PROGRAMA: MOZART CONCERT ARIAS

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MOZART CONCERT ARIAS UN MOTO DI GIOIA Anne Teresa De Keersmaeker coreografia ∙ Anne Teresa De Keersmaeker e Jean-Luc Ducourt conceito ∙ W.A.Mozart música ∙ Herman Sorgeloos cenário ∙ Rudy Sabounghi figurinos ∙ Anne Teresa De Keersmaeker desenho de luz Eduarda Melo, Kamelia Kader, Carla Caramujo sopranos ∙ João Paulo Santos pianoforte ∙ Divino Sospiro interpretação musical ∙ Massimo Mazzeo direcção musical Árias de concerto KV78/ KV272/ KV383/ KV418/ KV505/ KV528/ KV578/ KV579/ KV582/ KV583, Divertimenti, Cassatione. Mais informações: http://www.cnb.pt/gca/?id=1115

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  • DIREO ARTSTICALUSA TAVEIRA

    MOZARTCONCERTARIAS

    UN MOTO DI GIOIA

  • MOZARTCONCERT ARIAS

    Abrildias 24, 26 e 29 (dia mundial da dana)s 21hdia 27 s 16h

    Maiodias 2, 3, 9 e 10s 21hdia 4 s 16h

    Escolas8 de maio s 15h

    Eduarda MeloKamelia KaderCarla Caramujosopranos

    Joo Paulo Santospianoforte

    DIVINO SOSPIROMassimo Mazzeodireo musical

    Anne TeresaDe Keersmaekercoreografia

    Anne TeresaDe Keersmaekere Jean-Luc Ducourtconceito

    W. A. Mozartmsica

    Herman Sorgelooscenrio

    Rudy Sabounghifigurinos

    Anne TeresaDe Keersmaekerdesenho de luz

    Estreia mundial

    ROSAS, Festival dAvignon,

    Frana, 30 de julho de 1992UN MOTO DI GIOIA

    rias de concerto

    Un moto di gioia K.579 (piano)

    Cassation in B dur: menuet 2 K.99/63

    Vado ma dove? Oh Dei! K.583

    Cassation in B dur: allegro 1 K.99/63

    Ah, Lo previdi K.272

    Cassation in B dur: andante K.99/63

    Vado, ma dove? Oh Dei! K.583

    Serenade in c moll: andante K.388

    Cassation in B dur: menuet 1 K.99/63

    Chi s, chi s, qual sia K.582

    Serenade in c moll: menuet K.388

    Un moto di gioia K.579 (piano)

    Cassation in B dur: allegro 2/marche

    K.99/63

    Per piet, bellidol mio K.78/73

    Cassation in B dur: andante 2 K.99/63

    Alma grande e nobil core K.578

    Rondo fr Klavier in a moll K.511

    Bella mia fiamma, addio K.528

    Gigue fr Klavier in G dur K.574

    Vorrei spiegarvi, oh Dio! K.418

    Chio mi scordi di te? K.505

    Serenade in c moll: allegro final K.388

    Un moto di gioia K.579

    Nehmt meinen Dank K.383

    Jakub Truszkoswski; Johanne Saunier; Marion Levy;

    Moya Michael; Igor Shyshko; Nordine Benchorf;

    Kosi Hidama; Samantha Van Wissen; Taka Shamoto;

