MONQORAFi A BE PROM m - .Foram justamente as observa§µes feitas a partir ... facilidade...

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  • I f

    roje to own

    MONQORAFi A BE P R O M m

    Uni-Rio - CLA - 2" semestre de 1995

    Prof Regina Mrcia Simo Santos

    Aluno : Eduardo Baratz Goldemberg

  • 1 . INTRODUO

    H mais ou menos um ano atrs me telefonou um amigo, dizendo

    que havia conhecido a me de um menino portador da sndrome de Down, que

    estava procurando um professor de violo para o seu filho. Disse que

    imediatamente pensou em mim j que sabia que eu dava aula particular de

    violo h um bom tempo. De incio fiquei surpreso com aquela proposta

    inusitada pois nunca tinha conhecido algum portador desta sndrome,quanto

    mais pensado em ensinar msica para algum que tivesse qualquer tipo de

    deficincia . Como estava "duro" na poca, aceitei a proposta pensando em

    engordar minha clientela.

    Nos primeiros contatos com Thiago ( com onze anos ento ) logo

    percebi sua dificuldade em se comunicar,j que no articulava bem as palavras,

    demonstrando muita ansiedade. Observei tambm que era extremamente afetivo

    ( caracterstica comum entre os portadores da sndiome ) , fato este que facilitou

    em muito o meu trabalho. Como no unha conhecimento o suficiente sobre a

    sndrome ( mais tarde percebi que no caso de educao especial, traa-se um

    diagnstico do aluno antes da utilizao de qualquer metodologia ), comecei o

    trabalho adotando a mesma metodologia que usava com crianas normais, mas

    num ritmo muito mais lento .

    Ao longo das aulas pude perceber que o Thiago tinha quase as

    mesmas dificuldades de alguns alunos normais, mas seu nvel de entendimento

  • era muito mais baixo devido ao retardo mental caracterstico da sfndrome . Isso

    significava que eu precisaria dedicar grande parte do meu tempo pensando em

    solues criativas para despertar a compreenso do aluno e para tal

    empreendimento percebi que seria necessrio que tomasse conhecimento de

    questes relativas a outras reas presentes no tratamento da sfndrome de Down,

    como por exemplo : fisioterapia, fonoaudiologia, psicometria e gentica . Este

    aprofundamento me abriu os olhos para um outro mundo : o mundo do

    deficiente, onde qualquer conquista, por menor que seja, significa uma vitria.

    Convivendo nesse ambiente, pude perceber que a luta do deficiente

    rdua e sofrida e que a funo do educador de criar condies para que ele

    conquiste a sua independncia. Ora, se a luta do deficiente para se inserir na

    sociedade, na "normalidade", em que aspecto poderia a msica ajud-lo ? a

    msica serviria como um fira em si mesma ou como um meio teraputico ?

    Educao musical ou musicoterapia ? Fui acometido por todas essas questes

    depois de vrios meses de trabalho com o Thiago. Devido a pequena carga

    horria das aulas ( uma aula de uma hora por semana ) essas questes foram

    surgindo aos poucos de modo que no fazem parte da questo central do

    trabalho, mas sim de um objetivo maior a ser trabalhado no futuro .

    Resumindo, o presente trabalho tem como proposta apontar as

    dificuldades de uma criana portadora da sfndrome de Down em assimilar [ ]

    9 noes bsicas de msica e mostrar caminhos possveis para um melhor

    ( ' desenvolvimento musical.

  • 2 . SITUAO - PROBLEMA

    Considerando a vivncia que tive, ensinando violo para crianas

    normais, iniciei o trabalho com o Thiago usando a mesma metodologia que

    aplicava com aquelas crianas .Devido a minha opo de dedicar a maior parte

    do meu tempo ao estudo de meu instrumento ( contrabaixo ), acabava sobrando

    pouco tempo para me aprofundar em questes tericas relativas a educao

    musical, de modo que grande parte da metodologia que desenvolvi com meus

    alunos de violo, foi conquistada a partir das observaes feitas em aula , No

    foi diferente cora Thiago .

    Para explicar com clareza a questo que me mobilizou para a rea

    lizao desta monografia, farei aqui um mapeamento da metodologia aplicada

    nas primeiras aulas e consequentemente das respostas obtidas pelo aluno. Foram

    justamente as observaes feitas a partir destas respostas que originaram a

    situao-problema .

    2 , 1 . MAPEAMENTO

    2 . 1 . 1 . Na primeira aula procurei logo saber qual era o gosto musical de

    Thiago. Como, ainda no nos conhecamos muito bem e minha dificuldade de

    entender o que ele falava era enorme, tomei a iniciativa e propus algumas

  • msicas infantis, tocando e cantando-as a fim de saber se Thiago as conhecia .

