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1 O USO LÚDICO DO SOFTWARE GEOGEBRA NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA DA SEDF Cleia Alves Nogueira 1 Mestranda do PPGE da Universidade de Brasília [email protected] Resumo Este artigo apresenta um recorte de minha pesquisa de mestrado, de natureza qualitativa, sobre a formação continuada de um grupo de dez professores de Matemática, dos anos finais e ensino médio, da rede pública de ensino do DF. O estudo foi realizado durante o curso “Aprendendo Matemática com o Software GeoGebra (AMSG)”, ofertado pelo Núcleo de Tecnologia Educacional de Ceilândia (NTE), em parceria com a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais em Educação (EAPE). O curso foi ministrado no ano de 2013, na modalidade à distância, com suporte do ambiente virtual de aprendizagem Moodle. A pesquisa buscou identificar as influências das atividades lúdicas realizadas durante o curso, nas percepções de um grupo de dez professores cursitas, para o ensino da Geometria, com o suporte do computador como ferramenta pedagógica. Concluímos que os professores pesquisados se identificaram com as atividades lúdicas e ficaram mais motivados para realizá-las, tornando-se mais confiantes na resolução dos desafios propostos. Apesar do pouco conhecimento técnico do software e sem contato direto com o tutor do curso, por se trata de uma experiência de formação continuada à distância, os cursistas realizaram as atividades com êxito e relataram a importância do lúdico no processo ensino e aprendizagem da Geometria. Palavras-Chave: Tecnologia. Lúdico. Formação continuada. 1 Professora de Matemática da SEDF há 15 anos e 9 anos como coordenadora de Núcleos de Tecnologia Educacional (Proinfo/NTE) no Distrito Federal, trabalhando na formação de professores e gestores para utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como ferramentas pedagógicas. Integrante do grupo de pesquisa “Aprendizagem Lúdica: Pesquisa e Intervenções em Educação e Desporto”, CNPq/UnB.

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O USO LÚDICO DO SOFTWARE GEOGEBRA NA FORMAÇÃO CONTINUADA

DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA DA SEDF

Cleia Alves Nogueira1 Mestranda do PPGE da Universidade de Brasília

[email protected]

Resumo

Este artigo apresenta um recorte de minha pesquisa de mestrado, de natureza qualitativa,

sobre a formação continuada de um grupo de dez professores de Matemática, dos anos

finais e ensino médio, da rede pública de ensino do DF. O estudo foi realizado durante o

curso “Aprendendo Matemática com o Software GeoGebra (AMSG)”, ofertado pelo

Núcleo de Tecnologia Educacional de Ceilândia (NTE), em parceria com a Escola de

Aperfeiçoamento dos Profissionais em Educação (EAPE). O curso foi ministrado no ano

de 2013, na modalidade à distância, com suporte do ambiente virtual de aprendizagem

Moodle. A pesquisa buscou identificar as influências das atividades lúdicas realizadas

durante o curso, nas percepções de um grupo de dez professores cursitas, para o ensino da

Geometria, com o suporte do computador como ferramenta pedagógica. Concluímos que

os professores pesquisados se identificaram com as atividades lúdicas e ficaram mais

motivados para realizá-las, tornando-se mais confiantes na resolução dos desafios

propostos. Apesar do pouco conhecimento técnico do software e sem contato direto com o

tutor do curso, por se trata de uma experiência de formação continuada à distância, os

cursistas realizaram as atividades com êxito e relataram a importância do lúdico no

processo ensino e aprendizagem da Geometria.

Palavras-Chave: Tecnologia. Lúdico. Formação continuada.

1 Professora de Matemática da SEDF há 15 anos e 9 anos como coordenadora de Núcleos de Tecnologia Educacional (Proinfo/NTE) no Distrito Federal, trabalhando na formação de professores e gestores para utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como ferramentas pedagógicas. Integrante do grupo de pesquisa “Aprendizagem Lúdica: Pesquisa e Intervenções em Educação e Desporto”, CNPq/UnB.

