Minicursos-reproducao Peixes Ornamentais

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Reprodução Oscar

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  • APOSTILA DO CURSO

    REPRODUO DE PEIXES ORNAMENTAIS DE GUA DOCE NOES BSICAS

    Palestrante: Mauricio K. Nagata Zootecnista, Pesquisador Cientfico do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Peixes Ornamentais do Instituto de Pesca 1. INTRODUO

    1.1. Mercado 1.2. Instalaes 1.3. Sade 1.4. Qualidade de gua para a reproduo 1.5. Alimentao para a reproduo 1.6. Outros fatores que podem influenciar a reproduo

    2. REPRODUO, LARVICULTURA E ALEVINAGEM

    2.1. Vivparos 2.2. Killifishes 2.3. Ciprindeos (Cipriniformes) 2.4. Caracdeos (Caraciformes) 2.5. Anabantdeos (Anabantides) 2.6. Cicldeos 2.7. Catfishes (Siluriformes)

    3. ALIMENTAO E CRIAO DOS ALEVINOS 4. LITERATURA CONSULTADA

  • 1. INTRODUO A reproduo dos peixes de aqurio seria o ponto culminante do aquarismo,

    pois, para obt-la, o aquarista deve ter certa experincia na manuteno dos mesmos, alm de que, para muitas espcies, deve-se proporcionar condies adequadas para que ela ocorra. Assim, o interessado deve adquirir o mximo de informaes, atravs de literatura, troca de idias com criadores e aquaristas mais experientes, internet e outras fontes de conhecimento.

    Reproduo de peixes de aqurio 1. Seleo de espcies

    disponibilidade facilidade de reproduo, instalaes e condies requeridas

    2. Seleo de estoque reprodutor com caractersticas desejadas colorao, forma do corpo, nadadeiras, olhos, cabea sade, vigor, alimentao

    3. Condicionamento para reproduo temperatura, fotoperodo (comprimento do dia) qualidade da gua dieta

    4. Reproduo temperatura, fotoperodo qualidade da gua compatibilidade dos reprodutores meio (substrato) de desova sobrevivncia de ovos e larvas

    5. Recuperao dos reprodutores separao dos sexos retorno ao item 3 (condicionamento para a reproduo)

    6. Larvas seleo constante (triagem) crescimento e terminao venda ou retorno ao item 2 (seleo de estoque reprodutor com

    caractersticas desejadas)

  • 1.1. Mercado Definir a finalidade da criao: lazer (hobby, desafio), pesquisa (manuteno de espcies raras ou no), comrcio (lucro). Criao comercial Registro de Aqicultor Instruo Normativa no 5, de 18 de janeiro de 2001(IN no 5) aqicultores devero fazer o cadastramento junto s Delegacias Federais do Ministrio da Agricultura de seus Estados (endereos no site http://www.agricultura.gov.br/dfa/index.htm) apresentar documento de identidade e CPF (pessoa fsica) e CGC (pessoa jurdica), formulrio preenchido (encontrados nas delegacias do MA e ou no site do DPA http://www.agricultura.gov.br/dpa/aquicola/aquicola27.htm ou http://www.agricultura.gov.br/dpa/aquicola/instnormativa04.doc, depsito da taxa anual (o pagamento do valor do registro de aqicultor ser calculado com base no somatrio das reas de todas as Unidades de Aqicultura de propriedade do requerente). Escolha da espcie ou variedade a ser criada vai depender:

    da pesquisa de mercado do local onde se pretende vender a produo. A demanda varia conforme a regio (localizao geogrfica), poca do ano, modismos, marketing;

    da verificao da concorrncia ou fornecedores habituais quanto s espcies ou variedades oferecidas, quantidade e qualidade dos produtos, periodicidade de entrega, preos;

    das condies disponveis: qualidade e quantidade de gua, clima e a possibilidade de controle das variveis ambientais (temperatura, fotoperodo), sistema de cultivo (ver Instalaes);

    da viabilidade de desenvolvimento e crescimento do animal nessas condies (adaptao e resistncia ao manejo geral, alimentar e sanitrio);

    da possibilidade do controle da reproduo (natural ou induzida). Dependendo do tipo e tamanho da produo pode-se optar pelo escoamento (venda) para:

    atacadistas grandes volumes, menor preo unitrio; lojas menor volume, maior variedade, preo geralmente um pouco

    melhor; hobistas (aquaristas) especializados produto diferenciado (espcies,

    populaes ou variedades mais raras, elaboradas ou difceis), poucos exemplares, preos elevados.

    Obs.: Levar em considerao despesas de embalagem e frete.

    Normas de exportao e importao de peixes ornamentais vivos (informaes no IBAMA) Exportao considerar o envio de amostra de material verificar viabilidade de cumprimento do contrato (qualidade, quantidade e fornecimento regular) planejamento (cooperativa tradio, experincia). Importao todas as espcies de peixes ornamentais esto liberadas. Para criao de alguma espcie, deve-se enviar uma carta-consulta ao IBAMA para anlise de cada caso.

  • 1.2. Instalaes Varia conforme o sistema de produo

    sistema semi-intensivo reas rurais tanques externos (terra, alvenaria, revestimentos plsticos, caixas dgua, piscinas) para reproduo, crescimento e terminao proteo contra predadores e competidores;

    sistema intensivo reas rurais/urbanas estufas para reproduo, larvicultura e alevinagem em aqurios, tanques ou caixas dgua, permitindo um maior controle ambiental. O crescimento e a terminao so realizados em tanques externos (mesmos do sistema semi-intensivo);

    sistema super-intensivo reas urbanas ambiente controlado em todas as fases da criao (estufas ou salas de criao com aqurios, caixas dgua e outros recipientes) alto investimento escolha de espcies, variedades ou linhagens mais valorizadas (raras e/ou exigentes).

