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  • Estabelecimento inicial de Bertholletia excelsa submetida à adubação orgânica em área degradada na Amazônia

    Central

    Jéssica Pereira de Souza1

    1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Vegental

    01/agosto/2019

    Introdução

    O desflorestamento na Amazônia legal representa cerca de 20% da cobertura original da floresta. Entretanto, do total desmatado, apenas 0,42% é coberto por reflorestamentos (INPE 2014). Essa remoção da cobertura florestal reflete em mudanças nas propriedades físicas e químicas do solo (Ferreira et al. 2015) resultando, em grande parte da região, em extensas áreas degradadas.

    Atualmente, nosso desafio é transformar o que Homma (2017) chama de “Segunda Natureza”, que seriam as áreas desmatadas, em uma “Terceira Natureza”, que se trataria da recomposição dessas áreas com base em atividades produtivas viáveis. Uma das soluções apresentadas pelo mesmo autor é o reflorestamento em áreas degradadas, ferramenta fundamental para alcançar a recomposição da cobertura vegetal dessas áreas (Nogueira et al. 2015, Homma 2017). Para tal, Homma (2017) afirma a importância do uso de espécies nativas para se evitar o risco de biopirataria. Entretanto, o conhecimento sobre silvicultura de espécies florestais nativas continua sendo um gargalo que tem impedido avanços importantes nessa área (Walters et al. 2005).

    De modo geral, o estabelecimento de povoamentos florestais de espécies nativas de relevância econômica tem se apresentado como ferramenta eficiente na reinserção de áreas degradadas ao processo produtivo, fornecendo benefícios ambientais, sociais e econômicos que, por sua vez, aumenta a oferta de produtos, e consequentemente, diminui a pressão sobre as florestas nativas (Homma 2013). De modo geral, o estabelecimento de povoamentos florestais de espécies nativas de relevância econômica tem se apresentado como ferramenta eficiente na reinserção de áreas degradadas ao processo produtivo, fornecendo benefícios ambientais, sociais e econômicos que, por sua vez, aumenta a oferta de produtos, e consequentemente, diminui a pressão sobre as florestas nativas (Campoe et al. 2014), principalmente em áreas degradadas que apresentam inúmeras variáveis de estresse para as plantas (Jaquetti et al. 2014). As interações entre os recursos disponíveis vão influenciar em diferentes estratégias de sobrevivência, crescimento e eficiência no uso de recursos

  • das espécies. Consequentemente, identificar espécies com melhor desempenho durante o estabelecimento inicial do plantio pode melhorar a formação de povoamentos florestais em áreas degradadas (Guimarães et al. 2018).

    Para o estabelecimento de plantios deve-se priorizar métodos, que não somente irão melhorar o desempenho das espécies de interesse, mas também recuperar o solo das áreas alteradas, que apresentam graves problemas quanto às características físicas e químicas (Santos et al. 2018). Nesse sentido, o uso de adubos orgânicos melhora as características químicas, físicas e biológicas do solo uma vez que podem influenciar o aumento da capacidade de troca catiônica, na maior disponibilidade de nutrientes, no aumento da aeração e da porosidade do solo, na maior atividade e diversidade de microrganismos, assim como, na maior capacidade de armazenamento de água (Mesquita et al. 2012, Barbosa et al. 2019), oferecendo condições favoráveis para a retomada da qualidade dos solos e para o desenvolvimento das plantas.

    Quanto aos plantios, uma das espécies nativas que vem sendo mais estudada é a Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl., mais conhecida como Castanha-da-Amazônia ou Castanha-do-Pará, que vem sendo fortemente indicada para estabelecimento de plantios em áreas degradadas (Salomão et al. 2006, Ferreira 2012, Scoles et al. 2014). B.excelsa, da família Lecythidaceae, é uma espécie de alta relevância social e econômica, sendo considerada uma das espécies mais valiosas da Amazônia, por fornecer múltiplos produtos: madeira de excelente qualidade, semente e óleos para indústria alimentícia e cosmética (Azevedo 2013).

    Ao longo dos anos, tem se discutido o uso da castanheira em diferentes sistemas de plantio na Amazônia: plantios homogêneos, sistemas agroflorestais e enriquecimento de capoeiras e a espécie tem-se destacado por suas excelentes características silviculturais (Scoles et al. 2011, Gomes 2012, Schroth et al. 2015, Ferreira et al. 2016). Inúmeros estudos relacionados à ecofisiologia da B. excelsa concluem que se trata de uma espécie com alta plasticidade fisiológica quanto à níveis médios e altos de irradiância, ao estresse hídrico e a diferentes níveis de fertilização (Ferreira et al. 2015, Schroth et al. 2015, Souza et al. 2017, Schimpl et al. 2019).

