Mosaico Esc¢ndalos

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Jornal laboratório produzido pelos estudantes do quarto ano do curso de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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  • MOSAICO

    #escndalos

    4 anoJornalismo UEL/2011

  • MOSAICO

    #escndalos

    4 anoJornalismo UEL/2011

    Londrina respira com ajuda de apare-lhos. Por enquanto, nenhum Houdini ou Dr.House aceitou a tarefa de devol-ver, a jovem senhora de 76 anos, sade ple-na. No fcil remover tantos parasitas que, como ervas daninhas, se multiplicam a cada golpe do faco.

    O municpio j sofre h algum tempo com denncias de corrupo contra vereadores, secretrios e prefeitos. Hoje, o representan-te mximo do Executivo londrinense recebe investidas por todos os lados. Barbosa Neto alvo do Ministrio Pblico e da oposio na Cmara; j so trs Comisses Especiais de Inqurito aprovadas pelos vereadores contra o prefeito. A de maior repercusso, no en-tanto, resultado da Operao Antissepsia realizada pelo MP, envolvendo Barbosa Neto e a primeira-dama Ana Laura Lino em um esquema de propina junto s Organiza-es da Sociedade Civil de Interesse Pblico responsveis pela prestao dos servios de sade na cidade. As denncias renderam um indiciamento de improbidade administrativa e, ainda, um pedido de investigao do MP ao Tribunal de Justia quanto relao do prefeito com o escndalo.

    Londrinenses bons brasileiros como so acompanham, tambm, a efervescncia poltica em mbito nacional. O primeiro escalo da presidenta Dilma Rousseff sofreu duas baixas; Alfre-do Nascimento, ex-ministro dos Transportes e Antnio Palocci, ex-ministro-chefe da Casa Civil. Enriquecimento ilcito ou sim-plesmente visionrios da economia?

    As maracutaias no vm de hoje; existem, alis, desde que o homem se reconhece como tal. H pouco tempo, as cmeras ocultas escancaravam o esquema criminoso do governo de Jos Roberto Arruda conhecido como Mensalo do DEM e o deses-perado Roberto Jefferson disparava suas acusaes contra a c-pula do PT e os Correios no mais infame mensalo (Jefferson, a propsito, deveria cobrar pelos direitos autorais do termo).

    Infelizmente, poucos so os fatos positivos que marcam os mandatos de polticos brasileiros e pouqussimos so aqueles isentos de acusaes ou processos jurdicos. O que preocupa que todos permanecem onde estavam; culpa-se a morosidade da Justia, mas a verdade que a grande parcela de culpa de quem os elege.

    Esta edio se props a reunir os temas e as questes levanta-das a partir de certos escndalos e perfis polticos. Desde o rou-ba quem faz, personificado em Paulo Maluf lembrado pelos paulistas pelo bordo Maluf que fez , ao queridinho Caador de Marajs, ex-presidente agora senador Fernando Collor de Mello. Em suma, um apanhado histrico at onde permi-tem os registros.

    Muito ficou de fora.

    Poltica na UTI

    Expediente

    Felipe Barros

    Editorial

    Jornal Laboratrio produzido pelos estudantes do 4o ano de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina

    EDIO 2011Produto da disciplina 5NIC085 - Edio do Jornal Laboratrio

    Professor e Jornalista ResponsvelFbio Silveira - Mtb 3361-PR

    Projeto Grfico: Fernanda CavassanaCrditos da capa: Beto Carlomagno

    Crditos da contra-capa: Tatiane Hirata

    Edio, Pauta, Reportagem e Diagramao

    Ana Carolina ContatoCamila Meira

    Desire MolinaFelipe de Souza

    Francielly CamiloLetcia Nascimento

    Murilo PajollaRafael SanchezTatiane Hirata

    Beto CarlomagnoDaniela BrisolaFelipe Barros

    Fernanda CavassanaLaura AlmeidaMarcia BoroskiPaulo Arajo

    Sara HermgenesThas Yamanari

  • MOSAICO

    #escndalos

    4 anoJornalismo UEL/2011Felipe Barros

    Eu roubo, mas fao!pg. 10

    O escndalo vende pg. 4

    Escndalos polticos internacionaispg. 6

    Quando a imprensa faz o escndalopg. 7

    A Antissepsia londrinensepg. 8

    Lobby: pode ou no pode?pg. 12

    A charge e seu papel nos escndalospg. 16

  • O escndalo vendeTeorias do socilogo John B. Thompson podem ser aplicadas aos escndalos mditicos atuaisCAMILA MEIRA

    O ltimo relatrio divulgado pela ONG Transparncia Internacional, mostra que no ano de 2010 o Brasil ocupou a posio 69 dos pases considerados mais corruptos do mundo. Embora seja um bom lugar, se comparado aos anos anteriores, em que chegou a ser classificado na 75 colocao, ainda h muito a fazer para o Brasil se eq-uiparar a pases como Dinamarca e Nova Zelndia, que esto nas primeiras posies no ranking.

    A pesquisa de percepo de corrupo avaliou 178 pases no ano passado e este panorama pode ser aplicado s teorias de John Thompson abordadas em seu livro O Escndalo Poltico: poder e visibili-dade na era da mdia.

    Ao dizer que o escndalo vende, o autor faz uma afirmativa de muito sentido. O avano dos meios de comunicao, prin-cipalmente a televiso e a internet, permi-tiu uma visibilidade, antes no revelada de acontecimentos envolvendo pessoas pbli-cas. A mdia torna-se espao de interao entre polticos e no polticos, onde rela-es podem ser construdas ou at mesmo destrudas.

