JULIO CESAR ARAUJO

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  • JULIO CESAR ARAUJO

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN

    ANLISE COMPARATIVA DAS DIFERENTES ABORDAGENS DAS GRAMTICAS NORMATIVAS SOBRE O EMPREGO DOS PRONOMES

    RELATIVOS EM FRANCS E PORTUGUS

    CURITIBA PR2007

  • JULIO CESAR ARAUJO

    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN

    ANLISE COMPARATIVA DAS DIFERENTES ABORDAGENS DAS GRAMTICAS NORMATIVAS SOBRE O EMPREGO DOS PRONOMES RELATIVOS EM

    FRANCS E PORTUGUS

    Monografia apresentada como requisito parcial ao curso de Letras Francs, nfase em Bacharelado em Estudos Lingsticos, da Universidade Federal do Paran com orientao da Professora Doutora Sandra Lopes Monteiro.

    CURITIBA PR2007

  • SUMRIO

    INTRODUO............................................................................................................07

    HISTRICO.................................................................................................................07

    1. PRESSUPOSTOS TERICOS...............................................................................18

    2. APRESENTAO E ANLISE DAS GRAMTICAS............................................21

    2.1 GRAMMATICA PHILOSOPHICA DA LINGUA PORTUGUEZA...........................21

    2.2 NOVSSIMA GRAMTICA DA LNGUA PORTUGUESA.....................................29

    2.3 GRAMMAIRE GNRALE ET RAISONNE DU PORT-ROYAL.........................36

    2.4 LE BON USAGE....................................................................................................47

    3. ANLISE COMPARATIVA.....................................................................................58

    3.1 ANLISE COMPARATIVA DAS GRAMTICAS DE LNGUA PORTUGUESA... 58

    3.2 ANLISE COMPARATIVA DAS GRAMTICAS EM LNGUA FRANCESA.........61

    3.3 ANLISE COMPARATIVA DAS GRAMTICAS DOS DOIS IDIOMAS............... 64

    CONSIDERAES FINAIS........................................................................................68

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS...........................................................................71

  • RESUMO

    Este trabalho tem como objeto uma anlise comparativa das diferentes abordagens

    das gramticas normativas sobre o emprego dos pronomes relativos em Francs e

    em Portugus. Para tanto, procedeu-se reviso bibliogrfica nas gramticas Le

    Bon Usage, Grammaire Gnrale et Raisonne du Port-Royal, Novssima

    Gramtica da Lngua Portuguesa e Grammatica Philosophica da Lingua

    Portugueza, com enfoque nos pronomes relativos. A anlise contrastiva das

    referidas gramticas permitiu: conhecer um pouco da histria da tradio

    gramatical; entender o processo de evoluo desses estudos que visaram

    estabelecer uma referncia consistente de elaborao das gramticas; conhecer os

    pronomes relativos; constatar as equivalncias e o comportamento desses relativos

    no outro idioma; e compreender a que ou a quem se refere o pronome.

  • RSUM

    Ce travail a pour but lanalyse comparative des diffrentes approches des

    grammaires normatives sur lemploi des pronoms relatifs en franais et en

    Portugais. Pour cela, il a t ralis une rvision bibliographique des grammaires Le

    Bon Usage, Grammaire Gnrale et Raisonne du Port-Royal, Novssima

    Gramtica da Lngua Portuguesa et Grammatica Philosophica da Lingua

    Portugueza en vue de mener des tudes en ce qui concerne les pronoms relatifs. L

    analyse contrastive des grammaires a permis de: connatre dune certaine faon l

    histoire de la tradition grammaticale; comprendre le processus dvolution des ces

    tudes dont le but tait dtablir une rfrence consistante dlaboration ds

    grammaires; connatre les pronoms relatifs; prendre connaissance ds quivalences

    et du comportement de ces relatifs dans une langue diffrente, et comprendre quoi

    ou qui se rfre le pronom.

  • AGRADECIMENTOS

    Inicialmente a Deus;

    A minha me Iole Gugelmin;

    A minha tia Maria Elita Gugelmin

    A minha irm Ilen Cristine;

    A minha orientadora Sandra;

    Aos meus colegas, professores e todos aqueles

    que colaboraram comigo nesta conquista.

  • O MAGISTRIO

    Rui Barbosa

    A fronte do sacerdote se verga para o clice

    consagrado. A do lavrador, para a terra. A do que

    espalha o gro da verdade, para o sulco soaberto

    nas conscincias novas. E todos trs receberam

    ordens sacras. Todos concorrem para a

    fecundao divina do Universo. A hstia, o arado, a

    palavra correspondem aos trs sacerdcios do

    Senhor. Mas a suprema santificao da linguagem

    humana, abaixo da prece, est no ensino da

    mocidade. O lavrador deste cho deveria amanh-

    lo de joelhos.

