EDITORIAL - Voc tem em mos a Revista Hermenutica 2003. Nesta edio,

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  • EDITORIAL

    Voc tem em mos a Revista Hermenutica 2003. Nesta edio,

    Joaquim Azevedo, faz um estudo lingstico, contextual e teolgico sobre

    Gnesis 4:7, com nfase na sentena porta do Paraso, em ligao com

    a obra redentora de Deus. O autor mostra indcios da correspondncia entre

    elementos com a cultura do Antigo Oriente Prximo e com o Santurio

    israelita.

    O artigo de William H. Shea, Quem sucedeu Xerxes no trono

    da Prsia?, aborda o tema do ano de ascenso de Artaxerxes, que de

    importncia crucial para a interpretao dos elementos temporais das

    profecias de Daniel 9:24-27e 8:14.

    A seguir, um importante aspecto de Malaquias 3:8-10 explorado por

    Demstenes Neves, onde analisa, entre outras coisas, se o texto tem uma

    nfase congregacional ou aplica-se a uma instituio mais ampla. Este

    tema controvertido ser analisado luz do contexto da passagem, levando-

    se tambm em conta o legado de Ellen G White, escritora e pioneira da

    Igreja Adventista do Stimo Dia.

    Evandro Luiz da Cunha, versando sobre a afi nidade entre Religio

    e Filosofi a, demonstra que a realidade abarcada pela Cincia, Religio e

    Filosofi a. Analisa como um modelo holstico e ecltico mostra as facetas

    da verdade ao invs do modelo dicotmico

    Adiante, Ozeas Moura discorre sobre o discipulado exemplar de

    Bartimeu no que diz respeito ao reconhecimento das prerrogativas de

    Jesus, a sua f e prontido em seguir aps Ele. Finalizando, Luiz Nunes

    analisa os mtodos evangelsticos mais usados para implantao de uma

    nova igreja e para o crescimento dela, com base em amostragens do

    evangelismo levado a cabo nas regies Norte e Nordeste do Brasil. Estes

    mtodos so avaliados pelos resultados em igrejas com alto, mdio e baixo

    crescimento.

    O Editor

  • PORTA DO PARASO.

    UMA INTERPRETAAO CONTEXTUAL DE GEN 4:71

    Joaquim Azevedo2

    al{ ~aiw> taef. byjiyTe-~ai aAlh]

    `AB-lv'm.Ti hT'a;w> Atq'WvT. ^yl,aew> #bero taJ'x; xt;P,l; byjiyte

    Resumo

    Alguns problemas lingsticos parecem obscurecer a compreenso de Gn 4:7, tais como: o lugar de Gn 4:7 no restante da narrativa, a m compreenso da Concordncia de gnero concernente relao dos sufixos pronominais com seus antecedentes, os significados da palavra taJ'x; geralmente traduzida como pecado em Gn 4:7, o particpio masculino do verbo #bero - deitar estirado, descansar - em relao ao substantivo feminino taJ'x;, e a importncia da expresso xt;P,l; porta para o restante da narrativa. O propsito deste artigo tomar fazer uma boa traduo de Gn 4:7 baseada neste cenrio contextual e comparada com o pano de fundo do Antigo Oriente Prximo (AOP).

    Abstract

    Some linguistic problems seem to obscure the understanding of Gn 4:7, such as: the place of Gn 4:7 in the rest of the narrative, the misunderstanding of the gender regarding the relationship of the pronominals suffixes with its antecedents, the meanings of the word taJ'x; generally translated as sin in Gn 4: 7, the masculine participle of the verb #bero to lie stretched, to rest in relation to the feminine noun taJ'x; and the importance of the expression xt;P,l; at the door for the rest of the narrative. The purpose of this article is to try to do a good

    1 Esta uma traduo do artigo At the Door of Paradise. A Contextual Interpre-tation Of Gen 4:7, publicado em Biblische Notizen l00 (2000): 45-59.

    2 Joaquim Azevedo, ex-professor do Salt Iaene, Ph. D. em Religio pela An-drews University.

  • 4 Hermenutica 3, 2003

    translation of Gn 4:7 based on this contextual scenery and compared with fl ue Ancient Near East (ANE) background.

    Introduo

    A compreenso das difi culdades listadas no resumo acima crucial para traduzir Gn 4:7. O dados-base so a forma literria fi nal do texto hebraico ao invs de discusses contestveis da alta crtica e transmisso do texto. Embora tenha examinado todo o material que conheo sobre esse assunto, no pretendo apresentar um resumo da histria da interpretao desta passagem.3

    Dividi este artigo em trs sees. A primeira trata do discurso lingstico do texto, que o primeiro problema lingstico da lista acima; a segunda lida com os demais problemas lingsticos da mesma e a terceira apresenta um paralelo da descrio do Paraso (Gn 1-3) com o posterior Santurio Levtico e com o fundo mitolgico do AOP.

