Fasc­culo 02 HIST“RIA.indb

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  • CINCIAS HUMANASe suas

    TECNOLOGIAS >>

    CEJA>>

    Mdulo 1

    CENTRO DE ESTUDOS de JOVENS e ADULTOS

    Unidades 3 e 4Fascculo 2

  • GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Governador

    Sergio Cabral

    Vice-Governador

    Luiz Fernando de Souza Pezo

    SECRETARIA DE ESTADO DE CINCIA E TECNOLOGIA

    Secretrio de Estado

    Gustavo Reis Ferreira

    SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAO

    Secretrio de Estado

    Wilson Risolia

    FUNDAO CECIERJ

    Presidente

    Carlos Eduardo Bielschowsky

    FUNDAO DO MATERIAL CEJA (CECIERJ)

    Coordenao Geral de Design Instrucional

    Cristine Costa Barreto

    Elaborao

    Maurcio Cardoso

    Paulo Mello

    Reviso de Lngua Portuguesa

    Paulo Csar Alves

    Coordenao de Design Instrucional

    Flvia Busnardo

    Paulo Miranda

    Design Instrucional

    Heitor Soares de Farias

    Marcelo Franco Lustosa

    Coordenao de Produo

    Fbio Rapello Alencar

    Capa

    Andr Guimares de Souza

    Projeto Grfico

    Andreia Villar

    Imagem da Capa e da Abertura das Unidades

    http://www.sxc.hu/photo/1175613

    Sanja Gjenero

    Diagramao

    Equipe Cederj

    Ilustrao

    Bianca Giacomelli

    Clara Gomes

    Fernado Romeiro

    Jefferson Caador

    Sami Souza

    Produo Grfica

    Vernica Paranhos

  • Sumrio

    Unidade 3 | Formao do Estado brasileiro e identidade nacional 5

    Unidade 4 | Sociedades indgenas e sociedades africanas 47

  • Prezado(a) Aluno(a),

    Seja bem-vindo a uma nova etapa da sua formao. Estamos aqui para auxili-lo numa jornada rumo ao

    aprendizado e conhecimento.

    Voc est recebendo o material didtico impresso para acompanhamento de seus estudos, contendo as

    informaes necessrias para seu aprendizado e avaliao, exerccio de desenvolvimento e fixao dos contedos.

    Alm dele, disponibilizamos tambm, na sala de disciplina do CEJA Virtual, outros materiais que podem

    auxiliar na sua aprendizagem.

    O CEJA Virtual o Ambiente virtual de aprendizagem (AVA) do CEJA. um espao disponibilizado em um

    site da internet onde possvel encontrar diversos tipos de materiais como vdeos, animaes, textos, listas de

    exerccio, exerccios interativos, simuladores, etc. Alm disso, tambm existem algumas ferramentas de comunica-

    o como chats, fruns.

    Voc tambm pode postar as suas dvidas nos fruns de dvida. Lembre-se que o frum no uma ferra-

    menta sncrona, ou seja, seu professor pode no estar online no momento em que voc postar seu questionamen-

    to, mas assim que possvel ir retornar com uma resposta para voc.

    Para acessar o CEJA Virtual da sua unidade, basta digitar no seu navegador de internet o seguinte endereo:

    http://cejarj.cecierj.edu.br/ava

    Utilize o seu nmero de matrcula da carteirinha do sistema de controle acadmico para entrar no ambiente.

    Basta digit-lo nos campos nome de usurio e senha.

    Feito isso, clique no boto Acesso. Ento, escolha a sala da disciplina que voc est estudando. Ateno!

    Para algumas disciplinas, voc precisar verificar o nmero do fascculo que tem em mos e acessar a sala corres-

    pondente a ele.

    Bons estudos!

  • Cincias Humanas e suas Tecnologias Histria 47

    Fascculo 2 Histria Unidade 4

    Sociedades indgenas e sociedades africanasPara incio de conversa...

    No princpio dos tempos, a Terra era uma regio desabitada, coberta de gua e pntanos. Os orixs, habitantes do mundo celestial, desciam de vez em quan-do, por meio de teias de aranha, para ver a superfcie das guas. Passaram-se milhares de anos, at que um dia, Olorun, divindade suprema, chamou seu filho mais velho, Oxal, e lhe ordenou que criasse um mundo abaixo do mundo ce-leste. Deu-lhe, ento, um saco de terra e uma galinha com ps de cinco dedos.

    Antes de iniciar sua jornada, Oxal foi consultar Orunmil para receber conse-lhos do grande orix da sabedoria. A divindade disse-lhe que era preciso rea-lizar as oferendas, para que tudo corresse bem. Oxal, porm, esqueceu-se de uma oferenda muito importante, a ser entregue a Exu, senhor dos caminhos e da comunicao. Ofendido, Exu lanou-lhe um feitio e o fez se embriagar e adormecer.

    Tudo isso foi visto de perto por Odudua, um orix importante que apanhou o saco de terra e a galinha e retornou ao mundo celestial para contar o ocorrido ao pai de todas as divindades, Olorun. Este entregou a misso a Odudua que jogou o saco de terra sobre as guas, formando um pequeno monte, depois lanou a galinha que caiu sobre o monte de terra. Essa ciscou e espalhou a terra para todos os lados. Odudua ento falou Il nf! Naquele lugar, surgiria a primeira cidade do mundo, chamada If.

