Identidades em Movimento

download Identidades em Movimento

of 16

  • date post

    09-Jan-2017
  • Category

    Documents

  • view

    213
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of Identidades em Movimento

  • Biblioteca Luso-Brasileira 28

    Ibero-Amerikanisches Institut Preuischer Kulturbesitz

    Enrique Rodrigues-MouraDoris Wieser

    (org.)

    Identidades em Movimento

    Construes identitriasna frica de lngua portuguesa

    e seus reflexos no Brasil e em Portugal

  • Enrique Rodrigues-Moura, Doris Wieser (org.)

    Identidades em Movimento

    Construes identitrias na frica de lngua portuguesa e seus relexos no Brasil e em Portugal

  • biblioteca luso-brasileira

    Publicaes do Instituto Ibero-Americano Patrimnio Cultural Prussiano

    Verffentlichung des Ibero-Amerikanischen Instituts Preuischer Kulturbesitz

    Vol. 28

  • biblioteca luso-brasileira

    Enrique Rodrigues-MouraDoris Wieser

    (org.)

    Identidades em Movimento

    Construes identitrias na frica de lngua portuguesa e seus relexos no Brasil e em Portugal

    Frankfurt am Main 2015 ISBN 978-3-939455-12-7

    ISSN 1432-4393

  • Bibliographische Information der Deutschen Nationalbibliothek Die Deutsche Nationalbibliothek verzeichnet diese Publikation in der Deutschen Nationalbibliographie; detaillierte bibliographische Angaben sind im Internet ber http://dnb.ddb.de abrufbar.

    TFM - Verlag Teo Ferrer de Mesquita

    Inh. Petra NoackGroe Seestrae 47-51 D-60486 Frankfurt/Maninfo@tfmonline.de www.tfmonline.de

    Alle Rechte vorbehalten.

    A publicao foi produzida com o apoio da Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa (CPLP). O seu contedo da exclusiva responsabilidade dos autores e no pode, de forma alguma, ser tomado como a expresso das posies da CPLP.

    Reviso: Olvia Barros de FreitasFotograias da capa: Doris Wieser, 2014 (Esttua de Cames na Ilha de Moambique, Capulanas em Pemba) Arte da Capa: Eduardo MonteiroComposio e redao/Redaktion und Satz: Ibero-Amerikanisches Institut PKImpresso/Druck: Druckservice Uwe Grube, Hirzenhain

    ISBN 978-3-939455-12-7ISSN 1432-4393

  • ndice

    Introduo 9

    Vises gerais 15

    Por uma literatura sem muros. Um depoimento 17Aida Gomes

    Repensando a Lusofonia: uma leitura a partir de frica 45Eduardo Felisberto Buanaissa

    Lusofonia em movimento: lngua, culturas, naes 67Enrique Rodrigues-Moura

    identidades luso-africanas 93Na fronteira da sombra: personagens femininas em textos de Mia Couto 95Orqudea Ribeiro

    Vises da realidade em Jos Eduardo Agualusa e Mia Couto 109Fernando Alberto Torres Moreira

    Entre pratos e panos: narrativas transnacionais do Oceano ndico em Neighbours de Llia Mompl e O pano encantado de Joo Paulo Borges Coelho 121Jessica Falconi

    dilogos afro-brasileiros 139Sempre em viagem: naes deslizantes como formas do pensamento no romance Nao crioula de Jos Eduardo Agualusa 141Kian-Harald Karimi

    Brasil e Cabo Verde: ainidades identitrias 173Maria do Carmo Cardoso Mendes

    Uma frica de africanidade varivel: aluncias e divergncias a respeito do imaginrio cultural africano e afro-brasileiro na ico de Alberto Mussa 189Alva Martnez Teixeiro

  • ndice6

    dilogos afro-portugueses 207De ombro na ombreira. Poltica e formao potica em Portugal e Moambique: Alexandre ONeill e Rui Knopli 209Mauricio Salles Vasconcelos

    Razes do dio de Guilherme de Melo: uma nova frica? 225Tobias Brandenberger

    A palavra dos retornados nas entrelinhas da descolonizao: O retorno, de Dulce Maria Cardoso, e Os retornados Um amor nunca se esquece de Jlio Magalhes 239Isabel Azevedo

    (Des)identidades retornadas: da nostalgia crtica do colonialismo suavezinho dos portugueses 253Luciana Moreira Silva

    entreVista 271Os anjos de Deus so brancos at hoje. Entrevista a Paulina Chiziane 273Doris Wieser

    autoras e autores 295

  • Agradecimentos

    Agradecemos a Olvia Barros de Freitas a competente reviso dos ensaios. A Peter Birle, diretor cientico do Instituto Ibero-Americano de Berlim, agradecemos a incluso do nosso volume na srie Biblioteca Luso-Brasi-leira, assim como pela orientao prestada. Um agradecimento especial ao Secretariado Executivo da Comunidade de Pases de Lngua Portuguesa (CPLP) pelo generoso apoio inanceiro proporcionado, que tornou poss-vel esta publicao. Por ltimo, mas no menos importante, agradecemos aos autores e autoras dos ensaios pela participao neste projeto, e escri-tora Paulina Chiziane pela entrevista concedida.

