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Música na Idade Média Um pouca da História da Música Religiosa Com a expansão da religião cristã pela Europa ocidental, a música foi uma forma de elevar a Alma Humana e aproximá-la de Deus. Por isso, o nascimento e desenvolvimento da música ocidental está intimamente ligada à Música Religiosa. O Canto Gregoriano pode ser visto como a forma musical mais antiga e cantada ao longo dos sé- culos (até aos nossos dias). Tem origem nos cânticos judaicos e nos cânticos dos primeiros cristãos de Jerusalém e Antioquia. O Canto Gregoriano é um canto monódico (a uma voz), já que os instrumentos foram proibidos na igreja até finais da Idade Média (à excepção do órgão, que era tolerado). Da música grega, foram trazidos os Mo- dos cuja Melodia se baseia agora em sete sons. As escalas (sucessão dos sons) passam-se a ler da nota mais grave para a mais aguda, existindo quatro Modos principais (authenticus): Protus em Ré RÉ a RÉ dominante em LÁ Deuterus em Mi MI a MI dominante em DÓ Tritus em Fá FÁ a FÁ dominante em DÓ Tetrardus em Sol SOL a SOL dominante em RÉ A estes quatro modos juntam-se quatro Modos secundários (plagalis) que se iniciam uma quarta abaixo do modo relativo authenticus. O Ritmo, segundo os monges de Solesmes, seria igual – cada nota teria a mesma duração ou, por vezes, o dobro. No entanto, há quem defenda um ritmo mais livre, mais próximo do da palavra. É por volta do séc. IX que a música Polifónica – duas notas de distinta altura que soam ao mesmo tempo (Hucbald) – começa a dar os primeiros passos (apesar de já existir mais a oriente) e associa- se à introdução do órgão (séc. X) nas igrejas. É o início da Ars Antiqua. No séc. XII estabelece-se uma importante escola na Catedral de Nôtre-Dame de Paris, onde Léo- nin e Pérotin escrevem os Organum e Conductus a 2, 3 ou 4 vozes. A uma voz mais simples, mui- tas vezes produzindo a mesma nota, sobrepõe-se uma voz mais aguda e floreada. Mais tarde surgiriam formas evoluídas com ritmos e textos diversos, dando origem aos Motetes, que, durante as partes polifónicas intercalavam com o canto Gregoriano. Esta evolução, levou, em 1322, o papa João XXII a decretar, em Avignon, a proibição de tudo o que fossem harmonias menos próprias para a igreja. No séc. XIV, Philippe de Vitry criou novas regras (expostas no seu livro “Ambos métodos de me- dir os Motetes”) e dá início à Ars Nova. Introduziu novos valores de tempo como a breve, semi- breve e mínima (valendo cada uma 1/2 do tempo da anterior), assim como o agrupamento rítmico mais semelhante ao dos nossos dias – notas mais longas no início do tempo forte. A definição dos compassos 9/8, 6/8, 3/4, ou 2/4, bem como o C, existentes no início das nossas partituras devem-se igualmente a Vitry. Guillaume de Machault (1300-1370) e a sua, e única, Messe de Nôtre Dame (a primeira Missa completa composta) é o principal compositor desta época. Na maioria, as suas obras são escritas em francês, à excepção do tenor em latim, e foi um mestre do motete isorrítmico a 3 vozes. Em Itália destaca-se Francesco Landini que, apesar de cego, foi um excelente organista. No entan- to, apesar das suas funções religiosas a maioria da sua obra conhecida é profana.

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Música na Idade Média Um pouca da História da Música Religiosa Com a expansão da religião cristã pela Europa ocidental, a música foi uma forma de elevar a Alma Humana e aproximá-la de Deus. Por isso, o nascimento e desenvolvimento da música ocidental está intimamente ligada à Música Religiosa.

