Miguez, G. Projeto Qualificação (Mestrado) - O Conceito de Informação Simbólica

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Qualificação

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO UFRJ ESCOLA DE COMUNICAO - ECO INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAO EM CINCIA E TECNOLOGIA IBICT PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM CINCIA DA INFORMAO PPGCI GIOVANI MIGUEZ DA SILVA O CONCEITO DE INFORMAO SIMBLICA A Filosofia da Cincia da Informao entre a Realidade e a Idealidade Rio de Janeiro 2015 GIOVANI MIGUEZ DA SILVA O CONCEITO DE INFORMAO SIMBLICA A Filosofia da Cincia da Informao entre a Realidade e a Idealidade ProjetodeDissertaoapresentadocomorequisitoparcialpara obtenodottulode Mestreao ProgramadePs-Graduaoem Cincia da Informao, da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia.LinhadePesquisa:Comunicao,Organizaoe Gesto da Informao e do Conhecimento. Orientador: Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha Co-Orientador: Prof. Dr. Antonio Tadeu Cheriff dos Santos Rio de Janeiro 2015 GIOVANI MIGUEZ DA SILVA O CONCEITO DE INFORMAO SIMBLICA A Filosofia da Cincia da Informao entre a Realidade e a Idealidade ProjetodeDissertaoapresentadocomorequisitoparcialpara obtenodottulode Mestreao ProgramadePs-Graduaoem Cincia da Informao, da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia.LinhadePesquisa:Comunicao,Organizaoe Gesto da Informao e do Conhecimento. Aprovado em 05 de Agosto de 2015. Banca de Qualificao: _____________________________________________ Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha (Orientador) Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia IBICT ______________________________________________ Prof. Dr. Antonio Tadeu Cheriff dos Santos (Co-Orientador) Instituto Nacional de Cncer Jos Alencar Gomes da Silva INCA _________________________________________________ Prof. Dr. Aldo Albuquerque Barreto Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia IBICT _________________________________________________ Profa. Dra. Ldia Silva de Freitas Universidade Federal Fluminense UFF _________________________________________________ Prof. Dr. Rodolfo Petrnio da Costa Arajo Universidade Federal Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO Rio de Janeiro 2015 SUMRIO 1 CONSIDERAES INICIAIS ................................................................................... 005 2 A CINCIA DA INFORMAO E SUA FILOSOFIA ............................................... 016 2.1 Aspectos gerais do conceito de informao .......................................................... 016 2.2. Algumas relaes entre informao, linguagem e simbolismo ............................ 020 2.3 Rafael Capurro e a Filosofia da Informao .......................................................... 031 3 FILOSOFIA DA INFORMAO: IDEALIDADE OU REALIDADE .......................... 037 3.1 Simbolismo e Linguagem em Ernst Cassirer ........................................................ 037 3.2 Algumas aporias hermenuticas da filosofia das formas simblicas .................. 042 3.3 Inteligncia e Realidade em Xavier Zubiri ............................................................. 048 4 REFLEXES METODOLGICAS ........................................................................... 057 5 PERSPECTIVAS DA PESQUISA ............................................................................ 063 REFERNCIAS ........................................................................................................... 065 APNDICE: CRONOGRAMA DE EXECUO DA PESQUISA ................................. 071 1CONSIDERAES INICIAIS Umafilosofia,portanto,caracteriza-semaispelaformulaodosseus problemas do que pela soluo que lhes dada. Langer (1971, p.16) Tendoemvistaaconstruodeumaabordagemfilosficacontemporneada informao,demodogeral,edaFilosofiadaCinciadaInformao,mais especificamente,apartirdenomescomoRafaelCapurro,ErnstCassirereXavier Zubiri, oferecemos nesse projeto uma perspectiva investigativa que pretende delimitar o conceito de informao simblica como categoria essencial de uma Filosofia da Cincia daInformao,quesedesdobrarianesseesforoinvestigativoemumaAntropologia Filosfica1;ouseja,deslocandoacentralidadedainformaoparaohomememsua estrutura essencial e como a informao, a linguagem e o smbolo enquanto obras e funes deste se relacionam com ele.Paraessaempreita,partiremosdeCapurro(2014a),quetemseocupadode fundamentararelaoentreCinciadaInformaoeHermenutica;estasendoparte daRetrica,cujaconcepopoderiasersintetizadacomoumasuperaodavirada cognitivistapelaviradapragmtica.Aapreensodainformao,apartirdessa perspectiva, estaria orientada por um processo de interao com o mundo. Ainformao,nessesentido,noseriaumacoisa,masseriaconsideradaum meio(linguagem/smbolo)pelaqualascoisasreaispodemserestudaspelasua dimensosimblica.Ejustamenteessadimensoquenosinteressa,poissendoo homemumanimalsimblico(Cassirer)que,comoveremosadiante,sconsegue entrar em contato com a realidade atravs de formas simblicas, no estaria a realidade comprometidadiantedasinmerasaporiasexistenteemumafilosofiadainformao que parta de uma filosofia das formas simblicas? 2 1 No discutiremos nesse primeiro momento a Antropologia Filosfica. Entretanto, a ttulo de justificativa, achamos necessrio informar que sobre essa questo bebemos na fonte do Doutor Manfredo Arajo de Oliveira, cujo trabalho desenvolve-se a partir da concepo de subjetividade comoquesto fundamental na antropologia filosfica contempornea. Para ele, se podem distinguir trs grandes direes a respeito daproblemticaqueoserhumano.Soelas:(a)ofisicalismo;(b)asfilosofiasdafinitude;e, finalmente, (c) o Pragmatismo.(OLIVEIRA, 2012)2 A perspectiva cassireriana de uma filosofia das formas simblicas e suas respectivas aporias (PORTA, 2010)seroapresentadasnasubseo3.1e3.2,respectivamente,entreaspginasp.37e47,do presente projeto. 6 SeconsiderarmosaCinciadaInformaocomoumcampodaRetrica,ou seja,umaHermenutica,conformeCapurro,aCinciadaInformaopoderiaestar sujeitaaumainfinidadededificuldadesque,nossonossosentender,atransformaria em um palco de subjetividades. Nesse sentido, mesmo preservando, a sua dimenso simblica,acreditamosencontrarnafilosofiadaintelignciaedarealidadezubiriana3 umasadaparaalgumasaporiasdafilosofiadasformassimblicasquecorroboraria paraconfirmaratesedeCapurroouseja,adequeaCinciadaInformaoseria umadisciplinaHermenutica,masquecarecedeelementostericoseprticos, conforme questionamento feito por Matheus (2005, p. 162).4

