ermnia Maricato Tem crticas luta popular que ficou refm da luta por leis. Tem que se reavaliar, no adianta s lutar por lei, porque lei j temos. Temos lei federal de mobilidade, de resduos slidos, de saneamento, Estatuto das Cidades, Consrcios pblicos, chega de lei. Movimentos esto refns da burocracia. Tem que lutar para aplicar as leis de Reforma Urbana. As leis de interesse do capital funcionam. Operaes Urbanas e PPPs no Brasil inteiro esto entregando o fundo pblico para o capital imobilirio. So Paulo foi assaltada nos ltimos 8 anos. Conseguimos recentemente barrar tnel de 1,5 bilhes de reais na gua Espraiada que tambm no passaria nibus. Diretriz do Plano Diretor fala em prioridade ao transporte pblico. Logo no pode aprovar tnel que no passa transporte pblico. Sofremos regresso na poltica urbana e luta por ZEIS muito pouco. A questo metropolitana e do uso do solo, para no cair nas ideias fora do lugar. Impressionante a histria contada por Lucio de preservar os mananciais com frmulas cientficas para medir a poluio. Enquanto isso os mananciais esto sendo ocupados por loteamentos clandestinos. Interdisciplinaridade no Instituto tem que ser dada com uma formao comum sobre a produo da cidade. Todas as reas tm que ser ligadas ao meio fsico. Vocs colocaram cultura como uma proposta de curso. Por que no sade, educao? A unidade do Instituto dada pelo cho, pelo meio fsico. Curso de gesto cultural est deslocado. Pegar as carreiras existentes positivo, mas tomar cuidado para no fazer especializao precoce. Tem que ter base comum forte no incio, ligada produo da cidade. No planejamento, entender como a cidade funciona. Lcio Gregori Se vocs forem fazer a Engenharia de Transportes sugiro que os estudantes desse curso s andem de transporte coletivo, bicicleta ou a p, essa deveria ser uma regra (rsrsr). Sei que tem os que defendem que preciso formar o Engenheiro de Transportes e eu acho que tem que formar um Engenheiro genrico, depois voc faz a especializao. Tem que saber resolver problema, interpretar, calcular, fazer estimativa, projees etc. Eu mesmo, em minha careira de gestor pblico, passei por transporte, lixo, obras, parques e jardins, saneamento etc. Esse seria o Engenheiro genrico, entende o recorte profissional, tem que ter diploma e registro profissional etc. O Engenheiro genrico poderia ser o Engenheiro Civil, que depois faz especializaes. Na Medicina primeiro ele sai Mdico, depois ele faz a especializao. O Mdico, mesmo sendo especialista, teve a formao geral. Na Engenharia poderia ser assim. No Brasil tem gente que sabe fazer a parte tcnica de transportes, todos os clculos, o que no tem gente que acopla isso com uma viso crtica do mundo. Ele faz de forma favorvel ao sistema, ao mundo que a gente vive e no para pensar criticamente. Acho que pode ter um curso bsico de urbanismo e depois ele faz as nfases. Ele sabe que ele est lidando com algo chamado cidade. Ento contextualiza o conhecimento tcnico posterior, para no tomar decises descoladas. Brasil tem conhecimento em transportes, ANTT sabe tudo sobre questes tcnicas, s que raciocina com uma cabea

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    16

    16

    convencional. A questo a problematizao da situao, para saber tomar a deciso poltica correta, tomadas a partir de uma viso da sociedade em que voc est e no a partir de fundamentaes tcnicas que voc tem. No existe especialidade que no esteja vinculada a uma forma de entendimento de como ela utilizada para reproduzir um sistema que a est. O personagem tem que entender a engrenagem na qual ele vai ser utilizado. Para pr sua especialidade a servio deste ou daquele direcionamento. Outra questo a insero profissional. Onde vo trabalhar? Na Gafisa? Ou na Empresa de nibus do Nen Constantino? O que ele vai fazer com o que aprendeu. Temos que saber onde vo trabalhar. Seno formamos um bando de neurticos, que tm uma viso crtica mas no vo realiz-la no mercado, tal como ele funciona hoje. Como esses profissionais transformam as empresas? Ou as empresas vo mudar a cabea deles? Sou ento adepto de um Engenheiro genrico ou um Urbanista genrico.

    Segunda mesa: Urbanizao, cultura e produo social do espao.

