Emagrecimento quebrando mitos e mudando paradigmas paulogentil

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    22-Jan-2018
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  1. 1. A obesidade e o excesso de peso so fenmenos que se alastram de forma descontrolada na sociedade moderna, acarretam imenso prejuzo econmico e prejudicam a vida de milhes de pessoas. Alm disso, h uma busca constante de meios eficientes de reduzir a gordura corporal com finalidades estticas. No entanto, apesar da perda de gordura ser um objetivo muito comum, os mtodos atuais no tm sido capazes de emagrecer a maioria das pessoas. E isso se deve ao fato de adotarmos uma abordagem inadequada e um paradigma muito limitado para abordar o problema. O livro traz muitas sugestes e ideias pioneiras. O autor faz uma anlise crtica das abordagens comumente usadas para o emagrecimento e esclarece os motivos de sua ineficincia. O livro traz informaes que ajudam no entendimento do processo de ganho e perda de peso e, principalmente, apresenta uma nova proposta cientificamente embasada de como praticar exerccios para obter melhores resultados quando o objetivo a perda de gordura, seja por questes de sade, seja por questes estticas.
  2. 2. Prefcio Foiumgrandeprazerescreveroprefciodeumlivroqueaborda assunto de tamanha importncia, sobretudo por ter sido redigido por profissionalepesquisadorcujabrilhantecarreiraetrabalhosdepesquisa venhoacompanhandodepertoecombastanteinteresse. Emagrecimento:Quebrandomitosemudandoparadigmasfoiescrito parasuprirumalacunanaliteraturaatualeajudarprofissionaisdareada sade a melhor entenderem os efeitos da atividade fsica intensa e do treinamentocompesosnocontroleponderal,comotambmauxili-losa desenvolverem programas especficos para melhorarem o desempenho humanoeasade. Comooprpriottuloexpressa,estelivroquebraralgunsmitose mudarparadigmassobreaimportnciadoexerccionocontroleponderal. Otexto,paramelhorcompreensodoleitor,iniciacomumpanoramado tema,passaporumarevisosobremetabolismoenergticoesobreopapel dotecidoadiposonasade-emumaabordagemquepoucoconhecida, apesar de ser de grande importncia para a compreenso de como o excessodepesopodeinterferirnasadedaspessoas-para,emseguida, tratar dos mtodos para compreenso do papel da atividade fsica no emagrecimento. Na segunda parte, abrange interessantemente e com muito embasamentocientficoofracassodasabordagensaerbicasnocontrole dopesocorporal. Nasltimaspartesdolivro,oautormostradeformaclaraesimples, com base na literatura cientfica atual, a importncia da atividade fsica intensa e da musculao no emagrecimento, dando exemplos prticos e orientaesparaquemdesejaprescreverecompreenderaprescriode exerccios. Apsaleitura,fiqueiespecialmenteimpressionadocomestelivro, poisinteligentementecombinateoriaeprtica.Omaterialnestaspginas irsatisfazerqualquerumquetenhainteresseementenderosprincpiose acinciadarealizaodeatividadefsicaedotreinamentocompesosno emagrecimento. Portanto, no posso deixar de recomend-lo para profissionaisdoramodasadeeprincipalmenteparaaquelesdareada educaofsicaquequeiramaprendermaissobrecomooexercciopode ajudarnamelhoriadacomposiocorporal.
  3. 3. Introduo Aobesidadeeoexcessodepesosofenmenosquesealastramde forma descontrolada na sociedade moderna, acarretam imenso prejuzo econmicoeatuamnegativamenteemaspectosqualitativosequantitativos davidademilhesdepessoas.Almdisso,nosepodenegarquehuma tendnciacrescentedeseprocuraremmeiosdereduziragorduracorporal comfinalidadesestticas.Oobjetivodestelivrotrazerinformaesque ajudem no entendimento do processo de ganho e perda de peso e, principalmente, uma nova proposta cientificamente embasada de como praticar exerccios para obter resultados mais positivos na reduo ponderal. Houve dificuldade enorme na produo deste livro, pois em princpio foi necessrio me desvencilhar de muito conhecimento que eu acreditava ser verdade absoluta e, depois, falar para as pessoas algo contrrioaoqueelastambmacreditavam.Sinceramente,noseiqualdas tarefas foi mais rdua. Na verdade, os conceitos deste livro foram descobertos muito antes dos conceitos apresentados no livro Bases CientficasdoTreinamentodeHipertrofia,noentanto,foinecessriomuito maistempotantoparaapresent-losempalestrasquantoparacoloc-los emumlivro.Issodeveu-seaotemaserbastantedelicado,poisasteorias contestadas so extremamente arraigadas em nossas prticas e, por que nodizer,muitoqueridaspelamaioriadens. Tudo se iniciou com a busca pelos fundamentos iniciais da prescriodeexerccioparaemagrecimento;aintenoeraentendercomo comeou para acompanhar a evoluo dos conceitos e confirmar o que vinhasendofeito.Noentanto,essabuscapelasbasestericastrouxemais dvidas do que certezas, mais negaes do que afirmaes, obrigando ampliaodaleituraededicaodemuitashorasdepesquisaatchegar inequvoca concluso de que algo estava errado. E isso que ser apresentadoaolongodolivro,demaneiraresumida. Estelivrosegueummodelopoucocomum.Aoinvsdetentar convenceroleitorcomapeloemocional,jogosdelinguagemoutcnicasde vendas, foi feita a opo de descrever estudos e apresentar dados cientficos.Deformaalgumahpretensodeseesgotaraliteraturasobreo tema,osartigosapresentadosforamselecionadosconformesuarelevncia, quepodeserdevidoaocontextohistrico,qualidadedotrabalho,renome dosautoresououtrosaspectos.
