Libras - Erica

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Curso de Libras

Nvel: BsicoAgosto/2010 Professores: Irzyane Cazumb & Roberto Costa

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Lngua Brasileira de Sinais Apresentao

A Lngua Brasileira de Sinais (Libras) a lngua viso-gestual que tem sido difundida a partir dos movimentos surdos, que tm lutado em prol de seus direitos. Durante muitos anos, o povo surdo tem lutado pelo reconhecimento de sua cultura e lngua, apesar do que a sociedade majoritria tem imposto: um padro de cidado sem levar em conta as especificidades das pessoas surdas. Sendo assim, atravs de anos de luta, o povo surdo conquistou o direito de usar uma lngua que possibilitasse no s a comunicao, mas tambm sua efetiva participao na sociedade. No entanto, para que esta participao seja efetiva preciso difundir a lngua, a cultura e a concepo de mundo dos surdos. Atualmente, a Libras j reconhecida por lei (Lei n. 10.436/2002) e, alm disso, j conta com um decreto de regulamentao dessa lei, conforme discutiremos no decorrer do nosso curso. Contudo, as legislaes vigentes ainda no do conta de todos os direitos das pessoas surdos, bem como das pessoas que esto imbricadas no processo de educao de surdos (professores de surdos e professores surdos, alm dos intrpretes de lngua de sinais). Bons estudos!

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SUMRIO

1. Alfabeto manual .................................................................... 4 2. Nmeros ............................................................................... 4 3. Um pouco de Histria ........................................................... 5 4. Saudaes e cumprimentos ............................................... 12 5. Concepo da pessoa surda .............................................. 14 6. Compreendendo a Libras: Parmetros ............................... 19 7. Localizao e espao da sinalizao .................................. 21 8. Legislaes sobre a Libras ................................................. 23 9. Expresses facial e corporal ............................................... 26 10. Categorias nominais: pessoas/famlia................................. 28 11. Adjetivos: classificadores descritivos .................................. 33 12. Tipos de frases na Libras.................................................... 34 13. Advrbios e expresses relacionadas a tempo ................... 37 14. Categorias nominais: profisses/documentos ..................... 44 15. Cores ...................................................................................... Referncias...................................................................................

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1. Alfabeto Manual

2. Nmeros

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3. Um pouco de Histria: Lngua Brasileira de Sinais e Educao de Surdos(Extrado e adaptado de ) Se observarmos a histria da trajetria da humanidade, atentando-se especificamente as pessoas com deficincia, perceberemos que elas geralmente foram excludas da formao da sociedade. A histria do povo surdo tem vislumbrado que a diferena est na lngua e, por essa razo, nem sempre foi possvel haver a comunicao/interao entre povos surdos e ouvintes. Na atualidade, temos visto alguns resultados devido s muitas lutas travadas pelo povo surdo. Essas lutas tm ocorrido no sentido da afirmao da sua lngua, cultura e identidade. A partir de agora, daremos um passeio na histria dos surdos e da sua educao, a fim de entendermos qual tem sido o tratamento dado a essas pessoas ao longo da histria.

3.1 At a Idade Mdia No Egito, os Surdos eram adorados, como se fossem deuses, serviam de mediadores entre os deuses e os Faras, sendo temidos e respeitados pela populao. Na Antigidade os chineses lanavam-nos ao mar, os gauleses sacrificavam-nos aos deuses Teutates, em Esparta eram lanados do alto dos rochedos. Na Grcia, os Surdos eram

encarados como seres incompetentes. Aristteles, ensinava que os que nasciam surdos, por no possurem linguagem, no eram capazes de raciocinar. Essa crena, comum na poca, fazia com que, na Grcia, os Surdos no recebessem

educao secular, no tivessem direitos, fossem marginalizados (juntamente com os deficientes mentais e os doentes) eCurso Bsico de Libras

6 que muitas vezes fossem condenados morte. No entanto, em 360 a.C., Scrates, declarou que era aceitvel que os Surdos comunicassem com as mos e o corpo. Em Constantinopla, as regras para os Surdos eram basicamente as mesmas. No entanto, l os Surdos realizavam algumas tarefas, tais como o servio de corte, como pajens das mulheres, ou como bobos, de entretenimento do sulto. A Igreja Catlica, at Idade Mdia, cria que os Surdos, diferentemente dos ouvintes, no possuam uma alma imortal, uma vez que eram incapazes de proferir os sacramentos. s aqui, no fim da Idade Mdia e inicio do Renascimento, que samos da perspectiva religiosa para a perspectiva da razo, em que a deficincia passa a ser analisada sob a ptica mdica e cientfica.

3.2 Idade ModernaPedro Ponce de Lon, em Madri, que foi o primeiro educador dos surdos, que a histria j soube. Ele dedicou grande parte da sua vida a ensinar os filhos surdos, de pessoas nobres. Len desenvolveu um alfabeto manual, que ajudava os surdos a soletrar as palavras. Nesta poca era costume que as crianas que recebiam este tipo de educao e tratamento fossem filhas de pessoas que tinham uma situao econmica boa. As demais eram colocadas em asilos com pessoas das mais diversas origens e problemas, pois no se acreditava que pudessem se desenvolver em funo da sua anormalidade.