    Maria Adlia de Sousa (Gegrafa, com doutorado em Geografia pela Sorbonne, professora titular aposentada da USP continuando no seu Programa de Ps-Graduao em Geografia Humana. Tem experincia na rea de Planejamento Urbano e Regional. Produziu pesquisas no mbito do Sistema de Justia do Brasil, Uma releitura da Geografia da Fome, Uso do territrio pelo SUS - Sistema nico de Sade) Fico muito feliz com o Instituto proposto, com novos mtodos de abordagem, e estou disposta a colaborar com essa criao. Sou gegrafa, sou generalista, estrategista. Estudo So Paulo h mais de 40 anos. Fui convidada a fundar uma universidade interdisciplinar, a UNILA, da qual fui Pr-Reitora de Graduao, cujo projeto de fundo tambm similar ao proposto pelo Instituto, por ser temtico. Nosso tema era Amrica Latina, o de vocs so as Metrpoles, cujo laboratrio principal dever ser a prpria regio metropolitana de So Paulo, a segunda maior do mundo. Vou ficar de olho nesse Instituto, vou torcer muito para que ele vingue, uma necessidade no ensino superior brasileiro, encarar os problemas do Brasil a partir de alguns recortes que abarcam a totalidade. Questiona o nome preliminar dado ao Instituto (Cidades e Assentamento Humanos). Hoje a questo a metrpole e no mais a cidade. Tambm no acho bom o termo assentamento, pois assenta-se tijolo e no seres humanos, porque o ser humano mvel na sua essncia. Instituto no pode abrir mo da avaliao desses conceitos, de um nome certeiro, e podemos aprofundar depois com a comisso. Coordenei o primeiro Plano de desenvolvimento urbano do Brasil, o primeiro de So Paulo e tambm os Planos de desenvolvimento regional. Coordenei mais de 100 Planos Diretores, alm de plataformas de governo. Da um aprendizado de qual tipo de profissional seria interessante para fazer esse tipo de ao estratgica sobre as metrpoles. Estudos sobre a Zona Leste, sobre o local em que o Campus se encontra so importantes, mas no suficientes. No pode se preocupar s com a Zona Leste, que produto do mundo. Resultado de um movimento de modernizao/totalizao que ocorre nos lugares. Tem que incorporar a totalidade como critrio de reflexo e do que est acontecendo

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    17

    17

    no real concreto. Tem que incorporar na prtica a interdisciplinaridade, que uma caracterstica da cidade. Mas o acadmico tem que ser disciplinar, para poder conversar com o outro. Interdisciplinaridade se d nas prticas, no numa formao genrica. Concordo com o perfil do egresso que vocs propem, com a ideologia do enunciado, mas tem que avanar no perfil acadmico dele. Proposta: o egresso tem que ter competncia terica e tcnica e comprometimento tico e poltico com o conhecimento e lidar com uma metrpole do porte de So Paulo. Mas no deve ficar s em So Paulo. O Instituto deve ser um Centro de excelncia em relao ao estudo e prticas sobre o processo de metropolizao, que o problema mais agudo da urbanizao no mundo inteiro contemporneo. Esse formando/profissional deveria ser capaz de produzir Anlises territoriais. No d para trabalhar com setores (habitao, sade, educao). Ele tem que ter uma viso integrada e a unidade dada pela anlise das relaes no territrio, do territrio como relao. O territrio uma dimenso poltica. Milton Santos props o conceito de territrio usado, pois espao um conceito abstrato de relao entre objetos e sistemas de ao. H uma indissociabilidade entre o ambiente construdo e sua intencionalidade. Tudo est impregnado de intencionalidades, no s dos projetistas, mas tambm dos usurios. O importante que h um movimento. Territrio usado mais que um palco, o espao sou eu em relao com os objetos. Importncia poltica na disputa pelo uso do territrio e dos impasses colocados pela propriedade privada. Usos permitem um diagnstico para tratar de uma metrpole travada como So Paulo. Este profissional tem que saber cartografia temtica e a geografia nova, dialtica, processual. No territrio se constroem os pactos sociais, que so pactos territoriais. Contrariando os pactos funcionais (habitao, transporte etc) que so os pactos hegemnicos. Moradores querem tudo, e territrio uma totalidade/unidade, no querem solues fragmentadas. Alm disso, esse profissional formado pelo Instituto tem que compreender os usos, e no s descrev-los, como fazem 90% dos gegrafos. Qual o problema hoje de So Paulo? o processo crescente de desigualdade scio-espacial, que inaceitvel. Apresenta em slides diversos mapas temticos de So Paulo (mapa de renda, homicdios, moradores de rua, demanda de creche, crescimento demogrfico, de localizao de pessoas com dificuldades de enxergar, feito a partir dos microdados do IBGE). Planejamento tem que dizer onde realizar as polticas, hoje temos condies de fazer mapas muito refinados, com cruzamento de mltiplas variveis no espao. Apresenta mais mapas com cruzamentos de variveis (ex: mulheres e delegacias da mulher etc). Profissional tem que saber fazer estudos territoriais complexos, para resolver problemas de conexes, centralidades, mobilidade etc. Os transporteiros (Engenheiros de Transportes), de que falou o Lucio Gregori, tem mania de trabalhar sozinhos. Uso do solo e mobilidade tem que andar juntos. Temos conhecimento setorial sobre So Paulo refinadssimo mas no temos profissional que saibam definir estratgias territoriais a partir disso. Isso tudo ele s pode fazer com prticas interdisciplinares, em atelier e laboratrio, como vocs propem. Compara seu modelo de definio das 7 reas mais precrias de So Paulo com o projeto do Arco do Futuro que adensa em torno das avenidas marginais. Quando constri nos eixos voc trava, ao invs de fluir. Arco no passa por nenhuma das 7 reas que esto no limite da sobrevivncia em So Paulo. Profissional

