Os portos na origem dos centros urbanos

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Contributo para a arqueologia das cidades marítimas e flúvio-marítimas em Portugal TRABALHOS DE ARQUEOLOGIA Maria Luísa B. H. Pinheiro Blot

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  • 1. T R A B A L H O S D E A R Q U E O L O G I A 2 8 M a r i a L u s a B . H . P i n h e i r o B l o t Os portos na origem dos centros urbanos Contributo para a arqueologia das cidades martimas e flvio-martimas em Portugal
  • 2. TRABALHOS DE ARQUEOLOGIA; 28 COORDENAO EDITORIAL Antnio Marques de Faria DESIGN GRFICO TVM Designers PR-IMPRESSO E IMPRESSO Grfica Maiadouro TIRAGEM 500 exemplares Depsito Legal 189234/02 ISSN 0871-25 ISBN 972-8662-11-4 Instituto Portugus de Arqueologia LISBOA 2003 O Instituto Portugus de Arqueologia respeita os originais dos textos que lhe so enviados pelos autores, no sendo, assim, responsvel pelas opinies expressas nos mesmos, bem como por eventuais plgios, cpias ou quaisquer outros elementos que de alguma forma possam prejudicar terceiros.
  • 3. Ao Jean-Yves, a meus Pais, aos navegantes em demanda de um porto
  • 4. Agradecimentos Agradecemos em primeiro lugar Professora, e Directora do Mestrado em Arqueologia da Universidade do Minho, Doutora Maria Manuela Martins, bem como aos restantes Professores do mesmo Mestrado, Doutora Manuela Delgado, Doutora Maria da Conceio Falco, Doutor Francisco Sande Lemos, Doutor Jos Meireles. A todos o nosso agradeci- mento pelos saberes transmitidos e pelos momentos das aulas em cujo ambiente fomos con- cebendo o tema que hoje aqui apresentamos. Agradecemos especialmente ao Doutor Francisco Sande Lemos, o facto de ter aceite a orientao do presente estudo, bem como as mltiplas e preciosas sugestes que no s vieram desvendar alguns caminhos, como per- mitiram que este trabalho atingisse as propores com que o apresentamos. Ao mesmo Professor e orientador agradecemos a minuciosa reviso do texto, assim como todas as cor- reces, sempre oportunas e esclarecedoras. A Jean-Yves Blot, a nossa gratido pela genero- sa e permanente disponibilidade na partilha dos conhecimentos e do mtodo. A Augusto Pinheiro agradecemos a preciosa ajuda na organizao do texto. Doutora Cristina Bernardes, a nossa gratido pela documentao transmitida, indispensvel compreenso dos processos de transformao do litoral portugus. Agradecemos aos Drs. A. M. Dias Diogo, P. A. Pirazzoli, Fernando Real e J. Beleza Moreira, as preciosas sugestes, a docu- mentao e as informaes generosamente cedidas; Dra. Isabel de Luna agradecemos as facilidades concedidas na reproduo de documentos. Ao Eng.o Jos Farrajota e ao Sr. Joo da Bernarda agradecemos a gentileza e a disponibilidade com que cederam documentos e informaes da maior utilidade para este trabalho. Fica igualmente expresso o nosso agra- decimento pela generosidade com que os amigos Lus Falco da Fonseca, Cndida Simplcio, Jorge de Almeida Carvalho, Joo Pedro Vaz nos comunicaram a documentao de que dis- punham e cuja consulta contribuiu para o desenvolvimento deste estudo, e ainda o oportu- no auxlio do amigo Mrio Jorge Almeida, na fase de finalizao do trabalho. A Tiago Fraga e a Paulo Jorge Rodrigues agradecemos o generoso apoio numa das fases finais do trabalho. Ao Instituto Portugus de Arqueologia fica igualmente expresso o nosso agradecimento pela oportunidade concedida para a presente publicao. Um ltimo agradecimento Dra. Margarida Farrajota e ao Dr. Francisco Alves pelas facilidades por ambos concedidas durante a fase de concluso deste trabalho.