    Os organizadores

  • Introduo

    Desde a poca colonial at ao presente, passando pelos tempos das Guerras de Libertao e da formao de Estados nacionais independentes, a pro-duo literria em portugus na frica, assim como a produo de outras formas artsticas, nunca deixou de crescer de forma constante. de salien-tar, ainda, que as culturas africanas de lngua portuguesa mantm um per-manente dilogo com Portugal e com a lngua portuguesa e que os seus atores, voluntria ou involuntariamente, esto marcados pelas mudanas geogricas de lugar. Nesse contexto, no decorrer do sculo xx e no mbito dos variados movimentos migratrios entre a colnia e a metrpole, surge a pergunta: onde termina a literatura portuguesa colonial sobre a frica e a partir de quando que se pode falar de uma literatura ou cultura angola-na, moambicana, cabo-verdiana, etc.? Segundo Antonio Candido (1959), para que se possa falar de uma literatura nacional, condio inalienvel a existncia prvia de um sistema literrio. Assim, entende-se que este se constitui pelo agir de um grupo de autores mais ou menos conscientes do seu papel, pela existncia de um pblico leitor, que se organiza em diferen-tes grupos de acordo com os seus interesses, e pela conigurao de um me-canismo de divulgao (tambm na forma de uma tradio literria com a qual dialogar). Somente num sistema literrio assim deinido possvel conformar uma tradio que ponha em relao os elementos individuais entre si e que estabelea, ao mesmo tempo, um sistema de comunicao que propicie uma conscincia de pertena cultural partilhada (na linha das Imagined Communities de Anderson 1983).

    A construo de uma identidade cultural e literria nos pases africanos de lngua portuguesa surgiu numa poca em que, em outras regies do mundo, o conceito de nao e o projeto fundacional a ele associado pare-ciam haver perdido o poder de mobilizao. Some-se a isso que a heteroge-neidade dos pases africanos, devida, tambm, aos movimentos migratrios provocados pelas respetivas guerras civis, fez com que a construo de uma memria coletiva uniicadora (Jan Assmann 1992, Aleida Assmann 1999) adquirisse algumas particularidades especicas. Patrick Chabal (1994) di-ferencia, no eixo do tempo, quatro fases de desenvolvimento das literaturas africanas em geral: Assimilao (poca colonial), Resistncia (durante as Guerras de Libertao), Airmao (aps o perodo das independncias) e Consolidao (o tempo presente), as quais servem de guia para o estu-do dos diferentes processos de construo de uma cultura nacional. Nesse

  • Introduo10

    contexto, surgem as seguintes perguntas: pode-se falar, realmente, de uma cultura nacional em Angola, Cabo Verde, Moambique, So Tom e Prn-cipe e na Guin-Bissau? Como se orquestram e constroem essas identida-des culturais no mbito da literatura? J se desenvolveu, entretanto, uma identidade cultural nos pases africanos de lngua portuguesa, que possa ser considerada nacional, ou esta dilui-se nas vrias identidades regionais heterogneas e mesmo nas que surgem da migrao e do exlio?

    O volume que aqui se apresenta pretende contribuir com alguns ele-mentos para o debate destas questes, necessariamente sempre inconclusas, ao discutir uma srie de obras literrias das fases histricas de Resistncia, Airmao e/ou Consolidao. O volume est estruturado em quatro eixos temticos e inclui ainda uma entrevista.

    A primeira seco temtica oferece algumas Vises gerais sobre as questes acima abordadas. Aida Gomes lana um depoimento pessoal, no qual faz um mapeamento das literaturas africanas de lngua portuguesa, discutindo-as, por um lado, dentro do contexto africano, e, por outro, no mbito da Lusofonia. Aborda uma srie de pontos importantes para este mapeamento, nomeadamente, as relaes entre a poltica e a literatura em frica, a posio semiperifrica de Portugal no sistema mundial (Waller-stein, Sousa Santos), o poder do cnone ocidental, as polticas lingusticas, a posio dos escritores lusfonos no mercado do livro e a participao dos escritores africanos de lngua portuguesa na formao da respectiva nao e de uma identidade nacional.

    Eduardo Felisberto Buanaissa relexiona sobre a contribuio das africanidades numa utpica (re)formao da Lusofonia, a partir de uma pesquisa levada a cabo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, e de conversas com o ilsofo moambicano Severino Ngoenha. Defendendo a Lusofonia interessa salient-lo , discute o papel da CPLP, a existncia de valores de cultura africana na formao da brasilidade, o impacto das polticas neoliberais na frica e prope o aproveitamento do conceito de interculturalidade para uma sociedade mais justa.

    Encerra-se esta seco com um ensaio de Enrique Rodrigues-Moura sobre o conceito de Lusofonia, tanto do ponto de vista da sua construo terica o absoluto predomnio da lngua como fator de coeso de in-divduos e povos prximos ou distantes , como da sua implementao histrica, liderada por Portugal. Aps apresentar as contradies do pr-prio conceito, discutindo a polmica nacionalista que se viveu no Brasil, no mbito acadmico, quando da publicao de Formao da literatura

  • 11Introduo

    brasileira, de Antonio Candido, o texto estuda o abuso epistemolgico da relao entre ptria e lngua, com referncias a textos de Jos Eduardo Agualusa e Juva Batella.

    A segunda seco, intitulada Identidades luso-africanas, aborda uma srie de movimentos e posicionamentos identitrios nos pases afri-canos de lngua portuguesa. A representao da opresso das mulheres ne-gras na obra de Mia Couto centro d