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1. Justificativa

A formação continuada do professor de Matemática é um grande desafio nos dias de

hoje, pois sabemos que a formação inicial, sozinha, não consegue prepará-lo para lidar

diretamente com seus alunos em sala de aula.

Devido a lacuna existente entre a formação inicial e a inserção deste professor em sala

de aula, a formação continuada tem um importante papel para a formação pedagógica e

prática deste profissional, portanto, é necessário que seja bem planejada e apresente novas

práticas, com o objetivo de levá-lo a desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível,

tornando o aprendizado de seus alunos mais significativo e prazeroso.

Com o avanço tecnológico e a inserção de várias tecnologias dentro do espaço escolar,

os agentes educacionais não podem ficar alheios a esta realidade e, sendo assim, é necessário

que se ofereça aos docentes capacitações para utilização destes recursos de modo a enriquecer

sua prática pedagógica, podendo tornar os alunos mais interessados e suas aulas mais dinâmicas,

dentro do contexto vivenciado por estas turmas.

Diante disso, este trabalho propõe o uso lúdico do software Geogebra2, num curso de

formação continuada para professores de Matemática do Distrito Federal, para o ensino da

Geometria, por acreditar na importância deste conteúdo e na necessidade de busca constante

de atualização dos profissionais que trabalham com o ensino desta disciplina.

2. Objetivos

Identificar as percepções de um grupo de dez professores de Matemática da SEDF,

sobre as atividades lúdicas realizadas durante o curso “Aprendendo Matemática com o

Software GeoGebra” e a motivação para aplicação do que foi aprendido, nos laboratórios de

informática de suas respectivas escolas.

2 “GeoGebra é um aplicativo de matemática dinâmica que combina conceitos de geometria e álgebra em uma única GUI. Sua distribuição é livre, nos termos da GNU General Public License, e é escrito em linguagem Java, o que lhe permite estar disponível em várias plataformas.”

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3. Discussão Teórica

3.1 Ensino da Geometria nos dias atuais e sua importância para a formação do ser humano

Segundo pesquisas de Lorenzato (1995), Pavanello (1989), Passos (2000) e Pereira

(2001) a Geometria continua sendo pouco estudada nas escolas públicas brasileiras. Os

motivos para tal fato são justificados por falta de espaço na grade escolar, excesso de

conteúdos para determinadas séries, falta de conhecimento deste conteúdo pelo professor e

outros.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), [...] é importante que a Matemática desempenhe, equilibrada e indissociavelmente, seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio dedutivo do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares (BRASIL, 1997, p. 25).

É de nosso conhecimento que a Geometria é um conteúdo de grande importância para

a formação do ser humano, uma vez que ela auxilia na ativação das estruturas mentais, de

maneira a tornar o processo de passagens dos dados concretos vivenciados para os abstratos

com mais facilidade segundo Fainguelernt (1995), e por fazer parte de nosso dia a dia,

tornando-se um tema relevante, uma vez que, é encontrada em tudo que nos cerca.

Segundo Lorenzato (1995, p. 5):

A necessidade do ensino de geometria, pelo fato de que um indivíduo sem este conteúdo, nunca poderia desenvolver o pensar geométrico, ou ainda, o raciocínio visual, além de não conseguir resolver situações da vida que forem geometrizadas. E ainda não poderão se utilizar à geometria como facilitadora para compreensão e resolução de questões de outras áreas do conhecimento humano.

Diante disto podemos dizer que o ensino da Geometria é de grande relevância para

formação de nossos alunos, necessitando de uma discussão mais aprofundada, com toda

comunidade escolar, sobre o assunto e as melhores estratégias para que este conteúdo possa

ser trabalhado em sala de aula.

Paralelamente a esta discussão é necessário que se repense numa formação continuada

do professor de matemática para o ensino deste conteúdo, buscando os recursos disponíveis a

este profissional, de maneira a torná-lo mais significativo e prazeroso para seus alunos e

motivando-os para seu estudo com qualidade.

