ParaBaixar_Manualhortaurbana

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  • 1. I. CLASSIFICAO DAS HORTALIAS Helen Elisa C. R Bevilacqua
  • 2. 2 Capitulo I - Classificao das hortalias OLERICULTURA O termo OLERICULTURA derivado do latim: olus (=hortalia) e cole- re (=cultivar) e, portanto, utilizado para designar o cultivo de certas plantas de consistncia herbcea, geralmente de ciclo curto e tratos culturais intensivos, cujas partes comestveis so diretamente utiliza- das na alimentao humana, sem exigir industrializao prvia. As hortalias tambm so denominadas por cultura olercea e so popularmente conhecidas como verduras e legumes. A olericultura no sinnimo de horticultura, sendo este ltimo mais abrangente, referindo-se produo de uma grande diversidade de cul- turas comestveis ou ornamentais, como a fruticultura (cultura de fru- teiras variadas), a cultura de cogumelos comestveis, a jardinocultura (produo de plantas ornamentais), o cultivo de plantas bulbosas (como a tulipa), o cultivo de plantas medicinais, o cultivo de plantas condi- mentares e a produo de mudas diversas (viveiricultura). Segundo a Sociedade Brasileira de Olericultura do Brasil, alm das verduras e legumes por ns conhecidos, devem ser includas entre as culturas olerceas, a melancia, o melo, o morango, a batata-doce, a batatinha, o inhame, a mandioquinha-salsa, entre outras. CARACTERSTICAS DAS HORTALIAS Como caracterstica mais marcante, temos o carter intensivo, quan- to utilizao do solo, aos tratos culturais, mo-de-obra e aos insu- mos agrcolas modernos (sementes, defensivos e adubos qumicos). Em- pregam-se esses insumos em quantias elevadas por rea cultivada. Em contrapartida, possibilita altas rendas lquidas por rea cultivada. O olericultor o tipo de empresrio rural que obtm os maiores lu- cros por unidade de rea explorada em relao aos demais agricultores ou criadores. Isto porque, na maioria dos casos, o ciclo cultural das hortalias bem mais curto, comparando-se com as demais culturas. Como exemplo: em um ano, num mesmo terreno, pode-se utilizar para 3 culturas de tomate transplantados, ou 6 culturas de alface transplan- tadas ou 12 culturas de rabanete plantados diretamente. O ciclo das hortalias normalmente de 3 a 6 meses, com exceo do aspargo (que perene) ou do chuchu (semi-perene). Como as reas so menores, podemos aprimorar os tratos culturais que so intensivos, podendo-se utilizar a polinizao manual, fumiga- o dos canteiros, produo de mudas em recipientes, raleamento dos frutos, adubao foliar, etc. Com isso, utilizam-se, de modo intensivo, a mo-de-obra e a terra. Pela sua alta rentabilidade fsica e econmica, a olericultura permite o aproveitamento de terrenos de baixa fertilidade natural, cuja utiliza- o seria antieconmica para outras culturas. EXPANSO DA OLERICULTURA Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os ndios que aqui viviam alimentavam-se com a mandioca, vrios tipos de feijes e favas, jeri- mum ou moranga, batata-doce, beldroega, tomilho, maxixe, caruru, amendoim e vrias espcies de pimenta. Na Europa, j era tradio agrcola e hbito dos portugueses, o cultivo de hortas, pois a base da alimentao eram os vegetais cozidos, em forma de caldos. Aqui no Brasil, para garantir a produo dessas hortalias, os portugueses cria- ram os cintures verdes (reas de cultivo ao redor das cidades), em Olinda, Salvador, Rio de Janeiro e So Paulo, nos quais, alm de hortas, tambm implantaram pomares, criavam galinhas e produziam mel. Ado- taram a mandioca e cultivavam os temperos (coentro, cominho, horte- l, manjerico ou alfavaca, salsa, cebola, alho, poejo), couve, nabo, pepino, cenoura, alface, espinafre e berinjela. A outra influncia decisiva na agricultura e na alimentao brasileira veio com os africanos que chegaram ao Brasil a partir de 1539 e manti- nham os seus roadinhos ao redor da senzala, onde plantavam quia- bo, vinagreira, inhame, erva-doce, melancia, gergelim, aafro e vrios tipos de pimenta. Embora tenha surgido dessas trs influncias, o brasileiro no se dis- tingiu como um grande consumidor de hortalias. A partir do comeo do sculo XVII, as hortalias pouco a pouco passaram categoria de mistura, ou um complemento eventual, mas a preferncia era pelas carnes de gado, de peixe e de caa, muito abundantes e baratas naque- la poca e pelo feijo. Houve um aumento do consumo de saladas pelos ricos que tinham acesso Corte Imperial, com a chegada do Prncipe Regente Dom Joo,