  4. 4. Paramuitos,aleiturapoderparecerdensainicialmente;adespeito disso, tem-se que importante a apresentao de uma quantidade considervel de informao, pois a obra prope rompimento com um paradigmaprofundamentearraigadoemnossoarcabouoterico.Seriaum desrespeito ao leitor se tal proposta fosse feita com base somente em opiniopessoalouemcitaessuperficiais. Muitassugestessoideiaspioneirase,porvezes,chocam.No futuro,poderoserquestionadasapsanlisesmaisprofundas,noentanto, oobjetivodolivronoconstruirumaverdadeoucriarummodeloeterno, esimprovocarreflexessobretematoimportanteparanossasociedade epoucodebatidodeformaaprofundada.Portanto,sealgumautorinvestir seutempoeenergiaparaacrescentarinformaes,mesmoquecontrrias strazidasaqui,partedoobjetivodolivroestarsendocumprido. Convidooleitoraparticipardadescoberta,maspeoquefaaa leitura livre de pr-conceitos e que tente, na medida do possvel, uma compreensotcnicaeimparcialsemapegoaosparadigmasdominantes. Lembre-sedequeacinciaevoluiconstantementeequeumateorias boaseeladescrevecorretamenteamplagamadeobservaeseconsegue predizeradequadamenteoresultadodenovasobservaes(adaptadado conceitoexpostoporStephenHawkins);seumateorianoconseguefaz- lo,entohoradeprocuraroutraqueofaa.
  5. 5. Obesidade:Panoramadoproblema CaptuloescritoemcoautoriacomaMsc.ElkeOliveira Oprocessoevolutivodohomemcaracterizadoporconstantes alteraesnaofertadealimento.Nossosancestraismaisremotosviviam predominantemente em rvores, em florestas com disponibilidade de alimentosrelativamentealtaedebaixadensidadecalrica,comoasfrutas. Esse quadro foi se alterando gradativamente. Os Australopithecus, primeiros homindeos conhecidos, enfrentaram mudanas climticas que serefletiramemalteraesambientaisdeterminantes,comoaprogressiva substituiodeflorestasporsavanaseconsequentediminuiodaoferta de alimento. Para que a sobrevivncia fosse possvel, nossos ancestrais sofreramtransformaesfsicas(adoodaposturaereta,diminuioda quantidade de pelos, bipedalismo...) e fisiolgicas em resposta a essas mudanas ambientais. Os sucessores dos Australopithecus continuaram a sofrer com as alteraes ambientais e seus corpos continuaram a se adaptar em termos morfolgicos e funcionais. O Homo Erectus, por exemplo,atravessouperodosdeclimaadversoeescassezdealimentos,o que o obrigava a caminhar distncias de at 15 quilmetros para obter alimentos.Essasmudanasprogrediramnomesmosentidoatchegarem nossaespcie,oHomoSapiens, que, em princpio, seria ainda mais ativa queseusantecessores,comopodeservistopelosforrageadoresmodernos (Cordainetal.,1998). Percebe-seentoque,nodecorrerdoprocessoevolutivo,ohomem tornou-semaisativoaomesmotempoemqueosalimentostornaram-se menosacessveis.Parasobreviver,ohomemprecisariasermaiseficiente, ou seja, gastar menos energia em repouso para poder realizar as longas caminhadasembuscadealimentos,bemcomoasdemaisatividadesdeseu cotidiano,asquaisenvolviamesforosdeintensidadealta(lembrando,por exemplo, que ainda no se usavam alavancas ou roda para facilitar o trabalho braal e multiplicar a fora). A observao do metabolismo ao longo da pr-histria refora a hiptese: enquanto o Australopithecus afarensisgastavacercade63%daenergiacomometabolismoderepouso, umforrageadormodernogastaapenas46%(Cordainetal.,1998),ouseja, essesmilhesdeanosnosobrigaramagastarmenosenergiaemrepouso parapodermosus-lanaatividadefsica. Apartirdestesdadospodemosconcluirquefomosgeneticamente desenhados para sermos ativos e ingerir uma quantidade de alimentos
  6. 6. relativamentebaixa.Noentanto,empoucosanosasituaoambientalfoi alteradadrasticamente.Emcercade10.000anosdeixamosdesernmades e passamos a dominar a pecuria e a agricultura, com isso, a oferta de alimentos se tornou maior e a necessidade de praticar atividades fsicas diminuiudeformaabrupta.Paraseterideia,umhomemsedentriogasta cerca de um tero da energia que um de nossos pares nmades gasta normalmente (Cordain et al., 1998). Hoje, o percentual de nosso metabolismodestinadosatividadesfsicasaindamenordoqueerapara o Australopithecus, ou seja, em menos de 10 mil anos, ns fizemos um regressometablicademaisde4.000.000anos! Essavelocidadedealteraonopdeseracompanhadaporuma reestruturaogenticaadequada.Segundoestudosemfsseis,apartede nossoDNAassociadaaometabolismopraticamentenomudounosltimos 50.000anos(Vigilantetal.,1991;Wilson&Cann,1992),ouseja,ainter- relaoentreingestocalricaegastoenergticopraticamenteamesma desdeaidadedaspedras.Noentanto,emmenosde100anos,osaparelhos quediminuemoesforoemcasaenotrabalho,ostransportesmotorizados e as atividades recreativas cada vez mais sedentrias (cinema, teatro, videogame, etc) reduziram a quantidade de esforos fsicos a um nvel muitomenoremcomparaocomoqualnossogenomafoiselecionado.Ao mesmo tempo, houve aumento da disponibilidade de alimentos, especialmente os de alta densidade calrica. Nas sociedades industrializadas,aatividadefsicatornou-seextraordi