    Depois de escutar atentamente algumas delas , Thiago se empolgou com a

    musica que se intitulava "Najauta do ledo" . Em seguida mostrei a ele como

    posicionar os dedos da mo esquerda para a montagem de um dos acordes

    presentes na msica (A - L Maior ) . Neste momento percebi que Thiago tinha

    facilidade para a memorizao no tendo problema em decorar um dos acordes

    da msica. Ento segui ensinando ao aluno o acompanhamento ( no caso o pulso

    da musica) na mo direitra com o acorde armado na mo esquerda . A tcnica

    de acompanhamento era a seguinte : no caso de ser um compasso 474 , os

    tempos um e trs eram tocados pelo polegar era todas as cordas enquanto os

    tempos dois e quatro eram tocados pelos dedos indicador, mdio e anular, todos

    de uma vez . Sugeri ento que Thiago me acompanhasse no violo enquanto

    recitava a letra da msica no ritmo certo mas sem altura definida para que ele

    pudesse fazer o acompanhamento na mo direita sempre com o mesmo acorde

    na mo esquerda . At aqui o aluno se desenvolveu razoavelmente bem,

    mostrando apenas dificuldade em fixar o ritmo da msica, ora aumentando, ora

    diminuindo o andamento da msica .

    2 . 1 . 2 . Na aula seguinte dei continuidade a aula anterior ensinando o

    outro acorde da msica ( E7 - Mi maior com stima menor ) . Depois de

    aprendido o acorde novo sugeri como na aula anterior que Thiago me

    acompanhasse ao violo enquanto cantasse a melodia da msica j que desta vez

  • seriam usasdos os dois acordes que fariam parte da msica inteira . Para que o

    aluno soubesse a hora da mudana de um acorde ( A -L Maior) para o outro (

    E7) escrevi a letra da msica no caderno e coloquei cifras dos acordes em cima

    das slabas das palavras onde havia a troca de posio na mo esquerda . Neste

    ponto o aluno demonstrou muita dificuldade j que alm de prestar ateno em

    ambas as mos ( mo direita com o acompanhamento e esquerda com os acordes

    ) , tinha que olhar para o caderno para saber o momento era que teria de mudar

    de posio . Resolvi ento fazer o seguinte : concentrar a ateno do aluno

    apenas na execuo do violo, sem a necessidade de olhar para o caderno .

    A msica era em 2/4 e a ordem dos acordes era a seguinte : dois

    compassos em A , um compasso em E7, dois compassos em A, dois

    compassos em E7 e o compasso final terminando em A . Como Thiago no

    tinha a noo do que significava compasso expliquei que ele teria que decorar a

    quantidade de vezes que tocava cada acorde e em que ordem . Dessa maneira

    ele teria que tocar primeiro o L Maior quatro vezes, j que cada toque da

    mo direita correspondia a um tempo da msica . Em seguida o E7 duas vezes

    depois novamente o L Maior quatro vezes, o E7 mais quatro vezes e o L

    maior s mais uma vez para finalizar a msica . Thiago entendeu e aos poucos

    foi conseguindo tocar a msica, mas somente com o meu auxilio nas indicaes

    de mudana dos acordes, interrompendo assim a fluncia natural da msica .

  • 2 . 1 . 3 . Nas aulas seguintes continuei com o mesmo processo de

    trabalho . Thiago continuava com problemas em tocar a nrdsica sem

    interrupes, principalmente quando tentava ao mesmo tempo que tocava o

    violo, falar a letra da musica ( Thiago no tinha a menor noo de afinao, por

    isso falava a letra da msica ) j que a letra da msica continha uma outra

    rtmica . Neste momento descobri que estava com um problema nas mos,

    problema este que me mobilizou e que a razo de estar aqui escrevendo esta

    monografia.

    3 . OBJETIVO

    Ao longo das experincias com meu aluno, pude observar certas

    tendncias, certas inclinaes por parte deste . Uma delas diz respeito a

    memria visual . Notei no Thiago uma capacidade de memorizao muito

    grande . Basta dizer que foi muito fcil para ele memorizar as posies dos

    acordes, as frmas dos acordes . Outra tendncia tem a ver com movimentos do

    corpo. Algumas vezes no meio da aula, Thiago se levantava e comeava a

    danar se olhando no espelho num ritual narcsico e cheio de sensualidade .

    Percebi ento que deveria aproveitar esses dois elementos, a memria visual e a

    experincia sensrio-motora para desenvolver sua sensibilidade auditiva . Foi af

  • que comecei a pintar o objetivo deste trabalho. Ora, se o aluno tem uma

    memria excelente para imagens e demonstra extremo prazer em mexer seu

    corpo, porque no aliar essas duas foras para auxiliar na sensibilidade auditiva

    e a partir desta desenvolver a idia de tempo e pulsao, to necessria para um

    desenvolvimento musical abrangente ? O resultado dessas idias foi a concepo Mf

    do objetivo desta monografia, que : Consolidar atravs de experincias

    sensrio-motoras e experincias visuais simultaneamente com a experincia

    auditiva, a idia de tempo e pulsao rtmica.

    4 . DESENVOLVIMENTO

    4 . 1 . 0 DESTKVOLVIMESTO DA CONSCIENTIZAO RTMICA ATRAVS

    DA EXPLORAO DE EXPETT1NCIAS SENSRIO-MOTORAS

    No nenhuma novidade para o educador musical de hoje que o