FILOSOFIA E CIÊNCIA POLÍTICA -...

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  • FILOSOFIA E CINCIA POLTICA

    Thiago Mota

  • Percurso

    Unidade I O nascimento da democracia entre os gregos

    Unidade II O debate contemporneo em crtica social:

    margem alem do Reno

    Unidade III O debate contemporneo em crtica social:

    margem francesa do Reno

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  • O nascimento da democracia entre os gregos

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  • Pr-natal da filosofia

    Antes da filosofia, o pensamento era mtico.

    Mito (mythos): narrativa que busca a explicao do mundo e a justificao dos valores.

    Justificao mtica: de carter dogmtico; persuaso por apelo ao emocional (f).

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  • Fora persuasiva dos discursos apocalpticos...

    ... seja nos mitos antigos...

    O juzo final, detalhe do teto da capela Sistina, de Michelangelo. O medo e a esperana so os pilares da religio.

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  • Fora persuasiva dos discursos apocalpticos...

    ... seja no discurso moralista contemporneo.

    Atentados de 11.9.2001: marco da atualidade poltica.

    Acidente nuclear de Fukushima, Japo: iniciado em 11.3.2011.

    Ainda em andamento.

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  • Funo poltica dos mitos

    Legitimao da estrutura de poder da Grcia arcaica.

    Poder teocrtico: fundado na ascendncia divina dos nobres.

    A Grcia homrica narrada na Ilada e na Odissia. Tela: A queda de Tria, de Johann Georg Trautmann.

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  • Estrutura de poder da Grcia Arcaica (scs. IX a VI a.C.) Civilizao micnico-cretense

    Poltica

    Monarquia hereditria legitimada no mito da origem divina do monarca

    Poderosa classe sacerdotal guardi da revelao Aristocracia belicista e ociosa encarregada da defesa da corte

    Economia

    Agro-pecuria, baseada na propriedade da terra (nobres) e no trabalho escravo.

    Moral

    Paidia fundada numa aret inata: excelncia como provenincia nobre

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  • Declnio do mito e da civilizao arcaica

    Esgotamento da economia agropecuria.

    Desenvolvimento de atividades martimas com fins comerciais.

    Formao da civilizao talassocrtica (colnias).

    Intercmbio comercial Intercmbio cultural.

    Relativizao das explicaes e valores fundados no mito.

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  • Topografia da filosofia grega

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  • Condies de nascimento e desenvolvimento da democracia

    MULTICULTURALISMO GREGO: O IDEAL PAN-HELNICO (COSMOPOLITISMO)

    A MICROGLOBALIZAO GREGA

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  • Do Mythos ao Logos

    Declnio do mito

    Filosofia: explicao do mundo e justificao dos valores fundada no logos (razo)

    Filosofia da physis (natureza): investigao da arch (primeiro princpio)

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  • Aporias da filosofia da physis

    Tales de Mileto (c. 625/4-558/6 a.C.): tudo gua.

    Anaxmenes de Mileto (c. 585-525 a.C.): tudo ar (peiron).

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  • Aporias da filosofia da physis

    Herclito de feso (c. 535-475 BC): tudo muda (Panta rei).

    Parmnides de Elia (c. 510-440 BC): o ser , o no-ser no .

    Aporias Esgotamento da filosofia da physis.

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  • Virada antropolgica da cultura grega: os sofistas

    Deslocamento da arcoragem da reflexo da physis para o ethos e a plis.

    Homo mensura: o homem a medida de todas as coisas (Protgoras)

    Humanismo grego: o homem como problema central

    Homem vitruviano, Leonardo da Vinci, 1490.

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  • Formao da civilizao grega clssica (sc. V e IV a.C.)

    Crise da aristocracia arcaica

    Fortalecimento do demos

    Inveno da democracia

    Reforma de Clstenes 508 a.C. Criao do Conselho dos 500 (boul)

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  • Maquete da gora, tal como era no sc. IV a.C.

  • Instituies da democracia grega

    Bauleterion: sala de reunies do Conselho dos 500 (Boul)

    Tholos: residncia rotativa do Pritane Presidente do Conselho eleito por 1 dia

    Stoa Basileios: alpendre do Rei-Archon

    Heliaea: tribunal de justia. Julgamento de Scrates, 399 a.C.

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  • A gora e o agn

    Concebida de incio como mercado (lugar de troca), passa mais tarde a abrigar as reunies da assemblia (Ecclsia).

    Relao entre gora () e agn ()

    O que se passava na gora era o agn da palavra, a erstica, a competio retrico-deliberativa.

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  • O agn no ethos grego

    Friso representando cena de luta. O agn a especificidade do carter helnico.

    Runas do local de treino dos atletas (palestra) em Olmpia.

    Epidauro, o teatro de Dionsio, onde eram encenadas as tragdias gregas.

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  • O agn na democracia grega

    Deliberao direta dos interesses concernidos.

    Jogo argumentativo, cujo objetivo a persuaso (retrica, dialtica).

    Orador: jogador ou artista da palavra.

    Lugar vazio do poder se mantm perpetuamente atravs de uma disputa agonstica (sem termo nem trgua).

