GRAFICA SEQ2 REDUZIDO

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Uma experincia de festejar 85porAlexAndrAcontocAni ecArloscAApAvAfestejarA experincia de86 Brincar: um ba de possibilidadesAexperinciadefestejaralgopresenteentreoshomens desde perodos muito remotos. Inicialmente ligadas plantao e colheita, as festas sempre tiveram o grande poder de unir as pessoasereforarasolidariedadehumana.Festejarumato coletivo, comunitrio, que por isso s pode acontecer de manei-racompartilhada.Entretanto,nomundoatual,estamoscada vezmaisexpostosaoindividualismo,e,assim,ocoletivovai pouco a pouco perdendo o sentido. Pensando sobre essas ques-tes,noanode2008otrabalhonoInstitutoSidartaprocurou ressignificar a festa junina, trazendo um novo sentido para essa comemorao, um evento comum nas instituies de ensino.A experinciaAideiaerafazercomqueafestafizessesentidoparaas crianas e adolescentes e fosse construda coletivamente pela comunidade escolar. O tema escolhido foi a chita, o que tornou possvel realizar um passeio pelas manifestaes populares do Brasil,reconhecendoasbrincadeiras,msicas,artesanatos, histrias,mitos,lendasevestimentas.Tambmfoipossvel, graas temtica, estabelecer um contato com momentos da histria do pas e da formao do povo brasileiro. Houve a cria-o de um espao inspirado nos barraces das escolas de sam-ba para a confeco de adereos e figurinos para o evento, uti-lizando a chita como objeto principal. Renato Ambroisi, designer txtil e estudioso da histria da chita, foi o grande mentor intelectual dessa empreitada. Con-versou com os alunos sobre sua pesquisa, orientando a equipe tcnica no sentido de potencializar essa temtica com outras reas do conhecimento. Nas aulas de msica, os alunos foram convidados a realizar umpasseiopelasfestas,quecomeoupelascomemoraes dos solstcios de inverno e de vero, e passou por diversas ma-nifestaes da cultura popular brasileira, como brincadeiras de roda, cacuri, caboclinho, ciranda, lundu, coco e a tradicional quadrilha caipira. Em primeiro lugar, refletimos sobre as festividades pags na Europa, quegiravam em torno das grandes fogueiras relacio-nadas aos rituais de fertilidade praticados em vrias culturas. DepoisexploramosasmanifestaesnoBrasil,ligadasao catolicismo, primeiro em homenagem a So Joo, comemorado em 24 de junho, depois se estendendo a Santo Antnio, no dia 13,SoPedro,nodia29,eSoMaral,nodia30.Osfestejos agradeciam pela boa colheita, mantendo o fogo aceso para es-pantar os maus espritos que pudessem atrapalhar as futuras plantaes. Conclumos que as festividades juninas celebram a vida, o sol e o elemento fogo transformador, que gera luz e calor, que transforma gua em vapor, vapor em nuvem que traz a chuva, a qual rega a terra e fertiliza as sementes que alimentam a vida. Todo esse percurso foi explorado com as crianas e adoles-centespormeioderitmos,canes,movimentos,figurinos, instrumentos musicais e histrias das manifestaes que cada regio ou comunidade leva para perto de sua fogueira junina. Essascomunidadesforamrepresentadaspornossosalunose cadagruposeaprofundounosconhecimentosadquiridose compartilhou-os com os demais.Vale destacar alguns momentos da experincia vivida com as crianas de 5 a 6 anos. Esse grupo explorou o cacuri, uma dana de roda brincada nas ruas e praas de So Lus do Mara-nho que tem origem na festa do Divino Esprito Santo. Uma experincia de festejar 87Por meio da chita tornou-sepossvel fazer um passeio pelasmanifestaes populares do Brasil Beatriz Corts88 Brincar: um ba de possibilidades Beatriz CortsUma experincia de festejar 89Aps as obrigaes religiosas, acontece o carimb das caixei-ras (devotas do Divino Esprito Santo, tocadoras de caixa) no qual se brinca o cacuri, em forma de cordo ou roda. Enquanto alguns participantes batem palmas, outros batem na caixa e inventam versos, formando um ritmo para comear a dana e movimentar o corpo. Em geral as letras das msicas indicam os movimentos da dana, o que torna a brincadeira mais atraente e divertida. Paraessascrianas,ocacurifoiintroduzidodemaneira ldica, por meio de uma narrativa que envolvia as canes. Foi contada a histria de um menino caador de carangue-jo que, aps a caa, vende o animal na feira. No meio da nar-rativa as crianas foram convidadas a caar caranguejo dan-ando e cantando:Caranguejinho, t andando, t andandot na boca do buraco,caranguejo, sinhDesde que o cacuri foi apresentado para as crianas, elas se envolverammuitocomessamanifestao,pareciamencar-la como uma brincadeira divertida, que fazia muito sentido. Tal foi o envolvimento que, quando questionadas sobre o que fazer na festa junina, trouxeram vrias sugestes relacionadas ao cacu-ri. Durante os preparativos para a festa, a questo da colheita ficou em evidncia, muito se falou nas comidas tpicas, inclusive foi organizado um piquenique junino, no qual no faltou milho cozido, pipoca, canjica, p de molequee outras iguarias. No momento da escolha do repertrio, as crianas tambm es-tabeleceram relaes entre as msicas do cacuri e a questo da colheita e da alimentao. Fizeram