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    18

    18

    tem que ter condio de elaborar projetos urbansticos. preciso fazer negociao poltica com a populao para propor ideias novas, e a Universidade tem obrigao de fazer isso. Mostra imagens de So Mateus do futuro com o monotrilho. Este Instituto tem que formar pessoas para conduzir processos como esse. Tem que saber montar sistemas de governo e entender de governo, seno no vai conseguir propor nada. Incluindo conhecimento da informtica e administrao. Sistemas de governo hoje devem ser descentralizados, territoriais e eletrnicos. Como disse Ermnia, no precisamos mais de leis, precisamos de algumas regulamentaes, implementao e princpios de compreenso do territrio. Interdisciplinaridade no Instituto proposto deve estar baseada numa prxis. Um problema para a prtica acadmica tradicional, ter disponibilidade para fazer isso, aprender e fazer contribuio setorial. Apresenta proposta de interdisciplinaridade da UNILA (espiral de interdisciplinaridade, rigorosamente planejada, seno vai dar errado, no basta enunciado interdisciplinar para fazer frente s velhas prticas uspianas). Nomes novos para os cursos so um problema, porque MEC no aprova. O MEC tem suas regras, no muito favorvel a fazer coisas novas, vocs vo ter que saber mediar. Fala do Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Territrio, que envolve geografia, arquitetura e engenharias, na UNILA. Vocs esto no caminho certo, mas no percam de vista que vocs esto na segunda maior regio metropolitana do mundo com uma complexidade e riqueza que vo ter que lidar. A unidisciplinariedade tem que diminuir, mas tem que ter o ttulo disciplinar, e fazer a interdisciplinaridade crescer. Rosana Miranda (Arquiteta e Urbanista, professora doutora da FAU-USP. Na prefeitura de So Paulo foi arquiteta do Departamento de Patrimnio Histrico (DPH) de So Paulo, do Departamento de Edificaes (Edif) e da SubPrefeitura de Ermelino Matarazzo. Na rea de Habitao Popular, trabalhou na CDHU, na SEHAB de So Paulo e na COHAB de Santos. rea principal de pesquisa em Renovao urbana e Arquitetura da cidade) Conta do seu trabalho no Plano Diretor de Ermelino Matarazzo, entre 2002-4 com a USP Leste. Dificuldade de ter equipe com quem trabalhar nesse Plano, na subprefeitura. Chamamos profissionais de todas as reas da subprefeitura (sade, educao, cultura etc) para comearmos a discutir o plano. Objetivo era conhecer a realidade local em profundidade. Material da territorializao produzido pelo posto de sade e mdico de famlia era incrvel, foi nossa base. Fizeram um trabalho com a populao e resgataram a histria local. Forma de conhecimento do local que no est em livro nenhum ou documentos tcnicos da Prefeitura. Conhecimento das lutas e de cada conquista da populao. Ana Martins me apresentou toda a Zona Leste de forma incrvel. Levanta questo posta pelo Lucio: tem que ter direito de se descolocar pela metrpole, no s morar, trabalhar estudar no mesmo bairro. Ibirapuera, por exemplo, para todos, no parque de bairro. Por isso tem que ter metr l e no foi permitido, como no foi permitido dentro do Campus da USP, com medo que venha pblico de fora a USP continua uma universidade apartada. Democratizao do transporte fundamental na democratizao da cidade. Populao da Zona Leste no tem que ficar s na Zona Leste, viver no bairro tem que ser opo e no determinao. So Paulo tem ruas e nichos

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    19

    19

    especializados de comrcios e servios, todos tm que poder chegar l, para emprego, compra, lazer etc. Vetor Leste da metrpole de So Paulo tem pouqussimas universidades pblicas. Se universidade tem dificuldades para crescer tem que olhar pelo lado da populao dessas reas. Linhas de metr vai atrs da demanda, ele no se coloca como elemento estruturante indutor. Fala da possibilidade (atualmente abandonada pelo metr) de uma linha interligando Tucuruvi, aeroporto, zona leste, abc. Eixo norte-sul na Zona Leste da Jacu Pssego importantssimo (ligao aeroporto-porto). Localizao da Unifesp ali estratgica para a metrpole. Comenta sobre a discusso de residncia em arquitetura na FAU USP. Evitar pensar setorialmente, fragmentadamente. Trabalhei em seis secretarias da Prefeitura de So Paulo e vi que isso precisa ser superado. Unifesp pode colaborar para isso, o Instituto muito bem vindo. Clio Turino (Historiador, escritor e servidor pblico. Atua junto a movimentos sociais e culturais. Foi secretrio municipal de Cultura de Campinas, Diretor do Departamento de Programas de Lazer na Secretaria de Esportes (2001-2003) e secretrio no Ministrio da Cultura (2004-2010), perodo em que viabilizou a criao de mais de dois mil Pontos de Cultura espalhados em mais de mil municpios do Brasil) Sou Historiador, tenho mestrado mas no venho da rea acadmica. Venho da gesto pblica na rea de cultura e sou escritor. Zona Leste tem muita histria, muita cultura, muita potncia. Vocs me perguntam, como a cultura pode transversalizar a proposta do Campus da Unifesp na Zona Leste? Universidade precisa se plasmar com toda essa histria escondida, subterrnea. E tambm com as vrias possibilidades de polticas pblicas e seus gestos de dilogo com o entorno com os muros da USP , preciso um gesto de generosidade com a cidade. Mancha urbana est totalmente impermeabilizada, Rio Jacu canalizado e destruio da sua vrzea, havia mil campos de vrzea, picnic, So Paulo a nado etc. E a gente no percebe isso, essa outra relao mais sensvel e generosa com nossa cidade. A urbanizao de So Paulo, sua impermeabilizao, a causa dessa secura que estamos vivendo e So Paulo era uma regio altamente aguada. bom que isso entre na grade curricular, essa relao social com o territrio, o meio ambiente. E isso uma relao cultural. A cultura vai apresentar essas pequenas histrias, da relao dos sujeitos com o espao em que vivem. Vale a pena na transversalizao trazer outros saberes, transmitidos de gerao a gerao entre os povos tradicionais. Ex: gritadores. Rebater a arrogncia da tcnica, da maneira como estamos fazendo a cidade. Enchente obra humana, a cheia de Deus. Nessa grade curricular tem que se discutir isso e as pequenas delicadezas. Estive em Medellin, na Colmbia, que est sendo considerada a cidade mais inovadora do mundo. Era cidade do cartel do trfico, vivendo em guerra civil, com 7 mil homicdios por ano. Como fizeram para virar a cidade? Fizeram um movimento chamado Compromisso Cidado, que envolvia movimentos, universidades, ongs. Ao ganharem a eleio da Prefeitura, subiram o oramento da cultura de 0,7 para 5% como primeira deciso e comearam a fazer pequenas mudanas. A primeira foi abrir o Jardim Botnico, que passou de 30 mil para 2 milhes de visitantes. Fizeram a instalao de banheiros pblicos, com mosaicos, pequenas fontes e quedas dgua, uma praa de ps descalos onde pessoas pisavam em seixos, na areia. Tratavam bem as pessoas, o que

