FORMAO EMPREENDEDORA: ASPECTOS CONVERGENTES E

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  • FORMAO EMPREENDEDORA: ASPECTOS CONVERGENTES E DIVERGENTES SOB A TICA DE ALUNOS, PROFESSORES,

    PAIS E EMPREENDEDORES

    Vnia Maria Jorge Nassif Universidade Presbiteriana Mackenzie e Faccamp Derly Jardim do Amaral Clvis Cerretto Pinto Maria Thereza Rubin Camargo Soares Rodrigo Augusto Prando Universidade Presbiteriana Mackenzie RESUMO Esta pesquisa tem por objetivo identificar os fatores influentes para a formao empreendedora e que auxiliem na construo de um projeto pedaggico de uma universidade comprometida com a formao empreendedora. Adotou-se uma abordagem qualitativa, classificada como exploratria. As tcnicas de coleta de dados utilizadas foram: sesses de grupos de foco com alunos e pais de alunos, questionrio no estruturado para professores e entrevistas semi-estruturadas com empreendedores estabelecidos na regio. Os resultados foram submetidos anlise de contedo e apontam para a necessidade de: reviso e incremento do projeto pedaggico, com prticas que favoream o desenvolvimento da viso empreendedora; alinhamento entre o que se ensina em sala de aula e o que se vive no cotidiano profissional; e metodologias que integrem teoria e prtica por meio de atividades extensionistas e incentivo pesquisa. Depreende-se que a formao empreendedora no um atributo exclusivo da Instituio de Ensino Superior, no obstante possuir um papel preponderante para essa formao. Palavras-chave: formao empreendedora; projeto pedaggico, universidade.

    Revista ANGRAD, v. 10, n. 2, Abril/Maio/Junho 2009 73

  • Vnia Nassif, Derly Amaral, Clvis Pinto, Maria Soares, Rodrigo Augusto Prando

    ABSTRACT This study aims to identify the influential factors for entrepreneurial training and to assist in the construction of a pedagogical project of a university, committed to the entrepreneurial training. It was used a qualitative approach, classified as exploratory research. The data collection techniques used were: sessions of focus groups with students and parents, non-structured questionnaire with teachers, semi-structured interviews with established entrepreneurs on site. Data was subjected to content analysis and results pointed out the need to revise and enhance the project with pedagogical practices that promote the development of entrepreneurial vision; align what is taught in the classroom and practiced in the daily work; methodologies that integrate theory and practice, through extension activities and incentive research. It appears that the entrepreneurial training is an attribute exclusive of the universities, despite their prominent role in the matter. Keywords: entrepreneurial training, pedagogical project, university. INTRODUO As mudanas que vm ocorrendo no mundo e no Brasil esto fazendo uma revoluo silenciosa nos paradigmas organizacionais e, sobretudo, na educao. A escola no Brasil, de maneira geral, cultua o paradigma tradicional, ou seja, o continusmo dos modelos burocrticos, cartesiano e mecanicista de educao, em detrimento das prticas inovadoras, criativas e empreendedoras exigidas na atualidade.

    Os apontamentos desenvolvidos no mbito do Ministrio da Educao e Cultura - MEC demonstram a necessidade de se repensar o projeto pedaggico com vistas a propiciar um ensino mais dinmico, considerando que a universidade o locus para a concretizao e construo do conhecimento e o professor o gestor para viabiliz-los.

    Com base nessas reflexes, os objetivos que nortearam o desenvolvimento do presente estudo foram o de identificar quais so os fatores influentes para a formao empreendedora e de que maneira esses fatores auxiliam na construo de um projeto pedaggico voltado para tal formao. Trata-se, portanto, de uma pesquisa que priorizou o mtodo qualitativo, de carter exploratrio. Foi desenvolvida com o intuito de conhecer as efetivas contribuies do projeto pedaggico e se ele contempla alicerces para estimular a formao de empreendedores.

    74 Revista ANGRAD, v. 10, n. 2, Abril/Maio/Junho 2009

  • Formao empreendedora

    Com o intuito de atender aos objetivos desta pesquisa, estabeleceram-se os seguintes objetivos especficos:

    a. Levantar, por meio da literatura, as teorias que sustentam os

    estudos acerca da formao empreendedora e o papel da educao e das instituies educacionais;

    b. Demonstrar, a partir de uma anlise cientfica, a importncia do projeto pedaggico para os cursos de graduao;

    c. Apresentar propostas de incentivo formao empreendedora; d. Oferecer um texto-sntese com reflexes acerca do papel das

    universidades, dos professores e dos alunos e a relao entre esses agentes na formao empreendedora.