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3.2 O programa Proinfo e a formação de professores para o uso do computador como

ferramenta pedagógica

O Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo), criado em 1997, pelo

Ministério da Educação (MEC), por meio da portaria nº 522, teve como intuito promover nas

escolas públicas do País, o uso das tecnologias disponibilizadas naqueles espaços, como

ferramenta pedagógica.

Em 2007, mediante a criação do decreto nº 6.300, o Proinfo passou a ser conhecido

por Programa Nacional de Tecnologia Educacional, incluindo neste momento, o uso das

tecnologias de informação e comunicação, no fazer pedagógico de nossas escolas.

Para realização do programa, o Proinfo conta com os Núcleos de Tecnologia

Educacional (NTE), que são responsáveis pela formação de professores e gestores para o uso

destes recursos e suporte técnico dos equipamentos das escolas.

No Distrito Federal, existem 14 NTE, um por regional, sendo que a maioria é dotada

de infraestrutura física para realização das formações.

As equipes dos núcleos são formadas por professores da rede de ensino, especialistas

em tecnologia de hardware e software, que trabalham ministrando cursos, realizando oficinas

e suporte pedagógico e técnico às escolas de sua abrangência.

O NTE Ceilândia ministra todos os cursos repassados pelo Proinfo e pela SEDF, e tem

autonomia para criação de novos cursos, de acordo com a demanda da região ou da

disponibilidade e formação dos profissionais do núcleo. Desde o ano de 2011 este núcleo

oferta o curso para formação de professores de Matemática para o uso do software Geogebra

como ferramenta pedagógica no ensino da Geometria, chamado de “Aprendendo Matemática

com o software Geogebra”. Na edição de 2013 o curso foi ministrado com uma carga de 120

horas, na modalidade à distância, com o suporte da plataforma virtual e aprendizagem

Moodle.

3.3 Formação continuada do professor de Matemática para o uso do computador como ferramenta pedagógica

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), (1997, p.35) assinalam que o

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computador “[...] é apontado como um instrumento que traz versáteis possibilidades ao

processo ensino-aprendizagem de Matemática [...]” e propõem que: Recursos didáticos como jogos, livros, vídeos, calculadoras, computadores e outros materiais têm um papel importante no processo de ensino e aprendizagem. Contudo, eles precisam estar integrados a situações que levem ao exercício da análise e da reflexão, em última instância, a base da atividade matemática (BRASIL, 1997, p. 19).

Com base nesta proposta trazemos Papert (2008), que destaca as duas principais

abordagens para o uso deste equipamento, sendo estas, a instrucionista e a outra

construcionista. Segundo Papert (2008), na abordagem instrucionista, o professor informa

para os alunos os passos e comandos de como resolver dado problema, ou seja, estes recebem

o direcionamento do caminho a seguir e como fazer para atingir o objetivo, tomando para si

uma atitude passiva e, na abordagem construcionista, o aluno constrói seu próprio caminho,

podendo voltar para rever seu percurso sempre que desejar e refazê-lo, caso seja necessário.

Na abordagem construcionista, é dada ao aluno mais autonomia para resolução do

problema, podendo percorrer o caminho que achar mais conveniente no momento,

questionando os resultados encontrados e fazendo mudança de rota sempre que for necessário.

Nessa abordagem, Papert (2008) defende que o aprendiz constrói algo, ou seja, o aluno é

submetido a “colocar a mão na massa”.

Diante destas abordagens, fica clara a necessidade de capacitar o professor para

utilizar o computador como ferramenta, de modo a torná-la um suporte construcionista para o

seu fazer pedagógico, tornando o aluno um ser ativo em busca da construção de seu próprio

conhecimento. A inovação no trabalho docente pode ser constatada não pelo uso puro e simples do computador em seu cotidiano, mas a partir do momento em que esses equipamentos alteram de forma significativa o olhar do docente diante do seu trabalho, suas concepções de educação, seus modelos de ensino e aprendizagem etc (ARRUDA, 2004, p.68).

