Evora Mosaico

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Evora Mosaico

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  • DISTRIBUIO GRATUITA 08 JANFEVMAR2011PATRIMNIO, CULTURA E TURISMO

    palcios de vora

  • 2patrimnioPalcios de voraA bela Torre do SalvadorO velho Solar dos Cogominhos

    entrevistaa Artur Goulart

    cultura e artesAntnio Jos de vilaCelestino DavidExposies, concertos e espectculosAntnio Gancho

    educaoEscola Secundria Gabriel Pereira

    lojas com histriaCasa Bacharel / Drogaria Azul

    os novos comrciosMontSobroAtelier Barahona

    passeio volta das muralhas

    memria citadinaLusitano Ginsio Clube

    mesaCozinha de Santo Humberto

    alojamentoParque de Campismo

    VORA MOSAICO n 8 Janeiro, Fevereiro, Maro 11 | EDIO: CME/ Diviso de Assuntos Culturais/ Departamento de Comunicao e Relaes Externas | DIRECTOR: Jos Ernesto

    dOliveira | PROJECTO GRFICO: Milideias, vora | COORDENAO E TEXTOS: Jos Frota | CARTAZ: Lus Ferreira | REVISO: Teresa Molar | FOTOGRAFIAS: Jernimo Heitor (Capa - Pal.

    Condes de Basto, Carlos Neves, Gama Freixo, Jos Antnio Barbosa, Miguel Carvalhais, Rosrio Fernandes | IMPRESSO: Corlito - Solues Grficas, Lda., Setbal | TIRAGEM: 5.000

    exemplares | PERIODICIDADE: Trimestral | ISSN 1647-273X | Depsito Legal n292450/09 | DISTRIBUIO GRATUITA

    FICHA TCNICA

    sumrio

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  • 3editorial

    editorial

    Com esta edio a vora Mosaico volta ao seu figurino habitual, depois do sucesso que constituiu o nmero an-terior, dedicado implantao da Repblica na cidade, seus antecedentes e posteriores consequncias. Deu-se desta forma mais um passo na consolidao da importncia da revista, quer a nvel concelhio como a nvel exterior. De muitos locais do pas vo aportando, de forma continuada, aos servios municipais solicitaes para o seu envio. O mesmo interesse continua a alargar-se a muitos eborenses afastados do seu torro natal ou queles que aqui viveram parte substancial da sua existncia e renovam, atravs da revista, o seu elo de ligao cidade, que com o passar dos anos parecia tornar-se cada vez mais tnue.

    Tornou-se assim coleccionvel e apetecida esta publicao, que pretende contribuir para uma cultura de pertena ao concelho mediante o conhecimento aprofundado do seu patrimnio, da sua histria e do seu potencial turstico. E , por outro lado, gratificante constatar a curiosidade que desperta em forasteiros e visitantes, sejam eles gente co-mum ou intelectuais, como instrumento de auxlio aos guias tursticos, proporcionando-lhes informao adicional que, como bvio, no pode estar contida naqueles.

    o caso deste nmero, em que o tema de capa incide sobre trs dos mais belos Palcios de vora: Condes de Bas-to, Duques de Cadaval e Inquisio. Por razes diversas a sua histria mal conhecida, mesmo entre os citadinos, e escasseia a literatura acessvel sobre eles. Na maioria das situaes a informao existente circunscreve-se ao seu aspecto artstico. E no entanto os trs palcios foram palco de acontecimentos importantes da Histria de Portugal, de que aqui se deixa registo e memria.

    No mbito do patrimnio construdo foca-se a ateno na bela Torre do Salvador e no Solar dos Cogominhos, localizado na freguesia rural da Torre dos Coelheiros e cujo proprietrio mais remoto foi companheiro de aventuras de Geraldo, o Sem Pavor, na conquista de vora aos mouros. Entre os homens ilustres que passaram pela cidade evocam-se as figuras de Antnio Jos dvila, o primeiro governador civil do distrito e futuro Ministro do Reino, e de Celestino David, um beiro que foi um dos grandes arautos da promoo da cidade durante a primeira metade do sculo passado.

    Desta feita o entrevistado Artur Goulart, coordenador do Inventrio do Patrimnio Artstico e Cultural da Arquidiocese de vora, que historia nestas pginas o processo que permitiu a recuperao de cerca de 5000 peas de grande valor, acervo que veio enriquecer, por extenso, a cidade e o concelho. Em tom diametralmente oposto recorda-se Antnio Gancho, poeta sui generis das nossas Letras, natural de vora e falecido h exactamente 5 anos na Casa de Sade do Telhal.

    Relevo se d tambm notvel regenerao da Escola Secundria Gabriel Pereira, que est entre os 60 melhores projectos de arquitectura escolar da OCDE, podendo ainda vir a ser seleccionada para a final do concurso em causa. No campo da reabilitao ur-bana salienta-se igualmente a reabilitao das muralhas, que transformou a rea circundante num magnfico espao contnuo de lazer e utilizao pedonal. esta a nossa sugesto de passeio.

    O comrcio ganhou merecido destaque nesta edio da vora Mosaico. A Casa Bacharel/Drogaria Azul, com 114 anos de existncia, ocupa o habitual espao dedicado s lojas com histria, enquanto adquiriram estatuto entre os novos estabelecimentos o MontSobro, comrcio de objectos de cortia, e o Atelier Barahona, que recupera na cidade a tradio da encadernao artstica e douramento de livros. Na memria citadina traz-se lembrana a condecora-o do Lusitano Ginsio Clube, em 1933, apadrinhada pelo General scar Carmona em circunstncias polmicas e difceis como as de agora, num ano em que a agremiao se prepara para comemo-rar o centenrio. Completam a edio as usuais sugestes nos campos da restaurao e alojamento, bem como o excelente cartaz dos espectculos.