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    20

    20

    fundamental para construirmos um outro processo de conhecimento e outro processo de vinculo social. Que a cultura afete esse conjunto de produo de conhecimento sobre as cidades. No precisa afetar disciplinarmente, ela vai ter que permear com delicadeza todas as formaes, entrar na alma das pessoas. Isso no se faz com palestra e disciplina, se faz na vida cotidiana. Assim que a cultura vai transversalizar. Talvez vocs precisem ter um departamento de cultura, mas tem que ir alm da gesto, do imprio da tcnica. Sensibilidade da cultura e da arte no gesto. Gesto de cultura dissociada de arte no funciona. Hip-hop e repente na Zona Leste tem que (en)cantar a Universidade. Cultura tem o papel de funcionar como fio de Ariadne no labirinto do Minotauro. Esse o fio da cultura e da histria. Precisa estar transversalizando esse processo todo. Grandes transformaes s se fazem de dentro para fora, de baixo para cima, reconhecendo a potncia de cada pessoa. Temos que identificar quais so os pontos de potncia. Unifesp Zona Leste tem que funcionar como uma agulha de acupuntura naquele local. Cada disciplina tem que encontrar os pontos vitais de energizao da sociedade. Pontos de cultura uma forma de acupuntura social. Pode comear pelo Rio Jacu. Em cada desafio, seja no design, no interior das casas. Vi em Teresina um grupo de teatro que faz apresentaes na casa das pessoas. Tem que chegar nas casas e trabalhar o design dessas casas. Paredes da Monica Nador no Jardim Miriam. Se a Universidade conseguir chegar a esses pequenos pontos de delicadeza com os seus alunos, poder dar uma contribuio tambm para o prprio ambiente acadmico, da Unifesp, do Brasil e do Mundo. No curso de mobilidade e transportes tem que pensar em logstica de bens, que fosse um pouco mais amplo. Comprometimento com os empresrios de nibus e empresas de monotrilho levam a opes equivocadas. Como vamos fazer, e pra quem? Parabns a Unifesp por essa deciso firme e clara. A USP no teve essa deciso, fez uma grade curricular que no atende os anseios da sociedade. Zysman Neiman (mediador. Bilogo, Doutor em Psicologia pela USP. Atualmente Professor da UNIFESP e vice-coordenador no curso de Bacharelado em Cincias Ambientais. Na UFSCar coordenou o Laboratrio de Ecologia, Percepo e Educao Ambiental - LEPEA. Presidente do Instituto Physis - Cultura & Ambiente, lder da Rede de Ao Poltica pela Sustentabilidade (RAPS), e Diretor da Sociedade Brasileira de Ecoturismo (SBEcotur), uma entidade cientfica) Nasci na Zona Leste e estou muito feliz com o projeto que est sendo proposto da Unifesp na Zona Leste. Papel da Universidade l ser fundamental, para o planejamento local e de grandes metrpoles do mundo. Proposta inclui o curso de Turismo e reconhece que h estudos srios nessa rea e que o curso de Turismo no apenas de gente que quer passear, viajar. Esse um preconceito que existe na universidade. O curso de Turismo interdisciplinar em si, com professores vindos de vrias reas do conhecimento. Dentro do Instituto proposto ele ganha muito, e esse profissionais podero contribuir com todos os cursos. Mexe com geografia, cultura, fluxos, organizao do espao, meio ambiente. Alocar aqui com os demais cursos uma escolha feliz e nova no Brasil. Ele estava previsto para outro campus na Unifesp, em Embu, onde ficaria mais isolado. E a Zona Leste tem muita coisa para resolver, um local fantstico para pensar o futuro das cidades.