  • 3. 3 Capitulo I - Classificao das hortalias em 1808, que trouxe o costume da Frana. Contudo, a camada mais pobre da populao no tinha o costume de comer as hortalias, somen- te consumindo alguns temperos. Pequenas mudanas ocorreram no final do sculo, com a chegada dos imigrantes italianos, alemes e nrdicos, que no abriam mo de seus hbitos alimentares aqui no Brasil, aumentando o consumo de batata (entre os alemes) e do tomate (entre os italianos) hortalias curiosa- mente de origem sul-americana. A contribuio mais significativa para a incorporao do hbito de consumo de hortalias pelos brasileiros ocorreu com a chegada dos imi- grantes japoneses, a partir de 1908. Depois de trabalharem nas grandes fazendas de caf, instalaram-se em pequenas propriedades ao redor da cidade de So Paulo, formando o cinturo verde. Produziam em larga escala e com tcnicas modernas, as culturas hortcolas j conhecidas no pas e outras que eles mesmos trouxeram, como a couve-chinesa, a cou- ve-rbano, o espinafre, a bardana, o rabanete, o repolho, a mostarda, o broto de bambu e o broto de feijo. O aumento da urbanizao provocou um aumento do preo das terras prximas s cidades e da demanda de alimentos, gerando a necessidade de se aprimorar a produo das hortalias, com a melhoria da tecnolo- gia utilizada e aumento da produtividade. Com isso, a olericultura saiu das proximidades das cidades, indo para locais com melhores condies ecolgicas (de solo e clima), ou de maior convenincia econmica (cus- to de utilizao da terra e da gua). Assim, a horta evoluiu para a olericultura empresarial, atendendo a demanda e exigncia dos consu- midores, tanto no aspecto da qualidade dos produtos, quanto ao sabor e riqueza em vitaminas e minerais. No entanto, interessante notar que o nvel de consumo das hortali- as relaciona-se com a renda pessoal, o grau de escolaridade e a cultura geral da populao de um pas. Na dcada de 1940, surgiu a Revoluo Verde, onde devido deman- da crescente de alimentos, o cultivo era feito com a utilizao dos pa- cotes tecnolgicos surgido no ps-guerra mundial (com as grandes so- bras de material de guerra das indstrias qumica e mecnica), que in- cluam o uso da mecanizao agrcola, de sementes hbridas seleciona- das, adubos qumicos e agrotxicos para garantir o aumento da produti- vidade. Esses pacotes tecnolgicos chegaram a partir da dcada de 1960 no Brasil, com o apoio de polticas agrcolas de crdito rural e de cen- tros e rgos de pesquisa e extenso rural (como a EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecurias e EMATER Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural) que foram criados para a adequao de novas variedades de produtos hortcolas nossa realidade de clima e solo e para auxiliar o produtor na utilizao dos novos insumos (adubos qumi- cos, herbicidas, fungicidas, inseticidas, etc.). Na dcada de 1970 foram implantadas as primeiras CEASAs (Centrais de Abastecimento S.A.) beneficiando a produo, com a comercializa- o sendo racionalizada num nico local. A dcada de 1980 considerada importante para a olericultura brasi- leira, com o lanamento de cultivares de hortalias adaptadas s mais diversas condies climticas do territrio nacional, graas s ativida- des da pesquisa oficial. Foi nessa poca tambm, que a qualidade dos alimentos passa a ser considerada como fator de segurana alimentar e nutricional - j no basta produzir em quantidade suficiente para abas- tecer a populao e viabilizar as condies de acesso ao alimento, mas tambm promover e manter a sade do homem. Com a chegada da dcada de 1990, aprofunda-se a crise ambiental no mundo, havendo um grande questionamento sobre a influncia da soci- edade capitalista na natureza e tambm sobre a sustentabilidade do modelo de explorao dos recursos naturais at ento utilizados. Na ltima dcada acentuou-se a implantao do sistema de cultivo protegido em estufas e a hidroponia. Em 1996, na Conferncia da Alimentao realizada em Roma, a FAO (Organizao das Naes Unidas para Agricultura e Alimentao) reco- nhece o fracasso da Revoluo Verde e o surgimento de uma Nova Revo- luo Verde (ou Alternativa). Alm disso, movimentos internacionais que apontavam falhas na proposta qumica, comearam a propor solues para uma melhor convivncia com os recursos naturais, criando siste- mas de produo baseados em modelos que combatem a degradao do meio ambiente e o esgotamento dos recursos naturais, garantindo ali- mento e sade tanto para a atual, quanto para as futuras geraes. Nas Conferncias das Naes Unidas sobre o Meio Ambiente e o De- senvolvimento, realizadas em 1972, 1982 e em 1992 (esta ltima no Rio de Janeiro, conhecida como ECO-92 ou Rio-92), tornaram-se visveis os danos causados pela agricultura convencional (onde o objetivo principal o aumento da produo), mostrando que a agricultura era a fonte difusa de poluio no planeta, causado, sobretudo, pelo uso excessivo
  • 4. 4 Capitulo I - Classificao das hortalias de inseticidas. Com isso, buscou-se uma agricultura menos dependente dos insumos qumicos, onde se quer conciliar as necessidades econmi- cas e sociais da populao humana, com a preservao da base natural do planeta, ou seja, o desenvolvimento sustentvel. Os mtodos