MESTRADO DE QUALIFICAÇÃO PARA A DOCÊNCIA EM ? P. Relatório... · Este capítulo tem como...

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  • MESTRADO DE QUALIFICAO PARA A DOCNCIA EM

    EDUCAO PR-ESCOLAR E ENSINO DO 1. CICLO DO ENSINO BSICO

    1

    INTRODUO

    O presente trabalho constitui o resultado de uma investigao pedaggica de tipo

    investigao-ao, desenvolvida no mbito da unidade curricular da Prtica de Ensino

    Supervisionada do Mestrado em Educao Pr-Escolar e Ensino do 1. Ciclo do Ensino Bsico. Esta

    unidade curricular encontra-se organizada de forma a proporcionar experincias de prtica educativa

    em contextos reais, sendo seu propsito possibilitar o desenvolvimento e a construo de

    conhecimentos profissionais conscientes e informados, sustentados numa prtica de investigao

    pedaggica.

    A realizao do Relatrio de Estgio Profissional foi muito importante visto ser um elemento

    fundamental e indispensvel na nossa formao, pois o mesmo permite aos futuros profissionais de

    educao analisar e refletir de forma sustentada as prticas vivenciadas e/ou observadas. Tal como

    afirma Zeichner (1993), o processo de compreenso e melhoria do seu ensino deve comear pela

    reflexo sobre a sua prpria experincia (p. 17).

    A implementao deste projeto centrou-se em trs momentos distintos: um primeiro de

    diagnstico, com a aplicao de um questionrio e de dois ditados; o momento do desenrolar do

    estudo, que teve como base atividades de cariz ldico, centradas no jogo e na escrita de palavras; e

    um ltimo momento da repetio da aplicao dos ditados, para melhor compreender a evoluo das

    aprendizagens dos alunos, na escrita de slabas de estrutura CCV (consoante-consoante-vogal), ou

    seja, slabas de ataque ramificado. A escolha deste tema surgiu das observaes realizadas, uma vez

    que os alunos em questo cometiam muitos erros ortogrficos, particularmente em palavras com

    slabas com a estrutura referida, inclusive em palavras com as quais contactavam diariamente, como

    era o caso de Expresso Plstica.

    O problema de investigao estava, assim, diretamente relacionado com a conscincia

    fonolgica, nomeadamente a conscincia intrassilbica, pelo que o desenvolvimento desta

    competncia se nos afigurou como via para melhorar o desempenho ortogrfico dos alunos.

    Definimos ento, como objetivo principal, a diminuio dos erros ortogrficos cometidos pela turma,

    treinando a conscincia intrassilbica e despertando nos alunos interesse para a rea de Portugus.

    No Captulo 1 deste trabalho apresentamos o Quadro de Referncia Terico, onde

    abordamos os conceitos fundamentais na anlise dos dados recolhidos: conscincia fonolgica

    (conscincia silbica, conscincia intrassilbica, conscincia fonmica e conscincia da palavra),

    tarefas de treino da conscincia fonolgica, leitura, escrita, erro ortogrfico e tipologia do erro

    ortogrfico.

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    De seguida, no Captulo 2, enquadramos teoricamente a investigao realizada, fazendo

    referncia ao problema que originou a investigao, s questes a que pretendemos responder, ao

    paradigma do estudo, ao desenho do estudo, aos instrumentos de recolha de dados, forma como

    eles foram aplicados e aos momentos da sua aplicao. Nesse captulo, fazemos ainda uma breve

    caraterizao da instituio envolvida e dos participantes do nosso estudo. Apresentamos ainda um

    quadro onde mostramos sucintamente as atividades que realizmos, fazendo referncia aos objetivos

    especficos de cada uma delas.

    No Captulo 3, apresentamos os resultados do nosso estudo. Aqui mostramos sucintamente

    os dados analisados, analisando os resultados obtidos tendo em conta o Quadro de Referncia

    Terico, e apresentando evidncias empricas, tais como fotografias e excertos da escrita realizada

    pelos alunos, nos momentos de ditado.

    No ltimo captulo, o Captulo 4, apresentamos as consideraes finais, onde se encontram

    as respostas s questes de investigao, uma breve reflexo acerca da investigao realizada e sobre

    o contributo que a mesma nos proporcionou, enquanto futuros profissionais de educao.

    Finalmente, deixamos algumas sugestes para investigaes futuras.

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    CAPTULO 1. QUADRO DE REFERNCIA TERICO

    Este captulo tem como objetivo apresentar uma abordagem terica de referncia

    relativamente ao tema em estudo, para que este seja compreendido e assim a ao seja sustentada.