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  • Aret poltica

    Crise da aret aristocrtica

    Aret poltica

    Forma de techn ou poesis

    Ensinada e aprendida

    Excelncia como honra pblica: visibilidade

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  • Retrica

    Arte de bem falar

    Arte de persuadir (peithein)

    Instrumento principal para conquista da visibilidade

    Arma no agn democrtico

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  • Condenao e reabilitao dos sofistas e da retrica

    Sofista

    Sphos: de sbio a prostituto do saber (Xenofonte, c. 427-355 a.C)

    Professor profissional itinerante de aret poltica de retrica, da arte da palavra.

    Problemtica do acesso aos sofistas

    Escassez de fontes (fragmentos)

    Meandros da doxografia

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  • Condenao dos sofistas

    Plato (429-347 BC): o sofista um caador de jovens ricos

    Aristteles (384-322 BC): o sofista um vendedor de opinies.

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  • Condenao dos sofistas

    Motivos tericos Sofistica como falso saber, simulacro, saber do

    aparente, fenomnico.

    Valorizao da dxa em detrimento da episthme

    Sofismas, falcias, tticas ersticas: sucesso imediato

    Manipulao das tcnicas do engano (apate)

    Negao da verdade absoluta (relativismo, niilismo)

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  • Condenao dos sofistas

    Motivos prticos:

    Imoralidade dos sofistas

    Contribuio para a desagregao tico-poltica da comunidade

    Subverso da justia e da religio

    Valorizao do pathos e da aisthesis

    Negao dos valores universais

    Fins lucrativos

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  • Retrica em Plato

    Plato, Grgias (dilogo)

    Dialtica essncia (episthme)

    Retrica aparncia (dxa)

    A retrica (peithein) pode e deve ser posta a servio da verdade e do bem (Fedro).

    Funo didtica do mito em Plato (Alegoria da caverna)

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  • Retrica em Aristteles

    Raciocnio (Aristteles, Tpicos) Analtico Verdadeiro Episthme

    Cincias tericas (Metafsica, Matemtica, Fsica, etc.) Demonstrao (didaskein) Descoberta

    Dialtico Verossmil Sophrosine (C. Perelman, A

    nova retrica, 1958.) Cincias prtico-produtivas (Histria, Teatro, Retrica,

    tica, Poltica, Direito, etc.) Persuaso (peithein) Construo (Aristteles, Retrica) Retrica, juntamente com outras cincias prticas.

    Retrica deliberativa Retrica judiciria Retrica epidtica potica

    dialtica

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  • Reabilitao dos sofistas

    Hegel (1770-1831), Lies de histria da filosofia: os sofistas foram mestres da Grcia, por cujo

    intermdio a cultura propriamente dita a teve origem

    Nietzsche (1844-1900), Crepsculo dos dolos: os sofistas eram gregos: quando Scrates e Plato adotaram

    o partido da virtude e da justia, foram judeus ou sei l o que.

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  • Caracterizao geral da sofstica

    Assistematicidade

    Sofstica ou sofistas?

    Nunca houve propriamente um movimento sofstico

    Houve sofistas

    Protgoras de Abdera (480-410 a.C.): O homem a

    medida de todas as coisas, das coisas que so, enquanto so,

    das coisas que no so, enquanto no so.

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  • Caracterizao geral da sofstica

    Pluralismo

    Pressuposto perspectivista: h sempre uma pluralidade de perspectivas em jogo

    Flexibilidade, improviso, tour de force Linhas de fora da paidia sofistica: educao geral e

    exaltao da techn e do logos Razo instrumental: poder do discurso sobre a

    natureza e sobre os homens Polymathia: transversalidade que possibilitava falar

    sobre qualquer assunto

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  • Caracterizao geral da sofstica

    Relativismo

    No h Verdade Absoluta

    No h Valores Universais

    Pragmatismo

    Realismo poltico: preocupao com a prxis poltica (discursiva)

    Critrio pragmtico de verdade: utilidade, efetividade.

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  • Caracterizao geral da sofstica

    Sensualismo Valorizao da experincia

    do corpo (pathos e aisthesis)

    Ilustrao sofstica

    Liberdade do pensamento e do discurso

    Agonstica Discusso intersubjetiva e

    argumentao persuasiva (democracia)

    Grgias de Leontinos (c. 485-380 a.C.): O ser no (niilismo ontolgico). Ainda

    que o ser fosse, no seria concebvel (epistemolgico). Ainda que o ser fosse

    concebvel, no seria comunicvel (lingustico).

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  • Paradoxo do professor e do aluno

    Diz-se que, um dia, Protgoras reclamou seus honorrios de um aluno, Evatlo, e como este protestou que no havia obtido nenhuma vitria, Protgoras replicou: se eu ganhar, ser necessrio me pagar, porque serei eu o vencedor; e se tu ganhares, porque sers tu.

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  • Explicao

    Contrato de ensino (professor x aluno)

    Clusula geral: o professor ser pago se seu aluno conseguir ganhar, por causa das lies que receber, ao menos um dos litgios de que participar durante essas lies.

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  • Explicao

    Alternativa simples

    Se o aluno ganhar ao menos uma vez, ele deve pagar.

    Se o aluno no ganhar, ele est quite, no deve nada.

