[FLUSSER, Vilém] Da Religiosidade

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  • 8/19/2019 [FLUSSER, Vilém] Da Religiosidade

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    A COLEÇÃO ENSAIOS TRANSVERSAIS

    trata

    de temas ~ue articulam reflexões teóricas e aÇões

    cotidiana~, em busca do que se poderia caracterizar

    co.mo uma Scientia ctiva Os textôs representam

    vozes que procuram um debate aberto,

  • 8/19/2019 [FLUSSER, Vilém] Da Religiosidade

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    © by Edita Flusser

    Vilém lusser

    Todos os direitos desta edição reservados

    Escrituras Editora e Distribuidora de Livros Ltda.

    Rua Maestro Callia, 123 Vila Mariana 04012-100

    São Paulo, SP - Telefax: (11) 5082-4190

    e-mail: escrituras@escrituras.com.br

    site: www.escrirura:s.com.br

    Coordenação editorial

    Nilson José Machado

    Capa

    VeraAndrade

    Sistema Alexandria

    A.L. : 1528677

    Tombo: 31458

     

    a Religiosidade

    A literatura e o senso de realidade

    TO~SAIS

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    Editoração eletrônica

    Ricardo Siqueira

    Ilustração da capa

    Mikhail Aleksandrovitch Vrubel

     La Perla, 1904

    Galeria Tretiakov, Moscou

    Fotolitos

    Binhos

    1. Ensaios brasileros

    r.

    Título. 11.Tí tulo: A li teratura e o senso de real i

    dade.

    m.

    Série.

    ISBN 85-7531-060-7

    Impressão

    Banira Gráfica

    Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

    (Câmara Brasileira do Livro, Sp' Brasil)

    Flusser, Vilém, 1920-1991.

    Da religiosidade: a literatura e o senso de realidade/Vilém Flusser. 

    São Paulo: Escrituras Editora, 2002. - (Coleção ensaios transversais)

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    02-5687

    CDD- 869.94

    Índices para catálogo sistemático:

    1.Ensaios: Literatura brasi leira 869.94

    Impresso no Brasil

    Printed in Brazil

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    escrituras

    São Paulo, 2002

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     umár o

    Apresentação .IX

    Introdução 13

    (1) Da religiosidade 15

    (2) Por que e para quê? 23

    (3) Coincidência incrível... 31

    (4) Pensamento e reflexão 37

    (5) Da dúvida 47

    (6) Praga, a cidade de Kafka 63

    (7) Esperando por Kafl

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     present ção

    A trajetória do filósofo Vilém Flusser é um exemplo de

    engajamento intelectual que se tornou raro nos dias de

    hoje. Da cidade de Praga onde nasceu em 1920 Flusser e

    sua mulher Edith emigram para o Brasil depois de uma

    breve permanência em Londres fugindo da máquina de

    extermínio nazista que avançava sobre a Europa no início

    dos anos 40. Em São Paulo ele inicia sua carreira como filó-

    sofo ao publicar seus primeiros livros e artigos nos anos 60

    e atuando como professor de uma geração dejovens entusias-

    mados pelo seu estilo de pensar falar e escrever sobre temas

    que segundo ele estavam remodelando toda a história do

    ocidente.

    Em suas palestras que o tornaram conhecido como

    um homem polêmico e intelectualmente sedutor eram

    especialmente os jovens que se sentiam atraídos pela sua

    maneira elástica de pensar cheia de sutilezas e nuances

    cristalinos. Como orador influente Flusser transcendia a

    condição temporal da fala despertando para o vislumbre de

    certas dimensões atemporais do pensamento. Ele sabia que

    o arrebatamento era a condição essencial para a percepção

    do fluxo das coisas e talvez isso possa explicar a influência

    que exerceu sobre muitos artistas para quem ele parecia

    falar desde cedo. A sua não ortodoxia acadêmica aliada a

    uma vasta cultura histórica despertavam tanto o prazer de

    IX

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    pensar, quanto os várlOs ataques que sua forma de ver

    filosofia nos jornais recebeu. Seu hábito de encerrar

    ensaios e até mesmo livros sem notas de rodapé parece ter

    sempre afrontado aquela ordem magistral de manipulação

    do saber, incomodada com as performances filosóficas e

    com a objetividade comunicativa de um pensador lInico

    entre nós.