Kenski (2007, p.43), também ressalta a importância do computador na formação do

professor para utilização das novas tecnologias: Não basta adquirir a máquina, é preciso aprender a utilizá-la, a descobrir as melhores maneiras de obter da máquina auxílio nas necessidades de seu usuário. É preciso buscar informações, realizar cursos, pedir ajuda aos mais experientes, enfim, utilizar os mais diferentes meios para aprender a se relacionar com a inovação e ir além, começar a criar novas formas de uso e daí, gerar outras utilizações. Essas novas aprendizagens, quando colocadas em prática, reorientam todos os nossos processos de descobertas, relações, valores e comportamentos.

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Cumpre ainda enfatizar que os cursos de formação precisam atender esta demanda que

segundo Miskulin (2006, p. 159) “busca caracterizar um novo educador.” Faz-se necessário refletir sobre uma nova dimensão no processo de formação de professores, uma dimensão que concebe o “aprender fazendo”, ou seja, que concebe a ação educativa com um processo em construção, no qual os futuros professores serão aprendizes e construtores de sua própria formação.

A partir deste tipo de formação pretende-se oportunizar ao professor maior segurança

para utilizar o computador como ferramenta pedagógica, auxiliando-o no processo de ensino

deste conteúdo.

3.4 O uso lúdico do software Geogebra como ferramenta pedagógica para o ensino da

Matemática

O computador é uma importante ferramenta tecnológica, que pode despertar em alunos

e professores o desejo da descoberta, se utilizada de uma maneira contextualizada e

significativa. Para tanto é necessário que este equipamento seja utilizado associado a

programas e/ou aplicativos que permitam aos seus usuários possíveis descobertas e reflexões

sobre as mesmas.

Alguns softwares de computadores trazem consigo atividades que levam a seus

usuários resolverem problemas sem muitas reflexões, como alguns softwares fechados. Por

outro lado, existem programas que permitem a construção das respostas, baseadas em

conhecimento prévio e reflexões de seus usuários. Alguns exemplos destes programas são o

Kturle e o GeoGebra, que além de serem softwares livres3, encontram-se disponíveis em todos

os laboratórios de informática das escolas públicas do DF.

Além de uma abordagem construcionista para utilização destes programas o professor

pode ainda, revesti-los de ludicidade, tornando este momento mais prazeroso para seu aluno,

uma vez que o lúdico pode proporcionar um aprendizado mais significativo em vários

momentos de nossa vida.

3 [...] são programas de computadores onde os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software. <http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html>, acesso em 23 de abr. 2014.

 

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A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (SANTOS, 1997, p. 12).

Bartholo (2001, p.92), um importante estudioso desta área, nos traz também a importância do lúdico em todas as fases da vida do ser humano, afirmando que:

O lúdico e o criativo são elementos constituintes do homem que conduzem o viver para formas mais plenas de realização; são, portanto, indispensáveis para uma vida produtiva e saudável, do ponto de vista da auto-afirmação do homem como sujeito, ser único, singular, mas que prescinde dos outros homens para se realizar, como ser social e cultural, formas imanentes à vida humana.

Com atividades lúdicas no computador o professor poderá vivenciar momentos ricos

de aprendizados e trocas de experiências, que no futuro poderão ser repassadas para seus

alunos com os mesmos objetivos, desenvolvendo competências e habilidades para

compreensão dos conceitos matemáticos estudados em sala de aula.

4. Metodologia

A pesquisa realizada teve cunho qualitativo com o objetivo de identificar as

percepções de um grupo de professores de Matemática, participantes do curso de formação

continuada, “Aprendendo Matemática com o software GeoGebra”, em relação as atividades

lúdicas realizadas durante o curso.

Foram selecionados para este estudo 10 professores do quadro efetivo da rede de

ensino, que realizaram todas as atividades solicitadas durante a formação.