O Canto Gregoriano pode ser visto como a forma musical mais antiga e cantada ao longo dos sé-culos (até aos nossos dias). Tem origem nos cânticos judaicos e nos cânticos dos primeiros cristãos de Jerusalém e Antioquia. O Canto Gregoriano é um canto monódico (a uma voz), já que os instrumentos foram proibidos na igreja até finais da Idade Média (à excepção do órgão, que era tolerado). Da música grega, foram trazidos os Mo-dos cuja Melodia se baseia agora em sete sons. As escalas (sucessão dos sons) passam-se a ler da nota mais grave para a mais aguda, existindo quatro Modos principais (authenticus):

Protus em Ré RÉ a RÉ dominante em LÁ Deuterus em Mi MI a MI dominante em DÓ Tritus em Fá FÁ a FÁ dominante em DÓ Tetrardus em Sol SOL a SOL dominante em RÉ

A estes quatro modos juntam-se quatro Modos secundários (plagalis) que se iniciam uma quarta abaixo do modo relativo authenticus.

O Ritmo, segundo os monges de Solesmes, seria igual – cada nota teria a mesma duração ou, por vezes, o dobro. No entanto, há quem defenda um ritmo mais livre, mais próximo do da palavra.

É por volta do séc. IX que a música Polifónica – duas notas de distinta altura que soam ao mesmo tempo (Hucbald) – começa a dar os primeiros passos (apesar de já existir mais a oriente) e associa-se à introdução do órgão (séc. X) nas igrejas. É o início da Ars Antiqua.

No séc. XII estabelece-se uma importante escola na Catedral de Nôtre-Dame de Paris, onde Léo-nin e Pérotin escrevem os Organum e Conductus a 2, 3 ou 4 vozes. A uma voz mais simples, mui-tas vezes produzindo a mesma nota, sobrepõe-se uma voz mais aguda e floreada.

Mais tarde surgiriam formas evoluídas com ritmos e textos diversos, dando origem aos Motetes, que, durante as partes polifónicas intercalavam com o canto Gregoriano.

Esta evolução, levou, em 1322, o papa João XXII a decretar, em Avignon, a proibição de tudo o que fossem harmonias menos próprias para a igreja.

No séc. XIV, Philippe de Vitry criou novas regras (expostas no seu livro “Ambos métodos de me-dir os Motetes”) e dá início à Ars Nova. Introduziu novos valores de tempo como a breve, semi-breve e mínima (valendo cada uma 1/2 do tempo da anterior), assim como o agrupamento rítmico mais semelhante ao dos nossos dias – notas mais longas no início do tempo forte. A definição dos compassos 9/8, 6/8, 3/4, ou 2/4, bem como o C, existentes no início das nossas partituras devem-se igualmente a Vitry.

Guillaume de Machault (1300-1370) e a sua, e única, Messe de Nôtre Dame (a primeira Missa completa composta) é o principal compositor desta época. Na maioria, as suas obras são escritas em francês, à excepção do tenor em latim, e foi um mestre do motete isorrítmico a 3 vozes.

Em Itália destaca-se Francesco Landini que, apesar de cego, foi um excelente organista. No entan-to, apesar das suas funções religiosas a maioria da sua obra conhecida é profana.

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Um pouca da História da Música Profana A música europeia fora do âmbito religioso, está ligada à acção dos Trovadores, Troveiros e “Me-nestréis“ que, de instrumento às costas, levaram às urbes e às cortes as Cantigas de Amigo, de Amor ou de Escárnio e Maldizer. Seja em Monodia ou em Polifonia executava-se música lírica (cantada) ou de dança.

Pela falta de escritos, Guilherme IX (conde de Poitiers e duque da Aquitânia) é o Trouvadour (pa-lavra derivada do grego Tropus – canção) mais antigo que se conhece. Esta música monódica tens origens na música religiosa, mas escrita em langue d’oc (língua literária e cortesã do sudoeste de França). Bernard de Ventadorn, Peire Vidal, Bertrand de Born, Raimbaut de Vaqueiras, são alguns dos Trouvadours conhecidos.

Os Troveiros ou Trouvères, utilizavam o langue d’oil (língua do norte de França) nas suas frequen-tes chansons d’amour. Adam de la Halle, que escreveu a conhecida pastoral Le jeu de Robin et Marion, Blondel de Nesle, Thibaut IV (rei de Navarra), foram Trouvères que ficaram na História da Música.

