IENCONTRO NACIONAL SOBRE A DOUTRINA III - ATU A£â€£’O...

download IENCONTRO NACIONAL SOBRE A DOUTRINA III - ATU A£â€£’O POL£†TICA E ORGANIZA£â€£’O DE GRUPOS SOCIAIS Propostas

If you can't read please download the document

  • date post

    27-Jul-2020
  • Category

    Documents

  • view

    0
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of IENCONTRO NACIONAL SOBRE A DOUTRINA III - ATU A£â€£’O...

  • I ENCONTRO NACIONAL SOBRE A DOUTRINA SOCIAL ESPÍRITA

    Santos 1985

    P E N S E u P e n s a m e n t o S o c i a l E s p í r i t a

    - -

  • ÍNDICE

    APRESENTAÇÃO 2 PREFÁCIO 6 I - VALORES DOUTRINÁRIOS

    n Introdução ao Estudo da Reforma Íntima ( Almir Del Prette ) 7 II - COMUNICAÇÃO

    n Contribuição para um Esboço de uma Teoria Social Espírita ( Jaci Regis ) 15

    n Comunicação ( Heloísa Pires ) 35 III - ATUAÇÃO POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO DE GRUPOS SOCIAIS

    n Propostas da Doutrina Espírita ( Aylton G.C. Paiva) 40

    n Ação dos Espíritas ( Cláudio António de Mauro ) 60 IV - EDUCAÇÃO

    n Doutrina Social Espírita ( Maria Eny Rossetini Paiva ) 81

    n Filosofia de uma Vida Renovada - Viver um Novo Paradigma ( Octávio Melchíades Ullysséa ) 113

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    1

  • APRESENTAÇÃO

    I Encontro Nacional Sobre a Doutrina Social Espírita signi- ficou um grande momento para o processo de construção do

    pensamento social espírita e um importante marco histórico nos anais do espiritismo brasileiro. Realizado em Santos-SP, nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 1985, durante o carnaval, o evento reuniu cerca de 100 estudiosos do espiritismo. Estiveram presentes espíritas de várias regiões do País, todos preocupa- dos com os rumos da sociedade brasileira. Esta preocupação se objetivou, tanto no temário como na tentativa de se buscar, nos intensos e calorosos debates, novos rumos para a construção de uma sociedade justa, livre e igualitária, inspirada nos princí- pios filosóficos e éticos do espiritismo.

    O

    O encontro só foi possível devido ao idealismo de um grupo de jovens espíritas universitários de Santa Catarina e a sensibili- dade do jornalista José Rodrigues e do psicólogo e escritor Jaci Regis, que ofereceram as dependências da Comunidade Assistencial Espírita Lar Veneranda, a divulgação através do periódico Espiri- tismo & Unificação e toda a logística necessária à sua realização.

    A energia inesgotável daquele grupo de jovens aliada à experiência santista na organização de eventos espíritas, ino- vadores e pioneiros como este, resultou num dos momentos mais emblemáticos da história do espiritismo brasileiro.

    O idealismo dos jovens espíritas universitários catari- nenses se somou também à ânsia da juventude espírita da Baixada Santista e da capital paulistana em debater a filosofia espíri- ta, então sob um enfoque mais sociológico, em um momento muito peculiar da sociedade brasileira.

    Era uma fase de transição no campo político e social. Os anos de 1980 foram uma década marcada pela abertura democrática

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    2

  • e a retomada do engajamento político da sociedade brasileira, da articulação de partidos de caráter progressista como o então recém-fundado Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socia- lista Brasileiro (PSB), o Partido Humanista (PH), o Partido De- mocrático Trabalhista (PDT) e a articulação dos comunistas no PMDB, numa frente ampla e democrática. O crescimento dos movi- mentos populares, as comunidades eclesiais de base, as lideran- ças comunitárias no campo e na cidade, o renascimento do movi- mento estudantil e o crescimento do movimento sindical consti- tuíram o pano de fundo para a retomada das lutas democráticas, reprimidas durante tantos anos pela ditadura militar.

    Pensadores espíritas de mentalidade progressista como Humber- to Mariotti, Manuel S. Porteiro, Cosme Mariño, Léon Denis, Eusínio Lavigne e o Movimento Universitário Espírita (MUE), dos anos 60, fo- ram lembrados, citados e ressurgiram nesse evento, profundamente mar- cado pela alteridade, pela convivência fraterna e a necessidade de se oferecer à sociedade brasileira todo o potencial filosófico do espi- ritismo no trato das questões sociais.

    O encontro teve ampla repercussão no movimento espírita, principalmente nos setores mais conservadores, que o acusaram injustamente de esquerdista e de fazer apologia das teses mar- xistas. Jornais de grande circulação como o Jornal da Tarde, de São Paulo, capital e A Tribuna, de Santos, noticiaram o evento, que aprovou moção a favor da convocação da Assembléia Nacional Constituinte e formulou uma proposta dirigida à comissão orga- nizadora do IX Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas (Combrajee), para a inclusão em seu temário de ques- tões relacionadas ao pensamento social espírita.