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  • Explicao

    A rplica de Protgoras transforma a alternativa em dilema. Para no pagar, Evatlo deve provar ao tribunal que no

    ganhou nenhum litgio.

    Protgoras contestar essa alegao, dando incio a um novo litgio.

    Se Evatlo ganhar este litgio (provando que jamais ganha), ele ter ganho ao menos uma vez e, portanto, dever pagar os honorrios.

    Mas se Evatlo no ganhar este litgio, ser Protgoras quem o ganhar e, portanto, Evatlo dever igualmente pagar.

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  • Explicao

    O paradoxo pode ser reformulado assim:

    Protgoras: se tu ganhares (contra mim), ters ganhado; se tu perderes (contra mim), embora digas que sempre perdes (contra os outros), ters ganhado ainda.

    Evatlo: se eu perder (contra ti), terei perdido; se eu ganhar (contra ti), embora eu diga que sempre perco, terei perdido ainda.

    Resultado: os juzes decidem adiar o julgamento (indecidibilidade).

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  • Natureza paradoxal da democracia

    Democracia pressupe oposio, conflito, dissidncia.

    A democracia se encontra em risco perptuo, pois no democrtico elaborar leis que probam a elaborao de leis anti-democrticas.

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  • Bibliografia recomendada

    ARISTTELES. Retrica. Trad. M. Alexandre Jr. 2.ed. Lisboa: Imprensa Nacional, 2005.

    _____. Tpicos. Trad. L. Vallandro et al. So Paulo: Abril Cultural, 1978 (Col. Os Pensadores).

    CASSIN, Barbara. O efeito sofstico. Trad. A. Oliveria. So Paulo: 34, 2005.

    GUTHRIE, William. Os sofistas. 2.ed. So Paulo: Paulus, 2007.

    PERELMAN, Chaim, OLBRECHTS -TYTECA, Lucie. Tratado de argumentao. A nova retrica. 6.ed. So Paulo: Martins Fontes, 2005.

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  • Bibliografia recomendada

    PINTO, Maria; SOUZA, Ana (orgs.). Sofistas: Testemunhos e fragmentos. Lisboa: Imprensa Nacional, 2005.

    PLATO. Fedro. Lisboa: Edies 70, 1998.

    _____. Grgias. Lisboa: Edies 70, 2006.

    ROMEYER-DHERBEY, Gilbert. Os sofistas. Lisboa: Edies 70, 1999.

    VASCONCELOS, Arnaldo. Idias poltico-jurdicas dos sofistas no quadro da democracia ateniense. In: Direito, humanismo, democracia. 2.ed. So Paulo: Malheiros, 2006.

    VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Trad. I. Fonseca. 7.ed. So Paulo: Difel, 2002.

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  • O debate contemporneo em crtica social: margem alem do Reno

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  • As duas margens do Reno

    Pensamento social francs

    Assujeitamento

    Subjetivao

    PENSAMENTO SOCIAL ALEMO

    ALIENAO

    EMANCIPAO

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  • Teoria crtica da sociedade

    Trs geraes

    Adorno e a dialtica do esclarecimento

    Habermas e a teoria da ao comunicativa

    Honneth e teoria do reconhecimento

    Instituto de Pesquisa Social, ou Escola de Frankfurt,

    fundado em 1924, diretor atual: A. Honneth.

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  • Acontecimentos fundamentais para a teoria crtica

    Hiroshima, 6.8.1945; Nagasaki, 9.8.1945.

    Auschwitz-Birkenau, 20.5.1940 a 27.1.1945.

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  • Adorno e a teoria crtica clssica Fatalismo: melancolia e

    conformismo diante da histria.

    Crtica (prxis) Anlise (condies

    objetivas): sociologia das foras

    Interveno Condies da Emancipao

    Theodor Adorno (1903-1969, Alemanha)

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  • Dialtica da Aufklrung

    Mana Mito Filosofia Cincia...

    Desencantamento Encantamento Desencantamento Encantamento...

    Ilustrao (esclarecimento) Barbrie (e no emancipao)

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  • Dialtica negativa

    Progresso (Cultura) Retrocesso (Barbrie)

    Crtica como resistncia (potencial de resistncia): lgica da no-identidade (auto-definio pela relao com o que ele no ).

    Contato com o outro no-idntico, o diferenciado.

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  • Trabalho social

    Hegel: o sujeito constitudo pela experincia do objeto.

    Trabalho social: experincia em que objetividade e subjetividade se sintetizam.

    Trabalho: interao social e relao social com a natureza.

    Marx: formao pelo trabalho (prxis).

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  • Trabalho social

    Trabalho formador e trabalho alienado.

    Lukcs: trabalho alienado e reificao.

    Adorno: crise do vnculo entre trabalho e formao.

    Gyrgy Lukcs

    (1885-1971, Hungria), autor de Histria e

    conscincia de classe (1923).

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  • Subjetividade

    Marx e Freud jogam juntos.

    Pulses massificao nazifascista (reificao), sociedades consumistas (fetichismo).

    Tcnicas como fins em si (fetiches).

    Karl Marx (1818-1883, Alemanha)

    Sigmund Freud (1856-1939, ustria)

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  • Indstria cultural

    Contra a falsa cultura, a favor da cultura.