Na Alemanha a tradição trovadoresca introduziu-se na sua cultura, surgindo os Minnesänger (Menestréis) que, preferencialmente cantavam as suas Cantigas de Amor (Leich) de uma forma mais racional – os números tinham um poder místico.

Em Espanha são de destacar as Cantigas de Santa María, do rei Alfonso X, el Sabio, que são um conjunto de cantigas (mais de 400) dedicadas à Virgem escritas em galaico-português. As influên-cias da música árabe e judaica juntam-se às do cantochão e popular. Uma em cada dez é de louvor à Virgem. Na Catalunha o “Llibre Vermell de Monserrat” são, igualmente, um conjunto de peças instrumentais e cantadas em louvor da Virgem durante as suas peregrimações.

No séc. XIV, a Ars Nova desenvolve as formas das Ballades, Rondeaux e dos Virelais, onde os instrumentos frequentemente tocavam a linha do tenor.

A escrita Musical A falta de uma escrita adequada à música, criou problemas à sua divulgação, já que esta transmi-tindo-se oralmente não permitia uma uniformidade na sua reprodução e interpretação. Os gregos já utilizavam uma escrita alfabética que atingiu os 300 signos.

No séc. IX, o monge Hucbaldo (840-930) criou uma espécie de estenografia musical – a escrita Neumática (termo já usado pelos gregos e que significa ar ou sinal) – onde 15 símbolos representavam não só a acentuação musical como o movimento ascendente ou descendente dos sons. Mais tarde foi acrescentada uma linha verme-lha, que representava o Fá, e depois uma amarela, para o Dó. E outras duas foram acrescentadas mais tarde.

Com a polifonia, e consequente complexidade musical, foi necessário desenvolver a forma de escrita. Segundo a tradição, foi atribuída a Guido de Arezzo (séc. XI), monge beneditino, a pauta de 5 linhas (como actualmente) onde a posição da nota ou do texto, colocada sobre a linha ou no espaço entre elas, indicava a sua altura exacta. Também foi o responsável pela nomenclatura actual das notas – dó (ut), ré, mi, etc.

A escrita Quadrata, característica dos escritos gregorianos, surgiria no séc. XII, onde a pauta pos-suía 4 linhas e as notas eram geralmente quadradas. No início também se colocou uma clave, sím-bolo que indica a altura do som naquela linha. Os livros com o cantochão eram reproduzidos pelos monges copistas dos mosteiros e difundiram-se pela Europa e foram sendo profundamente orna-mentados com Iluminuras.

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As Formas Musicais CANTO GREGORIANO – ou Cantochão, é uma monodia (uma voz) cantada pelos monges e clero em Latim durante as cerimónias religiosas. Esta designação deve-se ao papa Gregório I que organizou e disciplinou os cantos religiosos no séc. VIII. A linha melódica do canto Gregoriano é muito “melancólica”, não existindo intervalos (“saltos”) muitos acentuados, havendo momentos de impulso (arsis) e de repouso (thesis). Nor-malmente, a cada nota corresponde a uma sílaba (canto Silábico) como em Te lúcis ante términum ou a 2 a 4 notas (canto Neumático) como em Cantate Dómino, os cantos Melismáticos são mais floreados, correspondendo a cada sílaba várias notas, como no Alleluia. O manuscrito mais anti-go que se conhece, um hino à Santíssima Trindade, é do séc. III.

ORGANUM – termo que evidencia a analogia à música para Órgão, é na Catedral de Nôtre-Dame de Paris que Léonin, com base no canto gregoriano, sobrepõe a uma voz silábica uma voz ornamentada e acima (mais aguda) da outra. Pérotin seria ainda mais “audaz” ao sobrepor 2 ou 3 vozes à voz mais grave. A sonoridade e o ritmo são agrestes aos ouvidos actuais pelo facto de se cantar frequentemente em intervalos de segunda, de quarta ou de quinta e o tempo forte ser mais curto que o fraco (ritmo sincopado).

