QUALIFICAÇÃO MESTRADO - ABEn .Web viewConsiderações Iniciais “ Nada é tão difícil de fazer,

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QUALIFICAO MESTRADO

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Consideraes Iniciais

Nada to difcil de fazer, to perigoso de conduzir ou mais incerto em seus resultados do que tomar as rdeas para estabelecer uma nova ordem de coisas, por que aqueles que inovam tm por inimigos todos os que foram bem sucedidos no antigo estado de coisas e s encontram moderado apoio dos que podero ser beneficiados com a nova situao.

Maquiavel, em O Prncipe

1 - INTRODUO

Desde 1995 exero a profisso de Enfermeira assistencial em hospitais pblicos municipais do Rio de Janeiro, inicialmente em clnica mdica e pediatria.

No hospital em que atuava, acontecia duas vezes por ms, a troca de funcionrios entre os diferentes setores, o que era entendido pela gerncia de enfermagem como uma medida educativa e de treinamento dos enfermeiros, capacitando-os assim para atuar em qualquer setor do hospital.

Com tal medida foi possvel observar situaes de desgaste de alguns trabalhadores da equipe de enfermagem, dado que chegavam a um setor desconhecido, e por no estar familiarizado com as disposies inerentes daquele setor, muitas vezes ocorria demora para encontrar medicaes, materiais e outros insumos necessrios ao exerccio do trabalho e propiciando situaes de acidente e de stress.

Apesar de minhas observaes acabei sendo seduzida pelo bloco cirrgico e por ocasio do afastamento de uma das enfermeiras plantonista e diante da dificuldade de se conseguir um profissional para o mesmo, fui designada como enfermeira plantonista naquele setor.

Em 2000, terminando o curso de Especializao em Preveno e Controle de Infeces Hospitalares, na Universidade Gama Filho (UGF), fui convidada a atuar nesta rea. E nessa atuao efetiva, como enfermeira da Comisso de Controle de Infeco Hospitalar (CCIH), tornaram-se evidentes para mim, questes que sempre me despertaram interesses como manuseio de materiais prfuro cortantes, contato com microorganismos, movimentos repetitivos e a manipulao de agentes fsicos e qumicos, as que esto expostos os trabalhadores de enfermagem.

Sendo uma das tarefas especficas do enfermeiro de CCIH, alm da vigilncia epidemiolgica, a elaborao de normas e rotinas para procedimentos hospitalares; iniciei nessa ocasio, uma observao de situaes que no meu entender, poderiam possibilitar acidentes para os profissionais e pacientes como: lminas introduzidas em locais irregulares, reencapamento de agulhas, agulha introduzida em colches das camas dos pacientes, agulhas introduzidas em frasco de soros para que haja melhor fluxo de gotejamento e ao trmino deste, ao lixo vai o frasco vazio de soro juntamente com a agulha.

A colocao de cartazes, informativos epidemiolgicos e a educao continuada alertando sobre os riscos com prfuro cortantes parece no diminuir a ocorrncia de acidente de acordo com dados apresentados pela Secretaria Municipal de Sade do Rio de Janeiro (SMS/RJ), que iniciou um sistema de Vigilncia de Acidentes Ocupacionais com material biolgico em servio de sade de 1997 a 2001, onde a estimativas desses acidentes se encontravam crescente.

Diante das situaes observadas e mencionadas, despertou-me o interesse a investigar a ocorrncia de acidentes com material prfuro cortante em profissionais de enfermagem. Tendo a Vigilncia da SMS/RJ, apontado como categoria profissional com maior nmero de notificaes em acidentes com prfuro cortantes equipe de enfermagem com 39.8%.

Segundo Rapparini, (2005) a preocupao com riscos biolgicos surgiu a partir das ocorrncias dos agravos de sade em profissionais de laboratrio, onde se dava a manipulao de microorganismos e material clnico desde o incio dos anos 40; embora haja relatos em varias literaturas antigas de cientistas que contraram enfermidades em experincias, realizadas por eles na busca de medicaes e curas.

Desta forma, somente a partir da epidemia da AIDS nos anos 80, com o melhor estabelecimento das normas envolvendo questes de segurana no trabalho de profissionais de sade, foi possvel o entendimento ao risco a que estes profissionais esto exposto, por se tratar de uma doena de impacto mundial; consequentemente obtendo informaes necessrias ao desenvolvimento de medidas de segurana na prtica do exerccio de enfermagem, entre outros.