Discute-senosestudosinformacionais,nocontextoatual,queinformaoo conjunto de dados registrados numa memria qualquer, seja digital ou vegetal, a espera de serem interpretados por algum; a espera de serem significados. Pode ser ainda um conjuntodeconhecimentoserecordaes,alojadasnanossamemria,localizadano nossocrebro,nocontedodeumlivroedetodososlivros,jornais,revistase documentosdetodasasbibliotecas.Ouseja,tudooqueestgravadoemqualquer materialdesdeosmaisprimitivosaosmaisevoludosseriainformao.Sejaela, passivaeinerte,ainformaotemimplicaesqueaconferemumaimportncia extraordinria para a humanidade, pois ela vista por muitos indivduos e corporaes como combustvel da evoluo humana. A existncia da informao parece implicar, com base nas definies at aqui, na existncia matria que a suporte, linguagem queaenrede, energiaquea reproduza e inteligncia que a compreenda. Parece ainda sugerir que a possibilidade de reproduo achaveparaodesenvolvimentohumano,comdesdobramentosfilosficos, sociolgicoseantropolgicospassveisdeprofundareflexo.Afinal,ainformaoque pode ser armazenada num tempo e recuperada noutro possibilita, alm de correo de rumos e mais assertividade nas decises humanas, a construo de toda uma narrativa daespciehumana.Ssabemosdopassadodanossaespciegraasaosrastros informacionais deixados pelas civilizaes que nos precederam. 3 Sintetizamos a perspectiva zubiriana na subseo 3.3, entre as pginas 48 e 56, desse projeto. 4 Conforme citao da pgina 35. 7 Asdefiniesesboadasnosdoispargrafosacimasooriundasdealgum momentodagrandenarrativahumanaeforamesculpidasmuitopossivelmentepor filsofos, cientistas e poetas, mas que no so mais que impulsos intelectuais extrados pornsdeconversasdespretensiosasentreinterlocutorescomformaoculturalbem diversificada sem o compromisso com uma definio cientfica ou filosfica.So,portanto,definiesapoiadasnicaeexclusivamenteemanotaes pessoaissobreespeculaesdosensocomum,pautadasemdesejoseanseiosde quememalgumdiainteressou-sepelosencantosdeummaravilhosomundo informacional e todas as possibilidades de estudo e reflexo por ele suscitado. Essecarterpolissmicodeelaboraoedeinterpretaodoconceitode informaoemsijseriaumagrandejustificativaparatorn-lacomoumobjetode estudo. Mas, como poderemos ver adiante, existem muitas definies de informao e, portanto,aperguntaquesecolocoudurantemuitosmomentosduranteoesforo intelectual para definir o objeto deste trabalho foi: No seria necessria a convergncia das definies e/ou conceitos de informao? Partirmosinicialmentedahipteseque,seohomemconhece,esse conhecimento informao. Se reflete, o faz porque manipula as informaes que tem armazenadas de forma criativa.Se age, e pela ao transforma a si e ao mundo, o faz porque est informado. Assim, esse movimento de conhecer, refletir, agir e transformar sugere um movimento informacional de grande importncia para ns humanos. E essa crenareforaumsentimentoinicial,respaldadoporpelomenosumautordocampo, dequeainformaononecessariamenteumacoisa,mascoisaspodemser estudas como informao (HJRLAND, 2000). Entretanto,mesmodiantedaclaraimportnciadainformao,anossa sociedadevive,deacordocomPozo(2004),umparadoxo:aomesmotempoemque existem tantas pessoas aprendendo tantas coisas ao mesmo tempo, as pessoas cada vez mais apresentam dificuldades para aprender aquilo que a sociedade exige delas. 8 Seporumlado,aquantidadedeinformaesquesurgemsimultaneamente, proporcionouaohomemvriasmaneirasdeadquirireteracessoamltiplostiposde conhecimentos, gerando a necessidade de se desenvolver competncias para que eles consigam olhar de forma crtica para tais informaes.