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    21

    21

    Perguntas: Alberto (Gegrafo e Professor na UERJ). Sou morador de So Mateus, na Zona Leste, e ia estudar na USP, indo e vindo, uma loucura, mas sobrevivi. Participei dos movimentos locais, jovens da igreja, sade, e parabenizo a universidade chegar na Zona Leste. Pergunto sobre a questo da tcnica, que foi aqui pouco mencionada. No estou fazendo uma defesa dela, mas a tcnica no s ideologia, ela fundamental na resoluo de problemas, incluindo os problemas urbanos. Ao mesmo tempo, precisamos de uma sensibilidade epistemolgica no cotidiano. Espero que o Campus se concretize. Seminrio histrico e fiz questo de participar. Fico tambm em dvida com a expresso assentamento, pois as pessoas no se assentam. Ana Martins Fico feliz com esse debate. Vamos fazer aqui um processo diferente do da USP Leste, que foi feita de cima para baixo. Jeane Barbosa (Doutoranda em Geografia pela USP). Proposta do Instituto muito interessante e salutar. Questiono tambm o nome Cidade para o Instituto. Gostaria que Maria Adlia tratasse mais do assunto. Ao Clio para falar um pouco mais sobre o profissional gestor de polticas culturais. Florianita Coelho Braga Campos (Pr-Reitora de Extenso da Unifesp e Profa. do Campus Baixada Santista) Comenta projeto pedaggico da Baixada Santista. Dos dois primeiros anos interdisciplinares, como bacharelados, e o momento da formao de especializao, que os alunos acabam se interessando mais. Lucio Gregori Fao a sugesto de incluso de aulas pblicas na rua, como forma de tirar a Universidade dos seus muros. Tive essa experincia com o MPL e o potencial enorme. Indagao: proposta que precisa tomar cuidado para no cair no romantismo. Vai de encontro ao establishment. Como incluir no currculo a geopoltica, no Brasil estamos beirando a guerra civil nas cidades e o curso talvez merea reflexo a respeito. Pedro Arantes Sobre o nome preliminar do Instituto, as crticas so bem vindas. Temos que acertar no nome, uma questo importante, inclusive para comear bem e claro para todos. Ele tem que ser compreensvel e coerente tanto para a academia quanto para a sociedade. Temos que evitar nomes hermticos, muito conceituais. Ana Martins j falou que Instituto algo que assusta. Cidade uma palavra que todos sabem o que , os movimentos lutam pelo direito cidade. Mas, de fato, hoje o tema a exploso-imploso das cidades, como diz o Lefebvre, e essa urbanizao sem urbanidade. A metropolizao mesmo uma questo chave. Mas queremos que o Instituto possa tambm tratar das outras formas de povoamento, que no s a grande cidade, mas a rede

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    22

    22

    de cidades mdias, as vilas rurais e ribeirinhas, quilombolas, aldeias indgenas etc. Por isso adotamos o nome que hoje internacionalmente reconhecido, desde o encontro da ONU na Habitat 76, de human settlements, assentamentos humanos. No so os homens que esto assentados como tijolos, mas sim suas relaes que se cristalizam em ambiente construdo, em fixao. Essa dialtica entre mobilidade e fixao tem que ser refletida, alm da relao urbano rural e suas hibridizaes, contaminaes recprocas, como disse a Ermnia, que alis tem um Laboratrio de Assentamentos Humanos na USP, ao tratar da agricultura urbana, da segurana alimentar nas franjas da cidade. Enfim, temos uma questo importante a discutir sobre o nome do Instituto. Para o Clio, queria reforar a pergunta sobre o lugar da Cultura. Ermnia falou da dissonncia do curso de Gesto Cultural na proposta pedaggica. Queria que Clio nos ajudasse a pensar se a Cultura poderia ser envolvida na formao do Instituto como eixo formador comum ou como curso independente. As demais disciplinas tm formao prtica mais comum, projetual, de definio de aes e estratgias territoriais, fsicas etc. Por fim, pediria a Maria Adlia para falar um pouco mais sobre a localizao da geografia nas reas de conhecimento da universidade, ora junto as humanidades ora junto a cincias da terra (como geologia, biologia etc). Respostas: Maria Adlia Para mim, Cidade local de reproduo do capital, lugar da morte, desespero. Cidade foi criada como finalidade em si. E assentamentos humanos, se nome da ONU, pior ainda, no temos que seguir ONU ou Banco Mundial. Pensei em nomes para o Instituto, que interdisciplinar. Um deles poderia ser Instituto de estudos estratgicos da metrpole. para tambm formar gente para agir. Instituto temtico tem que estar voltado para a ao e no para a teoria acadmica tradicional. Tem que ouvir todas as pessoas e injunes polticas. So Paulo precisa de quem saiba compreend-la e lidar com ela, observando a participao democrtica e descentralizao. No formato das aes acadmicas a gente tem que inovar. Na UNILA ns tivemos que considerar a diversidade latino-americana conjunto de seminrios de reflexo e ao cultural obrigatria para todas as formaes. Pergunta dos pais de alunos na UNILA: mas quando vocs vo dar engenharia para o meu filho?. Ele no pode ser um engenheiro qualquer. Ele tem que ser capaz de atender as demandas do continente americano. Itaipu queria engenheiros de grande estruturas. Nossos engenheiros tm que ser de microestruturas, atuar onde o povo est. Instituto da Unifesp pode fazer exemplificao a partir de cidades latino-americanas, como props o Fabio Barbosa na mesa da manh. O profissional que vocs formaro tem que ser um ativista, um especialista em mobilizao social. Tem que ter essa competncia e no s na base da prtica poltico-eleitoral, ele tem que ser um mobilizador. Alm do perfil voltado para problemas metropolitanos, no um gegrafo ou engenheiro qualquer. Ele tem que ser trabalhador de excelncia da metropolizao. esse o cara que o mundo inteiro est precisando. Se a gente formar esse profissional a gente vai ajudar muito. Geografia no Brasil uma porcaria, apesar de termos tido grandes gegrafos. Temos que mudar isso. Ns estudamos as tcnicas, o