    Sobre este assunto o cientista poltico da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Censi, afirma que em democ-

    racias consideradas por ele mais madu-ras os escndalos polticos costumam produzir efeitos mais significativos que no Brasil. No caso brasileiro, geralmente os escndalos no geram efeitos to expres-sivos. Cito como exemplos desta sobre-vida poltica, aps graves escndalos, os seguintes nomes: Antnio Carlos Magal-hes, Renan Calheiros, Jos Sarney e Jad-er Barbalho. H certa tolerncia por parte da sociedade mesmo aps o escndalo ser noticiado pela mdia. E completa dizendo que vivemos uma sociedade que tolera a corrupo em um grau maior por conviver

    e at aceitar prticas desta natureza.

    Corrupo Thompson afirma que a exposio

    miditica fundamental para que lderes polticos mantenham-se visveis, ou seja, a mdia pode ser aliada da figura poltica, quando esta deseja conquistar capital sim-blico e adquirir eficincia poltica, mas ao mesmo tempo, pode ser uma armadilha para sua reputao.

    O mais novo escndalo na poltica lon-drinense veio a pblico e de um dia para

    o outro colocou em cheque a integridade moral do prefeito Barbosa Neto (PDT) e de sua esposa Ana Laura Lino Barbosa. Os dois so acusados de envolvimento no es-quema de corrupo na rea da sade.

    Para o jornalista Ayoub Hanna Ayoub os escndalos envolvendo Barbosa Neto desgastaram muito a imagem poltica do prefeito. H chances de que o Barbosa no consiga terminar este mandato e para aqueles que analisam e acompanham o cenrio eleitoral o Barbosa tem poucas possibilidades de reeleio. Foram muitos escndalos envolvendo o nome dele, ex-plica.

    Rapidamente a reputao do prefeito passou a ser questionada pela sociedade. A exigncia por transparncia nas questes polticas ganhou mais flego, o que fez a mdia se voltar para o assunto.

    Ayoub destaca tambm que no caso do ex-prefeito de Londrina, Antnio Belinati (PP), o capital simblico tambm so-freu pelo fato da populao cobrar mais transparncia nos assuntos polticos. O Belinati foi atingido e quase chegou a no-caute. Basta ver a eleio que ele disputou o segundo turno e perdeu. Ele tambm so-freu um desgaste muito grande por causa da divulgao dos escndalos em que es-teve envolvido, comenta. **Colaborao de Sara Hermgenes.

    John B. Thompson em seu livro O Escndalo Poltico: poder e visibilidade na era da mdia traz uma discusso muito atual sobre os escndalos que envolvem o cenrio poltico. O autor faz uma abordagem inicial do conceito de escndalo e dos seus possveis significados. Segundo Thompson s considerado escndalo quan-do o acontecimento envolve aes que implicam em transgresses morais, que precisam ser srias o suficiente para provocar uma rea-o pblica.Em seguida, o autor aborda o

    avano das tecnologias e dos meios de comunicao como fa-tores fundamentais para que o escndalo poltico se dissemine.

    Segundo ele, atividades ocultas dentro do campo poltico passam a ser conhecidas por todos, quando chegam at a mdia. Isso faz com que a figura do lder poltico perca um recurso til, que o capital simblico, muito importante para sustentar e legitimar sua confian-a perante o pblico. Thompson coloca que sem este recurso no h conquista de poder.Sobre a recorrncia de es-

    cndalos miditicos o autor explica que estes so plurais e que cada sociedade possui uma cultura poltica. Embora os escndalos aconteam em toda a parte do mundo, cada um se sustenta de acordo com a conduta poltica do local onde acontece.(CM)

    O Escndalo Poltico: poder e visibilidade na era da mdia

    O jornalista Fernando Rodrigues, especialista em anlises polticas, mantm em seu blog Polticos do Brasil uma lista com os principais escndalos envolvendo o Congresso brasileiro. Segundo informaes re-tiradas do blog, at junho deste ano j aconteceram 50 escndalos, o que comprova mais uma teoria de John B. Thompson de que escndalos alimen-tam escndalos. Confira dez deles.

    1- Senador Gim Argello (PTB) d prmios fantasmas no DF

    2-Trs deputados faltam com s ses-ses

    3-Cmara gasta R$ 5 milhes com deputados de vero

    4- Gim Argello (PTB-DF) emprega namorada do filho em seu gabinete

    5- Argello (PTB-DF) faz emenda de R$ 3 milhes que valoriza terras de seu filho

    6-Senadores excedem limite mensal de passagens

    7- Congresso gasta R$ 88 milhes com ex-deputados e vivas

    8- Senado s esteve completo para absolver Renan Calheiros (PMDB-AL)

    9- Senadores recebem mais que o teto do funcionalismo pblico

    10- Eduardo Cunha (PMDB-RJ) relacionado a gastana em Furnas

    Escndalos alimentam escndalos

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  • A corrupo intrnseca ao capitalismoPara cientista poltica, apesar dos discursos em nome da tica,

    o desvio de verbas faz parte da lgica do Estado

    FELIPE DE SOUZA

    Cada escndalo de corrupo na poltica gera indignao na sociedade e refora uma crena geral: as instituies polticas seriam, em sua origem, rgos neu-tros, que deveriam ser regidos com a mais