    Deformao da experincia pelo trabalho e pelo consumo.

    Esclarecimento como semiformao.

    Racionalidade da manipulao das massas.

    Andy Wahrol e a Pop Art

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  • Capitalismo tardio

    Cincia e tecnologias como foras produtivas: da sociedade industrial sociedade do conhecimento.

    Sociedade administrada: controle.

    Capitalismo Auschwitz

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  • Psicanlise crtica

    Traos da personalidade autoritria Carter manipulador: fria

    organizativa, frieza (Realpolitik).

    Perversidade (ausncia de remorsos).

    Narcisismo, orgulho Exibicionismo.

    Conscincia moral reificada.

    Transformao da prpria personalidade autoritria.

    O caso da ditadura brasileira

    Julgamento de Eichman, Tel Aviv, Israel, 1961.

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  • Auschwitz hoje

    Racionalizao instrumental centralizada pela barbrie.

    Distopia capitalista: capital sem trabalho vivo.

    Priso de Guantnamo, Cuba. Criada aps os ataques de 11.09.2001. No tem

    amparo legal, nem fiscalizada. Os presos, na maioria afegos e iraquianos, no tem acesso a advogados,

    nem direito a julgamento. Denncias de torturas.

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  • Habermas: esfera pblica, ao comunicativa, democracia e direito Terico interdisciplinar,

    cuja reflexo transita pelas principais questes polticas, morais, cientficas, culturais e filosficas de nosso tempo.

    Tema de toda a sua vida: a esfera pblica, i., o espao do trato comunicativo racional entre os sujeitos.

    Jrgen Habermas (1929 - , Alemanha).

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  • Mudana estrutural da esfera pblica (1961) A esfera pblica a base do Estado

    democrtico de direito.

    Tem a funo de limitar o poder estatal por meio da crtica exercida publicamente em nome do interesse comum.

    Caracteriza-se pela igualdade das vozes que a constituem e por de deciso do melhor do argumento.

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  • Formao da esfera pblica

    Ocorre no sc. XVII, em cafs, sales e reunies de associaes literrias.

    Ali, discusses estticas se tornam debates econmicos e polticos.

    Salo literrio representado em pintura do incio do sc. XIX.

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  • Refeudalizao da esfera pblica

    No sc. XIX, surgem a

    publicidade e a impressa de massa, movidas pelos interesses concorrenciais de grandes capitalistas.

    No sc. XX, a comunicao de massa passa ter papel estratgico para os Estados totalitrios.

    O triunfo da vontade, de Leni Riefenstahl, Alemanha, 1935.

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  • Transformao da esfera pblica

    Retomada de sua funo crtica da esfera pblica.

    As foras a atuantes precisam ser submetidas a fins pblicos (direito).

    Os conflitos de interesses privados precisam ser relativizados por um interesse pblico racionalmente reconhecvel.

    O fortalecimento da esfera pblica possibilitar a construo de um interesse comum entre os povos (paz perptua).

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  • Giro lingustico

    Influncias: filosofia analtica da linguagem, hermenutica e pragmatismo.

    Reformulao da teoria crtica da sociedade nos termos de uma teoria da linguagem, a pragmtica universal.

    Teoria consensual da verdade Toda proposio contm uma fala sobre o mundo

    (pretenso objetiva de verdade) com algum (pretenso intersubjetiva de verdade).

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  • A pragmtica universal

    Teoria da linguagem em que se baseia a teoria (crtica) da sociedade de Habermas.

    Suposio de base: a busca pelo entendimento mtuo (consenso) est implcita na comunicao lingustica.

    Ao: comportamento orientado por normas. Cada sujeito tem uma compreenso implcita das

    normas que governam seus atos e fala. Pragmtica universal = explicitao das normas

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  • Ao comunicativa

    Teoria dos atos de fala.

    tomos do discurso.

    Dimenso proposicional

    Contedo da proposio (sobre).

    Dimenso performativa

    Inteno do ato (com).

    Prioritria na determinao do significado.

    Ludwig Wittgenstein (1889-1952, ustria), filsofo da linguagem, autor do Tractatus

    logico-philosophicus (1922) e das Investigaes filosficas (1953)

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  • Triangulao comunicacional

    Sujeito 1

    Sujeito 2

    Objeto

    INTERSUBJETIVIDADE

    OBJETIVIDADE

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  • Tipos de atos de fala

    Constatativos (descries, relatos, explicaes) Relacionados ao nvel cognitivo. Descrevem um estado de coisas no mundo objetivo. Seu critrio de validade a verdade.

    Expressivos (desejos, esperanas) Relacionados s intenes. Exprimem experincias de um mundo subjetivo. Seu critrio de validade a veracidade.

    Regulativos (desculpas, advertncias, promessas) Relacionados s normas sociais e instituies. Servem para o estabelecimento de situaes no mundo da vida

    compartilhado. Seu critrio de validade a correo.

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  • Pretenses de validade

    Todo ato de fala exprime uma pretenso de validade.

    Pressupostos pragmticos universais Inteligibilidade (a proposio compreensvel).

    Verdade (a proposio verdadeira, i. , o sujeito no est errado).

    Correo (a proposio est de acordo com as normas sociais).