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    23

    23

    mundo formal em que as pessoas existem, uma filosofia da tcnica. Ns somos das cincias humanas, quem sabe da histria fsica do planeta so os gelogos. Para uma disciplina nascer ela precisa ter um objeto real, imanente. O resto so tcnicas e funcionalizaes. O urbanismo para mim uma tcnica. O turismo uma funcionalizao, cabe no Senai e no no Ensino Superior. Uma disciplina precisa ter um objeto de estudo que ocorre na realidade concreto do planeta. Sobre o lugar da geografia, na UNILA eu consegui que ela fosse entendida como uma filosofia da tcnica. Explicar uma paisagem entender o porque das materialidades. A quem interessa X ou Y? Objetos, aes e intencionalidade. Milton Santos politiza o conceito de espao. Outro nome possvel: Instituto de estudos estratgicos da dinmica de uso dos lugares. Entendendo-se Lugar como espao do acontecer solidrio. Lugares so cimentados pela cultura, que no pode deixar de entrar na proposta, como afirma o Clio, mas tem que saber como. Tenho uma Biblioteca particular de 10 mil exemplares sobre desenvolvimento urbano. A Unicamp no quis. [Plateia se manifesta: ns queremos para a Unifesp! Maria Adlia ri e diz que precisamos negociar]. Comenta exposio no Pompidou, em Paris, sobre a vida na cidade, chamada Urbanidade, como viver bem na cidade das melhores dos ltimos tempos, deem uma olhada. Para responder ao Alberto, Jos Ortega y Gasset fala sobre a questo da tcnica, no como domnio das necessidades, mas de melhoria das condies de vida das pessoas, produto do trabalho humano que precisa ser socializado. Sobre o romantismo que o Lucio falou, eu chamo de utopia. S uma forte utopia pode fazer esse Instituto acontecer, como foi a origem da UNILA. Acredito que o mundo caminha, apesar de tudo, para o socialismo e que a histria est acelerada e avana rapidamente. Milton Santos falava da tomada do espao pblico pelos pobres, que ficaram a margem da volpia da tecnologia; quando esta chega a eles, eles fazem diferentes, como o hip hop faz. Por isso cada vez mais difcil enrolar o povo na poltica. Sociedade brasileira tem a coragem de tentar, mostrou isso no ano passado. Acredito no que o Milton falava de perodo popular da histria, nessa avalanche que vem a. Clio Turino Sobre o profissional cultural na proposta de vocs, eu sugeriria trocar a palavra gesto por mediao cultural. Deve ser um profissional capaz de interpretar seu entorno, e um mediador em polticas culturais. Talvez a valha a pena. E um mediador tambm como a Adlia falou, mediador das polticas participativas. Importante tambm no ser relegada a dimenso Arte. Arte acontece a partir do fazer, interpretar, sentir. Ver como apurar os sentidos. Um bom curso de mediao e polticas culturais incorporando um caldeiro de cultura. E a Zona Leste um caldeiro fabuloso para isso. Web TV, teatro em rede na AL (montagem do Quixote em 14 pases com o Pombas Urbanas etc). Vai se encontrar l muita coisa. H que ter esse curso para que ele transversalize tambm. Do contrrio vai ser difcil. Faz a crtica ao auditrio do seminrio, sem janelas, gasto energtico etc. Feito assim porque no h mediao cultural, no h sensibilidade coletiva.

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    24

    24

    Rosana Miranda Fala sobre seu doutorado na FAU USP sobre o bairro da Mooca, onde passou a infncia. Tinha na memria que fui muito feliz nos 9 anos que vivi l. O que aconteceu com a Mooca desde ento? Fala da histria do bairro e suas diferentes camadas histricas, da greve de 1917 s pequenas histrias. Os arquitetos tm que ter viso abrangente, no basta fazer o projetinho, tem que saber ler a paisagem. Tamanduate rio importante da histria da cidade, tem que destapar. Falta de espao para as creches, como vamos fazer? Na universidade vai ter creche? No d mais para trabalhar o conhecimento de forma fragmentada. Projeto de arquitetura no pode ser s objeto para ser admirado.

    Terceira mesa: Modelo de integrao interdisciplinar em Cidades: disciplinas de projetos, suas teorias e mtodos.

    Virginia Junqueira (mediadora. Graduada em Medicina pela UFMG e doutora em Cincias pela USP. Atualmente professora da UNIFESP, no Campus Baixada Santista, coordenadora do Eixo Comum Trabalho em Sade e atua principalmente nos seguintes temas: formao interdisciplinar para o trabalho em sade, planejamento e avaliao no Sistema nico de Sade, com nfase na investigao das desigualdades em sade) Estou feliz em estar neste seminrio e nesta mesa, que permite o dilogo com o projeto pedaggico da Baixada Santista, que tem nfase na questo da desigualdade social e polticas pblicas. Mas falarei disso ao final, passo a palavra aos convidados. Mauro Zilbovicius (Engenheiro, Professor-Doutor da Escola Politcnica - USP e Assessor do CNPq, da FAPESP e da CAPES. Foi Presidente da Fundao Vanzolini e Diretor da CET na Gesto Luiza Erundina. Foi coordenador do Projeto Pedaggico das Engenharias na Zona Leste, proposta de trs cursos superiores de engenharia em Universidade pblica municipal na Zona Leste, durante a gesto Marta Suplicy, no implantado) - Acho muito interessante a proposta do Instituto da Unifesp. Vou falar de como a experincia de formar engenheiros hoje. Resume seu histrico de professor h 21 anos na Poli. E tambm irei falar da proposta das engenharias na Zona Leste, da poca da prefeitura Marta Suplicy. O que tem que fazer parte da formao do engenheiro hoje em dia? Relao entre engenharia e cincia tema chave. O que a aplicao prtica da cincia na engenharia/tecnologia? Como deve ser aprendida? Mas vamos alm da definio corriqueira de que o engenheiro o cara que aplica cincia para fazer coisas. O que deveria caracterizar a aplicao de mtodos cientficos ou outra coisa? Estamos discutindo isso na reforma curricular da Poli USP tambm, da qual participo. Na definio corrente o engenheiro precisa ter como formao bsica as cincias. Mas engenharia s isso? Cincia bsica condio necessria, mas suficiente? Melhor maneira de formar um engenheiro no comear com essa formao. No comeo tem que vir o problema e no a cincia pura. O engenheiro tem que ter compromisso com