CONDUCTUS – peça composta para acompanhar o percurso dos sacerdotes do altar às grades do coro, difere do organum nas diferentes vozes terem um ritmo semelhante ou igual. Por outro lado, as composições eram totalmente originais, não se baseando no cantochão. Por vezes existiam espaços livres que podiam ser preenchidos com obras originais – as Cláusulas.

MOTETE – derivado do Organum e da Cláusula, a voz mais grave – o tenor – tinha duas ou três ou mesmo uma palavra, enquanto a voz mais aguda – o motete (do francês,mot) – executava várias palavras. Acrescentada uma terceira voz – o triplum – o texto podia ser diferente da segunda voz. Os Motetes seculares seriam escritos com textos profanos.

MISSA – como obra musical completa, surge no séc. XIV com Machault, sendo habitualmente composta de Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei.

VIRELAIS – eram canções, com 3 estrofes e estribilho para solista e coro em versos de 8 sílabas, onde se referia o amor cortesão.

ESTAMPIE – era uma dança, muito comum na Idade Média, oriunda da Sequência litúrgica.

CHACE ou CACCIA – era escrita em forma canónica (cânon é uma forma musical em que um tema é tocado ou cantado por todas as vozes, que entram em compassos diferentes) a 3 vozes (na caccia) ou a 4 (na chace). Como o nome indica, os textos descrevem cenas de caça, ou batalhas ou incêndios, ou mesmo de pesca.

Trovadores tocando uma harpa e um alaúde numa Aubade

(música tocada de manhã - aube)

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Os Instrumentos

Instrumentos de Sopro ou Aerofones ÓRGÃO – o mais importante instrumento de igreja, tem origens na Grécia Antiga (do órgão hi-dráulico). Cada som era emitido por um tubo soprado pelo ar de um fole e controlado por um tecla-do (do tipo do piano). Desde os órgãos portáteis com meia dúzia de tubos aos fixos com 400 tubos (como o de Winchester, e com 26 foles), os órgãos foram-se desenvolvendo no número de teclados e de registos (timbres de som).

CORNETO – feito de madeira, recto ou curvo, e 6 ou 7 orifícios.

TROMPA DE CAÇA – podia ser feito de chifre, marfim, madeira ou de metal, o som era emitido pela pressão de ar introduzido no tubo ar-queado. Neste grupo também existem as Trompas, Sacabuxas (que de-ram origem ao Trombone) e as Trombetas.

FLAUTAS – traversa ou de bisel, eram semelhantes às actuais.

CHARAMELA, CORNAMUSA, CROMORNE, FÍSTULA – construídos em madeira, as embocaduras são de palheta (como o Aulos gregos), sendo o último o antepassado do oboé.

Instrumentos de Percussão CASTANHOLAS, TIMBALES, TAMBOR e o TÍMPANO eram semelhantes aos actuais.

CÍMBALOS e CRÓTALOS – em forma de chapas ou de pequenos pratos de metal, em número de dois que se percutem um contra ou outro.

SINOS – de dimensão diferentes e em grupos de 7 ou 8, formam um carrilhão e eram tocados com um martelo.

Instrumentos de Cordas ou Cordofones SALTÉRIO – com uma forma triangular ou rectangular, as cordas são normalmente dedilhadas.

CHIFONIA – Vielle ou Sanfona, com a forma de guitarra, possuía um disco de madeira resinado que, através de uma manivela, roçava nas cordas (6) e produzia um som contínuo. As notas eram seleccionadas num teclado de 8 a 16 teclas.

HARPA – com 7 a 30 cordas, afinadas diatonicamente, o som era produzido por dedilhação.

ALAÚDE – desenvolvido a partir do seu antepassado gre-go, a caixa acústica tem a forma de meia pêra e as cordas são dedilhadas ou tocadas com uma palheta. A abertura da caixa acústica era trabalhada como as rosáceas de uma catedral gótica.