  • 5. ndice NOTA PRVIA 13 PREMBULO 15 INTRODUO Portos e centros urbanos 19 Os condicionalismos geogrficos e a continuidade 19 das funes porturias O estudo da formao dos centros urbanos do litoral e fluviais 23 Objectivos do presente estudo 23 1. A PROBLEMTICA 1.1. A gua: da barreira natural ao novo terreno 27 de investigao arqueolgica 1.2. Arqueologia Terrestre e Arqueologia do Meio Aqutico 27 A complementaridade dos estudos realizados 27 1.3. Arqueosstios porturios: processos de continuidade 29 e de mudana 1.3.1. Continuidade: exemplos 29 1.3.2. Descontinuidade. Acessibilidade e declnio das actividades 29 porturias. Exemplos 1.3.3. Casos em que houve um factor locativo determinante (a centralidade) 30 Criao ex-novo (a partir de factores locativos estveis) 31 1.4. O passado do homem relacionado com o meio aqutico 31 Dois espaos fsicos: gua e terra 31 Circulao aqutica e pontos de apoio 32 Um canal de circulao privilegiado 33 1.5. O locus portugus ideal 34
  • 6. 2. DINMICA LITORAL, NAVEGAO E MODELOS DE PORTOS (FUNDAMENTOS TERICOS) 2.1. Geomorfologia costeira 37 2.1.1. Evoluo dinmica do litoral e actividades antrpicas 37 2.1.2. Movimentos tectnicos e sismotectnicos 44 2.1.3. A importncia das mars 47 2.2. Os abrigos naturais esquematizados por N. Flemming 47 Uma adaptao dos esquemas costa de Portugal 47 2.3. Navios e Transportes 51 2.3.1. O Navio 51 2.3.2.Os custos do transporte 51 2.4. Os Portos 54 2.4.1.O fenmeno porturio. Portos e complexos porturios 54 2.4.2.Navegabilidade, segurana costeira e hierarquizao 56 dos enclaves costeiros 2.4.3.A Proto-Histria. Poemas homricos, navegao e arqueologia 59 A Idade do Bronze e a navegao 2.5. Centros urbanos. Conceitos utilizados 61 3. MTODOS PARA O ESTUDO ARQUEOLGICO DA NAVEGABILIDADE E DA FORMAO DOS PORTOS 3.1. Pesquisa 65 3.1.1. Pesquisa bibliogrfica genrica 65 3.1.2. Pesquisa bibliogrfica de estudos arqueolgicos da vertente 65 terrestre, do meio aqutico e outros estudos 3.2. Anlise da bibliografia recenseada 66 3.2.1. Geomorfologia costeira 66 3.2.2. Geografia histrica 66 3.2.3. Arqueologia referente a zonas costeiras 66 3.2.4.Arqueologia do meio aqutico 67 3.2.5. Cartografia 67 3.2.6.Iconografia 68 3.3. Anlise crtica 68 3.4. Cronologia 69 3.5. Organizao de um catlogo 69
  • 7. 4. ANLISE DOS DADOS DISPONVEIS 4.1. Navegabilidade antiga no Ocidente da Pennsula Ibrica 73 4.1.1. Atlntico e Mediterrneo. Paralelos e diferenas 73 4.1.2.Paleoclima e circulao ocenica 74 4.1.3. Contactos mediterrnicos e rios navegveis 75 4.1.4.A Idade do Ferro e os centros pr-urbanos do Sudoeste peninsular 79 4.1.5. Achados submarinos de pocas pr-romana e romana 80 4.1.6.A navegabilidade dos rios no litoral atlntico ibrico segundo 82 o testemunho de Estrabo 4.2. Portos 83 4.2.1.Do porto ao espao urbano 83 4.2.2.Stios porturios romanos na Europa ocidental 87 Importncia das embarcaes fluviais nos espaos porturios 4.3. Anlise do territrio portugus 94 4.3.1. Navegao, construo