    Voltaremos no segundo trimestre deste ano de 2011, em que a cidade comemora os 25 anos da sua classificao como Patrimnio Mundial.

  • 4palciosde vora

    patrimnio palcios de vora

    vora, todos o sabem, foi uma das mais importantes cidades da fundao e consolidao do Reino de Portu-gal. Aqui se estabeleceram em tempos diversos monar-cas, nobres de alta estirpe, comandos militares, ordens religiosas, que deixaram a sua marca nos palcios, pa-os, solares, defesas e conventos que mandaram levan-tar para sua residncia. Alguns desses grandes imveis, embora de grande visibilidade exterior, so muito mal conhecidos. Esto situados na Acrpole e foram teste-munhas de acontecimentos singulares da Histria ptria que no fazem parte das descries com que os guias tu-rsticos os apresentam ou da sabedoria comum dos seus habitantes. Para lhes recuperarmos o passado e a saga que lhes est associada, colocam-se em evidncia nesta edio trs dos mais emblemticos.

    O Palcio dos Condes de Basto, o mais antigo dos pa-os de vora, assenta num alccer mouro, situado em plena cintura amuralhada, que D. Afonso Henriques ce-deu por volta de 1176 Ordem de S. Bento de Calatra-va para seu alojamento, em troca do seu compromisso de defesa da cidade. Em 1211, os Freires de vora vie-ram a ser presenteados com a doao do lugar de Avis, ficando, no entanto, compelidos a proceder ao seu po-voamento e desenvolvimento e a nele erguer um castelo. Para l se mudou a Ordem pelo que, em 1220, o velho solar eborense voltou tutela da Coroa como Pao Real, agora com o nome de Pao de S. Miguel da Freiria.

    D. Fernando enamorou-se do espao e mandou fazer-lhe obras de beneficiao, para o usar como residncia habitual durante as frequentes vilegiaturas em vora. Aps a sua morte a viva, Leonor Teles, escolheu-o como poiso de eleio para os amores que mantinha com o galego Joo Fernandes Andeiro, seu valido, o qual tomaria o seu partido quando da crise dinstica conhecida por interregno. Tal tomada de posio levou D. Joo, capito-mor do Reino e Mestre da Ordem de Avis, a assaltar o Pao e a destru-lo quase por completo.

    Nomeado Condestvel, Nuno lvares reclamou-o para sua habitao permanente por ser lugar mui favo-rvel a suster as arremetidas castelhanas. O edifcio foi

    reconstrudo e o grande chefe militar portugus viveu nele durante um quarto de sculo. Depois da sua re-tirada o Palcio ficou entregue aos capites-mores de vora at que D. Afonso V, em meados do Sculo XV, o ofereceu a Diogo de Castro, capito de cavaleiros, na qualidade outorgada de governador hereditrio da cida-de. Todavia os seus descendentes, tbios e pusilnimes, aproximaram-se de Espanha por alturas da ocupao filipina. Fernando II conseguiu assim manter todas as regalias dos seus antecessores, tornou-se conselheiro de Filipe II e dele recebeu, em 1895, o ttulo de Conde de Basto. De imediato o Palcio alterou a sua designao.

    Esta situao permaneceu at 1642, quando Louren-o Pires de Castro, 3. Conde de Basto e protegido de Filipe III, foi expropriado por D. Joo IV de Portugal de todos os seus ttulos a bens. O Pao voltou posse da Coroa e, em diversas pocas, serviu de alojamento temporrio ao Arcebispo D. Domingos de Bragana e a D. Catarina de Bragana, rainha viva de Carlos II de Inglaterra. O seu ltimo ocupante ter sido Vicente Ro-drigues Ruivo (1895-1912), cujos herdeiros o deixaram quase irrecupervel. Em 1950 o filantropo local Eng. Vasco Maria Eugnio dAlmeida, 2 Conde de VilAlva, recuperou-o, com o apoio tcnico da Direco Geral dos Monumentos Nacionais, e devolveu-lhe o esplendor antigo. Monumento Nacional desde 1922.

    Situado em local de complicado acesso a automveis, o Palcio passa um pouco despercebido aos visitantes e at mesmo aos eborenses, por no fazer parte dos percursos habituais. , no entanto, de uma beleza ex-traordinria, composto por um conjunto de grandes e pequenos blocos, de que se salientam a entrada, o jar-dim, a casa do administrador, os escritrios e arrecada-es e os magnficos prticos alpendrados No interior h salas esplendorosas e pinturas de encantar. Nele est actualmente sediada a Fundao Eugnio dAlmeida. No futuro est destinado a receber um Museu de Arte Contempornea e Cultura.

    Junto ao templo romano fica o Palcio dos Duques de Cadaval, mandado erguer por Martim Afonso de Melo,

    Palcios dos Condes de Basto Ptio do Palcio

  • 5patrimnio palcios de vora

    Foto

    graf

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    eves

    fidalgo, rico-homem de vora e servidor do Mestre de Avis. Assente no embasamento do antigo Castelo de vora, de fundamentos romano-visigodos, um edifcio fortificado, dota