    (Escritos e Discursos Seletos, pg 650, Ed. Jos

    Aguilar, 1960)

  • INTRODUO

    HISTRICO

    Ainda que seja difcil determinar o incio do estudo da lingstica (o prprio

    termo surgiu somente no sculo XIX), pode-se dividir em trs grandes momentos ao

    longo da histria as teorias da linguagem no Ocidente: a gramtica grega, a

    gramtica comparada do comeo do sculo XIX e a lingstica estrutural do comeo

    do sculo XX.

    A mais antiga reflexo lingstica sem dvida aquela dos gramticos hindus,

    em particular, a anlise de Panini sobre o snscrito. Mas na cultura ocidental, o

    modo de pensar definido pela civilizao clssica grega que preconizou os estudos

    das lnguas, a partir de duas concepes distintas: a retrica (dos sofistas) e a

    dialtica.

    A Gramtica Antiga surge com a constituio da democracia grega que

    revelou a preocupao com a persuaso poltica, tornando necessrio o surgimento

    de especialistas em discurso, os sofistas, que, no intuito de disponibilizar aos seus

    alunos os meios de dominar o verbo (a palavra), viram-se obrigados a encarar a

    linguagem de uma maneira que fosse possvel analisar e codificar seus recursos.

    Essa busca pelo domnio da palavra resultou na Retrica de Aristteles (384 322

    a.C.), que influenciou decisivamente toda a cultura ocidental. Paralelamente a esta

    tcnica de manipulao, desenvolveu-se uma reflexo filosfica de articular lngua e

    verdade, visando relacionar a estrutura da linguagem e as proposies, pelas quais

    se enunciam julgamentos verdadeiros ou falsos sobre o mundo. Novamente

    7

  • preciso citar a obra de Aristteles, a qual evidenciava a importncia da relao nome

    e verbo.

    Aos poucos, desenvolveu-se uma reflexo mais propriamente gramatical,

    mais preocupada com a articulao efetiva das lnguas naturais, em particular, com

    os gramticos de Alexandria: Dionsio da Trcia (170 80 a.C.) escreveu a primeira

    gramtica da cultura ocidental, Tkhne Grammatik, onde ele distingue as oito

    partes do discurso: noma, rhema, rthron, antonymia, prthesis, epirrhema,

    syndesmos, ainda vlidos atualmente. Mas para os alexandrinos, o interesse pela

    lngua era freqentemente subordinado a um interesse filolgico: tornar legveis os

    prestigiados textos literrios, sobretudo as obras de Homero, uma vez que a lngua

    tornava-se cada vez mais distante do grego praticado nos sculos III e II a.C.

    Os gregos legaram tambm dois grandes debates da filosofia da linguagem

    que atravessaram a cultura ocidental: o primeiro ope aqueles (os analogistas) que

    pensam que a estrutura da lngua regular e deve ser tratada como objeto de uma

    cincia, queles (os anomalistas) que a entendem como um aglomerado de usos

    arbitrrios; o segundo debate ope os defensores de uma relao natural entre as

    palavras e a realidade (que os signos so motivados) aos que, como Aristteles,

    pensam que a relao entre os signos e o que eles designam convencional

    (imotivada).

    Os latinos utilizaram e transmitiram os trabalhos dos gregos na medida em

    que a estrutura da lngua latina aproximava-se da grega. Considerando-se que a

    gramtica grega privilegiava o estudo da morfologia (o estudo da palavra

    considerada e suas diversas desinncias), era necessrio que a lngua latina

    dispusesse igualmente de declinaes para que a passagem de uma para outra

    pudesse ocorrer mais facilmente. Os gramticos mais clebres deste perodo so:

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  • Varro (116 27 a.C.), que escreveu De lngua latina, em vinte e seis volumes, dos

    quais se preservaram apenas seis (V a X), uma descrio sistemtica da lngua

    latina; Donato (f. 350 d.C.), autor de Ars Minor; Prisciano (f. 500 d.C.), De

    Institutionum Grammaticarum e Santo Agostinho (354 430): segundo Auroux

    (1998: 409), "em De Diatectica (387) e no De Magistro (389) desenvolve uma

    teoria geral dos signos, incluindo o signo lingstico; em De Trinitate (415), ele

    formula a concepo segunda a qual o pensamento uma linguagem interior".

    A tradio medieval da gramtica estendida encerra vrias obras em latim, no

    entanto, outros estudos foram desenvolvidos e registrados em outros idiomas como

    no caso de Al-Khaliyl (m. 787), autor de um dicionrio rabe e o primeiro em que as

    razes so classificadas de acordo com o ponto de articulao das consoantes;

    Siybawayhi (m. 793), autor de al-Kitab, primeiro livro em rabe que contm

    descrio fontica, morfolgica e sinttica do idioma; Saadia Ben Joseph Gaon (m.

    844) redige em rabe a primeira gramtica e o primeiro dicionrio do hebreu; Aelfric

    (945 1010) compe a primeira gramtica latina em um vernculo e