    Vincent Dunoyer

    ensaiadores Companhia Rosas

    Rui Alexandre

    ensaiador CNB

  • A FUNDAO EDP

    MECENAS PRINCIPAL DA COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

    E MECENAS EXCLUSIVO DA DIGRESSO NACIONAL

  • Chio mi scordi di te? K.505, uma das mais clebres rias de concerto de Mozart, se no mesmo a mais clebre, sublimada por vozes como as de Elizabeth Schwarzkopf, Victoria de Los Angeles, Teresa Bergan-za e tutte quante. Chio mi scordi di te? Que eu me esquecesse de ti?. Que eu me esquecesse de Mozart/Concert Arias?!Era uma daquelas noites magnficas com o cu pro-venal, no Festival de Avignon, em Julho de 1992, e no mais nobre dos espaos, aquele chamado de Cour dHonneur do Palcio dos Papas, abriam as alas para a dana e a msica de Mozart, para Anne Teresa De Keersmaeker e a Companhia Rosas e tambm a Or-chestre des Champs Elyses de Philippe Herreweghe e trs cantoras, que ento eram Charlotte Margiono, Isolde Siebert e Janet Williams. Mozart/Keersmaeker, associao inusitada? Sim, ela criou por exemplo Once um solo sobre msica de Joan Baez, como muitas obras com partituras de composi-tores contemporneos, Ligeti, Steve Reich ou, muito recentemente, George Benjamin, mas tambm Bee-thoven ou Webern. E acaso no nos nos recordaremos ainda de uma das suas primeiras obras apresentadas em Lisboa, em 1989, Ottone, Ottone, sobre Linconoro-nazione di Poppea de Monteverdi?Ela o disse, justamente na altura da criao de Concert Arias: Para mim a questo decisiva permanece sem-

    pre a mesma: Que movimentos para que msica?, e a parte mais importante do trabalho a de encontrar e depois desenvolver o vocabulrio gestual adequado obra que abordo. Ora, desde que se busca mais que uma adequao superficial e decorativa entre a msica e dana, desde que a msica no mais um simples suporte prtico mais ou menos indiferente aos movi-mentos que acompanha, encontramo-nos necessaria-mente confrontados com a questo do sentido. Subli-nhe-se confrontados com a questo do sentido.No caso limite de Ottone, Ottone, Lincoronazione di Poppea de Monteverdi definia mesmo um quadro dra-mtico-narrativo. No presente trabalho, foi necessrio um trabalho de recomposio, escolhendo no vasto re-portrio de rias de concerto de Mozart umas quantas. Peas de concerto, as rias de Mozart no deixam de ser tambm pequenos dramas; a escolha, alis, incide sobre algumas que enunciam situaes de angstia, amor, perplexidade e fria. So obras de exibio e virtuosidade, obras de aparncias sob as quais existe o drama.A escolha recaiu basicamente nalgumas das escritas para Aloysia Weber (e sabe-se quantas das rias es-critas por Wolfgang Amadeus para ela eram tambm declaraes de amor, antes de se vir a casar com Cons-tanze Weber, prima da outra) e Nancy Storace, para vozes de soprano, rias como Un moto di gioia, Ah, lo previdi, o citado Ch io mi scordio di te?, Alma grande e nobil core ou Vado, ma dove?, acrescentando-se ainda algumas peas instrumentais.Com admirvel compreenso do sentido lato, da at-mosfera definida pela msica, da sensualidade sob o jogo galante, Keersmaeker engendrou um despique dos sexos, uma maurivaudage em que afloram as estrat-gias libertinas das contemporneas Ligaes Perigosas de Laclos, num espao elptico e soalho de parquet como num salo de baile, de galanteios e sedues, com os movimentos femininos mais repetitivos, fr-mitos, convulses do corpo de que as vozes nas rias

    MOZART/CONCERT ARIAS A. M. Seabra, Texto do programa de sala do teatro municipal S. Luiz para o espetculo Mozart/Concert Arias, 2006