    Aqui analisaremos o conceito de conscincia fonolgica, de unidades fonolgicas, a

    importncia da escrita e da leitura para o treino da conscincia fonolgica e a tipologia dos erros

    ortogrficos.

    1.1 Conscincia Fonolgica

    Entendendo-se por conscincia conhecimento imediato da prpria atividade psiquica1, e por

    fonologia disciplina que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua

    funo no sistema lingustico2, passemos ao conceito de conscincia fonolgica.

    Segundo Rios (2011) o conceito de conscincia fonolgica pode ser definido como a

    habilidade metalingustica complexa que envolve a capacidade de refletir sobre a estrutura

    fonolgica da linguagem oral (p. 26). Este conceito inclui a conscincia de que a fala pode ser

    dividida em unidades menores e de que estas podem ser manipuladas. o tipo de conhecimento

    lingustico que nos permite dizer, por exemplo, que uma palavra rima com outra, que existem

    palavras maiores e outras menores ou quantas slabas tem uma palavra.

    Turnmer & Rohl (1991, cit. por Silva, 2002) dizem-nos que o conceito de conscincia

    fonolgica est associado, genericamente, capacidade para conscientemente manipular (mover,

    combinar ou suprimir) os elementos sonoros das palavras orais (p. 5). Esta capacidade desenvolve-

    se de forma relativamente lenta nas crianas. Ainda segundo Silva (2002), as modalidades mais

    elementares da conscincia fonolgica abrangem a sensibilidade s slabas, rimas e fonemas iniciais

    das palavras (p. 5).

    Este trabalho deve ter incio em idade pr-escolar, sendo que no 1. Ciclo que as

    aprendizagens obtidas antes se assimilam. Se forem detetadas dificuldades por parte dos alunos, estas

    devem ser combatidas com tarefas de treino, para assim a resoluo ser mais fcil e eficaz.

    Como nos diz Rios (2011) fazendo referncia a vrios autores, como Gombert (1990),

    Goswami e Bryant (1990), Gillon (2004), Veloso (2003) e Alves Martins (1996), existem trs

    formas possveis de conscincia fonolgica: a conscincia silbica, a conscincia intrassilbica e a

    conscincia fonmica (p. 31). No entanto, vrios so os autores que alm destas trs formas de

    1 Dicionrio da Lngua Portuguesa (2013 - 2015)

    2 Dicionrio da Lngua Portuguesa (2014, p. 378)

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    conscincia fonolgica fazem referncia a outra, a palavra, como sendo uma capacidade bsica

    essencial compreenso de que um continuum sonoro constitudo por unidades lingusticas

    menores, as frases, e que estas, por sua vez, so constitudas por palavras (Rios, 2011, p. 31) e, por

    isso, tornou-se importante acrescentar a conscincia da palavra. Uma vez que a mesma uma

    capacidade fundamental ao desenvolvimento da conscincia fonolgica e aprendizagem da leitura e

    da escrita. (Freitas et al., 2007 e Adams et al., 2006 cit. por Rios, 2011).

    Importa, ento, explicar cada uma delas.

    1.1.1 Conscincia Silbica

    Antes de iniciarmos a explicao deste conceito, importante definir slaba, que segundo

    Azeredo et al. (2007) uma sequncia de sons cujo ncleo 3 uma vogal ou um ditongo (p. 60),

    ou seja, a cada grupo de sons pronunciados numa s emisso de voz, por exemplo, a palavra gota

    est dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente, go-ta e cada um desses grupos

    uma slaba.

    A conscincia silbica diz respeito capacidade de identificar e manipular as slabas de uma

    palavra. Esta a primeira forma de reflexo sobre a linguagem oral, que as crianas desenvolvem

    desde a idade pr-escolar. Como nos diz Rios (2011), a anlise das primeiras tentativas de escrita

    das crianas em idade pr-escolar permite identificar a slaba como unidade fonolgica que lhes

    permite refletir sobre a estrutura fonolgica da lngua (p. 34). As crianas tm tendncia para

    representar, intuitivamente, o nmero de unidades fonolgicas em representao da slaba, usando o

    nmero de carateres para representar essas mesmas unidades, como por exemplo:

    Figura 1. Tentativa de escrita de crianas de idade pr-escolar.

    Freitas e Santos (2001, p. 83)

    Freitas (1993 cit. por Rios, 2011, p. 35) diz-nos que:

    As primeiras produes das crianas assumem, preferencialmente, um formato silbico em prol de um

    formato segmental, ou seja, embora a extenso das primeiras palavras seja reduzida produo de

    uma ou duas slabas, o formato fontico dominante no corresponde a um s som, mas a um grupo de

    sons CV (consoante vogal) ou CVCV (consoante vogal consoante vogal) qu