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    25

    25

    o problema e no com uma teoria a priori. Tem que saber ler/compreender o problema. Empresas de engenharia/consultoria hoje j tem a soluo antes do problema, no mximo adaptam e em geral adaptam o problema soluo, para ser vendida. Isso muito ruim. E tambm no pode vir a teoria antes do problema. Problema tem que ser o centro pedaggico. No quero com isso defender apenas a empiria, mas desenvolver a teoria a partir do problema. Comeamos com o problema, mas no paramos nele, evidentemente, tem histria, tem cincia (e no s as cincias duras, mas tambm as cincias humanas devem ser chamadas). A engenharia assim um ponto de vista a respeito do problema, e do mundo. Engenharia quando bem exercida identificar e resolver problemas e isso requer projeto. Projeto o modo de operar do engenheiro. A ele precisa saber onde est o conhecimento necessrio para resolver as situaes que ele no conhece. Situaes j resolvidas no so engenharia. Aqui entramos tambm no debate sobre inovao. Na prtica estou dizendo que no adianta ensinar clculo 1, 2, 3 e 4 se no tem prtica. Por que aprender clculo? Como juntar o clculo da integral tripla com um problema real? O aprendizado precisa estar ligado a um problema desde o comeo. Pedagogia da engenharia um debate em todo o mundo. Problema exige teoria, conhecimento e a capacidade de ligar coisas que no so evidentes. E fundamental a capacidade crtica. Todo engenheiro tem que ser crtico. Ele no pode estar satisfeito com a soluo j existente. muito fcil usar as solues velhas, que no resolvem, mas estabilizam a situao. Atual diretor da nossa Poli fala da dificuldade de formar engenheiros que podero atuar como engenheiros por 50 anos, qual deve ser o perfil? Para mim os elementos chave so estes: capacidade de formular os problemas e experimentar o tempo todo, ter capacidade emprica. Seria um engenheiro genrico, como disse ontem o Lucio Gregori? Quanto mais genrico melhor, mas no d para inventar sem um problema objetivo, circunscrito. Formar o mais genericamente possvel a partir da melhor formulao do problema. Por isso muito interessante a proposta de vocs da cidade ser tomada como o problema macro da formao, com srie de outros problemas interligados. O estudante vai se deparar com um problema complexo e mesmo depois pode trabalhar noutras reas. A capacidade de formular problemas e buscar solues vai ser bem treinada com a cidade, com esse engenheiro urbano. Ento ele vai ser engenheiro, antes de mais nada. Ele vai ser engenheiro urbano, mas tambm generalista. No vamos segmentar em engenheiros eltricos, mecnicos etc at isso j foi superado com a mecatrnica. No Brasil, a habilitao especializada fragmenta a viso do problema e impede a soluo correta. Os problemas no so s mecnicos ou eltricos, como no exemplo que dei. O estudante precisa ter formao em cincias sociais, porque ele vai ligar pessoas o tempo todo. Mas ele no vai sentar numa classe e ouvir aula convencional de cincias sociais, ele vai ter que relacionar a cincia social ao seu problema. Bom, meu tempo acabou, depois falo um pouco do curso das engenharias na Zona Leste, que era um curso cooperativo. Ricardo Moretti (Engenheiro, mestre em Engenharia de Solos pela Universidade de So Paulo e doutorado em Engenharia de Construo Civil e Urbana pela Universidade de So Paulo. Atualmente professor titular da Universidade Federal do ABC. Tem experincia na rea de