    No Brasil, Flusser irá exercer seu engajamel1to por

    meio de publicações, cursos, palestras e projetos culturais

    que, segundo sua forma de entender, poderiam servir dc

    modelos para o resto mundo. Ao retornar para a Europa no

    início dos anos 70, ele dará início

    à

    fasemais robusta dc sua

    obra, cujo marco fundamental será a publicação do livro

    Für einen Philosophie der Fotografie

      Por uma Filosofia da

    Fotografia ), editado primeiramente na Alemanha cm

    1983

    e dois anos depois no Brasil, com o título

    A

    Filosofia

    da Caixa Preta. Essa obra será responsável pela imagcm

    associada ao filósofo de um profeta da era tecnológica ,

    um premonitor do avanço de uma sociedade cujos va

    lores estariam sendo transferidos da produção de objctos

    para a produção de informações.

    Em suas freqüentes viagens entre a Europa e o Brasil ,

    Flusser construiu uma rede transoceânica de debates em

    torno de três pontos axiais básicos: a invenção do alfabeto,

    a invenção da tipografia e a invenção da fotografia. Para o

    filósofo, a fotografia, o primeiro meio de produção

    automática da imagem, irá marcar o advento de um novo

    período da história humana, pois a história da

    humanidade é a história do homem com seu instrumento

    e, por isso, é possível falar de uma mentalidade da pedra

    lascada, uma mentalidade do bronze e do ferro, assim como

    o de uma mentalidade digital .

    Mas o tema de Da religiosidade , de Vilém Flusser,

    não é o da emergência de uma nova capacidade para fazere

    decifrar imagens imagens técnicas), e sim a literatura. Ela é

    x

     o lugar no qual se articula o senso de realidade. E senso de

    realidade é, sob certos aspectos, sinônimo de religiosidade.

    Para os interessados em sua obra, a reedição desse livro vem

    nos oferecer um fecundo campo de estudos da filosofia que

    se articulava no autor por volta dos anos 60. Além de nos

    apresentar uma via de acesso a seu pensamento, SOlnos

    ainda apresentados à filosofia de Vicente Ferreira da Silva,

    figura de grande importância na formação intelectual de

    Vilém Flusser em São Paulo. Em vários dos ensaios aqui

    reunidos encontraremos as primeiras formulações que

    serão, décadas mais tarde, retomadas na Filosofia da Caixa

    Preta como no  ns Universum der Technischen ilder   No

    universo das Imagens Técnicas ), livro de

    1985

    e ainda

    inédito em português, no qual ele aprofunda os argumen

    tos lançados na Filosofia.

    Além dos ensaios sobre Kafka, a poesia concreta

    paulista e Guimarães Rosa, Flusser aborda também um

    tema que parece pontuar toda a sua obra, que é o tema da

    morte. Ao tratar desse tema exclusivo da vida , o filósofo

    nos ensina que, Toda frase de obra de pensador vivo apon

    ta, ...) em sua busca de perfeição, o intelecto que a gerou, e

    toda frase de obra de pensador morto aponta o intelecto

    que a recebe. E a obra, como um todo, esta ligada ao in

    telecto que a originou como por cordão umbilical, enquan

    to vivo o seu autor. A morte corta esse cordão e a obra

    emite pseudópodes em direção aos intelectos abertos para

    recebê-Ia. O último significado da obra é deslocado, pela

    morte, do intelecto do autor para os intelectos dos seus

    interlocutores. ...) De receptor e de ponto de ressonância

    transforma-se o interlocutor em guardião e realizador da

    obra. A responsabilidade ... ) passa do autor para o inter

    locutor, e o destino da obra depende doravante dele .

    Quanto a nós, os provisoriamente pouco numerosos

    interlocutores da obra , podemos dizer também que temos

    o privilégio e a responsabilidade de acolhê-Ia em nosso ínti-

    XI

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    mo para que continue a realizar-se. Não seremos dignos

    desse privilégio nem estaremos à altura dessa responsabili

    dade se a ternura e plasticidade da obra for pretexto para

    uma inibição de nossa parte em atacá-Ia. Embora tenra e

    plástica dispõe essa obra de força suficiente para resistir a

    nossos golpes.

     

    debaixo dos golpes que ela se formar

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    o Renascimento.

    o

    quarto e o quinto representam um

    esforço de formular um novo senso de realidade tomando

    como real a língua. Representam portanto a minha filoso

    fia. Os ensaios 6 7 e 8 tratam da realidade como aparece

    em Kafka. Os números 9 e 10 tentam articular a real