    Veracidade (a proposio veraz, i. , o sujeito no est mentira).

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  • Situao ideal de fala

    Trata-se de um parmetro ou ideia reguladora da esfera pblica, demonstrado contrafaticamente.

    A verdade resulta do consenso baseado na igualdade de oportunidades de... Acesso ao debate por meio de perguntas e respostas;

    Tematizao e crtica de opinies prvias;

    Expresso de vontades, sentimentos e intenes; e

    Proposio de normas (ordens, recusas, permisses, proibies, etc.).

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  • Teoria da ao comunicativa (1981)

    Para alm da racionalidade instrumental existe uma racionalidade comunicativa.

    A sociedade se divide em duas esferas: o sistema e o mundo da vida.

    Refundao da modernidade por meio de uma releitura da dialtica da racionalizao.

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  • Razo Instrumental X Razo Comunicativa

    Ao estratgica

    Orientada pela eficcia, pelo sucesso

    Objetiva

    Coordenao de clculos egocntricos

    Reificadora

    Caracterstica do sistema

    Ao comunicativa

    Orientada para o entendimento mtuo

    Intersubjetiva

    Solidariedade baseada no bem comum

    Emancipatria

    Caracterstica do mundo da vida

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  • Mundo da Vida X Sistema

    Dado no-problemtico.

    Produo simblica.

    A priori social constitudo pelo entendimento lingustico intersubjetivo (consenso pressuposto)

    No transcendental, nem emprico, mas contraftico.

    Lgica e cronologicamente anterior ao sistema.

    Construo racional e funcional.

    Reproduo material .

    Economia de mercado

    Capital

    Administrao pblica (burocracia)

    Poder

    Colonizalizao do mundo da vida pelo sistema, atravs dos meios de controle do capital e do poder.

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  • Direito e democracia: faticidade e validade (1992)

    Habermas elabora uma filosofia do direito no quadro da teoria crtica da sociedade.

    Funo do direito: integrao social.

    Enquanto regulao das interaes estratgicas, o direito o nica instrumento contra a colonizao do mundo da vida pelo sistema.

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  • Faticidade (questes de fato) e validade (questes de direito)

    Abordagem emprico-normativa do direito

    Filosofia do direito Reconstruo do direito, de

    um ponto de vista racional, como comportamento normativo.

    Sociologia jurdica Descrio do direito, de um

    ponto de vista extra-jurdico, como realidade social.

    Immanuel Kant (1724-1804, Alemanha)

    Niklas Luhmann (1927-1998, Alemanha)

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  • Direito e moral

    So normas de ao distintas, mas complementares entre si.

    O direito se distingue da moral por...

    no se basear na vontade livre individual;

    regular externamente as relaes intersubjetivas;

    ter poder coercitivo.

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  • Direito positivo e direito natural

    Uma ordem jurdica

    (direito positivo) s pode ser legtima se no se contradiz princpios morais (direito natural).

    Nas sociedades modernas, a moral ps-tradicional somente uma forma de saber cultural, enquanto o direito tem obrigatoriedade institucional.

    Parlamento Europeu. Habermas defende a elaborao de uma

    constituio para a Unio Europia.

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  • Princpios do Estado democrtico de direito

    Princpio formal

    A legitimidade das leis depende de sua conformidade com um processo legislativo orientado pela racionalidade comunicativa.

    Princpios materiais

    Soberania popular

    Ampla proteo dos direitos individuais

    Legalidade da administrao pblica

    Separao entre Estado e sociedade

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  • Honneth e a gramtica moral dos conflitos sociais

    Teoria do

    reconhecimento

    Fator constitutivo das relaes morais intersubjetivas.

    Aspecto pragmtico implcito das relaes intersubjetivas.

    Mundo da vida conflitual (revolta).

    Axel Honneth (1949 - , Alemanha),

    desde 2001, diretor da Escola de Frankfurt, autor de Luta por

    reconhecimento, 1992.

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  • Dficit sociolgico da teoria crtica

    Funcionalismo marxista de Adorno e Horkheimer

    A integrao social e a regulao jurdica so meras funes da dominao capitalista.

    Esquecimento do conflito social em Habermas

    O conflito se restringe ao sistema, surgindo a abstrao de um mundo da vida livre de poderes.

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  • Reconstruo da noo de intersubjetividade

    Reconhecimento como estrutura intersubjetiva Integrao e conflito social em torno do

    reconhecimento.

    Mediao dialtica entre subjetividade e intersubjetividade, indivduo e comunidade, identidade e diferena.

    Luta social por reconhecimento Dimenso irredutvel da prxis dos grupos sociais.

    Fator gerador de aes coletivas.

    Visa um consenso moral.

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  • Dimenses do reconhecimento

    Amor Ligado auto-confiana. Relao entre me e filho.

    Direito Ligado ao auto-respeito. Relao entre sujeitos livres e iguais. Dimenso da resoluo concreta dos conflitos entre as exigncias

    morais.

    Solidariedade Ligada auto-estima (visibilidade). Relao entre sujeitos polticos.

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  • Gramtica moral dos conflitos sociais

    Suas formulaes e transformaes derivam das lutas sociais pelo reconhecimento.

    Indignao moral articulada em uma linguagem comum pode se transformar em mobilizao poltica.