Juan Pablo Bonet, aproveitando o trabalho iniciado por Len, foi estudioso dos Surdos e seu educador. Escreveu sobre as maneiras de ensinar os Surdos a ler e a falar, por meio do alfabeto manual. Bonet proibia o uso da lngua gestual, optando o mtodo oral. Curso Bsico de Libras

7 Charles Michel de L'pe:

Muitos o consideram criador da lngua gestual. Embora saibamos que a mesma j existia antes dele, L'pe reconheceu que lngua realmente existia e que se essa desenvolvia uma Os (embora lngua seus a no com

considerasse gramtica).

principais

contributos foram: criao do Instituto Nacional de Surdos-Mudos, em Paris (primeira escola de surdos do mundo), que se encarregar de difundir a lngua de sinais para outros pases; reconhecimento de que ensinar o surdo a falar seria perda de tempo, antes que se devia ensinar-lhe a lngua gestual.

3.3 Idade ContemporneaNessa poca comeam os grandes embates sobre a melhormaneira para a educao dos surdos. Uns defendes ooralismo e outros a sinalizao. Veremos alguns educadores que marcam a educao dos surdos at o tempo que nos alcansa. Jean Massieu foi um dos primeiros professores

surdos do mundo. Laurent Clerc, surdo francs, educador, acompanhou Thomas Hopkins Gallaudet, educador ouvinte, aos EUA, onde abriram uma escola para surdos, em Abril de 1817, a Escola de Hartford. Gallaudet instituiu nessa escola a Lngua Gestual Americana, passou ainda a ser usado o ingls escrito e o alfabeto manual. Em 1830, quando Gallaudet se reformou, j existiam nos Estados Unidos cerca de 30 escolas para surdos.

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8Thomas Hopkins Gallaudet

Edward Miner Gallaudet, filho de Thomas Gallaudet e tambm educador de surdos, lutou pela elevao do estatuto do Instituto de Colmbia a colgio. Esse colgio deu origem, em 1857, Universidade Gallaudet, onde for presidente por 40 anos. Em 1880 nasce Hellen Keller, na Alemanha. Hellen ficou cega e surda aos 19 meses de idade, por causa de uma doena. Aos 7 anos Hellen havia criado cerca de 60 gestos (br: sinais) para se comunicar com os familiares. Anne Sulivan, a professora de Hellen, isolou-a do resto da famlia, conseguindo assim disciplinar e ensinar Hellen. Sullivan ensina a Hellen usando o mtodo de Tadona, que consiste em tocar os lbios e a garganta da pessoa que fala, sendo isso combinado com dactilologia na palma da mo. Hellen

aprendeu a ler ingls, francs, alemo, grego e latim, atravs do braile. Aos 24 anos formou-se, em Radcliffe. Foi sufragista, pacifista e apoiante do planeamento familiar. Fundou o Hellen Keller International, uma organizao para prevenir a cegueira. Publicou muitos livros e foi galardoada por Lydon B. Johnson, com a Presidential Medal od Freedoms.

3.4 Congresso de MiloO Congresso de Milo, em 1880, foi um momento obscuro na Histria dos surdos, um grupo de ouvintes, tomou a deciso de excluir a lngua gestual do ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo, pois o comit do congresso era unicamente constitudo por ouvintes. Em consequncia disso, o oralismo foi a tcnica preferida na educao dos surdos durante fins do sculo XIX e grande parte do sculo XX. O Congresso durou 3 dias, nos quais foram votadas 8 resolues, sendo que apenas uma (a terceira) foi aprovada por unanimidade. As resolues so: 1. O uso da lngua falada, no ensino e educao dos surdos, deve preferir-se lngua gestual; 2. O uso da lngua gestual em simultneo com a lngua oral, no ensino de surdos, afecta a fala, a leitura labial e a clareza dos conceitos, pelo que a lngua articulada pura deve ser preferida; 3. Os governos devem tomar medidas para que todos os surdos recebam educao; Curso Bsico de Libras

94. O mtodo mais apropriado para os surdos se apropriarem da fala o mtodo intuitivo (primeiro a fala depois a escrita); a gramtica deve ser ensinada atravs de exemplos prticos, com a maior clareza possvel; devem ser facultados aos surdos livros com palavras e formas de linguagem conhecidas pelo surdo; 5. Os educadores de surdos, do mtodo oralista, devem aplicar-se na elaborao de obras especficas desta matria; 6. Os surdos, depois de terminado o seu ensino oralista, no esqueceram o conhecimento adquirido, devendo, por isso, usar a lngua oral na conversao com pessoas falantes, j que a fala se desenvolve com a prtica; 7. A idade mais favorvel para admitir uma criana surda na esco