    Em 1987, realizou-se em São Paulo, capital, o segundo en- contro, então com outro nome: II Encontro Sobre o Aspecto Social da Doutrina Espírita (II Ensasde). A última edição foi em 1989, em Salvador-BA.

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    3

  • Acomissãoorganizadora, formada por jovens espíritas universitários de Santa Catarina, se integrou aos espíritas santistas na realização do encontro, com ampla repercussão na imprensa espírita.

    Cerca de 100 pessoas de váriasregiões do País participaram do I Encontro Nacional Sobre a Doutrina Social Espírita, realizado em Santos, no Lar Veneranda, em 1985: um dos momentos mais emblemáticos do movimento espírita brasileiro.

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    4

  • Este registro histórico do encontro, que o Pense publica com exclusividade, em formato digital, serviu de base aos deba- tes em grupo e na plenária. São textos de diversos autores so- bre os temas mais variados, todos relacionados diretamente ao pensamento social espírita. Segundo as próprias palavras da co- missão organizadora do evento, “o material contido nesta apos- tila é riquíssimo em conceitos, posicionamentos e propostas. Quem penetrar a fundo nos textos perceberá que as propostas dos expositores, ora se fundem, ora convergem, ora divergem, e isto nos parece ser um ponto positivo, pois acreditamos que seja dos pontos de vista limitados de cada um, discutidos à luz da ra- zão, que poderemos chegar ao conhecimento da verdade.”

    Boa leitura!

    Eugenio Lara

    PENSE – Pensamento Social Espírita.

    http://www.viasantos.com/pense

    Março de 2010.

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    5

  • PREFÁCIO Após quase um ano de preparação, caminhamos para a reta final que

    nos leva ao I Encontro Nacional Sobre a Doutrina Social Espírita.

    O caminho percorrido até aqui não tem sido fácil, a escassez de re- cursos aliada aos mais diversos contratempos foram constantes que nos acom- panharam a todo momento, dificultando nosso trabalho.

    Por outro lado, as cartas recebidas de diversas partes do País, a- poiando a iniciativa do encontro, nos incentivaram a ir em frente e não desistir. Com a apostila que está sendo entregue cumprimos mais uma etapa desta caminhada.

    Até aqui a responsabilidade pelo pleno êxito do encontro recaía so- bre nós, os organizadores. Agora, de posse desta apostila, você se torna “construtor” deste êxito. O material contido nesta apostila é riquíssimo em conceitos, posicionamentos e propostas. Cabe a cada um de nós ler atenta- mente o que cada expositor propõe, anotando críticas, dúvidas, sugestões etc. Isto fará enriquecer os debates e, consequentemente, o encontro. Por isso, um bom estudo individual dos textos é fundamental.

    Quem penetrar a fundo nos textos perceberá que as propostas dos ex- positores, ora se fundem, ora convergem, ora divergem, e isto nos parece ser um ponto positivo, pois acreditamos que seja dos pontos de vista limi- tados de cada um, discutidos à luz da razão, que poderemos chegar ao conhe- cimento da verdade.

    Queremos agradecer aos expositores, aos companheiros de ideal espíri- ta, aos simpatizantes, aos amigos, aos datilógrafos, operadores de máquinas copiadoras, técnicos gráficos enfim, a todos aqueles que nos auxiliaram na elaboração desta apostila e na organização deste encontro.

    Por último, queremos deixar como recado uma frase de Allan Kardec, que esteve sempre a nortear nosso trabalho:

    “... sua aspiração por uma melhor ordem de coisas é indício da possibilidade de alcançá-la. Aos que são progressistas cabe acelerar esse movimento por meio do estudo e da utilização dos meios mais eficazes” (Obras Póstumas, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, pág. 237, FEB, 1978).

    Fraternalmente A Comissão Organizadora

    PENSE - Pensamento Social Espírita

    6

  • INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA REFORMA ÍNTIMA

    Almir Del Prette

    O espírita somente pode ser reconhecido pela sua transformação moral.

    Allan Kardec

    O estudo da reforma íntima pode ser empreendido sob vá- rios aspectos. Assim, esse tema pode ser visto em seu aspecto psicológico, enfatizando-se motivações, comportamentos, deter- minantes ambientais ou pode ser objeto de análise filosófica da existência, da moral, da subjetividade ou ainda, situá-lo no contexto social da política e da economia.

    No estudo ora proposto, o tema será abordado como uma in- trodução geral, sob uma ótica psicossocial. Dado o seu caráter introdutório, parece ser inevitável, em alguns momentos, a co- locação de questões mais genéricas. Além disso, o leitor veri- ficará o adiamento no aprofundamento de alguns problemas, cuja pertinência não se coloca neste trabalho. Apesar desse