    Desrespeito Luta Transformao social

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  • Complementaridades

    Adorno: dialtica negativa como exerccio de uma crtica auto-destruidora da razo instrumental.

    Habermas: cultura da razo comunicativa para a construo da democracia.

    Honneth: reconhecimento do papel exercido pelas lutas sociais no processo de emancipao.

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  • Bibliografia recomendada

    ADORNO, Theodor. Educao e emancipao. So Paulo: Paz e Terra, 2010.

    ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialtica do esclarecimento. Fragmentos filosficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

    BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. So Paulo: Brasiliense, 2006.

    HABERMAS, Jrgen. Direito e democracia: entre faticidade e validade. 2 v. So Paulo: Tempo Brasileiro, 1997.

    _____. Agir comunicativo e razo destranscendentalizada. So Paulo: Tempo Brasileiro, 2002.

    HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramtica moral dos conflitos sociais. Trad.L. Repa. So Paulo: 34, 2003.

    NOBRE, Marcos. Curso livre de teoria crtica. So Paulo: Papirus, 2008.

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  • O debate contemporneo em crtica social: margem francesa do Reno

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  • As duas margens do Reno

    PENSAMENTO SOCIAL FRANCS

    ASSUJEITAMENTO

    SUBJETIVAO

    Pensamento social alemo

    Alienao

    Emancipao

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  • Filosofias da diferena

    Crtica = desconstruo + experimentao

    Foucault, a disciplina e o biopoder

    Deleuze, as sociedades de controle e a resistncia micropoltica

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  • Refundao da teoria do sujeito

    Dessubjetivao O sujeito no a essncia do homem (Plato)

    Dessubstancializao

    O sujeito no um a priori (Kant) Destranscendentalizao

    O sujeito o produto (efeito) de um processo (subjetivao lato sensu).

    Questo da produo da subjetividade

    Filosofias da diferena

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  • Foucault: assujeitamento e subjetivao

    Interveno de Foucault na teoria do sujeito 3 deslocamentos 3 Eixos 1. Formao dos saberes: prticas discursivas

    (arqueologia)

    2. Relaes de poder: estratgias racionais (genealogia) 3. Relao consigo: indivduo como sujeito (tica)

    (Modifications, Lusage des plasirs in: Histoire de la sexualit II,1984, pp. 12-13.)

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  • Jogos de verdade

    Arqueogenealogia dos jogos de verdade

    Aps o estudo dos jogos de verdade considerados entre si (...) e posteriormente ao estudo dos jogos de verdade em referncia s relaes de poder (...) estudar os jogos de verdade na relao de si para si e na constituio de si mesmo como sujeito (...) (histria do homem de desejo).

    (Modifications, Lusage des plasirs

    in: Histoire de la sexualit II,1984, p. 11.)

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  • Destranscendentalizao

    Crtica ao sujeito-fundamento

    Em primeiro lugar, creio efetivamente que no h um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que se poderia encontrar em toda parte. Sou muito ctico e hostil em relao a essa concepo do sujeito.

    (Une esthtique de lexistence, entrevista

    in: Dits et crits II, 1552.)

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  • Assujeitamento e Subjetivao

    Assujeitamento (assujetissement)

    Creio, ao contrrio,

    que o sujeito se constitui atravs de

    de prticas de assujeitamento

    [assujetissement] ...

    Subjetivao (subjectivation)

    ... ou, de maneira mais autnoma, atravs de prticas de liberao

    [libration], de liberdade (...) a partir de certo nmero de regras, estilos,

    convenes, que encontramos no meio cultural.

    (Une esthtique de lexistence, entrevista, 1984 in: Dits et crits II, 2001, p.

    1552.)

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  • Arqueologia, genealogia, tica

    Formao dos saberes (arqueologia)

    Assujeitamento

    Relaes de poder

    (genealogia)

    Subjetivao Relao consigo

    (tica)

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  • Assujeitamento

    ASSUJEITAMENTO = OBJETIFICAO SUJEITO LIVRE (reificao)

    atravs dessa culpabilidade o louco se torna objeto de punio sempre oferecido a si mesmo e ao outro, e do reconhecimento dessa condio de objeto, da tomada de conscincia de sua culpabilidade, o louco deve voltar sua conscincia de sujeito livre e responsvel, e por conseguinte retornar razo.

    (Histoire de la folie, 1961, p. 621)

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  • Discipina

    ASSUJEITAMENTO = OBJETIFICAO = DISCIPLINA

    a criana, o doente, o louco, o condenado se tornaro cada vez mais (...) segundo a tendncia dos mecanismos de disciplina, o objeto de descries individuais e de narrativas biogrficas. Essa reduo a termo das existncias reais (...) funciona como procedimento de objetificao e de assujeitamento [assujetissement]

    (Surveiller et punir, 1975, p. 224)

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    O panptico: dispositivo de

    vigilncia total.

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  • Disciplina

    ASSUJEITAMENTO = INDIVIDUALIZAO = DISCIPLINA CORPO

    Todas as cincias, anlises ou prticas de radical psi- tem seu lugar nessa virada histrica dos procedimentos de individualizao

    O indivduo (...) uma realidade fabricada por esta tecnologia especfica de poder que chamamos de disciplina (...) o poder produz; produz realidade, produz domnios de objetos e rituais de verdade. O indivduo e o conhecimento que podemos ter dele derivam desta produo.