    1. A Relao de Gn 4:7 com o Restante da Narrativa

    Um discurso lingstico do texto apropriado neste ponto para esclarecer a relao literria de Gil 4:7 para a percope inteira. Esta seo foi divida em duas partes: a primeira est no nvel do texto, delineando a histria de acordo com o modelo tagmmico, a segunda est ao nvel da sentena de acordo com

    3 Para posterior discusso deste assunto, ver: M. Ben Yashar Sin Lies for the Firstborn, (Heb) Beschwerde-Management in Kreditinstituten (BMik) 7(1963): 166-119; G R. Castellino, Gen 4:7, Vetus Testamenti (VT)10 (1960): 442-445; M. S. Enslin, Cain and Prometheus,Journal of Biblical Literature (JBL) 886 (1966): 88-90; S. Levin, The More Savoring Offering: A Key to the Problem of Gn 4:1-16, VT26 (1976): 70-78: L. Ramoroson, A Proposed Gen 4:7, Bib 499 (1968): 233-237;B. K. Waltke, Cain and H is Offering, The Westminster Theological Journal (WTJ) 48.(1986): 363-372; E. A. Mangan, A Discussion of Gen 4:7, CBQ 6 (1944): 91-93; A. Dillmann, Genesis (Edinburgh:T. & T. Clark, 1897); John Skinner, Genesis, in International Critical Com-mentary, vol. 1 (New York.: Charles Seribners Sons, 1910); E. A. Speiser, Genesis, in Anchor Bible, vol. 1 (Garden City, New York: Doubleday & Company, 1987).

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 5

    a gramtica funcional de Buth.

    A. Nvel do Texto

    Ao nvel superfi cial da estrutura do texto pode-se observar onde este verso pode ser colocado no contexto da percope inteira (4:1-16). Esquematizarei isto como segue:

    (1) A percope est sem a abertura tagmeme.

    (2) Estgio: (Gn 4:1-2) A orao inicial w [x] qatal4 no fundo da formao de Gn 4:1 ([d:y" ~d'a'h'w>, e o homem conheceu...) marca o limiar de um novo pargrafo com uma nova cena e novos personagens em vez da construo mais-que-perfeita.5 Neste caso, ainda que ~d'a'h' - o homem- esteja na posio pragmtica (P1), no um fator contextualizante, pois o autor prossegue escrevendo sobre Eva e seus dois fi lhos, em vez de Ado, o homem. A implicao aqui : quem era o primognito? E nenhuma dvida foi deixada sobre esse assunto (ver 4: 1). Portanto, neste caso a formao w [x] qatal (Gn 4:1) marca o comeo de um novo pargrafo, alm de indicar o tempo mais-

    4 O smbolo [x] est a por causa de urna orao constituinte como um sujeito, complemento, ou algum modifi cador na posio inicial.

    5 Rnall Buth, Functional Grammar, Hebrew and Aramaic: An Integrated, Tex-tlinguistic Approach to Syntax, em Discourse Analysis of Biblical Literature: What It Is and What It Ofers, ed Walter R. Bodine (Atlanta Scholars Press, 1995), 89; de acordo com Buth, bastante freqente na narrativa hebraica algum encontrar substantivos na posio P1 [pragmtica] que no prov organizao temtica especfi ca para as oraes subseqentes, mas simplesmente serve para desligar a orao da seqncia principal de oraes. Elas so usadas como uma estrutura descontnua para quebrar e marcar o fi m do tempo, pargrafo, ou divises de episdios; Pedro J. Gentry, The System of the Finite Verb in Classical Biblical Hebrew, Hebrew Studies 38 (1997). Em relao ao discurso gramatical e pragmtico, Gentry argumenta que as formas consecutivas, wayyiqtol e weqatal, so empregadas para codifi car ou para priorizar a informao no discurso. Por defi nio, as formas requerem inicial posio do verbo; por isso o primeiro plano de uma narrativa a cadeia de eventos. Sinais no-seqnciais so uma quebra na linha do evento indicada tanto por uma orao coordenada sindtica e um par diferente de verbos deter-minando tempo e qualidade, isto , [x] qatal e [x] yiqtol, 13p.

  • 6 Hermenutica 3, 2003

    que-perfeito (Buth, p. 89). Ele tambm distingue esta funo da formao w [x] qatal em Gn 4:1.

    Com relao ao trabalho de Abel e Caim, Gn 4:2 afi rma que hm'd'a] dbe[o h"yh' !yIq;w> !aco h[ero lb,h,-yhiy>w:, e Abel foi pastor, mas Caim fora um agricultor. Aqui, o uso da formao w [x] qatal (perfeita, de acordo com Zevit, p. 22) indica que Caim fora agricultor muito antes de Abel ter ingressado no pastoreio.6 De acordo com Niccacci, se o autor tivesse continuado [em Gn 4:2] a srie de WAYYQTOLs, os dois personagens teriam sido introduzidos prximos um do outro, como links do mesmo canal.7 O caso aqui diferente. A nfase aqui est no contraste deles. O tipo de profi sso dos personagens tem um papel importante na histria, pois disto eles trouxeram suas ofertas.

    (3) Evento: (Gn 4:3-7) introduzido pela sentena ~ymiy" #QEmi yhiy>w: e aconteceu no decorrer do tempo...8 O contraste entre Abel e Caim,

    6 Ziony Zevit, The Anterior Construction in Classical Hebrew, The Society of Biblical Literature, Monographic Series vol. 50 (Atlanta: Scholars Press, 1998). 15. Quando o autor da narrativa em prosa quis determinar inconfundivelmente 1) mais que perfeito, i.e., que uma ao dada no passado tinha comeado e terminado antes de outra ao no passado, ou 2) perfeito, i.e., que uma dada ao no passado tinha comeado mas no necessariamente terminado no passado antes do comeo de outra ao, eles empre-garam urna particular formao para expressar esta seqncia, um tipo de orao cir-cunstancial... A estrutura destas oraes ns + S (sujeito) + gatal. Portanto, a condio necessria um verbo no passado, (w)yqtl ou qtl, na narrativa da orao anterior.

    7 Alviero Niccacci, The Syntax of the Verb in Classical Hebrew Prose, supplement series vol. 86 (Sheffi eld:JSOT Press, 1990), 31.

    8 R. E. Longacre,