questo de incluir no repert-rio que seria apresentado na festa a msica Macaco pisa o milho:O macaco pisa o milhoPloc, ploc, plocNo pilo da sapucaiaPloc, ploc, ploc90 Brincar: um ba de possibilidadesEle pisa, ele cessa Ploc, ploc, plocNa barra da sua saiaOutracoisacuriosafoiaescolhadamsicadoavio.As crianas relacionaram-na ao fato de termos falado de diversas manifestaes de vrios lugares do Brasil e tambm ao fato de estaremfazendoosfigurinosparaafestautilizandoachita, que nasceu na ndia e foi estampada na Frana, vindo depois para c. Acharam que no poderia faltar um avio para trazer a chita at nossa festa. Meu avio, ele vem do CearEle vai pousar num campo de aviaoEu dei com a mo para ele pararEle parouDesligou o motorE devagar pousou no choDurante a festa as crianas danaram de maneira descontrada e ficaram bastante orgulhosas em convidar seus pais para partici-par da brincadeira. Saram muito entusiasmadas da festa. Helena, aluna de 5 anos, escreveu em seu dirio: Eu nunca vou esquecer esta festa junina, dancei muito com as minhas amigas.Pelaobservaodafesta,pudemosperceberquepossvel fazer com que um processo educativo seja transformador e sig-nificativo. Todos, das crianas pequenas aos adolescentes, pu-deram captar a dimenso coletiva do festejar, construindo tudo juntos, desde a roupa at a dana, o que possibilitou a realizao de uma experincia da ordem do compartilhar.Os alunos do Ensino Fundamental I e II, adoradores de rock e de outros estilos musicais, voltaram o olhar para a Pangeia, atravessaramcontinentescantandocomcaiaps,xavantes e cariris; danando samba, lundu e coco. Ouvimos blues, jazz Uma experincia de festejar 91 Beatriz Corts92 Brincar: um ba de possibilidadese bossa nova. Com base nesses ritmos houve criaes em tor-no da temtica, como ilustrado ao lado. Assim, pudemos perceber que o barraco se tornou a alma do evento. Foi uma soluo simples para envolver toda a comunida-de escolar na preparao da festa. Um espao colorido, que tor-nou-se um ponto de referncia e de experincia do aprendizado tericosobreachita,comdisponibilidadedemateriaisvaria-dos. Todas as turmas visitaram o espao com seus professores e o frequentaram em horrios livres de forma regular. A ideia cen-tral no foi produzir algo individual, mas alguma coisa que pu-desse ser usada no coletivo da festa, um exerccio de fazer para outro. A preparao se transformou em um evento to significa-tivo quanto a festa em si. Afinal, o melhor da festa prepar-la. Atrelar a temtica da chita e assim, da histria do pas, a outrasreasdoconhecimento,mostrouqueesseconheci-mentonoesttico,engessado.Areproduodeumfazer antigo a customizao de tecidos e sua efetiva aplicao no cotidianotrouxeparaamodosmeninos,etambmde seus pais e mes que participaram das atividades propostas noespao,umaproximidadequeproporcionouumtrabalho conjuntoentrepais,filhoseeducadores,mostrandoatodos os envolvidos quanta qualidade pode ter uma atividade desse tipo, que atrele informao, conhecimento, fazer e reflexo. Houve uma proposta de situao de escolha tanto na pro-duo do interior do barraco, quanto na seleo das manifes-taes a serem vivenciadas, gerando de fato autonomia e en-volvimento. E quando finalmente chegamos hora da quadrilha, tivemosaoportunidadedecompartilharumacirandacultural quereuniuumacomunidadeagoraumpoucomaisexperiente com o ato de festejar. Beatriz CortsUma experincia de festejar 93FESTA MULTICORLetra: Bruno Cruz e 7 Srie Sidarta 2008Parodia da cano Garota de IpanemaOlha que chita mais linda, mais cheia de graa este tecido que vem e que passa Num suave balano a caminho do arrai Chita indiana estampada em terra francesaFlores multicores, veja que beleza a roupa mais linda que eu j vi passar Oh, como a chita bacanaOh, um jardim nela existeOh, aqui ningum tristeA beleza do seu coloridoNas camisas, calas e vestidos. Ai, a festa junina aqui no SidartaPlantamos cultura, a colheita fartaE tudo to lindo por causa da cor,por causa do amor94 Brincar: um ba de possibilidadesComemorar o aniversrio...Como isso pode ser bom! porclaudi asi quei ra96 Brincar: um ba de possibilidadesTenhomuitasrecordaesdasminhasfestasdeanivers-rio...Alis,quemnoselembracomsaudadedessasfestas? Reunirosamigos,cantarparabns,comerosdocinhoseo bolo. O ponche de groselha, com gua com gs e frutas pica-das, era a sensao!Mas, para falar bem a verdade, o maior prazer da festa era prepar-la. Sentar noite para fazer a lista de amigos, pensar comoseriamosconvites,desenh-losumaumepint-los issoeramuitobom!Distribu-losparaosamigosdarua,da escola, para os primos. Ajudar a av e a me a fazer po de l, depois rechear com doce de leite e, por fim, muito prazeirosa-mente, fazer a cobertura de clara de ovos batidos ( mo) com acare suco de limo, colocar o creme branco como uma nuvem em um saquinho de leite bem lavado, com um peque-no furo feito com agulha, e desenhar no bolo todo, fazendo flo-resetraadoscruzadosparaparecerumacesta.Enrolaros beijinhos e os brigadeiros era uma farra! A quantidade final era sempremenordoqueaprevistaporminhame.Tambm, quemmandavapedira