    (Surveiller et punir, 1975, p. 226-227.)

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  • Governamentalidade

    Sociedade disciplinar

    Sociedade de controle

    Razo de Estado

    Razo de Direito

    Razo governamental

    (governamentalizao) Nascimento

    da Biopoltica

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  • Biopoltica

    A populao como ncleo central da biopoltica:

    Eu tinha pensado, diz Foucault, em lhes dar este ano um curso sobre a biopoltica. Procurarei lhes mostrar como todos os problemas que procuro identificar atualmente (...) tm como ncleo central (...) algo que se chama populao. (...) a partir da que algo como a biopoltica poder se formar. (Nascimento da biopoltica, pp. 29-30)

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  • Biopoder

    ASSUJEITAMENTO = BIOPODER POPULAO (CONCEITO E MAPA) (massificao)

    Normalizao: regulao de desvios

    Cinco formulaes do biopoder: 1. Poder medical: higienizao, natalidade, mortalidade, doenas. 2. Dispositivo da guerra racial: racismo de Estado e luta de classes. 3. Dispositivo de segurana: deixar-se governar como seguro contra

    riscos pelo preo da liberdade (vigilncia). 4. Governamentalidade liberal: empresariamento sociedade e

    empreendedorismo de si; controle pela liberdade. 5. Dispositivo de sexualidade: homens e mulheres, jovens e velhos, pais

    e filhos, educadores e alunos, padres e leigos, administrao e populao.

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  • Dispositivos de saber-poder

    Disciplina Biopoder

    Razo de Estado

    Razo de Direito

    Razo governamental (governamentalizao)

    Estado liberal Estado neoliberal

    Estado Soberano

    Cincia (Economia Poltica)

    Capitalismo Mercantilismo

    Teologia Direito

    Justo/Injusto?, Legtimo/Ilegtimo? Eficaz/Ineficaz?, Verdadeiro/Falso

    Dispositivo

    Saber

    Poder

    Regime

    de

    verdade

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  • Assujeitamento

    Dispositivo de saber-poder

    Dobradia entre o eixo dos saberes e o eixo das relaes de poder

    Transversalidade: medicina, biologia, psicologia, direito, moral, religio, poltica, geografia, estatstica, economia, sociologia, pedagogia.

    Mquina de fazer sujeito e de fazer verdade.

    Arqueogenealogia Anlise do dispositivo disciplinar e do dispositivo biopoltico.

    Regimes

    de verdade

    Sujeitos

    Saber Poder

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  • Boltanski e o novo esprito do capitalismo BOLTANSKI, Luc; CHIAPELLO, ve. Le nouvel esprit du

    capitalisme, 1999.

    Objeto de anlise: literatura sobre administrao (management) dos anos 90.

    Tese bsica: desde o incio do sc. XX, o capitalismo vem incorporando muitos aspectos da crtica dirigida a ele nos anos 60/70, como as reivindicaes de mais liberdade e de mais igualdade.

    Da a formao de um novo ethos empresarial que impe a flexibilidade.

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  • Crtica social e crtica esttica Crtica social = denncia da explorao +

    reivindicao de mais justia e igualdade

    Crtica esttica = denncia do autoritarismo e da democracia + reivindicao de autonomia e criatividade

    Maio 68 = crtica esttica (estudantes) + crtica social (operrios)

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  • Crtica social e crtica esttica Reivindicao de liberao em relao s

    instituies: tradicionais, famlia, escola, Estado, Igreja, empresa.

    O capitalismo endogeneizou essa reivindicao e conseguiu substituir o controle pelo autocontrole.

    Com isso, o capitalismo pde sair da crise em que se encontrava nos anos 60/70.

    Novo esprito do capitalismo = forma libertria de fazer lucro (capitalismo de esquerda).

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  • Capitalismo conexionista

    O novo esprito do capitalismo O objetivo permanece o mesmo: o lucro. O modo de atingir esse objetivo novo: a rede.

    Lgica do rizoma Principal referncia: Mil plats (1980), de Deleuze e Guattari. Verso filosfica dos movimentos polticos nascidos no maio de

    68, que prezavam pela flexibilidade e pela conectividade. Lgica pensada como crtica radical do capitalismo.

    Capitalismo rizomtico: incorporao da lgica do rizoma pelo modo de produo capitalista neoliberal.

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  • Controle e liberdade

    Neomanagement: como controlar o incontrolvel, isto , a criatividade, a autonomia, a liberdade?

    Atravs de auto-controle (auto-gesto).

    Atravs da interpelao do cliente/consumidor.

    Transferncia da responsabilidade e dos custos do controle para os empregados e para os clientes.

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  • Controle e liberdade

    Liberao generalizada Estmulos mobilidade, abertura, flexibilidade,

    pluricompetncia, criatividade, conectividade etc.

    Tudo isso que servia de crtica ao capitalismo passa agora a ser valorizado pelo prprio capitalismo.

    Reviravolta do capitalismo rizomtico: Tudo o que ficava de fora do ciclo produtivo

    (criatividade, afetividade, interioridade) se torna matria-prima do prprio capital.