  • eram o contraponto transcendente, com o movimento masculino tendendo ao alto, como num salto de tram-polim, o feminino ao baixo, ao arrastamento pelo cho.Referncias e passos clssicos? Mas teria mais tarde Anne Teresa De Keersmaeker aceite o repto de Jorge Salavisa e vir Companhia Nacional de Bailado cons-truir The Lisbon Piece se acaso no conhecesse tambm e soubesse como apreciar o vocabulrio clssico? As li-nhas e posturas clssicas e quantas vezes neste caso a sua abordagem a um tempo ldica, a outro irnica no afloram em vrias outras das suas coreografias? E no coexistem elas tambm com estruturas repetitivas e austeras, por vezes at exausto, ou com a amplitu-de dos movimentos, em expanso e confronto, ou essas reconhecivelmente predilectas delineaes em espiral, em figuras libertas de enquadramentos fixos, plenas de intensidade, at ao arrebatamento e ao desabamento?Sem um suporte dramtico que o unifique, o espectcu-lo poderia supr-se vulnervel e longo. Mas essa vulne-rabilidade faz-lhe tambm o encanto, na compreenso da msica e na liberdade de movimento para com ela; na referncia histrica a um classicismo nos brocados dos figurinos que vo passando de uns a outros (sob as roupas, a hiptese da pele) e na contemporaneida-de afirmada. Anne Teresa De Keersmaeker, e tambm Jean-Luc Ducourt, co-autor da concepo e creditado como encenador, construiram assim uma dramaturgia, oh quo mozartiana!Chio mi scordi di te? Que eu me esquecesse de ti?, a memria na voz, a memria em cada corpo, que sendo com Mozart ser uma esttica do prazer que tambm tratado das paixes da alma, e que sendo com Anne Teresa De Keersmaeker antologia das pulses e arre-batamentos fsicos.

    Em setembro de 1989, Ottone, Ottone terminava a sua carreira no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundao Gulbenkian. Havia afinal um ltimo momento, uma derradeira oportunidade para ver repetir os gestos que pareciam ter sido feitos para a eternidade, como su-posto a arte fazer. Ao dramatismo da despedida, Lisboa emprestava o cenrio extraordinrio daquele espao de apresentao. Ao qual se juntava o entusiasmo de uma gerao de espetadores incapaz de resistir ao ann-cio que aquela pea de Anne Teresa De Keersmaeker (ATDK) fazia, no tempo relativamente diferido que medeia as criaes e a sua apresentao ao pblico: aprendamos que a dana era o territrio de todas as coisas possveis, no por ela ser em si permissiva sem medida, ou porque os nossos critrios carecessem de limites razoveis, mas porque as frmulas de inveno que naquela altura ainda se descobriam continham em si a surpresa do mundo. Naqueles anos, e com espetculos como Ottone, Otto-ne, Lisboa entrava na gerao certa, a gerao inter-nacional do seu prprio tempo. Recuperava com algum custo o flego entre os pratos sofisticados que lhe es-tavam a ser servidos ao ritmo dos ciclos de dana con-tempornea das temporadas anuais do Acarte, interca-lados pelo patrimnio entretanto acumulado em quatro edies dos Encontros Acarte (os primeiros decorreram em 1986). Num desses ciclos, Ottone, Ottone chegava

    REVER UM OLHAR CONTEMPORNEO Cristina Peres, Abril, 2014

    Texto no redigido segundo o novo Acordo Ortogrfico.

  • ao fim de dois anos de digresso e despedia-se para sobreviver em suporte de filme realizado por Walter Verdin e ATDK. Fumiyo Ikeda, uma das bailarinas mais icnicas das Rosas e que fizera parte da construo da sua imagem desde a sua fundao, danava naquela noite tambm pela ltima vez com a companhia. Ottone, Ottone estreara em 1988, criada a partir da pera de Claudio Monteverdi LIncorazione do Poppea (1643), pea musical improvvel de ver includa notop tendo reportrio musical de dana daqueles anos. Ou no. Determinante mesmo era o facto de ser uma obra que avisava quem por ali se demorasse que, a partir de ento, muita coisa poderia comear a andar para trs. Ou para o lado. Com aquela pea, a dana contempo-rnea (europeia) bem que poderia pensar ela prpria que ali se terminava um resumo daquilo que fora ex-perimentado no sculo. E que era aquilo tudo a que ela se propunha.A razo pela qual Ottone, Ottone me parece servir como luva introduo de Mozart/Concert Arias (1992) vem do resduo de poca que a pea coreogrfica tem e que, como todas as criaes de ATDK, decorre da estrutura musical. A sua dana sempre procurou um movimento para uma msica, como atesta o comentrio feito pela coregrafa na fase inicial de criao desta pea, em 1992, citado no programa do S. Luiz Teatro Municipal, quando ela ali foi apresentada, em dezembro de 2006: Para mim, a questo chave sempre a mesma: Que movimentos par