A pesquisadora foi a responsável pela formação, uma vez que era a única

multiplicadora do núcleo de tecnologia, com licenciatura em Matemática, e pelo fato do curso

ter sido ofertado devido a grande demanda de professores interessados em formação

continuada para utilização do computador como uma ferramenta pedagógica, no ensino da

Geometria, pois a maioria das escolas do DF possuem ambientes informatizados disponíveis

para uso.

O curso AMSG foi ministrado no segundo semestre de 2013, na modalidade à

distância, permitindo maior interação da pesquisadora/formadora com seus cursistas e entre os

próprios cursistas, já que o ambiente virtual pode favorecer este tipo de interação, por meio de

seu chat, fóruns e espaço para mensagens individuais, atingindo inclusive, um número maior

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de professores interessados por esta formação.

O curso teve seu início com dois encontros presenciais, seguidos de nove semanas

com atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), Moodle4. Finalizando as nove

semanas os professores escolheram uma das construções estudadas durante o curso, para

aplicação com seus alunos, nos laboratórios de informática. Logo após estas aplicações, nas

escolas, os professores participaram de dois encontros presenciais, e finais, para

compartilhamento de suas ações e reflexões sobre a aplicação do software Geogebra em suas

respectivas escolas.

No ambiente virtual de aprendizagem Moodle os cursistas encontraram, como material

didático de apoio, vídeos com o passo a passo de cada construção realizada durante o curso no

formato de tutoriais e textos sobre o uso de tecnologias educacionais. Os cursistas assistiram aos

vídeos e logo após refizeram as construções, criando uma nova construção, segundo a orientação

da tarefa solicitada.

A análise dos dados realizada neste recorte tomou como base as participações dos

cursistas nos fóruns de discussões e as tarefas realizadas no decorrer do curso.

4.1 Conteúdos abordados no curso AMSG

Semana 01 - Construção de polígonos e figuras compostas por polígonos

Semana 02 - Calcular e medir comprimentos, áreas e ângulos.

Semana 03 - Função afim e quadrática: análise de sinal, crescibilidade e concavidade;

Semana 04 - Estudo do Protocolo de construção do GeoGebra

Semana 05 - Trigonometria e Relações Métricas no triângulo retângulo;

Semana 06 - Teorema de Pitágoras e Lei dos senos e cossenos;

Semana 07 - Relações métricas na circunferência. Linguagem LateX;

Semana 08 - Construção do Círculo Trigonométrico;

Semana 09 - Pontos Notáveis no triângulo e Razão, ponto, retângulo e espiral áurea;

5. Resultados

5.1 Atividade “Construindo nossa primeira casinha no Geogebra” Figura 1

4 Moodle é um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), gratuito e disponibilizado pela EAPE/GEAD, por meio da SEDF.

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Fonte: Curso AMSG

Figura 2

Fonte: Curso AMSG

Figura 3

Fonte: Curso AMSG

Nesta atividade os professores/cursistas ficaram livres para desenharem sua primeira

casinha no Geogebra, logo depois da construção das figuras quadrado, retângulo e triângulo.

Dos 10 professores/cursitas pesquisados, apenas um, teve dificuldade na construção por ter

poucas habilidades com o manuseio do computador.

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5.2 Construindo a bandeira do Brasil com o software Geogebra

Figura 4

Fonte: Curso AMSG Figura 5

Fonte: Curso AMSG

Os professores/cursitas não apresentaram dificuldades na realização desta atividade

(construção da bandeira nacional, exceto a faixa, estrelas e o texto “Ordem e Progresso) e, por

mais que não fosse objetivo da formadora, que eles incluíssem na construção as estrelas e a

faixa da bandeira, se sentiram desafiados e motivados para realizá-lo. Dos 10 pesquisados

apenas 2 não tentaram finalizar a construção. Os demais fizeram de diversas formas, incluindo

a Figura 4, onde não se tentou nada e a figura 5, onde o professor/cursista foi além,

construindo inclusive as estrelas com o próprio programa e conceitos geométricos.