    Ferreira et al. (2009) concluiu que o uso de material vegetal fresco (capoeira picada) foi eficiente para melhorar as características físicas e químicas do solo, refletindo em melhorias no processo fotossintético e resultando em melhor desempenho dos indivíduos jovens de B. excelsa em área degradada. Sendo que, segundo Ferreira et al. (2015) a adubação orgânica influencia na eficiência da castanheira no uso de nutrientes, principalmente no uso de fósforo, causando maior crescimento e justificando seu bom estabelecimento inicial em campo. Entretanto, pouco se investiga quanto ao uso de diferentes fontes de adubação orgânica no estabelecimento inicial de plantios com B. excelsa, fontes estas que podem estar disponíveis na própria área de plantio, reduzindo custos e gerando benefícios ecológicos. Essa investigação é relevante uma vez que essas fontes alternativas de adubação orgânica influenciarão no estabelecimento e produtividade dos plantios utilizando elementos mais viáveis. Além de subsidiar o aperfeiçoamento de programas silviculturais de ações de reinserção produtiva de áreas degradadas da região.

  • Portanto, este trabalho tem o intuito de responder a seguinte questão: Quais os efeitos de fontes alternativas de adubação orgânica sobre crescimento e respostas ecofuncionais no estabelecimento inicial de Bertholletia excelsa em área degradada na Amazônia?

    Objetivo geral

    Investigar as respostas ecofisiológicas e crescimento de plantas jovens de Bertholletia excelsa submetidas a adubação orgânica em área degradada na Amazônia Central.

    Hipóteses

    Afim de responder à questão apresentada, foram postuladas as seguintes hipóteses:

    I) As taxas de crescimento de B. excelsa serão maiores com o uso da adubação orgânica.

    II) Os indivíduos de B. excelsa apresentarão diferentes estratégias morfológicas ao ser submetida à adubação orgânica.

    III) O uso de adubos orgânicos aumentará o desempenho fotossintético de B. excelsa.

    IV) A eficiência no uso dos recursos (luz, água e nutrientes) de B. excelsa será maior quando submetidas a adubação orgânica.

    Figura 1: Castanha-do-Brasil

  • Análise exploratória de dados (AED)

    A AED tem como objetivo:

    1. Controlar a qualidade dos dados.

    2. Sugerir hipóteses para os padrões observados (novos estudos).

    3. Apoiar a escolha dos procedimentos estatísticos de testes de hipótese.

    4. Avaliar se os dados atendem às premissas dos procedimentos estatísticos escolhidos.

    Essa AED foi feita com base na análise de característica(s) de crescimento (absoluto e relativo, de altura total e diâmetro a altura do solo), morfológica (massa foliar específica), ecofisiológicas (quanto ao desempenho fotossintético, utilizado as seguintes variáveis: condutância estomática, taxa fotossintética, respiração, transpiração, fluorescência, eficiência máxima do fotossistema II, teores de pigmentos cloroplastídicos); e de eficiência no uso de recursos: eficiência no uso da luz e da água) de mudas de Bertholletia excelsa ao longo do tempo (2, 7, 14 e 21 dias) submetidas a dois tratamentos de adubação (adubação orgânica e adubação química). Cada tratamento possui 5 repetições.

    As taxas de crescimento absoluto foram determinados pela diferença entre as medidas no período inicial e final.

    A massa foliar específica (MFE) foi determinada por meio da razão entre a massa foliar seca e a área foliar.

    Os dados pontuais de trocas gasosas foram obtidos à densidade de fluxo de fótons saturante (PPFD) de 1500 umol m-2 s-1. O IRGA (analisador de gás a infravermelho portátil, de sistema aberto, modelo LI-6400 (Li-Cor, USA)) foi ajustado para o fluxo de 400 umol s-1, concentração de CO2 e H2O dentro da câmara de medição em torno de 400 ± 4 umol mol-1 e 21 ± 1 mmol mol-1, respectivamente. A temperatura do bloco foi mantida em torno de 31°C ± 1°C. A eficiência no uso da água (EUA) e da luz (EUL) foi calculada pela relação entre as taxas de fotossíntese líquida (A) e transpiração (E) (Ferreira et al. 2009).

    Para determinar as taxas de fluorescência, as folhas são submetidas a um pulso de luz saturante de intensidade de 3.000 umol m-2 s-1 e comprimento de onda de 650 nm por 5 segundo após 30 minutos de adaptação no escuro (Schimpl et al. 2019). A partir da obtenção da fluorescência serão determinadas a fluorescência inicial (F0), máxima (Fm) e variável (Fv = Fm - F0), a eficiência máxima do fotossistema II (Fv/Fm).

    Scripts:

    Explorando os dados ## [1] "A. orgânica" "A. químic