    Olorun reservou ao orix Obatal outra misso: criar os seres vivos que habita-riam o mundo criado. Do barro, Obatal modelou o homem e a mulher e, com um sopro, Olorun lhes deu vida.

  • 48

    Essa narrativa faz parte da mitologia iorub, um dos inmeros povos africanos cujas histrias foram transmitidas

    h sculos pela tradio oral. H verses variadas sobre essa narrativa, registrada por vrios autores, entre os quais, o

    antroplogo Reginaldo Prandi, no livro Mitologia dos Orixs (Companhia das Letras, 2001).

    A criao da Terra e do Homem um aspecto central de todas as culturas e apresenta elementos muito

    importantes do modo de vida ou da viso de mundo de cada povo.

    Observe que no mito iorub h um Deus criador, Olorun, e outras divindades que lhe so obedientes, mas que

    possuem seus interesses, vontades e funes. A criao dependeu da ao de duas entidades, envolvidas numa trama

    de acontecimentos: consultas a um orculo (Orunmil), oferendas, estratagemas de outros orixs e a disputa para ser

    o preferido por Olorun. Finalmente, o resultado final representa a ao compartilhada de dois orixs, Oxal e Odudua,

    expresso de foras opostas e complementares.

    Todos esses aspectos revelam a complexidade cultural da religio iorub, baseada numa mitologia, isto , um

    conjunto de narrativas das origens que explica o modo de funcionamento do mundo.

    Voc conhece outras narrativas mitolgicas? J assistiu a filmes ou leu algo sobre a mitologia grega? Voc

    considera que existem pessoas que ainda acreditam em histrias mitolgicas?

    Nas sociedades urbanas e industrializadas, a mitologia perdeu o papel central na explicao do mundo, pois,

    passamos a interpret-lo a partir dos conhecimentos cientficos. No entanto, ainda existem importantes elementos

    religiosos na nossa formao cultural, especialmente, no Brasil. A maioria das pessoas ainda se declara pertencente a

    uma determinada religio, ainda que no pratique rigorosamente seus princpios.

    Mesmo assim, sentimos um estranhamento enorme, quando tratamos de mitologias. Isso, porm, resultado

    de uma falsa distncia entre as culturas. Uma distncia provocada pelo preconceito produzido contra culturas que

    desconhecemos.

    Para pensar nossa prpria cultura, por exemplo, no mito judaico-cristo da criao do mundo e do homem,

    falamos em religio, mas para definir as outras culturas, usamos o termo mitologia ou a noo de seita, crendice e

    outros termos depreciativos como esses.

    Os meios de comunicao nos oferecem uma infinidade de imagens e histrias sobre o mundo, atravs de

    filmes, reportagens, livros, fotografias, sites etc. Se prestarmos ateno, veremos, todos os dias, imagens de pessoas

    de diferentes culturas e com traos fsicos distintos (cor da pele, tipo de cabelo, formato dos olhos etc.). So imagens

    de povos que habitam as regies distantes do planeta ou mesmo de certos grupos sociais que vivem no territrio

    brasileiro, mas que desconhecemos.

  • Cincias Humanas e suas Tecnologias Histria 49

    Na imensa diversidade que caracteriza a populao humana, muito comum que nos chame a ateno os

    indivduos ou grupos que nos parecem muito diferentes da nossa cultura. Observe as imagens abaixo:

    Figura 1: A primeira imagem de um guerreiro do Qunia, na frica; a segunda de uma mulher alem e a terceira a foto de uma mulher Kayuan (ou Karenni), um grupo tnico pequeno que habita a Birmnia e a Tailndia, na sia.

    Qual dessas imagens produz mais estranhamento? Qual delas nos parece a mais comum e natural? Qual delas

    provoca nosso riso ou, talvez, um sentimento de repulsa? Poderamos imaginar com facilidade mulheres, utilizando

    argolas para alongar o pescoo?

    Quanto maior a diferena, maior o estranhamento que sentimos em relao ao outro. Assim, tambm maior

    nosso desconhecimento sobre a cultura de povos muito diferentes e que nos chegam em imagens fragmentadas

    ou deformadas, especialmente, pelos filmes de fico norte-americanos. Todos ns j assistimos a alguma cena

    em que heris enfrentam um bando de tribo estranha, com hbitos agressivos ou infantis, numa floresta densa e

    impenetrvel. Tocando tambores, com pintura no rosto e se comunicando em idiomas incompreensveis, assim so

    comumente caracterizados os povos no ocidentais, especialmente os povos que vivem ou viveram em reas rurais

    e pequenas comunidades.

    Nesta unidade, vamos estudar a diversidade das culturas humanas a partir da histria de algumas sociedades

    indgenas que habitam o Brasil e de um povo que habita o continente africano.

    Objetivos de aprendizagem Compreender o papel do etnocentrismo na construo histrica de preconceitos culturais;

    Caracterizar as sociedades indgenas e africanas como povos organizados poltica e socialmente;

    Interpretar as transformaes histricas provocadas pelos conflitos entre esses povos e o colonizador

    europeu.

  • 50

    Seo 1Um mundo diverso e des