    1.3. Sade

    O plantel (matrizes e reprodutores) deve ser saudvel, atravs de sua obteno em criadores idneos e pela realizao de quarentena (imprescindvel, independente da origem) e, se necessrio, a aplicao de tratamentos adequados conforme diagnsticos confiveis. A profilaxia (preveno), fornecimento de ambiente ideal e manejo adequado so importantes para a manuteno da sade e conseqente produo e reproduo dos peixes. 1.4. Qualidade de gua para a reproduo

    1.4.1. Temperatura faixa trmica ideal para cada espcie 1.4.2. pH determina a acidez do ambiente (gua), existindo uma amplitude

    ideal para cada espcie 1.4.3. Dureza

    1.4.3.1. Alcalinidade concentrao total de sais em mg/L (ppm) de equivalente de carbonato (CO3-2) e bicarbonato (HCO3-) a capacidade de neutralizao das oscilaes de pH (poder tampo). Em piscicultura recomenda-se acima de 60 mg/l.

    1.4.3.2. Dureza teor de ons de Ca+2 e Mg+2 combinados a carbonatos e bicarbonatos. Tambm medida em graus alemes (dHo).

    gua mg/litro CaCO3 (ppm) dHo

    Mole (macia) 0-50 3 Moderadamente mole 50-100 3-6 Levemente dura 100-200 6-12 Moderadamente dura 200-300 12-18 Dura 300-450 18-25 Muito dura Acima de 450 Acima de 25

    1.4.3.3. Condutividade eltrica indica a quantidade de sais (ons) dissolvidos na gua disponibilidade de nutrientes.

  • 1.4.4. Compostos nitrogenados aminocidos (relacionados com a reproduo de algumas espcies), amnia (quanto mais alcalina est a gua, maior quantidade de amnia na forma txica para os organismos aquticos; tambm a forma mais facilmente absorvida pelos vegetais aquticos), nitrito (tambm txico, o sal pode diminuir seus efeitos) e nitratos (txico em concentraes elevadas, utilizados por plantas palustres e terrestres).

    1.4.5. Gases dissolvidos 1.4.5.1. Oxignio importante para os animais, vegetais e bactrias

    aerbias (ciclo do nitrognio) 1.4.5.2. Gs Carbnico importante para os vegetais, auxilia na ecloso

    dos ovos de algumas espcies (killifishes) 1.4.6. Cloro, Flor, Cobre a gua de torneira das cidades geralmente sofre

    tratamento com produtos que, dependendo das concentraes, podero ser txicos para os organismos aquticos. Assim, ela deve ser tratada antes de seu uso (descanso em recipientes neutros, aerao, filtro de carvo ativado, adio de produtos que neutralizam o cloro e outros metais pesados)

    1.4.7. Esterilizao da gua reproduo de espcies sensveis, controle de microrganismos e algas unicelulares equipamentos adequados para evitar problemas

    1.4.7.1. Oznio 1.4.7.2. Raios (Luz) ultra-violeta

    1.5. Alimentao para a reproduo

    Deve suprir as exigncias de manuteno e fornecer elementos necessrios para o desenvolvimento dos produtos sexuais, evitando-se excessos de alimentos inadequados, isto , deve-se ter informaes sobre a predominncia do hbito alimentar do animal (carnvoro, onvoro ou herbvoro)

    1.5.1. Alimentos vivos 1.5.1.1. Vermes (tubifex, minhoca, enquitria, microverme) 1.5.1.2. Insetos (larvas de quironomdeo bloodworm, de mosquitos,

    larvas e adultos de drosfila e mosca) 1.5.1.3. Crustceos (artemia, cladceros dfnias, coppodos cclopes)

    1.5.2. Alimentos frescos 1.5.2.1. Origem animal (carne, fgado, corao de mamferos, aves e

    peixes) 1.5.2.2. Origem vegetal (algas, verduras e legumes)

    1.5.3. Alimentos industrializados 1.5.3.1. Raes (em flocos, granulada, peletizada, tabletes) 1.5.3.2. Alimentos desidratados (mesmos dos vivos e frescos) 1.5.3.3. Alimentos congelados (mesmos dos vivos e frescos)

    1.6. Outros fatores que podem influenciar a reproduo

    1.6.1. Fotoperodo (comprimento do dia) e temperatura 1.6.2. Estmulos qumicos (feromnios), visuais, de som (vibrao) ou toque

    (tato) do sexo oposto 1.6.3. Uso de hormnios naturais ou sintticos, na gua ou no animal

    (injetados)

  • 2. REPRODUO, LARVICULTURA E ALEVINAGEM Os peixes apresentam os mais variados mecanismos de reproduo como o gonocorstico ou bissexuado (ovuliparidade, oviparidade, ovoviviparidade, viviparidade), o hermafrodita (simultneo ou seqencial), o partenogentico (ginogentico), hibridognese e superfetao. 2.1. Vivparos so representados principalmente pela famlia dos Poecildeos

    (lebistes, platis, espadas e molinsias com diversas variedades de cor e formas de nadadeira e corpo) na qual os machos possuem a nadadeira anal modificada em rgo reprodutor (gonopdio) que permite a deposio dos espermatforos no poro genital das fmeas, ocorrendo a fecundao interna, prenhez e pario (as fme