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    26

    26

    Planejamento Urbano e Regional, com nfase nos temas associados habitao de interesse social, saneamento, mobilidade, projetos urbanos e preveno de riscos) Vou organizar a fala em torno de duas perguntas: 1. como fazer melhor a integrao de saberes entre disciplinas, cursos, saber popular e academia. 2. Como ser eficiente no ensino da cincia e da teoria. Tenho formao de engenheiro e relao de amor e dio com a Poli USP. Detesto a formao de cincia e teoria que tive na Poli. No tinha conexo da teoria com problemas prticos para os alunos terem acesso. Um professor me deu poca a resposta vai estudando que depois voc vai entender para que que serve. No quero mais engolir contedo para depois saber do que serve. Concordo totalmente com a fala do Mauro e fiquei muito feliz com ela e com a reforma curricular que esto fazendo na Poli. A proposta do Instituto das Cidades da Unifesp muito feliz, vocs j propem o projeto pedaggico a partir da resoluo de problemas, como quer o Mauro. Quero defender aqui tambm a ideia de um Bacharelado Interdisciplinar em Cidades. Sei que vocs tm problema com seus Bacharelados e ns tambm. Os alunos odeiam o Bacharelado, como eu odiei o ciclo bsico da Poli. Mas o problema no est no Bacharelado, mas na forma como ainda se ensina cincias para os futuros engenheiros. Vamos ter que ensinar cincias, sem dvida, mas de outra forma. No d para ter professor tirano unidisciplinar reprovando 80% da turma, isso tortura. Na UFABC fizemos um grupo de solos em reas de risco baseado em resoluo do problema e pusemos o grupo, com algumas chaves, para desenvolver a soluo. Desenvolveram uma carta de susceptibilidade ao risco at um plano de comunicao social. O resultado foi impressionante. Vamos publicar um artigo relatando isso. Acredito piamente na Extenso Universitria, articulada com a pesquisa, como caminho para resolver o ensino de cincias aplicadas. necessrio uma extenso forte para fazer a graduao se integrar com problemas prticos e integrao de saberes com a populao. O que vocs e ns estamos tentando fazer na contramo do status quo. Querem hoje saber sua estratgia de cientometria, o que Ermnia falou da tirania Lattes. Como hipcrita! A gente fala em multi, inter, trans disciplinar mais depois voc medido por especialidade. Exemplo: um artigo meu est sete ano esperando para ser publicado sobre risco de desabastecimento de gua. Vejam o tema! E no publicam. Revista de saneamento achava que era tema de gesto de risco e vice versa. Proposta de vocs admirvel porque enfrenta isso, mas fiquem preparados para levar pancada. Fiquei f da proposta de residncia que vocs apresentam resumidamente no documento. No caso da engenharia de transportes, concordo com o Lucio Gregori, eu no criaria engenharia de transportes, mas engenharia civil com nfase e/ou residncia em transportes. O curso de Arquitetura poderia ter nfase em habitao tambm, estamos atrasados nisso, continuamos fazendo porcarias. Academia no se aproximou dos problemas populares como devia. nfase em habitao e mobilidade muito bem vindo, so temas importantes do Brasil de hoje. Erro da USP Leste foi fazer cursos que no existem. Tambm no proporia o curso de Gesto Cultural, dessa forma. Acho mais interessante um curso de Administrao Pblica com uma das nfases ou habilitaes em Polticas Culturais. E queria defender fortemente o Bacharelado Interdisciplinar, apesar das experincias dodas, o problema so as disciplinas. Um Bacharelado com outra cara. Tem que ter gente que ensina cincia

  • Servio Pblico Federal Ministrio da Educao

    Universidade Federal de So Paulo Pr-Reitoria de Graduao

    Rua Sena Madureira, 1500, 1 andar. CEP 04021-000. So Paulo-SP. Brasil. Tel: (55) 11 3385-4101. Site: http://www.unifesp.br/prograd/portal/

    27

    27

    querendo resolver problemas. Estatstica fantstica, mas a aula de estatstica insuportvel. Tem que rever, fazer aplicada. Os ortodoxos que vo para outro lugar. Um Bacharelado para o Instituto de vocs poderia ter o nome de Tecnologias e Polticas Urbanas ou simplesmente Bacharelado em Cidades que permitisse para o aluno uma formao bsica e articulada. Adiar a escolha sobre um curso especfico positivo. Aluno com 17 anos no tem condies de escolher a especialidade. Adiar um pouco essa escolha muito saudvel. Outro ponto polmico sobre curso noturno ou no. Pochman falou da tirania que feita para o jovem hoje que trabalha o dia inteiro e estuda de noite ele est sendo massacrado. Mas no possvel desconsiderar a necessidade desse curso noturno. Metade dos da UFABC so noturnos. So alunos excepcionais, tem que manter. Mas no defendo da forma como estamos fazendo. Diminuir o nmero de noites de aula. Se demorar um pouco mais, no tem problema, mas no d para ser como , um massacre. Quem vem fazer engenharia tem uma crena quase ingnua de que a tecnologia resolve tudo. Eu tenho me divertido desconstruindo isso. Tenho brincadeira de resolver o problema em trs ou quatro canetadas, como a questo da gua em So Paulo. O problema no tcnico, que a Sabesp distribui dividendos ao invs de investir. O prejuzo social enorme. um problema de poltica, de revolta, de comunicao. Dou exemplo tambm de transportes, com metade dos carros em So Paulo, reduziria pela metade o tempo de deslocamento em nibus, dobraria o nmero de usurios, resolveria o problema. O problema no tcnico, poltico, de comunicao social. Passo de vocs ousado, muito bem-vindo. Estou a disposio de ajudar nesse desafio. Manoel de Sousa Neto (Gegrafo pela Universidade Federal do Cear (UFC), Mestre e Doutor em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de So Paulo (USP). Foi professor da Universidade Federal do Cear (UFC) e da Universidade Federal da Paraba (UFPB). Atualmente Professor-Doutor da FFLCH USP. Atua principalmente nos seguintes temas: geografia, histria da geografia, geografia poltica e polticas pblicas) Sou filho de engenheiro civil, que trabalhava com estradas, na construo da Transamaznica. Nunca pensei em estudar engenharia mas no doutorado eu estudei a histria dos engenheiros no Imprio, como Andr Rebouas, negro, com as contradies daquele momento histrico. Aprendi que a engenharia nasceu toda ela como engenharia militar, de domnio territorial, estratgias de dominao. S depois ela se torna ci