5.3 Construindo e animando um catavento com o software Geogebra Figura 6

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Fonte: Curso AMSG

Figura 7

Fonte: Curso AMSG

Na atividade de construção e animação do catavento os professores/cursistas,

“brincaram” muito e ficaram maravilhados com a ferramenta animação. A descoberta

transformou os cursistas em crianças no parque de diversão. Dos 10 pesquisados, 4 ficaram

apenas na construção do catavento básico. Os demais tentaram novas apresentações, como

hélices de aviões, cataventos com um número menor ou maior de faces, parques eólicos com

cataventos e até roda gigante.

5.4 Algumas reflexões, no fórum de discussão, sobre as atividades lúdicas com o Geogebra, realizadas no curso AMSG

Professor A – “Nesta primeira semana não senti muitas dificuldades em resolver as atividades

propostas. Adorei utilizar o programa e fiquei horas brincando de fazer construções.”

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(Atividade da casa)

Professor B – “Refiz várias vezes cada construção. Achei que foi mais um passatempo do que

uma tarefa para o curso, de tanto que eu gostei!!!!”. (Atividade Figuras Planas)

Professor C – “É um software espetacular, fácil de utilização, com muitos recursos, além de

ser free. Excelente para a utilização em aulas no laboratório de informática. Fiquei brincando

muito este final de semana com o Geogebra”. (Atividade Bandeira)

Professor D – “Foi uma excelente tarefa, demorei muito nesta construção, principalmente na

faixa branca e nas estrelas, mas foi um desafio prazeroso, mesmo não dando conta de colocar

a frase ORDEM E PROGRESSO (corretamente). Também tive dificuldades na coloração da

bandeira, mas fui mexendo e deu certo. As estrelas ficaram o dobro do que deveria, pois as

construir em circunferências cujo raio seria o diâmetro. Mas como já havia feito, deixei assim

mesmo (na literatura diz que as estrelas de 1ª grandeza devem ser construídas em círculos

cujo diâmetro seria 0,3 módulos e utilizei 0,3 módulos de raio). Assim, como já havia dito

uma excelente atividade lúdica totalmente impregnada de conceitos de matemática através do

software [...] Mas adorei esta brincadeira, aprendendo”.

Professor E – “O cata-vento foi incrível! Adorei! Me senti uma criancinha diante do resultado da animação!”

Professor F – “A construção do catavento foi incrível e a animação o torna mais atrativo

ainda! Perfeito para ensinar os alunos.”

Professor G – “Quanto ao catavento, jamais conseguiria construí-lo sozinho. Achei muito

massa, e muito interessante a animação.”

Professor H – “Nossa que construção mais legal a do catavento!!! A animação é o máximo!”

5.5 Indicações para o uso do Geogebra nos laboratórios de informática, após o término

do curso AMSG

Professor B – “Estou empolgado em aplicar esses conceitos em projeto que trabalho com

alguns alunos de minha escola. Seria de uma utilidade imensa e para o aperfeiçoamento desse

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conceito aprendido em sala de aula, utilizado até o ensino superior”.

Professora D – “Tem sido um experiência muito rica essas construções e não vejo a hora de

colocá-las em prática com os meus alunos.”

Professora F – “Trabalhar a matemática de uma forma diferente é gratificante. Confesso que

tive dificuldade, mais agora qualquer tempo livre que tenho corro pro GeoGebra, estou muito

curiosa, e feliz por termos mais uma ferramenta pra ensinarmos matemática, principalmente

geometria e desenvolver o raciocínio de nossos alunos. e claro, o meu também.”

Ressaltamos que os demais professores/cursitas indicaram, inicialmente, o uso do

programa com apoio de um data show, em sala de aula, pelo fato de suas escolas não terem

um profissional responsável pelo laboratório de informática, dificultando o acesso àquele

espaço.