O HIV vrus da imunodeficincia humana, que causa a sndrome adquirida da imunodeficincia humana (AIDS), infeco que acomete os glbulos brancos do sangue, destruindo as defesas naturais do organismo humano, e que foi reconhecida como entidade nosolgica em 1981, e que representa estgio clnico final da infeco pelo HIV, tem o homem como o nico reservatrio conhecido. O vrus foi isolado no sangue, fluido seminal, secrees vaginais, urina, lquor, saliva, lgrima e leite; para que o vrus do HIV cause infeco necessria a transmisso parenteral, contato com mucosa ou leses de pele. (FERNANDES, 2000)

O HBV (hepatite B) uma doena subaguda com ictercia, anorexia e nuseas; transmitida de pessoa a pessoa atravs de sangue, fluidos e secrees, especialmente se foram picadas por agulhas ou outro material contaminado (MARTINS, 2001)

O HBV em sangue seco pode se manter contaminante por at sete dias. (SANTOS, 2000)

A exposio ao sangue, fluidos e secrees que possam estar infectados com vrus associados transmisso hematognica, atravs de uma leso percutnea ou pelo contato com mucosa uma situao que apresenta risco de transmisso viral e requerem avaliao e acompanhamento. Em relao ao HIV e Hepatite B, a exposio a agulhas ocas contendo sangue ou instrumentos com sangue sugere um risco maior de contaminao.

A taxa de soroconverso ps-exposio ocupacional por ferimento percutneo tem variado entre 0,1 e 0,4% sendo maior em funo do tamanho do inculo, da durao do contato e da extenso do ferimento. A literatura internacional registra cerca de 55 casos, confirmados at 1999, decorrente de exposio ocupacional em trabalhadores de sade, em decorrncia de acidentes perfurocortantes com agulhas ou material cirrgico contaminado, manipulao, acondicionamento ou emprego de sangue ou de seus derivados e contato com materiais provenientes de pacientes infectados.

Assim, em determinados trabalhadores, a doena pelo vrus da imunodeficincia humana (HIV) pode ser considerada como doena relacionada ao trabalho, do grupo I da classificao de Schilling, posto que as circunstncias ocupacionais da exposio ao vrus so acidentais ou ocorrem em condies especficas de trabalho, se bem documentados e excludos outros fatores de risco. (CID-10 B20 e B24) (BRASIL, 2001)

O nmero de contatos com sangue, incluindo exposies percutneas e mucosa, varia de acordo com a categoria profissional, atividades desenvolvidas e setor de atuao deste profissional. Cirurgio, Odontologos, equipe de Enfermagem, Higienizadores (servio de limpeza) e demais profissionais que atuam nas emergncias podem ser relacionados como profissionais de alto risco de exposio a material biolgico.

tambm relevante a exposio de estudantes e estagirios em fase de treinamento, principalmente quando no h treinamento adequado nos cursos de formao tcnica ou profissional sobre as formas de preveno as exposies a material biolgico.

Em minha experincia profissional, venho observando vrias situaes que esto relacionadas ocorrncia de acidentes sejam eles quais forem, desde ao prprio meio onde ele ocorre, at fatores emocionais que envolvem situaes de frustrao, negao do risco, receio de adquirir doenas, preconceitos por colegas e sensao de perda, fatores que acredito, podem interferir na falta de motivao para notificao.

Alguns desconhecem o que fazer ao se acidentar, o que pode contribuir para subnotificao e outros por terem algum conhecimento apresentam um nvel de tenso muitas vezes difcil de ser contornado.

Geralmente este nvel de tenso est relacionado preocupao com as possveis conseqncias, diante da possibilidade de que possa estar infectado ou que exista o risco para soro-converso de hepatite ou HIV, principalmente quando confirmado o acidente ocorrido de paciente com sorologia positiva para HIV/AIDS

Com isso, crescem a insegurana, o temor e as reaes do profissional que pode apresentar comportamento de indignao com o ocorrido, com o exerccio profissional e ao afastamento do trabalho por no mais se sentir em condies psicolgicas para desenvolver suas atividades assistenciais. Estas reaes, geralmente influem nas aes da equipe profissional que sofre abalo na segurana e em relao ao Cuidar.

Estima-se que o caso de contaminao pelo HIV em todo o mundo por acidente de trabalho com material prfuro cortante seja de 70% de casos comprovados e destes 43% dos provveis que envolveram a categoria de enfermagem e de profissionais de laboratrio. (RAPPARINI, 2005)

Desta forma o acidente por material prfuro cortante me sugeriu a busca de conhecimentos e reviso constante de procedimentos que possam elevar as alteraes nas atividades realizadas pelos profissionais de sade, como um todo, buscando a reduo da probabilidade da exposio a material biolgico, no que se refere aos cuidados especficos com material prfuro cortante.

Considerando os diferentes manuais e as normas que tm por diretriz orientar os profissionais de sade na preveno de acidentes de trabalho, questiona-se porque os profissionais de enfermagem ainda se acidentam com materiais prfuro cortantes?

Entendendo que os custos psico-sociais, econmicos que sempre acompanham os acidentes e principalmente os biolgicos so imensurveis e qualquer ao que possa evitar, ou diminuir o risco exposio, deve ser priorizada em qualquer instituio. Em lugar onde se estuda, investiga, trata, previne doenas, no deveriam ser encontradas situaes limites de risco a sade, integridade e vida.

1.1- Foco de investigao

O hospital um local de trabalho bastante complexo, que a