naval e utilizao dos litorais 94 4.4. O litoral portugus: descrio 102 Contributo dos achados em meio subaqutico 102 4.4.1. Panorama diacrnico dos enclaves costeiros do litoral portugus 107 4.5. Esboo dos antigos complexos porturios do territrio 124 portugus e sua subsistncia 4.6. Povoamento litoral e sublitoral 125 A via romana norte-sul e as cidades fluvio-martimas 125 4.7. Proposta de uma cronologia 126 5. CONSIDERAES FINAIS 5.1.1. O porto e os elementos (equipamentos) porturios 137 5.1.2. As opes possveis no litoral atlntico 138 5.1.3. O binmio porturio 138 5.1.4. Os vestgios arqueolgicos do lodo dos esturios e dos ambientes 140 lagunares. Estruturas porturias desconhecidas e a possvel utilizao de madeira na sua construo 5.1.5. Possveis funes porturias dos villae e vici 141 5.1.6. Recursos naturais: minerao, pesca e salinicultura 141 5.1.7. Antiguidade de uma escolha geogrfica 142 5.1.8 O traado do itinerrio XVI 142
  • 8. 5.2. Paleolitoral e alteraes costeiras 145 5.3. A formao das cidades do litoral portugus: indicadores 146 arqueolgicos e histricos das suas funes porturias 6. CATLOGO Nota Introdutria 155 Complexos porturios de Portugal 159 I. Complexo porturio do Rio Minho 162 Caminha 162 II. Complexo porturio do Rio Lima 166 Viana do Castelo 166 III. Complexo porturio do Rio Cvado 172 Esposende 172 Braga 174 IV. Complexo porturio do Rio Ave 180 Vila do Conde 182 V. Complexo porturio do Rio Douro 187 Porto 188 VI. Complexo porturio da Ria de Aveiro 197 Aveiro 197 VII. Complexo porturio do Baixo Mondego 204 Figueira da Foz 204 Coimbra 210 VIII. Complexo porturio da Lagoa da Pederneira 212 Alcobaa 213 IX. Complexo porturio da Lagoa de Alfeizero 217 Alfeizero 217 X. Complexo porturio da Costa da Estremadura 219 bidos 220 Atouguia da Baleia 223 Peniche 225 Lourinh 231 Torres Vedras 232
  • 9. XI. Complexo porturio do Rio Tejo 235 Lisboa 237 Almada 246 Sacavm 247 Povos / Vila Franca de Xira 248 Santarm 251 Constncia 254 Abrantes 255 Tomar 257 XII. Complexo porturio do Esturio do Rio Sado 259 Setbal 260 Alccer do Sal 264 XIII. Complexo porturio da Costa Alentejana 269 Sines 270 XIV. Complexo porturio do Barlavento Algarvio 272 (XIVa. Complexo porturio do Rio Arade) Lagos 274 Portimo 276 Silves 282 Loul 285 XV. Complexo porturio do Sotavento Algarvio 289 Faro 289 Tavira 295 XVI. Complexo porturio do curso inferior e do Esturio 298 do Rio Guadiana Castro Marim 298 Mrtola 301 7. RESUMO/RSUM 307 8. BIBLIOGRAFIA 317
  • 10. 13 NOTA PRVIA Nota prvia O trabalho que apresentamos nasceu do interesse por dois fenmenos: a evoluo da paisagem e, em estreita ligao com a mudana, a adaptao humana a essa evoluo, nomeadamente no que concerne a possibilidade de acesso por via aqutica. No estudo dessa mesma adaptao, que se operou mediante o recurso a uma dupla navegao, fluvial e ocenica, observmos a configurao de um paleolitoral permissivo no que concerne os contactos longnquos, ou seja, navegaes de longo curso. As