    Este artigo traz no referencial terico temas relacionados aos paradigmas da educao, abrangendo as IES, as diretrizes da educao superior, a funo e as contribuies do projeto pedaggico na formao empreendedora. A segunda parte apresenta a pesquisa, a metodologia utilizada, os resultados e as consideraes finais. MUDANA DE PARADIGMAS E AS INSTITUIES DE ENSINO SUPERIOR

    Para Kuhn (1987), paradigma (do grego, pardeigma) um conjunto de conceitos, com coerncia lgica, formulados em termos de teoria, aceitos e compartilhados por uma comunidade acadmica que, durante um perodo de tempo, fornecem problemas e solues modelares para uma comunidade de praticantes da cincia. Em outras palavras, o conceito de paradigma refere-se a modelos, padres e exemplos, compartilhados e utilizados para descrever, compreender e explicar a realidade. Dentro desse mesmo enfoque, mudanas paradigmticas so episdios de desenvolvimento, nos quais um paradigma mais antigo total ou parcialmente superado e substitudo por outro que desponta como um novo e mais apropriado veculo para a teoria e prtica cientficas. No obstante essa concepo se aplicar, recorrentemente, nas cincias exatas e biolgicas, nas cincias sociais, geralmente, paradigmas divergentes convivem e buscam explicar o mesmo fenmeno, a partir de perspectivas distintas e, no necessariamente, excludentes.

    Drucker (1997) adverte que a revoluo tecnolgica est exigindo mudana de paradigmas em relao s escolas, para que as mesmas possam sobreviver s novas demandas. Aduz que ela transformar o aprender e o ensinar dentro de poucas dcadas e que mudar a economia da educao. Revista ANGRAD, v. 10, n. 2, Abril/Maio/Junho 2009 75

  • Vnia Nassif, Derly Amaral, Clvis Pinto, Maria Soares, Rodrigo Augusto Prando

    Alm disso, as escolas iro tornar-se altamente intensivas de capital e sero as mudanas na posio social e no papel delas que estimularo as transformaes do prximo sculo. Prope ainda que a educao signifique um compromisso claro com a prioridade do ensino escolar e que o papel do professor tambm passa por uma transformao, liberando-o do ensino rotineiro, corretivo e repetitivo. Acredita que os educadores tero cada vez mais tempo para identificar os pontos fortes dos estudantes, focalizarem esses pontos e lev-los a realizaes, ou seja, tero tempo para ensinar.

    Sousa (1998) ressalta que, durante os anos 60, e em grande parte dos anos 70, o modelo de escola de boa qualidade era aquele projetado pelas escolas religiosas, que tinham como diferencial uma proposta curricular decorrente de crenas religiosas ou subordinada aos determinantes culturais do pas de origem de sua mantenedora. Essa ideia complementada por Falco Filho (1997) quando afirma que essa concepo curricular apresenta uma caracterstica bsica: no tem compromisso com a cultura e nem com a sociedade na qual ela, seus alunos e seus profissionais esto inseridos. Segundo esse mesmo autor, essa falta de compromisso provoca uma concepo curricular dissociada do ambiente no qual est inserida a escola e se manifesta na medida em que essa escola, por meio das aes de seus profissionais, no leva em considerao as caractersticas polticas, sociais e econmicas do contexto. E, pela omisso ou pela ao, menospreza os valores e crenas da cultura onde est situada, e, consequentemente, volta-se para o seu ambiente interno. No limite, a escola apresenta-se descolada da realidade social, incapaz muitas vezes de fazer com que o conhecimento ministrado seja compreendido e, principalmente, faa sentido ao educando.

    Hodiernamente, observa-se que a formao e a prtica do educador passam a ter como caractersticas fundamentais a maximizao dos aspectos scio-polticos e a minimizao do tcnico-operacional. Do educador, como afirma Feldens (1996), tem sido solicitado assumir um papel determinante e crucial na promoo de uma educao e profissionalizao de qualidade com relevncia e significado para todos os alunos. Nota-se que as crises, os dilemas da educao superior (ES) e os defrontados por profissionais atuantes, professores e estudantes, refletem e dizem respeito, em grande parte, falta de conscincia nacional sobre a importncia da educao; aos deslocamentos entre universidade e sociedade, refletidos em uma no correspondncia, em um no atendimento aos interesses do alunado.

    A Organizao das Naes Unidas para a Educao, Cincia e a Cultura UNESCO (1998), afirma que a abertura com que organiza o debate entre especialistas e representantes governamentais agregou um acervo valioso de diagnsticos e recomendaes dentro do seu compromisso de 76 Revista ANGRAD, v. 10, n. 2, Abril/Maio/Junho 2009

  • Formao empreendedora

    promover a ES e a pesquisa. No documento oficial pontua trs aspectos chave que determinam a posio estratgica da ES na sociedade contempornea. O primeiro, a pertinncia da ES para que se expresse da melhor maneira pela variedade de servios sociedade; o segundo, a qualidade sob o foco de um conceito multidimensional, entre a docncia, pesquisa e extenso; e o terceiro diz respeito globalizao, que se tornou imprescindvel aos alunos e professores com