Dama dedilhando um Saltério (à esquerda uma viela e direita um alaúde)

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A Música e a Arte Como na Grécia, também na Europa a música, como a arquitectura, procurou uma relação com a aritmética.

Ao mesmo tempo, a simplicidade musical, como a arquitectónica e escultórica, prendem-se com a necessidade de compreender facilmente a men-sagem dos símbolos religiosos e, quando essa simplicidade já não foi sentida como necessária, surge a polifonia e a forma de composição mais elegante e mais elaborada, que encontra paralelo na arquitectura e escultura gótica.

Códice de Santa Maria de Alfonso X Cantiga 7: Maria salva a Abadessa grávida (pormenor)

Curiosidades A nomenclatura actual das notas musicais deve-se a Guido de Arezzo que, para facilitar a sua memorização, atribuiu o nome a cada nota a partir da primeira sílaba do texto:

Utqueant laxis Resonare fibris Mira gestorum Famuli tuorum Solve polluti Labi reatum Sancte Ioannes

(mais tarde a denominação ut seria convertida em dó e a de sa em si). Para faci-litar a noção da diferença de altura do som (intervalo) desenhou uma mão em que cada articulação corresponde a um Intervalo da escala musical.

Este método, o Solfeggio, foi um sucesso e rapidamente se difundiu pela Europa até aos nossos dias.

O fascínio pela aritmética do homem medieval é visível num leich de Walter von der Vogelweide, poeta e músico alemão, que está es-crito de uma forma simétrica quer no texto quer no número de com-passos: 12+8 20

10+21+10 41 81

12+8 20

8+12+8 28 28 190

10+10 20

8+25+8 41 81

8+12 20

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Audição Apesar da música desta época já ser escrita, embora não com o “rigor” actual, a reprodução da mú-sica Antiga (terminologia usada para a música anterior ao Barroco) não tem encontrado consenso por parte de musicólogos e intérpretes. Os músicos têm procurado, sobretudo a partir dos escritos teóricos e das características de sonoridade dos instrumentos da época, despojar a música dos de-feitos de interpretações “modernas”.

É o exemplo do trabalho desenvolvido pelos diversos grupos vocais e/ou instrumentais, como os Hespérion XX de Jordi Savall, Ensemble Gilles Binchois de Dominique Vellard, entre outros.

Note-se, na audição das peças, que por vezes as vozes agudas não são cantadas por vozes femini-nas mas por crianças ou por contra-tenores (tenores ou barítonos que cantam em falsete num regis-to agudo), uma vez que as mulheres eram proibidas de cantar nas igrejas, com excepção dos cânti-cos à Virgem.

Música Sacra do séc. VIII ao séc. XIV

Canto Gregoriano – Victimae pascali laudes

Schola Cantorum Amsterdam, dir. Wim van Gerven

Organum – Alleluia , Nativitas (excerto), Pérotin

Ensemble Gilles Binchois, dir. Dominique Vellard

Conductus – Res iocosa quod hec rosa, autor anónimo

Discantus, dir. Brigitte Lesne

Motete a 2 vozes – Ave Maria, Fons leticie, autor anónimo

Ensemble Gilles Binchois, dir. Dominique Vellard

Missa – Offertoire da Messe de Notre-Dame, Guillaume de Machault

Ensemble Organum, dir. Marcel Péres

Música Profana do séc. XI ao séc. XIV

Trovadores – Ara lausatz, lausat, lausat, autor anónimo

Trovadores – Quan vei la lauzeta mover, Bernard de Ventadorn

Ensemble Unicorn

Cantigas de Sta. Maria – Tanto son da gloriosa, Alfonso X

Alla Francesca

Cantigas de Sta. Maria – Cuncti simus, “Llibre Vermell de Monserrat”

Cantigas de Sta. Maria – Inperayritz de la ciutat joyosa, “L. V. de Monserrat”

Alla Francesca

Ballata a 2 vozes – Ochi dolenti mie, Landini

Micrologus

Textos e compilação musical de José Manuel Russo para a Exposição do Departamento de Artes Visuais e Técnicas, 2004