    Trata-se de uma liberao do capital.

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  • Projetos

    Trata-se de utilizar as redes para engendrar projetos.

    Caracterstica bsica do projeto: transitoriedade.

    A vida passa a ser concebida como uma sucesso de projetos.

    Como complementos do capital econmico surgem o capital social (conexes) e o capital de informao (bancos de dados).

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  • Projetos

    As organizaes bem sucedidas so hbridos de mercado, empresa e sociedade.

    O funcionamento da empresa neoliberal mobiliza grande quantidade de trabalho intelectual e afetivo fornecido gratuitamente pelos trabalhadores.

    O modo de operar das redes autogeridas cada vez mais prximo daquele dos artistas e intelectuais.

    Conexo/Desconexo = Incluso/Excluso

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  • Deleuze e a resistncia micropoltica

    Tudo poltico (cf. Anti-dipo).

    Ontologia das foras (liberdade dos desejos).

    Territorializao e desterritorializao.

    Poder coimplica resistncia.

    Potncia.

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  • Poltica dos acontecimentos

    Produo de acontecimentos inveno do possvel (novo ).

    Produo dos devires minoritrios, sem modelo, nmades, singulares afirmao da diferena.

    Crtica ao capitalismo, ao Estado, democracia negao da diferena.

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  • Ontologia da diferena

    Diferena em si diferena com relao a... ou diferena em... (diferenas identitrias)

    Diferena = singularidade, multiplicidade (e no da unidade, da identidade)

    Diferena = movimento (ruptura), acontecimento, novidade

    Acontecimentos e devires (processos histricos) fenmenos de produo Descontinuidade (anti-substancialismo)

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  • Ontologia da diferena

    Tem mais a ver com a geografia (mapeamentos, cartografias)...

    ... do que com a histria (cronologia).

    Linhas de articulao (encontros, intersees) e de fuga. Planos. Velocidades.

    Univocidade do Ser: uma s voz que se multiplica e se diferencia em vrias modulaes, produes imanentes (equivocidade dos entes).

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  • Empirismo transcendental

    Experimentao + negao de qualquer forma de unidade fundamental subjetiva-objetiva

    Transcendental = plano de imanncia (para alm dos duplos sujeito-objeto, essncia-aparncia); condies de produo (pragmtica).

    Vida: imanncia, impessoalidade, acontecimento

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  • A tica alm do bem e do mal

    de moral (= disciplina e controle).

    Impessoal e singular.

    Estilstica: vida como experimentao esttica.

    Condies de produo (pragmticas): experimentao normativa.

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  • Resistncia

    Desconstruo: para alm do fatalismo niilismo ativo produo

    Prtica crtica = anlise + interveno (ao)

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    Experimentao = Inveno Subjetivao

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  • Subjetivao

    SUBJETIVAO = NOVA REFLEXO NA POLTICA E NOS PRAZERES ESTILSTICA

    uma maneira nova de refletir a si mesmo na relao (...) com os outros, os eventos, as atividades (...) polticas, e outra maneira de se considerar como sujeito de seus prazeres. (...) uma nova estilstica da existncia.

    (Le souci de soi in: Histoire de la sexualit III, 1984, p. 97.)

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  • Insuficincias das filosofias da diferena

    Esquecimento do ns (pluralidades): prticas de si e singularizao.

    Bloqueio como estratgia: maio 68.

    Espontaneismo: a efervecncia biopoltica da multido.

    Esquecimento da histria e da prtica da experimentao produo de prticas

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  • Pedagogia experimental

    CRTICA

    Anlise Interveno

    Aprendizagem

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    Assujeitamento Subjetivao Resistncia

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  • Experimentao micropoltica

    Interveno micropoltica: re-agenciamentos experimentais coletivos.

    Aprendizagem em rede por contaminao.

    Experimentao micro-institucional (organizao).

    Aes de formao crtica in loco.

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  • Bibliografia recomendada

    BOLTANSKI, Luc; CHIAPELLO, ve. O novo esprito do capitalismo. So Paulo: Martins Fontes, 2009.

    DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Flix. Mil plats. 5 v. So Paulo: 34, 1995-1997.

    DELEUZE, Gilles. Conversaes. 2.ed. So Paulo: 34, 2010.

    FOUCAULT, Michel. Microfsica do poder. 26.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008.

    _____. Segurana, territrio e populao. So Paulo: Martins Fontes, 2008.

    _____. Vigiar e punir: nascimento da priso. 36.ed. Petrpolis: Vozes, 2007.

    PELBART, Peter P. Vida capital: ensaios de biopoltica. So Paulo: Iluminuras, 2003.

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  • Bibliografia recomendada sobre Maquiavel e governamentalidade

    ARANHA, Maria. Maquiavel: a lgica das foras. 9.ed. So Paulo: Moderna, 2006.

    BIGNOTO, Newton. Maquiavel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003 (Col. Passo-a-passo).

    FOUCAULT, Michel. A governamentalidade. In: Microfsica do poder. 26.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008.

    MAQUIAVEL, Nicolau. O prncipe. Com comentrios de Napoleo. So Paulo: Jardim dos Livros, 2007.

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