5.6 Descobertas ao final do curso “Aprendendo Matemática com o Software Geogebra”

Figura 8 Figura 9

Fonte: Curso AMSG

A Figura 8 e a Figura 9 são construções livres, realizadas pelos professores/cursitas ao

final do curso. Cada cursita recebeu o protocolo de construção da bicicleta e um passo a passo

da construção de uma roda, com animação, no GeoGebra. Foram convidados a interpretar o

protocolo e realizar a construção por meio deste roteiro. Recebemos três construções de

bicicleta, uma roda e a construção de uma roda gigante. Os demais cursistas não deram

retorno e não informaram se tentaram ou não realizar a construção.

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Acreditamos que o fato do curso ter finalizado no mesmo período de encerramento de

bimestre e fechamento de notas, dificultou que os professores/cursistas tentassem resolver os

desafios finais.

6. Considerações Finais

Considerando as participações nos fóruns de discussão e as atividades realizadas pelos

professores/cursistas, percebemos que o uso de atividades lúdicas com o software Geogebra

despertou nos mesmos a vontade de realizá-las e de descobrir cada vez mais, possibilidades

em relação as construções, mesmo para aqueles que nunca tiveram contato com o programa.

Diante destes resultados, podemos afirmar que, em se tratando da formação

continuada, a experiência com as atividades lúdicas realizadas com este programa,

proporcionou resultados importantes para futuras investigações e reflexões, pois entendemos

que o lúdico faz parte da vida do ser humano desde a mais tenra idade e, sendo adulto, ainda

necessita desta ludicidade, como importante dimensão capaz de auxiliar estes professores no

seu processo de aprendizagem e motivá-los para transformarem a sua prática pedagógica,

inserindo em suas ações o uso do computador, como uma ferramenta, capaz de tornar o

processo de aprendizagem de seus alunos mais lúdico, criativo e contextualizado, uma vez

que, a maioria dos alunos já faz parte da geração “nativo digital”, ou seja, já nasceram

inseridos neste mundo rodeado por tecnologias e sentem-se a vontade para utilizar estes

recursos em seu dia a dia de maneira dinâmica, prazerosa e, porque não dizer, divertida.

7. Referências

ARRUDA, E. Ciberprofessor: novas tecnologias, ensino e trabalho docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. BARTHOLO, Márcia Fernandes. O lazer numa perspectiva lúdica e criativa. In: Cinergis, Santa Cruz do Sul. v.2, n.1, p. 89-99, jan/jun, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática. Brasília, MEC/SEF, 1997.

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FAINGUELERNT, Estela Kaufman. O ensino de geometria no 1º e 2º Graus. In: Educação Matemática em Revista – SBEM 4, p. 45–52, 1995.

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologia e tempo docente – Campinas, SP: Papirus – Coleção Papirus Educação, 2013.

LORENZATO, Sergio. Por que não ensinar Geometria? In: Educação Matemática em Revista – SBEM 4, p. 3-13, 1995.

MISKULIN, Rosana Giaretta Sguerra. As potencialidades didático-pedagógicas de um laboratório em educação matemática mediado pelas TICs na formação de professores. In: LORENZATO, Sergio (Org.). O laboratório de ensino de matemática na formação de professores. Campinas, SP: Autores Associados, p. 153-158, 2006.

PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática; tradução Sandra Costa. ed. rev. Porto Alegre: Artmed. 2008.

PASSOS, C.L. Representações, Interpretações e Prática Pedagógica: a Geometria na Sala de Aula. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação de Educação. Tese de Doutorado. Campinas, 2000.

PAVANELLO, Maria Regina. O abandono do Ensino de Geometria: uma visão histórica. Campinas, UNICAMP. Dissertação de Mestrado, 1989.

PEREIRA, Maria Regina de Oliveira. A geometria escolar: uma análise dos estudos sobre o abandono de seu ensino. 2001. 84f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Católica de São Paulo (PUC), São Paulo, 2001.

Site Pesquisado

O Sistema Operacional GNU <http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html>, acesso em 23 de abr. 2014. Wikipédia – GeoGebra < http://pt.wikipedia.org/wiki/Geogebra>, acesso em 21 de abr. 2014.